Após a análise conjunta de todas as notícias e entrevistas recolhidas, e ainda da entrevista realizada à Porto Lazer, foi possível denotar a influência considerável que os eventos musicais, em especial o NPS, têm vindo a conquistar no turismo da cidade do Porto.
O facto de acrescentarem algo de novo e diferente à dinâmica da cidade faz com que num determinado espaço de tempo a cidade se mostre mais atraente ao olhar do turista. Isso é claramente demonstrado quando é abordado o estudo realizado pelo ISAG: “O festival tem realmente um impacto interessante no turismo, nomeadamente a nível cultural, de alojamento e restauração, tal como revela o estudo, pois “aumentou o número de visitantes que pernoitaram quatro ou mais noites em hotéis, e a localização revelou-se o principal fator para determinar a escolha do alojamento, seguida do preço.” (Núcleo de Investigação do ISAG, 2015)
A proximidade com Espanha também se mostrou um fator fulcral, sendo que a língua deste país é a segunda mais falada por altura do festival. Para além disso, tendo o Barcelona Primavera Sound como pioneiro, é lógico que o NPS se torne mais atrativo e gerador de curiosidade a este povo.
A sua importância para o turismo do Porto é verificável através da capacidade hoteleira, como foi referida, com uma ocupação a rondar em todas as edições os 90%. E nem o facto de existirem cada vez mais estabelecimentos hoteleiros na cidade desceu esta média, o que pode denotar que realmente a procura tem vindo a ser crescente.
Um dos pontos fortes do festival reside na sua diversidade musical, e na realização do Mini NOS Primavera Sound, bem como o warm up que ocorre no Passeio das Virtudes, potenciadores da imagem do festival a um público mais alargado, e capazes de aguçar a curiosidade em vésperas deste se iniciar.
O artigo da Time Out de Londres é a prova de que a imprensa internacional está cada vez mais atenta a este evento, e o considera relevante para os amantes de música e de viagens.
Quanto aos festivais NOS D’Bandada e Caixa Ribeira, apesar da sua dimensão e reconhecimento ainda não ser tão substantiva, mostram-se boas alternativas na diversificação da oferta musical da cidade. O facto de apresentarem nomes musicais nacionais faz com que a música portuguesa seja mais reconhecida e procurada pelo público estrangeiro que neles participa.
Quanto à entrevista realizada na Porto Lazer, apesar da instituição reconhecer a importância do festival NOS Primavera Sound e de outros eventos musicais para a cidade, não se denotou um especial interesse em fazer com que estes evoluam um pouco mais na cidade.
Esta instituição realmente apoia todos os eventos musicais no Porto, e faz um esforço para que estes sejam bem-sucedidos. Claramente o objetivo é consolidá-los, sem que para isso seja necessário o aumento da oferta neste setor. A sua importância para o turismo e outras atividades como o comércio e hotelaria é reconhecida, contudo o interesse reside em tornar o Porto uma cidade de oferta cultural e histórica diversificada, sem voltar interesses específicos apenas para uma área. O intuito será criar uma imagem de uma cidade polivalente, onde eventos de diversas índoles ocorrem, para assim atrair públicos de todos os géneros. E não só agradar aos turistas que vêm, mas principalmente aos seus residentes. Exemplo disso é o facto de não haver uma promoção específica dos eventos musicais para o público estrangeiro e, no caso desta, existir poderia apelar a uma maior afluência vinda do exterior.
Em suma, com esta investigação conclui-se que os eventos musicais, e o NOS Primavera Sound mais em específico, são realmente importantes e influentes no turismo da cidade num dado espaço de tempo, contudo não serão completamente decisivos e
fulcrais para o turismo da cidade no seu todo. São apenas elementos que vêm enriquecê- la num dado momento, e acabam por se mostrar diferenciadores ao atrair um público específico, que acaba por visitar e conhecer a cidade. Haverá espaço para o crescimento destes, contudo não será essa a grande prioridade para o Porto neste momento. A prioridade será, como foi referido com a entrevista analisada de Rui Moreira, fazer com que as estadias na cidade por parte dos turistas, se prolongue por um maior período de tempo.
Considerações Finais
Ao longo da realização desta dissertação, foi possível constatar o crescimento exponencial do turismo, não só nacional, como também mundial. A curto prazo, esta evolução manter-se-á, apesar de não se mostrar tão expressiva como até agora.
