1.2. Les BE dans le système national d’expertise
1.2.2. Les BE de notre enquête
1.2.2.1. Typologie des BE
Sabemos que há formulações gerais acerca da política em diversos textos de Marx, embora de forma fragmentária e pouco sistematizada. Conforme Chagas100, Marx participou intensamente da política, mesmo não sendo um militante ativista, e cita os episódios principais dos quais Marx participou ativamente ou apenas observou atentamente, escrevendo sobre os mesmos, tais como a Revolta dos Tecelões da Silésia (1844), a Revolução Alemã (1848) e a Comuna de Paris (1871). A partir desses três episódios históricos, Marx nos legou uma vasta produção teórica em que analisou, criticou e narrou tais momentos políticos, ou seja, as Glosas Crítica s (sobre a Revolta dos Tecelões), Artigos da Gazeta Renana (sobre a Revolução Alemã) e A Guerra Civil na França (sobre a Comuna de Paris). Também escreveu outros textos que trataram da política como forma de emancipação universal da humanidade e aqui podemos citar Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, A Questão Judaica, os Manuscritos Econômico-Filosóficos, A Ideologia Alemã, Manifesto do Partido Comunista, As Lutas de Classes na França, O 18 Brumário de Luís Bonaparte, A Revolução e Contra-Revolução, O Capital e a Crítica ao Programa de Gotha que constituem, assim, as contribuições teóricas mais importantes para se compreender as matrizes e os fundamentos da reflexão marxiana sobre a política. Na verdade, quatro categorias, pelo menos, fazem parte desse desenvolvimento teórico-político de Marx que podem ser resumidas em Estado (político moderno), Sociedade Civil, Emancipação Humana e Socialismo.
100
Cf. CHAGAS, Eduardo Ferreira. A crítica à política em Marx. In: ADRIANA E SILVA SOUSA (Orgs.) et al. Trabalho, filosofia e educação no espectro da modernidade tardia. Fortaleza: Edições UFC, 2007. p. 67 et seq.
Iniciemos, então, a partir da Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel – Introdução (1843), onde Marx se coloca contra a tentativa de se aperfeiçoar o Estado e a política. Nessa exposição, Marx se contrapõe a Hegel que concebe o Estado como instância universal em que se diluem os interesses particulares da sociedade, mesmos os interesses antagônicos e conflitantes, ou seja, a família, a sociedade civil, a individualidade e a particularidade são amalgamadas no interesse universal de todos, a saber, numa entidade universal chamada Estado. O Estado é aí o sujeito determinante, o princípio fundante, e a família e a sociedade civil são predicados da ideia universal. Noutras palavras, o Estado é, para Hegel, a Razão Universal, a Ideia Absoluta, que contempla todos os interesses de classes sociais; o Estado é o mediador das diferentes vontades sociais. Para Marx, em contraste com Hegel, o Estado (burguês) é o grande fomentador da separação entre sociedade civil e sociedade política, quer dizer, ele aliena da sociedade civil o poder de decisão política para si, só que em benefício da classe que o domina economica e politicamente, isto é, a classe dominante da sociedade.
Quando Marx afirma nesse texto da Introdução que o homem não é um ser abstrato
que está fora do mundo e diz que “o homem é o mundo do homem, o Estado e a sociedade”101
, ele assevera que a realidade social é o demiurgo das instituições que controlam o homem. O mundo é o próprio reflexo político e religioso do homem, isto é, do Estado e da sociedade, nos quais está inserido como ser social. Fazendo uma análise sobre o torpor da religião, como produto da sociedade em que o homem constrói uma história e uma felicidade ilusória, Marx anota que a miséria religiosa é a expressão da miséria real ou protesto contra a miséria real. A religião substitui, de certa forma, a política como consolo ao sofrimento humano, pois abolir a felicidade ilusória, patrocinada pela religião, é exigir impreterivelmente a felicidade real, na qual é construída a partir de uma ação política radical que possa abolir a condição social que precisa dessas ilusões, sejam elas políticas ou religiosas. Se o homem se livra dessas ilusões e reconquista a razão, a sua tarefa histórica se realiza, ao estabelecer a verdade deste mundo que é resgatar o homem da sua perda de si próprio e para si mesmo enquanto ser genérico, ser universal, ou, melhor dizendo, desmascarar a autoalienação humana tanto nas suas formas sagrada s (religiosas) como não sagradas (econômicas), ou
como mesmo diz Marx: “A crítica do céu transforma-se na crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito, e a crítica da teologia em crítica da política.”102 Em outras palavras, cabe agora fazer a crítica da política na forma como ela se desenvolve
101
MARX. Contribuição à crítica da filosofia do direito de Hegel – Introdução. In: op. cit., p. 77.
