5.2.1. Remoção de óleo
Nessa etapa do experimento estudou-se o efeito da filtração no tratamento da água produzida. Visando a utilização desse processo no campo, estudar a influência da filtração no tratamento pode representar uma redução nos gastos, viabilizando operacional e financeiramente o processo. Como citado anteriormente, o valor de TOG permitido para descarte no meio ambiente, conforme o CONAMA 430/2011, é de 20 ppm para óleos minerais. Logo, é interessante verificar se apenas o tratamento com o tensoativo é suficiente para atender as normas de descarte previstas pela legislação e se o óleo residual após o tratamento interfere na germinação de ambas as culturas. Partindo desse pressuposto, em análise a Tabela 5.3, observa-se o percentual de remoção de óleo fazendo uso apenas da floculação iônica.
Tabela 5.3 – Concentração residual de óleo (ppm) e percentual de remoção (%) após tratamento da água produzida sintética via floculação iônica
Concentração de SB (ppm) Absorbância Concentração de óleo (ppm) % remoção
0 0,9233 122,87 - 300 0,1575 20,84 83,04 350 0,0967 12,74 89,63 400 0,0512 6,68 94,57 450 0,0354 4,57 96,28 500 0,0345 4,45 96,38
Nota-se que o valor máximo de remoção (96,38%) é alcançado com 500 ppm de tensoativo, enquanto que 300 ppm remove aproximadamente 83,04%. Quantitativamente, o valor final de TOG após o uso dessa concentração de sabão base foi de 20,84 ppm, uma vez que o valor inicial era de 122,87 ppm. Como a legislação permite até 20 ppm, a única concentração em que não atenderia a norma seria ao usar 300 ppm de sabão base para tratar a água produzida. A Figura 5.3 compara os efluentes obtidos após o tratamento com 300 ppm de
sabão base, sendo o primeiro efluente submetido à floculação e posterior filtração (filtrado), enquanto que o outro foi utilizado apenas a floculação iônica (floculado).
Figura 5.3 – Efluentes tratados via floculação iônica e filtração (Filtrado) e apenas com a floculação iônica (Floculado)
Verifica-se, conforme a Figura 5.3, que visualmente o efluente “floculado” encontra- se mais turvo do que o efluente “filtrado”, contendo assim uma quantidade maior de óleo disperso. As outras concentrações de tensoativo removeram o suficiente para tornar possível o reuso dessa água. Nesse aspecto, fazer uso apenas da floculação iônica viabiliza o processo, atingindo praticamente o mesmo objetivo que o tratamento combinado (floculação iônica e filtração).
5.2.2. Teste de germinação
Os efluentes utilizados na germinação das sementes de alface e gergelim foram: Água destilada como controle (Efluente 1), água produzida sintética sem tratamento (Efluente 2) e água produzida sintética tratada com 5 diferentes concentrações de sabão base – 300 ppm (Efluente 3), 350 ppm (Efluente 4), 400 ppm (Efluente 5), 450 ppm (Efluente 6) e 500 ppm (Efluente 7).
Sobre o efeito desses efluentes na germinação das sementes de alface, observa-se na Tabela 5.4 que apenas os parâmetros de G, PCG e MS não apresentaram diferença significativa a 95% de confiança. Para os outros parâmetros, mais uma vez as médias da AP tratada apresentam um desempenho satisfatório quando comparado ao da AP sem tratamento, sendo bem próximas à média obtida pelo controle. A única exceção foi o comprimento da radícula,
no qual a AP com e sem tratamento influenciam negativamente nesse parâmetro. Sobre o IVG, percebe-se que a variável é favorecida à medida que ocorre o aumento da concentração de tensoativo na etapa da floculação iônica.
