6. PROTEUS MEASUREMENT TECHNIQUES
6.5. Graphite absorption measurements
6.5.2. The HTR-PROTEUS graphite
Ao concebê-la, em 1991, preocupada com a situação dos pobres e, sobrema- neira, com aqueles existentes no interior do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich estabeleceu dois objetivos imediatos para o Projeto Economia de Comunhão: o pri- meiro – uma espécie de objetivo-fim – seria proporcionar recursos que pudessem reforçar a capacidade financeira da ajuda que, desde sua criação, o Movimento dos Focolares oferece (coloca em comunhão) aos pobres, e o segundo – uma espécie
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LEITE, Kelen Christina. Economia de Comunhão: Uma mudança cultural na construção do princípio da reci- procidade nas relações econômicas. São Carlos: UFSCar, 2005. p. 267.
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BRUNI, Luigino. Comunhão e as novas palavras em economia. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2005. p. 54.
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de objetivo-meio – seria financiar esforços para divulgação da cultura da partilha e formação de Homens Novos, de modo a fortalecer o substrato cultural que anima e dá substância ao movimento.
De modo geral, ao nomear o objetivo da Economia de Comunhão, alguns au- tores indicam ‘ajudar os necessitados’ – uma fórmula geral que se sustenta na visibi- lidade do objetivo-fim que lhe foi atribuído por Chiara Lubich. Esta fórmula, no entan- to, é insuficiente, pois, se de um lado, não faz referência aos aspectos relacionados à difusão da Cultura da partilha (sendo, assim, associada a ‘um objetivo’ e, não a ‘o objetivo’), de outro, desconsidera a prioridade que a concepção dá aos pobres vincu- lados ao Movimento dos Focolares110 e, ainda, a mediação de organismos do Movi-
mento do Focolares até a efetiva transferência de recursos aos beneficiários.
Independentemente das manifestações de caridade individual e as notórias motivações dos Homens Novos envolvidos, não há como desconsiderar que a mis- são atribuída pelo Movimento dos Focolares para a Economia de Comunhão tem caráter eminentemente funcional. Com efeito, sem admitir quaisquer desvios que maculem os rígidos padrões éticos da organização ou conter a dádiva peculiar aos focolarinos, o Movimento dos Focolares deixa claro que espera das empresas da EdC uma contribuição financeira para reforçar a ajuda que presta aos necessitados e, também, para incrementar os programas de difusão da cultura da partilha (duas
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Ressl afirma que “ajudar os necessitados, existentes em grande número no interior da comunidade dos Foco- lares, por meio da execução de projetos sociais, é objetivo primeiro do Grupo Economia de Comunhão”. RESSL, Markus. Economia de Comunhão: visão de desenvolvimento. BARAÚNA, Márcia. (Coord.) Eco- nomia de comunhão e movimento econômico: desenvolvimento e perspectivas. Vargem Grande Paulista: Ci- dade Nova, 1999. p.81.
partes do lucro)111. Aliás, a despeito da generosidade e da iniciativa individual de
muitas das pessoas envolvidas, o Projeto não reserva às empresas da EdC nenhu- ma ação direta na distribuição de resultados aos necessitados ou na divulgação da cultura da partilha. Estas tarefas são cometidas a órgãos específicos do Movimento dos Focolares, que, conforme as prioridades, se empenham em reduzir as dificulda- des que acometem os pobres ligados ao movimento e em promover a difusão da cultura da partilha. Imbuídas e impulsionadas pela cultura da partilha que anima o Projeto, as empresas da EdC se limitam a repassar parte do lucro aos órgãos espe- cíficos do Movimento dos Folocares. Então, poder-se-ia dizer que o objetivo da Eco- nomia de Comunhão é gerar recursos para ampliar a capacidade do Movimento dos Focolares ajudar as pessoas necessitadas a ele vinculadas e divulgar a Cultura da Partilha.
Vale destacar que, embora tenha como ‘primeira finalidade’ fazer com que não haja mais necessitados no Movimento dos Focolares, “resolvendo o problema social do movimento através de um esforço econômico que tenha as Mariápolis co- mo pólos”112, a Economia de Comunhão se propõe a contribuir para diminuir o pro-
blema social como um todo113. Sobre o tema, Tommaso Sorgi afirma que a Economia
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Thimer aponta que a conquista dos objetivos da Economia de Comunhão está sendo financiada pelo repasse dos lucros anuais das empresas que participam da Economia de Comunhão. THIEMER. Stefan. Economia de Comunhão: um modelo para a sociedade. Economia de Comunhão: visão de desenvolvimento. BARAÚNA, Márcia. (Coord.) Economia de comunhão e movimento econômico: desenvolvimento e perspectivas. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1999. p. 100.