102
historicamente na sociedade moderna, isto é, negar o nosso presente político (Marx fala aqui da Alemanha de 1843 que ainda não atingiu o ano de 1789 da Revolução Francesa)103 que é
“um facto poeirento no quarto das arrumações histórico das nações modernas.”104
Parafraseando Marx, quando ele diz que é preciso declarar guerra à situação da Alemanha de sua época, porque está abaixo do nível da história e de toda a crítica, podemos inferir então que é preciso declarar guerra à situação do capitalismo contemporâneo que pôs a história do homem ao nível mais perverso e vil de sua condição humana. A situação socioeconômica em que o ser humano vive hoje, sob as rédeas da perversa estrutura metabólica do Capital, urge ser negada ou superada por outra situação histórico-social. O capital é o carrasco do homem (do planeta) como frisa Marx. Por outras palavras,
Na luta contra esta situação, a crítica [anticapitalista] não é paixão da cabeça, mas a cabeça da paixão. Não é uma lanceta anatómica, mas uma arma. O seu alvo é um inimigo que ela procura, não refutar, mas destruir. É que o espírito de tal situação já foi refutado. [...] A crítica já não necessita de ulterior elucidação do seu objeto, porque já o entendeu. A crítica não é fim em si, mas apenas um meio; a indignação é o seu modo essencial de sentimento, e a denúncia a sua principal tarefa.105
Marx já demonstrava, portanto, que a humanidade precisava se afastar do seu passado, quer dizer, enterrar uma formação antiga para que outra nova possa nascer; é assim que tem que ser feito com os poderes políticos que sustentam uma formação histórica caduca. Não foi à toa que Marx fez a crítica ao presente político alemão. Para ele, no entanto, depois que a crítica se ocupar da moderna realidade social e política, colocando autenticamente os problemas humanos, faz-se necessário apreender o objeto a partir do próprio objeto, ou seja, no caso, apreender a relação da indústria ou do mundo da riqueza em geral com o mundo político é um dos problemas fundamentais dos tempos modernos. Nesse sentido, fazer rupturas com as condições políticas é sujeitar à crítica essas condições existentes, a saber, negar as circunstâncias políticas e jurídicas reais não apenas idealmente como fez a Alemanha no tempo de Marx, mas criar as condições práticas de efetivação desse Aufhebung histórico. Como ele mesmo diz, realizar a filosofia é realizá-la na prática, ou melhor, “Em política, os alemães pensa ram o que as outras nações fizeram.”106
Criticando então o status quo do sistema político alemão, como expressão e consumação do antigo regime ou o espinho na carne do Estado moderno, Marx anota que o
status quo da ciência política alemã é a expressão da própria imperfeição do Estado moderno
103
Cf. MARX, Contribuição à crítica da filosofia do direito de Hegel – Introdução. In: op. cit., p. 79.
104
MARX, op. cit., p. 79
105
Ibid., p. 80.
