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Frequently Asked Questions

Dans le document The ELinks Manual (Page 30-34)

A entrevista realizada no âmbito desta investigação foi feita junto da Porto Lazer, instituição pertencente à Câmara Municipal do Porto, e que organiza e apoia os mais diversos eventos na cidade. O entrevistado foi Tiago Andrade, responsável pela área de Animação e Eventos.

De seguida, será transcrito todo o conteúdo da entrevista.

 A Porto Lazer tem noção do impacto que os eventos musicais causam na

cidade do Porto?

“Essa é uma pergunta de difícil resposta, pois não existe nenhum estudo objetivo. O conhecimento que temos é meramente de senso comum. Posso começar por distinguir dois tipos de eventos neste contexto: eventos musicais que podem

eventualmente potenciar gente na cidade (exemplo do NOS Primavera Sound), alavancando o turismo numa relação direta; e numa relação indireta (passagem de ano; S. João) existem eventos que têm como complemento a componente musical, e que acabam por transformar essa relação numa relação direta, juntando o útil ao agradável: as pessoas geram as suas férias por causa do evento em si e não da música. O caso do NOS Primavera Sound é totalmente diferente, é um caso mais paradigmático.”

 Tem sentido uma evolução em termos de eventos musicais, ou seja, intensificou-se a realização de eventos musicais na cidade?

“Estou na Porto Lazer há cerca de um ano e meio, e penso que não tenha havido alterações significativas em termos de quantidade de eventos musicais; este ano até temos menos concertos que nos anos anteriores. Contudo, é algo meramente conjuntural, não tem nenhuma relação direta, nem financeiramente, nem estrategicamente. Por exemplo, o ano passado fizemos cinco dias de concertos da Avenida porque o S. João calhou a uma terça-feira; este ano vamos fazer três concertos da Avenida. O ano passado, por exemplo, com o Fórmula 1 Motonáutica surgiu no seu âmbito um concerto. Este ano, o grande evento da cidade foi o Rali de Portugal, no qual não se realizou nenhum evento musical, simplesmente por acaso. Portanto, depende de ano para ano, é uma questão de programação. Acho que não tem havido estrategicamente uma tentativa de fazer crescer o número de concertos; não existe a lógica de investir mais na música; o que tem acontecido é manter a regularidade, a diversidade. Obviamente, a música é universal e por isso continuamos a apostar nela, mas não há aqui uma intensificação.”

 Em termos de programação destes eventos musicais, esta é realizada exclusivamente a nível internacional ou a promoção que é feita é igual a nível nacional e a nível internacional?

“Temos que dividir novamente os eventos. Se estivermos a falar dos eventos da Porto Lazer (S. João, Passagem de ano, Dia Nacional dos Centros Históricos, Dia Mundial da Criança), que também têm concertos musicais, esse trabalho é feito sobretudo em prol da cidade, para as gentes da cidade e para quem nos rodeia. Há efetivamente um trabalho a ser feito pelo Turismo do Porto e Norte em prol da cidade, mas não com o fim de trazer gente. O NOS Primavera Sound sim, que é uma estrutura que não tem nada que ver com a Porto Lazer, pois é o seu promotor que faz esse trabalho, faz investimento em mercados internacionais, sobretudo nos mercados emissores de turismo para Portugal e para o Porto e Norte, e tem feito um trabalho junto

desses mercados. Nós, particularmente, diretamente e internacionalmente, não fazemos nada que não seja o que conste nas redes sociais (principal meio de comunicação hoje em dia), pois trabalhamos sobretudo para o Porto e para as regiões limítrofes.”

E relativamente ao NOS Primavera Sound, qual é a participação da Porto

Lazer na sua organização?

“Nós fazemos parte da organização do Nos Primavera Sound, embora tenhamos apenas uma responsabilidade de acolhimento, ou seja, a cidade acolhe o festival. Toda a organização, promoção e implementação do projeto é da responsabilidade da Pic Nic, que é a empresa que gere o festival. A Porto Lazer e outros departamentos do município apoiam financeiramente em algumas circunstâncias e cedência do espaço onde se realiza. Ajudamos ainda em tudo o que podemos (licenciamento, apoio logístico na utilização do Parque da Cidade), para minimizar o investimento do produtor, o que faz com que haja aqui uma situação de win-win: é bom para eles ter o festival cá, é bom para nós manter o festival cá também. Criamos aqui uma situação interessante porque minimizamos o investimento que a Pic Nic faz no festival.”

 Existe alguma meta a atingir nos próximos tempos a nível de eventos

musicais?

“Não temos dados objetivos pensados em concreto, na lógica de aumentar o número em percentagem de concertos por ano. Nós queremos manter aquilo que temos feito, que nos parece que é mais ou menos a forma correta, temos alguns desafios pensados na área da música que gostaríamos de abraçar, mas precisamos de apoio financeiro, e esse apoio poderá vir de muitas partes. Está a ser estudado, não está fechado e obviamente que nunca estamos satisfeitos, mas não temos uma meta estipulada. Temos vontades que para acontecer precisam de certos contextos, e se houver vontade se concretizarão, passando do papel para a realidade. Neste momento, numa cidade com a dimensão do Porto, com as características do Porto, chega perfeitamente. Estamos contentes com aquilo que temos, temos uma programação regular muito diversificada, que vai desde concertos muito pequenos e intimistas, e estou a falar só da Porto Lazer, porque depois temos o Pelouro da Cultura. Mas limitando-me só à animação da cidade, consideramos já ter uma panóplia de concertos que vai de encontro a todas as necessidades. Tanto tocamos no bairro, como na casa, como na praça. Temos aquilo que todas as cidades gostariam de ter, um grande festival com projeção internacional, que dá uma contextualização como cidade da música, o que é importante. Há aqui muitas outras coisas que têm a ver com a conjuntura que o Porto e

o Norte apresentam, que também é muito interessante: uma série de editoras sediadas no Porto, independentes, que têm feito muito pela música da cidade, e que possibilitam o equilíbrio entre o que é investido financeiramente e aquilo que o Porto possibilita. As empresas têm que gerar receitas, sustentabilidade, que não se consegue só apoiando. A Câmara Municipal do Porto, pelo trabalho que tem feito, e também por sorte, tem conseguido encontrar aqui uma série de agentes (editoras, músicos, bandas, labels) que estão interessados em mostrar o seu produto, e portanto tocam em bares, desafiam-se para projetos na rua, para ocupar edifícios antigos, criando uma dinâmica à volta da música, que ajuda o município a desinvestir para poder apostar noutras áreas. O objetivo é criar uma simbiose que cote o Porto também pela sua música. O Porto é demasiado grande para ter só um chavão. Reconhecer o Porto pela música, ser melhor, para que as pessoas o associem a isso. Isto não precisa de ser redutor. Não há nenhuma tentativa em concreto: existe apenas vontade de encontrar eventos que sirvam de alavanca a ele próprio sustentavelmente. Não interessa a existência de um evento único, mas sim diversos eventos que vieram para ficar.”

Dans le document The ELinks Manual (Page 30-34)