2. SAFETY RELATED PHYSICS VALIDATION DATA AND NEEDS FOR
2.3. Planning of PROTEUS experiments to provide validation data
Figura 87 - Claudia Moreira Salles
Fonte: http://www.revistaversatille.com.br/claudia-moreira-salles-abre-exposicao-convivios/
A obra desta carioca quando o assunto se refere ao móvel nacional é vasta. Desde o seu primeiro trabalho ainda na ESDI em que desenvolveu uma
linha de móveis em papelão corrugado como proposta deste ser proposto para pessoas de baixa renda ou abrigos destinados a sem teto como também o desenvolvimento de um sistema de estantes, por sinal muito prático, desenvolvido após visitas as escolas públicas e atestar a precariedade das instalações destinadas aos alunos nos locais onde se guardavam os livros.
Nesse primeiro momento de seu percurso profissional evidencia-se uma grande preocupação com o social que ainda nesse entremeio desenvolve uma mobília para um público infantil em que se destaca a versatilidade das peças que se adequavam ao crescimento da criança.
Figura 88 – Cadeira e estante de papelão
Fonte: Borges (2005, p.25)
Figura 89 – Sistema de estantes de biblioteca
Figura 90 – Sistema de móveis para creche
Fonte: Borges (2005, p.30)
Quando se trata do projeto de mobília visando o produto em escala industrial, Cláudia atesta o cenário da época em que tudo se restringia praticamente à cópia de peças que tinha certo reconhecimento internacional ou então, trazidas já prontas fora do país. Diante dessa problemática, ela consegue trabalhar na Escriba, uma das poucas indústrias que mantinham como preceito desenvolver um móvel que fosse racional e que pudesse ser compatível tanto com as condições produtivas da indústria como também atendesse a demanda do usuário.
Após sua saída da Escriba, Cláudia é apresentada a Etel Carmona que havia instalado uma marcenaria com mão de obra altamente qualificada. Enfim, a designer podia trabalhar de forma mais ampla, tanto pelo viés artesanal e suas peculiaridades como também de modo industrial. Justo nessa época, havia meio que uma leva de novos designers com o intuito de trabalhar de forma mais intuitiva, testando e incorporando novos materiais como o polímero e outros sintéticos.
Os Campana, por exemplo, figuravam entre esses profissionais que nessa época já havia conseguido reconhecimento internacional com sua cadeira vermelha. No caso de Cláudia Salles, evidencia-se em suas obras uma mistura de rigor projetual e metodológico herdados de muito bom grado pela ESDI e por
outro lado as suas peças transitam entre a leveza, o fino trato com a matéria prima e atemporalidade. Um olhar mais clínico em suas peças é suficiente para constatar que se trata de um trabalho em madeira que beira a de um ourives em uma joia devido a delicadeza trabalhada em cada peça.
Tudo isso demonstra sua intimidade para com a nobreza da madeira que além de utilizar a matéria prima nacional, também madeiras em lâmina, MDF e lâminas de chapas pré compostas, também faz uso de madeiras importadas como o fresno, o carvalho, a nogueira e o zebrano. A palhinha também é muito utilizada em suas peças e também se pode ver outros materiais incorporados nas peças como a cerâmica, a pedra, o concreto e o aço inox. (Borges, 2005).
Claudia Salles é daquelas profissionais que legitimam a madeira como matéria prima basilar em suas peças. Outros profissionais figuram nesse seleto grupo como Carlos Motta, Juliana Llussá, Paulo Alves, Maurício Azeredo, Marcelo Ferraz, Julia Krantz, entre outros.
Um ponto pertinente a ser tocado em sua obra, reside num momento de total evocação a certas peças de mobília, até então ignoradas ou esquecidas em um tempo passado e que a designer teve a competência projetual em reaver e despertar esse momento. Peças como a marquesa Dueto e a mesa Nômade, esta última com um sistema de abre e fecha formando uma meia lua. Apesar dessa mesa ter uma tipologia antiga, a designer traz esta peça aos dias de hoje demonstrando sua versatilidade, principalmente devido a diminuição dos espaços em que a mesa se adapta perfeitamente.
Figura 91 - Mesa Nômade
Fonte: Borges (2005, p.51)
Além destas duas peças, Claudia também recorre a um utensílio utilizado desde os índios e elemento sempre presente nos interiores das casas, desde as mais simples até as abastadas. O banco, elemento básico de tamanha simplicidade e versatilidade também serviu de referência em seus desenhos e propostas de composição de mobília.
Figura 92 – Banquinho
Claudia Moreira Salles figura no seleto grupo dos designers artífices pelo seu domínio e conhecimento aprofundado em técnicas tradicionais de marcenaria e modo em trabalhar e executar essa nobre matéria prima.
Figura 93 - Sofá Mangatiba
Fonte: https://www.pinterest.dk/pin/269441990185658535/
Figura 94 - Banco Dominó
Figura 95 - Banco Tangente
Fonte: https://blog.espasso.com/category/claudia-moreira-salles/
Figura 96 - Poltrona Portuguesa
Figura 97 - Poltrona Serena
Fonte: https://br.pinterest.com/pin/535154368212021930/?lp=true
2.3.7 80 e 8
Figura 98 - Antônia Almeida e Fábio Esteves
Fonte: https://www.80e8.com/quem-somos
Um dos mantras utilizados constantemente na oficina 80e8 consiste em traduzir a relação homem versus objeto através da exploração e maior interação entre eles. Os designers Antônia Almeida e Fábio Esteves fazem questão em desafiar e ir além de soluções óbvias, e buscam incessantemente traduzir em seus produtos outros resultados que fogem do habitual ou racional e que o resultado final traz a sinestesia como coadjuvante. Além desta preocupação em originar algo de inovador ao objeto, a dupla estabelece como preceitos peças
longevas, a qualidade do produto e a abertura constante de novas experimentações e métodos de produção. Certamente essa abertura a novas possibilidades permite à dupla um maior espectro de opções e resultados, e por essa vasta gama a oficina comercializa desde produtos de mobiliário a luminárias e objetos de decoração.
Quanto à utilização de novos materiais, a 80e8 consegue trabalhar numa imensa escala desde materiais sintéticos como polímeros em geral, a madeira e também metais.
É notório no trabalho desta dupla trazer o lúdico e a subversão da forma o que faz daquela frase há muito tempo profetizada por Louis Sullivan em que “a forma segue a função” perder seu valor. A luminária colher da figura abaixo é um exemplo de que aquele objeto que fora concebido com uma única finalidade se transforma em uma outra peça com outro significado.
Figura 99 - Luminária Colher
Figura 100 - Banco Mov
Fonte: https://www.80e8.com/banco-poltrona-mov
Figura 101 - Poltrona Mov
Figura 102 - Banco Sputnik
Fonte: https://www.80e8.com/banco-sputnik
Figura 103 - Mesa S1
Figura 104 - Mesa Trocone