106
em si, a degenerescência de sua carne. Daí, podemos extrair das inferências de Marx que a prática política sem uma teoria, como um reflexo real das condições presentes, não tem força material, pois a energia prática da política requer a crítica da arma como força espiritual que se apodere das massas, senão fica impossível derrubar as condições em que o homem surge
como ser humilhado, escravizado, abandonado e desprezível, ou seja, como “pobre cão”,
como ele cita na Introdução. Fazer a emancipação política não é para Marx fazer a emancipação humana em geral. “Uma revolução radical só pode ser uma revolução de
necessidades reais”107
, como diz Marx. É preciso pôr em debate as deficiências civilizadas do mundo político moderno que não conseguiu solucionar as deficiências bárbaras do antigo regime. Nesse caso, é denunciar a insensatez dos sistemas políticos que constroem barreiras entre o Estado e a sociedade; e, para Marx, demolir tais barreiras gerais da política atual é
conditio sine qua non para realizar o processo de restituição do poder à sociedade.
Marx, na verdade, faz uma crítica cáustica à utopia da política moderna que se restringe a fazer uma revolução parcial, meramente política, deixando intactos os pilares do edifício social que sustentam a realidade hostil presente. Para Marx, somente uma classe da sociedade capitalista pode despertar o entusiasmo político nas massas para edificar a verdadeira sociedade da liberdade, o proletariado. No entanto, seus interesses têm que ser a representação de todos os interesses da sociedade. E não basta apenas ter energia e consciência revolucionárias, pois, para que esta classe possa ter essa posição de classe libertadora e de direção política, é necessário que ela concentre em si todos os males sociais e represente o todo da sociedade. Se o proletariado é o representante negativo desta realidade opressora, sua força material para chegar ao poder político é a classe oprimida, mas politicamente organizada. A possibilidade positiva da emancipação total da humanidade para
Marx é quando o proletariado se constitui como “classe para si” e anuncia a dissolução da ordem social existente, declarando, assim, o mistério da sua própria existência que é nada mais nada menos uma existência calcada na negação da propriedade privada. A teoria crítica é arma intelectual do proletariado, e o proletariado é arma material da teoria crítica. Como diz
Marx, “nenhum tipo de servidão será abolido, se toda servidão não for destruída.”108 E para Marx, essa realização não se dará jamais apenas com o tipo de emancipação política que se restringe a tentar implementar direitos sociais onde o sistema capitalista é o grande entrave para tal. É somente o movimento revolucionário que possibilitará essa condição humana, destruindo a base social que sustenta a exploração humana.
107
Ibid., p. 88.
108
Conforme Mészáros109, a concepção de política mais antiga de Marx se articulou a partir de uma tripla negação que coloca em perspectiva as potencialidades e limitações do
modo político de ação, isto é, nas circunstâncias da “miséria alemã”. Com efeito, Marx deu
ênfase na severidade das limitações que a política desenvolvia a partir do Estado político moderno, ou melhor, dos direitos civis constituídos de jure e não plenamente de fact. Para Mészáros, a definição negativa de política se estendeu como um tema central de sua obra até o final de sua vida. Assim sendo, a negação de Marx se direciona para três objetos:
o primeiro objeto de sua crítica foi o subdesenvolvimento alemão e uma
ação política vácua sob os limites de um capitalismo feudal. A Alemanha estava com seu calendário político atrasado bem antes de 1789;
o segundo objeto concerne à negação da filosofia política de Hegel que
elevou ao nível de ciência as ilusões de realizar uma mudança, mas permanecendo nos limites da matriz política anacrônica e,
por fim, o terceiro objeto diz respeito às limitações da política francesa,
embora mais avançada do que a alemã, mas era inadequada a uma transformação social mais radical que pudesse suprimir o antagonismo social crescente.
Foi nesse contexto histórico alemão que Marx fez uma avaliação crítica das limitações políticas locais, quer dizer, levou-as a um questionamento radical da natureza e dos limites da
ação política (na modernidade). Por isso, sua tarefa de compreender a “anatomia da sociedade burguesa”, a partir da análise da crítica da economia política, proporcionou-lhe fazer uma
contrapartida positiva à sua tripla negação, só que num plano material. Também Marx, apesar de ter criticado Hegel, criticou os políticos radicais e revolucionários que não buscaram o fundamento do mal na essência do Estado, mas numa determinada forma de Estado.