Tabela 5.4 – Germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca (MS) da germinação do alface em água destilada (1), água produzida (2) e água produzida tratada com 300, 350, 400, 450 e 500
ppm de tensoativo (3, 4, 5, 6 e 7)
Efluente G PCG IVG CPA CR CP MS
% % - cm cm cm mg/plântula 1 100 99 43,83 a 2,28 ab 1,32 a 3,60 a 2,72 2 98 99 25,15 e 1,99 c 0,95 b 2,94 b 2,45 3 98 97,5 31,07 d 2,17 bc 0,89 b 3,06 b 2,52 4 98,5 98,5 31,00 d 2,25 abc 0,88 b 3,13 b 2,56 5 98 98 32,37 cd 2,47 a 0,88 b 3,35 b 2,47 6 98,5 97,5 36,69 bc 2,35 ab 0,87 b 3,21 b 2,51 7 99,5 97 38,59 b 2,20 abc 0,88 b 3,08 b 2,53 Média 98,64 98,07 34,1** 2,24** 0,95** 3,19** 2,53 CV (%) 1,67 1,95 5,83 5,15 7,73 4,56 5,47
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
As médias seguidas pela mesma letra, na coluna, não diferem estatisticamente entre si pelo Teste de Tukey ao nível de 5% de significância.
Quando comparado com os resultados obtidos para a germinação em água produzida submetida ao tratamento combinado (floculação iônica e filtração), verifica-se que as médias obtidas nessa etapa foram maiores que utilizando o tratamento combinado. Os coeficientes de variação ficaram abaixo de 10%, implicando mais uma vez em uma baixa dispersão dos dados obtidos.
Os dados da Tabela 5.5 mostram os dados obtidos para a germinação do gergelim utilizando os efluentes descritos no começo desse tópico.
Tabela 5.5 – Germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca (MS) da germinação do gergelim em água destilada (1), água produzida (2) e água produzida tratada com 300, 350, 400, 450 e
500 ppm de tensoativo (3, 4, 5, 6 e 7)
Efluente G PCG IVG CPA CR CP MS
% % - cm cm cm mg/plântula 1 66,5 32,5 a 11,74 a 1,65 a 1,38 a 3,01 a 2,65 2 50 15 b 6,89 c 1,16 b 0,79 b 1,95 c 1,82 3 69,5 19 b 10,30 ab 1,46 ab 1,13 ab 2,59 ab 2,20 4 62,5 18 b 9,23 abc 1,23 b 1,05 ab 2,27 bc 2,08 5 59 17 b 8,55 bc 1,27 ab 1,06 ab 2,32 bc 2,23 6 59 16,5 b 8,58 bc 1,30 ab 0,99 b 2,29 bc 2,34 7 56,5 16 b 8,54 bc 1,27 ab 1,02 b 2,28 bc 2,21 Média 60,43 19,14** 9,12** 1,33* 1,06** 2,39** 2,22 CV (%) 13,57 21,93 13,34 13,31 14,94 10,41 16,2
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
As médias seguidas pela mesma letra, na coluna, não diferem estatisticamente entre si pelo Teste de Tukey ao nível de 5% de significância.
Para a germinação do gergelim, de acordo com a Tabela 5.5, exceto G e MS não apresentaram diferenças significativas ao nível de 95% ou 99% de confiança, comportamento semelhante a maioria dos testes de germinação realizados até o momento. Quando comparado aos dados da germinação do gergelim obtidos com o tratamento combinado (floculação iônica e filtração), percebe-se a ocorrência do mesmo comportamento, sendo o pior cenário obtido ao empregar AP sem nenhum tratamento, enquanto que as médias dos efluentes tratados se aproximam da média obtida pelo controle. Além disso, não ocorreu um comportamento aparente quando se varia a concentração de tensoativo no tratamento dos efluentes.
5.3. Curvas de inibição
Com base no tópico 2.1, sabe-se que a caracterização de uma água produzida é complexa e variável, dependendo da região em que ocorre a coleta. A justificativa para formulação das curvas de inibição ocorreu devido essa diferença entre as caracterizações. Para a faixa de concentração escolhida nessa pesquisa (com base nas análises da AP do estado RN), verifica-se que para a maior parte das germinações realizadas, não foi possível observar um comportamento nítido ao variar a concentração de tensoativo ou ainda algum tipo de inibição. Assim, foram formuladas curvas de inibição para ambas as culturas dos componentes majoritários da água produzida, entre eles: cálcio, magnésio, potássio, cloreto de sódio, óleo e sabão base. Este, com a intenção de verificar o efeito isolado do tensoativo na germinação de
sementes, conforme proposto pela presente pesquisa. A escolha das concentrações foi baseada em testes prévios para verificar a completa inibição dos parâmetros avaliados.