O turismo cultural e criativo vem adquirindo uma posição bastante confortável, pois são capazes de diferenciar a oferta e combater o turismo de massas, que se encontra saturado. O turista já não procura apenas a visita a museus e outros lugares emblemáticos, mas sim viver experiências completamente diferentes que o façam “escapar” do dia-a-dia frenético das sociedades atuais.
Assim, a música, através de eventos e festivais musicais, mostra-se uma aposta completamente válida e segura, que atribui aos destinos turísticos uma conotação atrativa e de valor cultural. Com a ajuda da música, o turista é capaz de viver boas experiências e satisfazer os seus desejos e necessidades culturais e sociais.
Apesar dos entraves em relação ao contacto para posterior entrevista com a Pic Nic, produtora do festival NOS Primavera Sound, e da mesma não se ter realizado, a pesquisa de notícias online mostrou-se bastante furtuita e capaz de colmatar as dificuldades encontradas, pois a informação disponível sobre o impacto deste e dos outros festivais musicais realizados na cidade é bastante abundante. Contudo, se esta mesma entrevista e outras realizadas a alojamentos locais ou restauração acontecessem, iria criar-se espaço para que no futuro a investigação se tornasse mais completa, tanto a nível qualitativo sobre as impressões recolhidas, como a nível quantitativo, com dados específicos sobre entradas de turistas, valor despendido durante a estadia, entre outros.
Assim, esta investigação vem contribuir para uma análise sobre a principal oferta a nível de eventos musicais na cidade do Porto, assim como sobre como estes têm evoluído e obtido espaço na sua relação com a crescente atividade turística. Percebeu-se que, ao conjugar-se estes eventos com a oferta cultural já existente, a cidade mostra-se mais rica em conteúdo e atrativa ao olhar do turista. Além de que a música é um importante veículo para a maior diversificação de um local já de si bastante polivalente, como é o caso do Porto. Desta forma, a sua atração em relação a um público mais exigente e informado, como aquele que encontramos atualmente, se torna um fenómeno crescente.
Como perspetivas e desafios de futuro seria interessante uma maior aposta na divulgação através da Internet, pois este mostra-se o meio mais eficaz de propagação dos eventos a acontecer num dado local. A informação chega mais rapidamente a um maior número de pessoas desta forma. Talvez havendo um maior interesse e empenho nesta divulgação por parte das entidades organizadoras os eventos comecem a ser mais largamente reconhecidos. Outro ponto importante seria a constante inovação em termos de atividades associadas aos festivais e eventos musicais. A conjugação de atividades artísticas, literárias e até infantis aquando a sua realização será interessante, ainda mais se estas envolverem a participação dos turistas e da comunidade. A articulação de comunicação entre os responsáveis pela organização dos eventos e os setores hoteleiros, de restauração e de transportes poderá também ser uma chave para um maior sucesso dos mesmos. A criação de packs promocionais que conjuguem diferentes serviços serão vantajosos tanto para turistas como para quem os comercializa, na medida em que facilitarão o acesso aos mesmos a preços mais em conta. Além disso, a realização de eventos musicais ao longo do ano, de menor dimensão e que estivessem associados ao espírito do festival original pode ser uma opção válida para que a imagem destes cresça e atraia o mesmo público em diferentes ocasiões, além de que poderá evidenciar um pouco mais a cultura musical da cidade.
No que concerne às principais questões levantadas inicialmente nesta dissertação, pode concluir-se que: quanto aos impactos gerados pelos eventos musicais no turismo da cidade do Porto, denota-se que aquando a realização dos mesmos, num curto espaço de tempo, existe realmente uma maior movimentação de pessoas, no comércio, na restauração e na hotelaria. O nível de atração ao local é maior, bem como aos pontos de interesse turístico da cidade. Contudo, não existe o
plano de voltar o foco de interesse da cidade para essa época em particular, mas sim para todo o ano em conjunto. Por isso mesmo, não existe o intuito de aumentar o número de eventos musicais na cidade, mas sim de manter em conjunto com atividades de diferente carácter.
Em suma, no futuro será interessante um estudo mais profundo sobre estes eventos musicais, que mostre a sustentabilidade dos mesmos na sua relação com o turismo, e que rumo tomará a continuidade desta aliança. A sua ligação com a cidade é bastante positiva, por isso a perspetiva de continuidade só beneficiará um local tão singular e versátil como o Porto.
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