Nas Glosa s Crítica s, Marx já alude ao comportamento do Estado moderno político,
afirmando que “O Estado jamais verá no ‘Estado e na organização da sociedade’ a razão das
mazelas sociais, [...].”110
. Para Marx, Estado e sociedade não são duas coisas diferentes do
ponto de vista político. “O Estado é a organização da sociedade.”111
O Estado considera a existência dos problemas sociais como decorrentes, ou das leis da natureza que independe do
109
Cf. MÉSZÁROS. Os limites da ação política. In: Para além do capital, p. 563.
110
MARX, Karl. Glosas Críticas ao Artigo “‘O rei da Prússia e a reforma social’ de um prussiano”. In: MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Lutas de classes na Alemanha. São Paulo: Boitempo, 2010. p. 38.
111
controle das forças humanas (catástrofes naturais), ou da vida privada, ou da ineficácia na administração. Daí o Estado querer atribuir a causa dos males sociais como consequências de deficiências acidentais ou intencionais da administração, porque esta é a atividade organizadora dele. Se o Estado é a máquina maior de ação política na sociedade moderna, esta ação se realiza na contradição entre vida pública e privada, isto é, na contradição entre os interesses públicos e particulares. Para sair do ponto de vista político e perceber o Estado a partir do ponto de vista crítico, Marx infere que
Quanto mais poderoso for o Estado, ou seja, quanto mais político for um país, tanto menos estará inclinado a buscar no princípio do Estado, ou seja, na atual organização da sociedade, da qual o Estado é a expressão ativa, autoconsciente e oficial, a razão das mazelas sociais e a compreender seu princípio universal. O entendimento político é entendimento político justamente porque pensa dentro dos limites da política. Quanto mais aguçado, quanto mais ativo ele for, tanto menos capaz será de compreender [as] mazelas sociais. O período clássico do entendimento político é a Revolução Francesa. Longe de vislumbrar no princípio do Estado a fonte das deficiências sociais, os heróis da Revolução Francesa veem, antes, nas deficiências sociais a fonte das irregularidades políticas. Nesta Linha, Robespierre vê a vasta pobreza e a grande riqueza apenas como um empecilho para ademocracia pura. Em consequência, ele deseja estabelecer uma frugalidade espartana universal. O princípio da política é a vontade. Quanto mais unilateral, ou seja, quanto mais bem-acabado for o entendimento político, tanto mais ele acredita na onipotência da vontade, tanto mais cego ele é para as limitações naturais e intelectuais da vontade, tornando-se, portanto, tanto menos capaz de desvendar a fonte das mazelas sociais.112
Tal citação mostra como Marx desmascara essa ilusão política que o Estado encarna
do entendimento político, ou seja, “política” e “voluntarismo” estão enredados um no outro, e os paliativos políticos baseados no desejo emana do “substitucionismo”, como diz Mészáros,
inerente à política (moderna) enquanto tal. Basta substituir o governante ou o partido político no poder de Estado que os males sociais poderão ser resolvidos. Daí surgir, então, o voluntarismo político que traz em si a ilusão de que apenas a boa vontade política é o motor da mudança social. Com efeito, a política (de domínio) como é parcial, não consegue realizar a autêntica universalidade da sociedade, pois ela impõe seus próprios interesses aos indivíduos sociais, apropriando-se para si própria do poder de arbitrar sobre os interesses parciais conflitantes em nome de uma universalidade usurpada. Dessa forma, Marx percebeu a contradição entre o social e o político como algo inconciliável, pois, à medida que a base social é antagônica, isto é, perpetuada por uma estrutura política, o Estado seria irredimível, logo descartável. Nas palavras de Marx,
O Estado não pode suprimir a contradição entre a finalidade e a boa vontade da administração, por um lado, e os seus meios e sua capacidade, por outro, sem suprimir a si próprio, pois ele está baseado nessa contradição. Ele está baseado na
