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TRANSP Property

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8. New Properties

8.36. TRANSP Property

As entrevistas confirmaram algumas suposições, fruto das observações in loco, sobre as condições de habitabilidade do Sítio e responderam a algumas indagações que motivaram a realização deste trabalho. Ademais, revelaram aspectos que conduziram à formulação de novos questionamentos a respeito da condição de habitabilidade e de revalorização habitacional do Sítio Histórico da Boa Vista.

A análise exposta a seguir aborda, primeiramente, as necessidades e as expectativas habitacionais. São reveladas as condições habitacionais atuais, as motivações para a escolha do imóvel e da área habitada atualmente, a percepção quanto a essas condições e os critérios considerados para uma opção futura. Em seguida, revela a percepção quanto à circunstância habitacional presente no sítio histórico em questão. Alguns fragmentos dos depoimentos, que servem para ilustrar tanto as expectativas habitacionais quanto a percepção sobre a habitabilidade do sítio, serão expostos, entre aspas, no decorrer do texto.

Para auxiliar a análise, foi elaborado um quadro com todas as respostas do entrevistados. Na síntese desse quadro, exposta a seguir, pode-se identificar (i) o perfil socioeconômico dos entrevistados, (ii) a tipologia da residência atual, (iii) os meios de transporte e os bairros de deslocamento rotineiro e (iv) o horizonte de permanência no imóvel, bem como as avaliações quanto a cada uma das categorias que compõem a habitabilidade, o que permite verificar a constância das respostas. Os entrevistados estão identificados por códigos, que serão novamente referenciados no decorrer do texto.

5.2.1 Necessidades e expectativas quanto à escolha habitacional

Para os entrevistados, a condição de localização e inserção na trama da cidade tem grande importância para a escolha do local de moradia. A proximidade e a facilidade de acesso e de deslocamento para os locais de frequência rotineira foram citadas por todos os entrevistados dentre os principais fatores que contribuíram para a opção pela área, conforme é possível verificar no Quadro 2, adiante.

A proximidade ao local de trabalho, especificamente, foi citada como fator essencial para a escolha da área de moradia por 8 dos 12 entrevistados, conforme é possível observar também no Quadro 2. É importante ressaltar que, dentre os que ressaltaram a proximidade do local de trabalho, havia pessoas que trabalhavam nos bairros vizinhos do Derby e de Santo Antônio, assim como pessoas que realizavam deslocamentos rotineiros, por motivo de trabalho ou de estudos, para os bairros de Boa Viagem, Espinheiro, Graças, Cidade Universitária e Engenho do Meio. Mesmo para aqueles que se deslocavam para bairros mais distantes, a localização da “área central” foi considerada positiva. A facilidade de acesso por transporte coletivo aos locais de trabalho, a redução dos custos com os deslocamentos e a proximidade de outros equipamentos foram fatores amplamente citados nas entrevistas.

À exceção de um, todos os entrevistados expressaram que realizam parte dos seus deslocamentos rotineiros, tais como ir ao trabalho ou às aulas, conduzir os filhos à escola e realizar compras de mantimentos, a pé. Uma entrevistada, que reside nas imediações da Avenida Agamenon Magalhães e trabalha no Derby, relatou que, “quando eu estou voltando para casa a pé, vendo aquele monte de carros parados, chega dá uma alegria”. Outra, moradora das imediações da Rua Fernandes Vieira, disse que “é muito bom se deslocar a pé, uma caminhadazinha de 10 minutos faz até bem para a saúde”. Ambas possuem veículo próprio, mas preferem fazer alguns percursos a pé e demonstram se sentir seguras no espaço urbano. “Não é perigoso não, eu nunca vi assalto, é muito movimentado na hora que eu vou, tem guardas...”. No entanto, uma delas se queixou em relação à qualidade dos passeios públicos. “As calçadas são horríveis, mas, como essa área ainda é sombreada, dá para andar.”

Quando se trata da “proximidade” dos equipamentos, bens e serviços públicos, é necessário mencionar que, segundo os dados apurados, em uma situação de centralidade, os deslocamentos a pé adquirem grande importância e que, mesmo que a qualidade do passeio

público não seja considerada “das melhores”, os percursos a pé são parte da rotina. Constatou- se ainda que, nessas circunstâncias, a proximidade é avaliada na “escala do pedestre”. Nessa escala, a proximidade do local de trabalho, fator altamente valorizado quando se trata da opção habitacional, é avaliada de formas diferentes, a depender da porção do bairro em que se habita. No âmbito da pesquisa, foram percebidas relações entre as diferentes sub áreas do bairro da Boa Vista com os seus bairros limítrofes: Derby, Espinheiro, Soledade, Santo Amaro, Santo Antônio e Coelhos. O fator de localização é percebido de forma heterogênea dentro da escala do bairro, pois suas sub áreas possuem diferentes distâncias para cada um dos bairros vizinhos e para os corredores de transporte, o que pode permitir o acesso mais ou menos fácil aos destinos rotineiros.

Para os entrevistados, a presença de equipamentos públicos, serviços e comércio de vizinhança foi considerada importante para a opção habitacional. Os estabelecimentos citados, entretanto, variaram entre os entrevistados. Nos solteiros ou separados que moram sós, constatou-se uma atitude positiva em relação à presença de estabelecimentos voltados para a sua condição familiar. Um deles afirmou: “Aqui tem toda a infraestrutura para quem mora só, restaurantes, bares, Bompreço”.55 Outro entrevistado expressou que “a Boa Vista tem todo o

agito”, referindo-se, especificamente, à proximidade de bares e casas noturnas e do Shopping Boa Vista. Os casais sem filhos apresentaram a preponderância da proximidade do local de trabalho quando se trata da opção habitacional, enquanto os casais com filhos parecem valorizar a proximidade a escolas. A facilidade de acesso a equipamentos de atendimento médico também foi considerada como um fator importante para a escolha da área.

O fator de “centralidade”, expresso de diversas maneiras, foi considerado de grande relevância para a escolha habitacional dos entrevistados. Alguns não chegaram sequer a cogitar outras áreas da cidade, enquanto outros, que consideraram outras localidades, continuam a se sentir atraídos pela diversidade de usos.

Três dos entrevistados frisaram que não procuraram imóveis em outras áreas da cidade, enquanto quatro consideraram o bairro de Boa Viagem56 no momento da escolha.

Dentre as semelhanças entre esse bairro e a atual área de moradia, foi destacada a presença de comércio e de serviços, enquanto a praia, a diversidade e a qualidade das opções de lazer foram citadas como diferenciais positivos de Boa Viagem.

55 Supermercado de uma rede conhecida.

Além de Boa Viagem, outros bairros, como Casa Amarela, Várzea, Cordeiro, Arruda, Caxangá e Iputinga, foram citados com menor freqüência como opção habitacional. A condição de relativa centralidade desses bairros foi expressa por alguns dos entrevistados, ao afirmarem que “cada um desses lugares é como um centro das suas áreas”.

A seguir, está exposto um quadro dos principais fatores que motivaram a escolha do centro da cidade como área de moradia, citados conforme a ordem de prioridade estabelecida pelos doze entrevistados.

Quadro 2 – Síntese dos fatores que motivaram a escolha da área Código do

Entrevistado Fatores considerados para a opção pela área

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