1. Getting ELinks up and running
1.6. ECMAScript support?!
Em relação à importância da arquitetura para o turismo, Lobo (2013) refere que “o turismo se baseia na exploração do valor dos lugares como produtos e, por isso, depende da atratividade e da singularidade dos mesmos, os urbanistas e os arquitetos são, como princípio, intervenientes fundamentais, se não, mesmo, centrais na produção do território do turismo” (p.33). Este argumento demonstra a capacidade da arquitetura de criar locais valiosos para a atividade turística. Lobo (2013, p. 34) estuda a evolução que a arquitetura tem sofrido ao longo do tempo, de forma a melhor servir os propósitos turísticos: “Intervenções à grande escala, e a longo prazo, que vão implicar uma crítica às formas tradicionais de organização da cidade, pensando-a, agora, a partir da perspetiva mono funcionalista do lazer e o reequacionar do papel do arquiteto no processo de produção de arquitetura. (…) Uma evolução tipológica e metodológica a que, como dissemos, iria corresponder também uma evolução no carácter dos investimentos envolvidos na promoção de uma “arquitetura do turismo”.
Ainda sobre esta relação entre o turismo e a arquitetura, Lobo (2013, p.36) introduz o conceito de “Cidades do Turismo”: “estruturas urbanas inteiras idealizadas de raiz, dedicadas exclusivamente ao lazer, cuja organização é determinada pela
articulação espacial de núcleos funcionalmente autónomos, mas interdependentes, cada um deles normalmente associados a um equipamento central, ou conjunto de equipamentos, que lhes conferem caraterísticas tipológicas e morfológicas próprias e garantem a variedade dos ambientes dentro do todo urbanizado – marina, golf, pinhal, parque de campismo, centro comercial, etc.” Este conceito remete-se então para as infraestruturas necessárias para suportar o funcionamento das atividades turísticas, infraestruturas essas que normalmente trabalham em conjunto.
Por sua vez, Moreira (2008, p.1) dá ênfase no seu trabalho à necessidade de “criação ou a ampliação da atratividade/notoriedade dos lugares turísticos a partir de uma arquitetura singular, única, com qualidade”. A autenticidade dos seus lugares parece ser um fator capaz de impulsionar a atratividade dos territórios. A autora começa por apontar algumas críticas à reprodução em massa, passando de seguida a referir Butler quanto ao ciclo de vida turístico que este teorizou. Passemos então a apresentar a visão de Moreira da noção de ciclo de vida “do funcionamento do espaço turístico” de Butler, pois este é um dos esquemas mais utilizados nas referências ao local turístico:
“primeiro, o lugar é descoberto, porque ele faz parte de uma margem
espacial. É o período “pré-turístico” em que chegam os primeiros turistas. Butler denominou-o de fase de exploração. Do ponto de vista do lugar descoberto, esta fase é caraterizada pelo pouco câmbio;
Depois vem um período durante o qual o lugar se integra ao sistema. O
desenvolvimento corresponde ao aumento sensível do volume de turistas, que está ligado ao aumento da acessibilidade. Para responder às expetativas dessa população, o volume da oferta de alojamentos aumenta e se diversifica. A economia turística fica mais complexa;
Quando o espaço regional está totalmente absorvido pela atividade
turística, assiste-se a uma multiplicação dos lugares destinados a esta atividade, depois à sua especialização e hierarquização. O desenvolvimento corresponde a um período de importantes transformações físicas do lugar (nem todas aprovadas pela população local);
Finalmente, a chegada do turismo intenso seria concomitante a certa crise
do lugar turístico, até mesmo seu declínio, pois este tipo de turismo modifica consideravelmente o lugar, degradando-o. Surgem então, os problemas ligados ao meio ambiente, a degradação da qualidade dos serviços ou fatores mais sociológicos e, em
particular, os conflitos com a população local. A atratividade do lugar declina, o número de turistas também. O lugar não interessa mais aos turistas, que preferem destinações turísticas reconhecidas e facilmente acessíveis”. (Moreira, 2013, p.2)
É possível portanto constatar que este ciclo é composto por quatro fases, sendo uma primeira fase de introdução/surgimento do local, uma segunda fase de crescimento/expansão e aumento da afluência ao local, uma terceira fase de maturação do local, na qual este já é um local turístico de pilares sólidos, e uma quarta e última fase na qual pode ocorrer um declínio dado pela saturação que a atividade turística pode causar, e que pode levar mesmo ao fim de toda e qualquer atividade. É de salientar que pode acontecer uma situação contrária, e esta “crise” pode ser aproveitada pelas entidades responsáveis como fator de renovação do local. Moreira (2013) apresenta, ainda no âmbito da importância da arquitetura para o turismo, o conceito de património territorial. Para isso, recorre a Choay: “Trata-se de mostrar como a desterritorialização tende a eliminar o conjunto das riquezas patrimoniais que estão em jogo durante a longa duração do processo de antropização (paisagens rurais e urbanas, como atividades e práticas sociais). (…) Não se trata nem de ecologia defensiva nem de conservação patrimonial, nem de procurar um equilíbrio entre global e local (conceito de glocal), pois este equilíbrio supõe uma subordinação do local aos imperativos do global. O desenvolvimento local e a reterritorialização devem ser considerados como uma alternativa estratégica ao desenvolvimento global” (p.2). Perante isto, o conceito de Choay parece tratar da valorização do património local, não só como parte do global, mas sobretudo como algo que marca pela sua autenticidade e unicidade, seja ele “o património natural e o património cultural”. Moreira (2013) defende ainda que segundo este conceito “não existe preservação (nem requalificação ou revitalização) do património natural e do construído local sem as práticas sociais que são a eles agregadas e que correspondem às diferentes escalas e aos diferentes tipos de herança que ali existem, sem a economia local que associe a micro agricultura e/ou a micro indústria, o artesanato, o trabalho autónomo e os serviços diversos acompanhados de atividades não mercantis” (p.2,3). Ou seja, toda a valorização do património territorial tem que surgir em conjunto com o pleno funcionamento de todas as atividades envolventes, que lhe servem como suporte.