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LUBICH, Chiara. Economia de Comunhão: História e profecia. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2004. p. 61 e SORGI, Tommaso. A cultura do dar. COSTA, Rui et. al. Economia de Comunhão. 2ª edição. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1998. p. 56.
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Comentando sobre o início do projeto, Chiara Lubich afirmou que “tínhamos o objetivo de pôr em prática uma certa comunhão de bens, com o máximo alcance que se pudesse pensar; não se tratava porém de amar os pobres pelos pobres, ou amar Jesus somente nos pobres, queríamos resolver o problema social”. Ver Linhas mestras para o aspecto: “comunhão de bens e trabalho”. Roma: 1983. p. 18. Apud Ver ARAÚJO, Vera. Eco- nomia de Comunhão e comportamentos sociais. Id. p. 19.
de Comunhão não tem “a intenção de construir uma sociedade paralela, fechada em si e desvinculada do contexto social, ao contrário, o seu horizonte é exatamente toda a humanidade”114 e Luigino Bruni lembra Mulatero, para quem “os demais [pobres]
não estão excluídos [da Economia de Comunhão]; pelo contrário, o problema [da pobreza] é considerado na sua complexidade e amplitude”115.
O desenrolar da Economia de Comunhão, no entanto, ganhou sabores que dão nova dimensão aos objetivos do Projeto. De fato, com a liderança entregue aos Homens Novos, o objetivo da EdC ganhou envergadura que transcende àquela ori- ginalmente pensada, pois, além de visar a geração de recursos para financiar a aju- da aos necessitados e a difusão da Cultura da Partilha, o funcionamento das empre- sas da EdC passou a servir de exemplo de como poderia ser o mundo do trabalho no caso da criação de uma Sociedade Nova, inspirada por Homens Novos. Assim, no dizer dos focolarinos, os objetivos do Projeto Economia de Comunhão se fundem num único, de natureza transcendental, que é contribuir para a instalação de uma ordem mundial baseada nos ideais de fraternidade e comunhão116, devolvendo a gra-
tuidade à economia117. Nesta perspectiva, a ajuda aos necessitados e a difusão da
cultura da partilha são instrumentos da Economia de Comunhão. Para Ressl, a Eco- nomia de Comunhão não têm um objetivo material e financeiro, cumprindo apenas o
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SORGI, Tommaso. A cultura do dar. COSTA, Rui et. al. Economia de Comunhão. 2ª edição. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1998. p. 56. Sobre o tema, Vera Araújo afirma que a EdC “mantém uma relação cons- trutiva com a sociedade onde opera, atenta aos múltiplos interesses da região onde atua”. Ver ARAÚJO, Ve- ra. Economia de Comunhão e comportamentos sociais. Id. p. 12 a 15.
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MULATERO. 2000. p. 12. Apud BRUNI, Luigino. Comunhão e as novas palavras em economia. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2005. p. 35.
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Tommaso Sorgi, para quem a EdC não é um projeto econômico e, sim, uma ‘peculiaridade’ do tipo de comu- nhão praticada no Movimento dos Focolares. Ver SORGI, Tommaso. A cultura do dar. COSTA, Rui et. al. Economia de Comunhão. 2ª edição. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1998. p. 31.
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“Devolver a gratuidade à economia talvez seja a maior dádiva que a EdC possa fazer a sociedade de hoje”. BRUNI, Luigino. Comunhão e as novas palavras em economia. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2005. p. 56.
objetivo da justiça social, “que se viabiliza por meio da organização de vivências co- munitárias"118.
Sem desmerecer este ponto de vista, deve-se enfatizar que, embora seja a- nimada por Homens Novos e exercite a cultura da partilha como método, o projeto da EdC tem um objetivo-fim concreto e, neste embalo, cumpre uma função econômi- ca. No dizer de Barbacovi, a Economia de Comunhão “propõe um modelo de eco- nomia voltado para a superação dos problemas sociais e econômicos pela distribui- ção da riqueza produzida”119. Sobre este ponto, Leite lembra a dimensão transcen-
dental da EdC, afirmando que mais adequado seria falar em “comunhão dos lu- cros”120.
De qualquer forma, independentemente se se considera a perspectiva materi- al do Projeto com referência, implícita ou explícita, aos bens materiais que mudam de mãos em seu curso ou a perspectiva transcendental, que enfatiza as motivações e os métodos usados pelos protagonistas principais, é fato que a EdC só se sustenta porque os aderentes agem impregnados pela cultura da partilha e, portanto, pelo espírito de comunhão.