5.3.1. Cálcio
Todos os parâmetros germinativos mostraram diferenças significativas a 99% de confiança, baseado na Análise de Variância (Tabela 5.6) dos dados. Os coeficientes de variação dos parâmetros de desenvolvimento inicial ficaram acima de 10%, porém já esperado para parâmetros desse tipo, uma vez que a análise é feita com base no analista e é sujeita a erros de medição.
Tabela 5.6 – Análise de variância dos dados de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca
(MS) do alface em diferentes concentrações de cálcio
FV GL QM G PCG IVG CPA CR CP MS Concentração 6 9429,06** 9344,96** 1265,74** 6,742** 4,762** 22,45** 1,147** Resíduo 21 15 27,72 1,923 0,043 0,026 0,118 0,005 Média 46,17 41,08 13,61 1,12 0,82 1,95 0,419 CV (%) 8,39 12,82 10,19 18,54 19,36 17,62 17,34
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
A redução desses parâmetros deve-se à menor absorção de água pelas sementes, pois o aumento da concentração osmótica provoca uma diminuição do gradiente hídrico do sistema substrato-semente (Marcos Filho, 2015), provocando um retardo na germinação, velocidade de germinação e parâmetros de desenvolvimento inicial.
A Figura 5.4 mostra as curvas obtidas para os parâmetros de germinação e vigor estudados no presente trabalho ao variar a concentração de cálcio no efluente para a cultura do alface. Para o teste de germinação e primeira contagem, o efeito da concentração de cálcio é percebido após a utilização de concentrações superiores a 2000 ppm. Em concentrações próximas a 6000 ppm, ocorre completa inibição em todos os testes, exceto para a germinação, cuja inibição total acontece em 8000 ppm. O fato das sementes de alface indicarem uma maior resistência aos efeitos desse sal pode estar relacionado com as funções do Ca2+ que, além de ser
essencial na manutenção da integridade da membrana plasmática, ativa um grande número de sistemas enzimáticos que regulam o crescimento da planta (Franco et al., 1999). Por fim, ajustes quadráticos são utilizados para descrever o comportamento, cuja escolha do modelo foi baseada no coeficiente de correlação.
Figura 5.4 – Curvas de inibição do alface para os teste de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da
parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca (MS) em função da concentração de cálcio
Análogo à germinação do alface, o gergelim apresentou diferenças significativas a um nível de 99% de confiança para todos os parâmetros analisados (Tabela 5.7). Os valores do coeficiente foram maiores que 10%, sendo justificado nos tópicos anteriores o motivo.
Tabela 5.7 – Análise de variância dos dados de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca
(MS) do gergelim em diferentes concentrações de cálcio
FV GL QM G PCG IVG CPA CR CP MS Concentração 6 4359,07** 1015,37** 91,358** 1,419** 0,987** 4,772** 2,347** Resíduo 21 18,78 1,94 0,329 0,011 0,006 0,027 0,014 Média 26,67 0,58 3,57 0,46 0,39 0,86 0,64 CV (%) 16,25 14,55 16,5 22,35 19,72 19,24 18,76
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
As curvas de inibição para os parâmetros germinativos estudados para o gergelim ao variar a concentração de cálcio no efluente são representadas na Figura 5.5. A inibição total da G e do IVG se deu a uma concentração de cálcio de 8000 ppm, enquanto que o restante dos parâmetros apresentou tal comportamento em uma concentração de 6000 ppm. Ajustes quadráticos são utilizados para descrever o comportamento dos parâmetros.
Figura 5.5 – Curvas de inibição do alface para os teste de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da
parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca (MS) em função da concentração de cálcio
Visto que o cálcio pode desempenhar um papel importante na manutenção da integridade das membranas, os teores mais elevados deste macronutriente devem ter contribuído, sobretudo, para seu nível mais elevado de tolerância ao estresse salino, conforme observado por meio da Figura 5.5, onde a completa inibição ocorre em concentrações elevadas de cálcio.
