7. La constante de Peyre
7.3. Les torseurs utilis´ es dans la preuve de la conjecture de Manin
O campo conceitual do risco e vulnerabilidade social desafia pela variedade de perspectivas e elementos que traz para sua discussão, bem como pela indefinição de um conceito em relação ao outro. As definições de risco e vulnerabilidade somente podem ser entendidas como um processo associado a diferentes contextos histórico-sociais e a diferentes áreas que desenvolveram estas definições para seus objetos (JANCZURA, 2012). Serão, então, apresentados autores que já se dedicaram a entender este campo e a partir disso serão detalhadas opiniões acerca dos conceitos.
Yunes e Szymanski (2001 citado por JANCZURA, 2012) definem que a vulnerabilidade opera apenas quando o risco está presente; sem risco, vulnerabilidade não tem efeito. Carneiro e Veiga (2004 citado por JANKCZURA, 2012) definem vulnerabilidade como exposição a riscos e baixa capacidade material, simbólica e comportamental de famílias e pessoas para enfrentar e superar os desafios com que se defrontam e concluem que vulnerabilidades e riscos remetem às noções de carências e de exclusão. Exemplificam:
Pessoas, famílias e comunidades são vulneráveis quando não dispõem de recursos materiais e imateriais para enfrentar com sucesso os riscos a que são ou estão submetidas, nem de capacidades para adotar cursos de ações/estratégias que lhes possibilitem alcançar patamares razoáveis de segurança pessoal/coletiva (Carneiro e Veiga citado por JANCZURA, 2012).
Também nesta perspectiva de relacionar vulnerabilidade e risco BARALDI e col. (2008) citam a OIT (2003, p. 43), apresentam, usando como exemplo a vulnerabilidade social do trabalhador, que esta vulnerabilidade é no sentido de “um estado de elevada exposição a
determinados riscos ou incertezas, combinado com uma capacidade diminuída para se proteger ou defender-se deles e para fazer frente a suas consequências negativas”.
A ideia de Petrini (2003 citado por GOMES e PEREIRA, 2005) sobre situações de vulnerabilidade é a de que elas existem quando a família encontra dificuldades para cumprir satisfatoriamente suas tarefas básicas de socialização e de amparo/serviços aos seus membros. Para GUARESCHI e col. (2007) vulnerabilidade social é uma posição de desvantagem frente ao acesso às condições de promoção e garantia dos direitos de cidadania de determinadas populações. Abramovay (2012) citado por GUARESCHI e col. (2007) define vulnerabilidade social como situação em que os recursos e habilidades de um dado grupo social são insuficientes
e inadequados para lidar com as oportunidades oferecidas pela sociedade e que essas oportunidades constituem uma forma de ascender a maiores níveis de bem-estar ou diminuir probabilidades de deterioração das condições de vida de determinados atores sociais. Ainda sobre vulnerabilidade, mais um conceito trazido por Katzman (1999) citado por MONTEIRO (2011) é de que esta vulnerabilidade:
[…]é entendida como o desajuste entre ativos e a estrutura de oportunidades, provenientes da capacidade dos atores sociais de aproveitar oportunidades em outros âmbitos socioeconômicos e melhorar sua situação, impedindo a deterioração em três principais campos: os recursos pessoais, os recursos de direitos e os recursos em relações sociais (Ibid., 2011, p. 33).
No que se refere a risco, Bernstein (1997) citado por MONTEIRO (2011) indica que à noção de risco está intimamente ligada a perspectiva da probabilidade, da previsão. Sobre a questão do risco no sentido probabilístico, GRANJO (2006) problematiza que a probabilidade do risco pode levar as pessoas a negligenciarem uma quantidade significativa de ameaças. Visto que o autor estava trabalhando o risco na perspectiva do provável e na perspectiva da observação do processo de trabalho em uma refinaria, devemos observar esta afirmação considerando o contexto. SPINK e col. (2008) abordam o conceito de risco sob a perspectiva discursiva do senso comum e glossários, o que denominam de “linguagem dos riscos”. Nesta perspectiva, apresentam que a análise dos riscos se assenta em três pilares que são: o cálculo do risco, a percepção do risco pelo público e a gestão dos riscos. No território da linguagem dos riscos, eles estão assim representados: risco-perigo (ameaça, perda, sorte, azar, fatalidade, obstáculo, entre outros), risco-probabilidade (risco, aposta, chance, prevenir, probabilidade, entre outros) e risco-aventura (emoção, radical, desafio, ousadia, adrenalina, aventura, entre outros).
Para ajudar a clarificar este território de conceitos e apostas, fez-se uma breve análise do Mapa de Vulnerabilidade Social da População da Cidade de São Paulo, realizados pelo CEM (2004) para captar como as questões de risco e vulnerabilidades estão colocadas no documento. A partir do desenvolvimento de indicadores, apresenta o risco para população infantil e juventude. Indicadores para captar o risco da população infantil são, por exemplo: alfabetização tardia e internações por doenças infecciosas e respiratórias. Como indicados para captar o risco da juventude, definem, por exemplo: gravidez precoce e homicídios entre jovens. Com estes indicadores os riscos a serem captados, respectivamente, parecem ser: não acesso ao ensino e a qualidade deste ensino, e a não efetividade da presença do aluno na escola na idade correta; ser
afetado por doenças que estão enfaticamente relacionadas a condições socioeconômicas e ambientais; morbimortalidade neonatal, infantil, materna e outras doenças associadas; exposição ao homicídio. A partir do documento o que se infere é que ,visto que a vulnerabilidade social é um somatório de situações de precariedade, para além das precárias condições socioeconômicas, o risco está contido na composição da vulnerabilidade social como compositor da vulnerabilidade. Os riscos compõem o painel da vulnerabilidade. Esta é mais abrangente e quanto mais riscos, maior a vulnerabilidade, e o contrário também sendo verdadeiro.
Sobre os autores supracitados, três apresentam o conceito de risco ou vulnerabilidade associando um ao outro. Para estes, a vulnerabilidade se determina pela presença, exposição ou enfrentamento dos riscos. Nas definições que abordam vulnerabilidade sem citar riscos, estas são compostas por dificuldade, desvantagem, insuficiência ou inadequação em relação a tarefas básicas, amparo, serviços e bens, condições de promoção e garantia dos direitos e oportunidades oferecidas pela sociedade. Ou seja, elementos tais que estão relacionados ao bem-estar. Já os autores que abordam risco sem citar a vulnerabilidades, estes associam o risco com probabilidade, previsão. Mais especificamente SPINK e col. (2008) fazem uma abordagem da interpretação da linguagem cotidiana do risco e o localiza no sentido que para a questão social parece caber adequação ao sentido de risco-perigo e risco-probabilidade. Aparece também na referência dos autores a questão da negligência em relação ao risco que, nas questões sociais, podem fazer parte do comportamento do indivíduo, família, comunidade e também do Estado. Estas inferências e este esforço em trazer reflexões acerca do conceito de risco e vulnerabilidade é importante para amparar a discussão sobre a proteção social, uma vez que é pensada para atuar nestas realidades.
Especialmente para a questão social, abordaremos a definição de CASTEL (2013) separadamente porque traz especificidades relacionadas ao trabalho. Para ele vulnerabilidade social é uma zona intermediária, instável, que conjuga a precariedade do trabalho e a fragilidade dos suportes de proximidade à pessoa. Admite em sua reflexão que a zona de vulnerabilidade pode se dilatar diante de situações como crise econômica, desemprego, generalização do subemprego. Neste sentido afirma que, reduzida ou controlada, a zona de vulnerabilidade social permite a estabilidade da estrutura social.