De seguida, Moreira apresenta o conceito de requalificação, de acordo com Cabrita, Aguiar e Appleton: “Toda a série de ações empreendidas com vista à recuperação e à beneficiação de um edifício, tornando-o apto para o seu uso atual. Seu
objetivo consiste em resolver as deficiências físicas e as anomalias construtivas, ambientais e funcionais acumuladas ao longo dos anos, procurando ao mesmo tempo uma modernização e uma beneficiação geral do imóvel sobre o qual incide – atualizando as suas instalações, equipamentos e a organização dos espaços existentes, melhorando o seu desempenho funcional e tornando esses edifícios aptos para a sua mais completa e atualizada reutilização” (p.4). Portanto, a requalificação consiste na renovação de um edifício ou local, tornando-o de novo útil à comunidade no qual se encontra.
Outro conceito pertinente abordado por Moreira (2013) é o de “valor (para fins turísticos)”, principalmente quando se refere ao “valor cultural” e ao “valor económico” (p.5): “O valor cultural. Trata-se de saber qual é o lugar que ocupa(m) o(s) elemento(s) da paisagem na tradição cultural através da observação de fotos (antigas e recentes), de cartões postais, de obras picturais, de contos e lendas, e mesmo da história oral das pessoas que ali vivem, ou seja, da elaboração de um conhecimento profundo e constante acerca do lugar”; “O valor económico. Não se pode confundir valor económico com recurso económico. Um elemento geomorfológico tem um valor económico, se ele é utilizável ou explorável. Como exemplo disso, uma parede rochosa é usada como via de escaladas, mas não é um recurso económico direto porque ela não tem incidências sobre a produção e o emprego. Uma forma pode apresentar um valor económico sem ser um recurso económico. É uma noção de valor, que está ligada ao meio ambiente (natural e/ou construído), que vai permitir proteger os elementos que o compõem, incentivando assim um desenvolvimento a longo prazo para o território e sua região.” (p.5).
Sobre a arquitetura da cidade do Porto, Fernandes (2010) escreve no Jornal de Notícias: “Significa, isto, que o Porto foi, e ainda é, uma cidade que muitos causticam como provinciana nos comportamentos mas que, na realidade, se afirma tranquilamente cosmopolita nos seus atos, aberta ao Mundo e capaz de lidar com outras formas de pensar e de se pensar a si própria. Em muitos casos, as obras que realizou atingiram mesmo o sublime e foram já elevadas à rara categoria de "ícones" da cidade como acontece com a torre de Nasoni e a ponte de Eiffel”. Assim, a arquitetura do Porto torna-se uma mais valia para o turismo da cidade, e tem vindo a impor-se através do tempo. Começando como uma cidade de menor dimensão reconhecida, tem conseguido adquirir prestígio pelas suas construções arquitetónicas, tanto históricas como contemporâneas.
Em 2012, a secção regional do Norte da Ordem dos arquitetos elegeu hotéis, cafés, restaurantes, ateliers e lojas que a seu ver possuem valor arquitetónico, para a elaboração de um roteiro original da cidade. “Esta primeira seleção, segundo a Ordem dos Arquitetos, apostou em promover e divulgar um conjunto de projetos que de algum modo estão relacionados com a oferta turística da cidade, nomeadamente no domínio da hospitalidade, da restauração e do comércio. A maior parte são equipamentos hoteleiros do género hostel ou guest-house, como o bed & breakfast The Four Rooms, que o Prizker Eduardo Souto de Moura desenhou na acanhada Rua do Padre Luís Cabral, na Foz velha, ou a Casa do Conto, da Rua da Boavista.”. (Marmelo, 2012)
E, na realidade, a escolha destes locais teve em conta o valor turístico e patrimonial da cidade: “Trata-se, considerou o júri, de "projetos exemplares" na criação de um ambiente urbano de qualidade e de uma oferta turística diferenciada, preservando os valores culturais intrínsecos do lugar. (…) ‘Também tivemos em conta o impacte que estes projetos tiveram na cidade, bem como a regeneração urbana que a iniciativa privada está a induzir’, acrescenta a comissária, segundo a qual o enorme potencial turístico do Porto tem que passar pela preservação de ‘um certo sabor que a cidade tem’”.
É destacar a realização de eventos que aliam a arquitetura à música, como é o caso do Festival In Spiritum, decorrendo a sua segunda edição em 2015: “Festival In Spiritum propõe a concretização deste objectivo através da realização de concertos em espaços emblemáticos da cidade, proporcionando ao público um encontro simultâneo com a música erudita e com os espaços arquitectónicos.” Espera-se que esta iniciativa seja a alavanca para que mais do género aconteçam, de forma a diversificar a oferta cultural da cidade. (Santos, 2015)