5.3.2. Magnésio
Nota-se por meio da Tabela 5.8 que, para um nível de confiança de 99%, todos os parâmetros mostraram diferenças significativas, exceto a PCG, que apresentou diferença significativa a 95% de confiança. Os coeficientes de variação foram abaixo de 10%, indicando baixa dispersão dos dados.
Tabela 5.8 – Análise de variância dos dados de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca
(MS) do alface em diferentes concentrações de magnésio
FV GL QM G PCG IVG CPA CR CP MS Concentração 6 1537,6** 4323,07** 751,114* 3,0723** 1,7178** 8,6199** 2,8014** Resíduo 21 19,56 79,56 3,1157 0,0044 0,0016 0,0066 0,0102 Média 86 76,17 23,99 1,04 0,53 1,57 1,00 CV (%) 5,14 11,71 7,39 6,37 7,6 5,16 10,55
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
As curvas de inibição para os parâmetros germinativos do alface em função da concentração de magnésio são apresentadas na Figura 5.6, sendo os ajustes lineares ou quadráticos utilizados para descrever o comportamento, com base no melhor coeficiente de correlação.
A inibição completa dos parâmetros de desenvolvimento inicial de plântulas de alface (CPA, CR, CP e MS) ocorreu a uma concentração de 2000 ppm de magnésio, enquanto os outros parâmetros apresentaram completa inibição a uma concentração de 3000 ppm. Logo, a redução do potencial osmótico do substrato induz um decréscimo no valor de todos os parâmetros utilizados para avaliação do teste de germinação (Alvarenga, Santos & Ruiz, 1991; Dell’áquilla, 1992; Taiz & Zeiger, 2002).
Figura 5.6 – Curvas de inibição do alface para os teste de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da
parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca (MS) em função da concentração de magnésio
Quando comparado às concentrações de cálcio em que ocorre inibição para ambas as culturas trabalhadas, verifica-se que as concentrações de magnésio em que sementes sofrem inibição são bem menores (Figuras 5.6 e 5.7). Além do papel do magnésio na sua atividade como co-fator em quase todas as enzimas do metabolismo energético (Taiz & Zeiger, 2002),
este íon contribui efetivamente para a estabilidade estrutural dos ácidos nucléicos e membranas. Assim, é provável que o excesso nos teores desse macronutriente seja o principal responsável por afetar o metabolismo das sementes e, consequentemente, reduziram os parâmetros de germinação e vigor de ambas as culturas estudadas (Azevedo Neto & Tabosa, 2000).
A análise de variância acusou efeito significativo a um nível de 99% de confiança para as diferentes concentrações de magnésio utilizadas na germinação do gergelim, conforme visualizado na Tabela 5.9.
Tabela 5.9 – Análise de variância dos dados de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca
(MS) do gergelim em diferentes concentrações de magnésio
FV GL QM G PCG IVG CPA CR CP MS Concentração 6 3432,8** 1015,37** 95,4** 1,4298** 1,1142** 4,9309** 2,2627** Resíduo 21 43,33 1,94 1,319 0,0132 0,0261 0,0508 0,0430 Média 32 9,58 4,93 0,47 0,36 0,84 0,67 CV (%) 20,57 14,55 23,27 24,12 24,89 26,97 30,75
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
A completa inibição dos parâmetros de desenvolvimento inicial e da PCG ocorreu em 1500 ppm de magnésio, uma vez que os parâmetros de G e IVG ocorreu a uma concentração de 3000 ppm. Através da Figura 5.7, é possível verificar ajustes quadráticos nas curvas de inibição em todos os parâmetros trabalhados, sendo os modelos previamente testados para verificar o melhor coeficiente de correlação.
Figura 5.7 – Curvas de inibição do gergelim para os teste de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula
5.3.3. Potássio
Verifica-se por meio da análise de variância, representada pela Tabela 5.10, que todos os parâmetros apresentaram diferenças significativas a um nível de 99% de confiança, exceto para o IVG, que ocorreu a um nível de 95% de confiança.