112
contradição entre a vida pública e a vida privada, na contradição entre os interesses gerais e os interesses particulares. [...] Sim, frente às consequências decorrentes da natureza associal dessa vida burguesa, dessa propriedade privada, desse comércio, dessa indústria, dessa espoliação recíproca dos diversos círculos burgueses, frente a essas consequências a lei natural da administração é a impotência. Porque, essa dilaceração, essa sordidez, esse escravismo da sociedade burguesa é o fundamento natural sobre o qual está baseado o Estado moderno, assim como a sociedade
“burguesa” do escravismo era o fundamento natural sobre o qual estava baseado o
Estado antigo. A existência do Estado e a existência da escravidão são inseparáveis. [...] Se quisesse eliminar a impotência de sua administração, o Estado moderno teria de eliminar a atual vida privada. Se ele quisesse eliminar a vida privada, teria de eliminar a si mesmo, porque ele existe tãosomente como antítese a ela.113
Percebemos então que Marx enfatiza a necessidade de abolir o Estado para resolver as contradições sociais da sociedade civil. Isso está articulado à ideia de que o Estado e a política (liberal burguesa) não são capazes de abolir a si mesmos. Entretanto, essa abolição não pode se realizar a partir de um puro voluntarismo, ou seja, Marx ressalta que a futilidade dos esforços voluntaristas não consegue efetivar a abolição por mero decreto político, sobretudo, porque o Estado é um dos fatores materiais mais poderosos que existe sob o controle da classe burguesa dominante. Nesse sentido, Marx coloca em foco as limitações inevitáveis da política (burguesa) que está escrito nas Glosas:
Qual foi a consequência da ordem da Convenção? A consequência foi que passou a haver uma ordem a mais no mundo e que, um ano depois, a Convenção seria sitiada por mulheres famintas. A convenção, contudo, era o Suprassumo da energia política, do poder político e do senso político.114
Mészáros115 indaga que se o Estado é impotente para solucionar os problemas sociais tangíveis, como poderia o Estado abolir a si próprio para dar um fim as contradições que ele mesmo produz? Se esta não é a tarefa do Estado, qual força da sociedade está incumbida de realizar esse objetivo? Para Mészáros, tais questões deveriam ter sido respondidas pelo movimento socialista. E as respostas encontradas são as mais diferentes como também os são as estratégias das pessoas engajadas na luta.
Antes, porém, cabe ressaltar que Marx abordou o caráter do Estado na Questão Judaica, em que os judeus alemães lutavam para efetivar sua emancipação política, quer dizer, libertar o Estado alemão da influência da religião cristã, para torná-lo laico e, assim, eles se inserirem na participação política do Estado. Se Bauer quer submeter à crítica apenas o Estado cristão e não o Estado enquanto tal, ele cai em erro, afirma Marx. A emancipação política é a própria emancipação da burguesia e não da sociedade de uma forma geral, pois
113
MARX, Karl. Glosas Críticas ao Artigo “‘O rei da Prússia e a reforma social’ de um prussiano”. In: op.cit., p. 39-40. (Grifo nosso).
114
Ibid., p. 37.
115
somente a emancipação humana é que contempla a todos, a partir da revolução social e não revolução política apenas. Essa discussão sobre a relação entre emancipação política e emancipação humana perpassa toda essa reflexão marxiana. A tentativa de fazer com que o Estado deixe de ter uma atitude teológica, para se comportar politicamente, é apenas uma crítica ao Estado religioso, logo a crítica em si é somente uma crítica política do Estado. Marx deixa bem claro que, embora o Estado cesse de ser religioso, sua base humana é religiosa, quer dizer, a religião continua a existir na vida privada do indivíduo social. Nesse sentido, a existência da religião não se opõe de maneira nenhuma à perfeição do Estado.
O Estado se “liberta” dos constrangimentos religiosos sem necessitar que também o