Tabela 5.10 – Análise de variância dos dados de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca
(MS) do alface em diferentes concentrações de potássio
FV GL QM G PCG IVG CPA CR CP MS Concentração 6 94,7** 278,3** 445,19* 0,8664** 1,0861** 3,4805** 1,6111** Resíduo 21 13,93 34,2 2,97 0,0125 0,0019 0,0146 0,0297 Média 95,1 92,3 28,37 1,48 0,83 2,31 1,94 CV (%) 3,93 6,34 6,08 7,56 5,27 5,23 8,88
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
Em análise as curvas de inibição dos parâmetros do gergelim em função da concentração de potássio, conforme a Figura 5.8, nota-se que até 6000 ppm de potássio, não ocorreu nenhuma diferença entra as médias para a G e a PCG, sofrendo posteriores decréscimos à medida que a concentração de potássio aumentou. Para os outros parâmetros, esse comportamento de decréscimo ocorreu logo nas concentrações iniciais. A inibição total de todas as variáveis foi observada ao realizar a germinação com 10000 ppm de potássio.
O K+ é um nutriente que está relacionado direta e indiretamente em processos
bioquímicos e físicos, como na ativação de enzimas, manutenção do turgor celular, alongamento, osmorregulação, transporte de solutos, balanço de íons, polarização da membrana e controle do pH, função e estrutura de cloroplastos, conservação de energia nas membranas, entre outras funções (Benito et al., 2014). Alternativamente, verifica-se que o estresse provocado pelo potássio é alcançado para altas concentrações desse íon em solução, conforme observado nas Figuras 5.8 e 5.9.
Os valores se ajustaram aos modelos lineares e quadráticos, conforme visualizado pela Figura 5.8, uma vez que coeficiente de correlação foi critério de decisão usado para escolha do modelo.
Figura 5.8 – Curvas de inibição do alface para os teste de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da
parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca (MS) em função da concentração de potássio
Moterle et al. (2006) também observou redução linear no comprimento da plântula à medida que o potencial osmótico de solução do KCl foi diminuindo, corroborando o resultado obtido na Figura 5.8.
Em relação ao gergelim, todos os parâmetros apresentaram diferença significativa a 99% de confiança, conforme mostrado pela análise de variância na Tabela 5.11.
Tabela 5.11 – Análise de variância dos dados de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca
(MS) do gergelim em diferentes concentrações de potássio
FV GL QM G PCG IVG CPA CR CP MS Concentração 6 3659,5** 1015,77** 92,198** 1,3565** 1,2297** 5,1628** 2,276** Resíduo 21 62,05 51,61 1,25 0,0149 0,0263 0,0571 0,008 Média 29,5 10,91 4,09 0,46 0,43 0,88 0,66 CV (%) 26,93 25,81 27,41 26,51 37,91 26,91 13,48
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
A Figura 5.9 mostra as curvas de inibição para os parâmetros germinativos do gergelim em função da concentração de potássio. O comportamento das curvas não foi o mesmo apresentado do alface.
Como nos outros metais, ocorreu um efeito negativo quando se aumenta a concentração de potássio no efluente. G, PCG e IVG foram inibidos em uma concentração de potássio igual a 10000 ppm, enquanto que os parâmetros de desenvolvimento inicial foram inibidos em 6000 ppm. Tal comportamento pode ser justificado pelo aumento da pressão osmótica, causando uma redução na absorção de água no final da divisão celular e diferenciação. Assim, o estado fisiológico é perturbado pela absorção de água nas sementes, resultando na redução dos hormônios e na produção de enzimas que, portanto, inibem o crescimento das plântulas. Além disso, a alta sensibilidade do comprimento da plântula ao estresse pelas altas concentrações de potássio pode ser atribuída à redução no transporte de nutrientes (Younis et al., 2008).
Todas as curvas obtiveram ajustes quadráticos, mediante análise prévia do coeficiente de correlação.
Figura 5.9 – Curvas de inibição do gergelim para os teste de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula
5.3.4. Cloreto de Sódio
Todos os parâmetros apresentaram diferenças significativas a um nível de 99% de confiança (Tabela 5.12).
Tabela 5.12 – Análise de variância dos dados de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca
(MS) do alface em diferentes concentrações de cloreto de sódio
FV GL QM G PCG IVG CPA CR CP MS Concentração 6 5435,37** 5912,67** 916,1** 3,0341** 3,6913** 13,162** 2,3474** Resíduo 21 50,39 81,11 2,47 0,0169 0,0232 0,064 0,047 Média 76,08 72,17 21,38 1,48 1,33 2,80 1,21 CV (%) 9,33 12,48 7,36 8,81 11,45 9,04 17,97
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
Alguns trabalhos (Souza et al. 2010; Marques et al., 2011; Sousa et al.,2011) demonstram os efeitos da salinidade na germinação de sementes, visando principalmente os efeitos negativos. Para as sementes de alface, a inibição total dos parâmetros de desenvolvimento inicial ocorreu a uma concentração de 10000 ppm de cloreto de sódio, sendo que todas as parcelas sofreram decréscimos à medida em que a concentração aumentou (Figura 5.10). Lima et al. (2005) também observou que a altura de plantas e o comprimento de raízes são reduzidos pelo incremento da concentração de NaCl. Esse comportamento também pode ser observado para o IVG, sendo um parâmetro mais sensível à concentração salina em comparação a germinação. Tal resultado também é observado por Dias & Lopes (2004) em sementes de cenoura, verificando que o potencial osmótico da solução mais negativa tenha reduzido o índice de velocidade de germinação (IVG).
Em relação à G e PCG, até uma concentração de 4000 ppm de NaCl não ocorreu diferença significativa entre as médias, mudando o comportamento à medida que a concentração ia aumentando. Para esses dois parâmetros, a inibição quase total ocorreu em 10000 ppm de NaCl. Tais efeitos podem ser visualizados por meio das curvas de inibição, cujo ajustes (linear ou quadrático) foram escolhidos com base no coeficiente de correlação.
Figura 5.10 – Curvas de inibição do alface para os teste de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula
(CP) e massa seca (MS) em função da concentração de cloreto de sódio.
A análise de variância (Tabela 5.13) dos dados de germinação do gergelim em diferentes concentrações de cloreto de sódio acusou efeito significativo a um nível de 99% de confiança.
Tabela 5.13 – Análise de variância dos dados de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula (CP) e massa seca
(MS) do gergelim em diferentes concentrações de cloreto de sódio
FV GL QM G PCG IVG CPA CR CP MS Concentração 6 3614** 1211,77** 98,32** 1,501** 1,8251** 6,6184** 3,9814** Resíduo 21 32,28 16,06 0,64 0, 0104 0,0145 0,0244 0,0147 Média 25,08 13,92 4 0,51 0,57 1,08 0,86 CV (%) 22,65 28,79 19,98 19,98 21,01 14,43 14,12
** significativo ao nível de 1% de probabilidade (p < .01); * significativo ao nível de 5% de probabilidade (.01 =< p < .05).
Para os parâmetros de desenvolvimento inicial, a inibição total do crescimento foi observada a uma faixa de 6000 ppm de NaCl, enquanto que para os outros parâmetros, essa faixa correspondeu a 10000 ppm. Além disso, verifica-se que à medida que a concentração de NaCl aumenta no meio, os valores dos parâmetros vão sofrendo decréscimo até atingir a inibição total. Assim como nas sementes de alface, a diminuição dessas variáveis (Figura 5.11) pode estar ligada a dificuldade de absorção da água, devido a potenciais hídricos muito negativos, especialmente no início da embebição, influenciando a absorção de água e inviabilizando a sequência de eventos relacionados ao processo germinativo e posterior desenvolvimento inicial das plântulas (Moterle et al., 2006). Tais comportamentos podem ser visualizados por meio das curvas de inibição, representadas pela Figura 5.11.
Figura 5.11 – Curvas de inibição do gergelim para o teste de germinação (G), primeira contagem do teste de germinação (PCG), índice de velocidade de germinação (IVG), comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da radícula (CR), comprimento da plântula
5.3.5. Sabão Base
A justificativa para escolha do sabão base para formulação das curvas de inibição foi para fins de investigação do efeito que o tensoativo não reagido após o tratamento tem sobre a