6. PROTEUS MEASUREMENT TECHNIQUES
6.4. Reaction-rate measurements
6.4.4. Reaction rate ratios
Sob o nome de ‘Projeto Brasil’, a Economia de Comunhão foi lançada em 29 de maio de 199192, por ocasião de uma visita da fundadora e presidente do Movi-
mento dos Focolares Chiara Lubich, a Mariápolis Araceli93 (que, depois de 2001,
passou a se chamar Mariápolis Ginetta94), no município de Vargem Grande Paulista,
a 47 km de São Paulo95.
Naquela ocasião, intensamente chocada com a pobreza que vira em São Paulo96, Chiara Lubich percebeu que a comunhão de bens praticada no interior do
91
BRUNI, Luigino (Organizador). Economia de Comunhão: Uma cultura econômica em várias dimensões. Var- gem Grande Paulista: Cidade Nova, 2002. p. 9. Gui afirma que a principal tarefa da Economia de Comunhão é "contestar abertamente a idéia de que, para fazer funcionar a máquina da economia, é necessário o impulso que deriva de uma cultura da exterioridade e da ambição, da busca de superioridade sobre os outros... Ao contrário, deve mostrar que a atividade econômica pode ser desenvolvida tendo como meta uma cultura do acolhimento do outro, do diálogo, do encontro... que não é necessário sacrificar, [em nome de] uma presumí- vel eficiência, a aspiração de se estabelecerem [...] relações ricas, significativas, plenamente humanas, e de se viver [...] de modo coerente com as próprias convicções [...], empenhando-se em atividades tidas como jus- tas, em vez de somente em atividades que pareçam úteis, convenientes". GUI, Benedetto. Os bens invisíveis à economia de hoje. BARAÚNA, Márcia. (Coord.) Economia de comunhão e movimento econômico: desen- volvimento e perspectivas. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1999. p. 63 e 64.
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Ver página oficial do Movimento dos Focolares. Economia de Comunhão. Histórico. Disponível em: <http://www.focolares.org.br/PAGEEDC.html>. Acesso em: 11 dez. 2006, 12:40.
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Por isso, a Economia de Comunhão também é referida em alguns círculos como ‘Projeto Araceli’. SORGI, Tommaso. A cultura do dar. COSTA, Rui et. al. Economia de Comunhão. 2ª edição. Vargem Grande Paulis- ta: Cidade Nova, 1998. p. 31.
94
Ginetta Calliari (1918-2001) foi uma das primeiras companheiras de Chiara Lubich e co-fundadora do Movi- mento dos Focolares. Chegou ao Recife em 15 de novembro de 1959 e espantou-se com o nível de miséria da população.
95
Vale registrar que, embora lançada no Brasil, a Economia de Comunhão já fora praticada anteriormente em organizações isoladas. Chiara Lubich afirma que a cooperativa agrícola ‘Loppiano Primeira’, instalada na mariápolis Loppiano, no município de Incisa, no vale do rio Arno, em Florença, na Itália, foi a percussora da EdC. LUBICH, Chiara. Economia de Comunhão: História e profecia. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2004. p. 15.
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Chiara Lubich já estivera no Brasil em 1961, 1964 e 1965. Ver ARAÚJO, Vera. Economia de Comunhão e comportamentos sociais. Economia de Comunhão. 2ª edição. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1998. p. 17.
Movimento que presidia não era suficiente para superar a pobreza que atingia mui- tos focolarinos brasileiros, que, na época eram cerca de 150 mil97. Teve, então, a
idéia de ampliar o volume de recursos proporcionado pela comunhão no interior do Movimento dos Focolares com a contribuição de empresas. Estas empresas (que viriam a ser as Empresas da Economia de Comunhão) atuariam normalmente no mercado e destinariam parte do lucro para a ajuda aos pobres, aumentando, assim, o montante amealhado pela comunhão praticada no seio do Movimento.
Como a ajuda aos pobres atendia a uma condição circunstancial das pessoas empobrecidas, Chiara Lubich imaginou que as empresas poderiam dar uma contri- buição adicional para a instalação de uma nova ordem mundial baseada nos ideais de fraternidade e comunhão reforçando a cultura focolarina. Surgiu, então, o modelo segundo o qual, dividido em três partes, o lucro de empresas confiadas a pessoas competentes e que atuam com eficiência no mercado, é destinado ao incremento das atividades empresariais, a ajuda a pessoas necessitadas e ao desenvolvimento de estruturas que visem à difusão da ‘cultura da partilha’ e formação de ‘homens novos’. Completando a inspiração original, Chiara Lubich sugeriu que as empresas se agrupassem em pólos empresariais no entorno das Mariápolis espalhadas pelo mundo, de modo a que se transformassem em exemplos concretos da cultura da partilha98.
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ARAÚJO, Vera. Economia de Comunhão e comportamentos sociais. COSTA, Rui et. al. Economia de Comu- nhão. 2ª edição. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1998. p. 18.
98
FERRUCCI Alberto. Neoliberalismo, desenvolvimento sustentável e Economia de Comunhão. BARAÚNA, Márcia. (Coord.) Economia de comunhão e movimento econômico: desenvolvimento e perspectivas. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1999. p. 30.
Estava lançada a ‘Economia de Comunhão’, um projeto que, como afirma Luigino Bruni, não nasceu, “para realizar um projeto econômico, combater alguma coisa ou alguém, a fim de realizar o sonho de um reformador ou de um utopista”99,
mas para contribuir para eliminar a pobreza e, ao mesmo tempo, propor a instalação de uma nova ordem mundial baseada nos ideais de fraternidade e comunhão100.
Embora simples, a criação da Economia de Comunhão evoca muitos comen- tários e esclarecimentos, inclusive da própria Chiara Lubich, que, anos mais tarde, declarou que, ao formular os princípios gerais da EdC, se inspirou no binômio ‘ora e labora’ praticado pelos beneditinos na Abadia Beneditina, em Einsieden, nos Alpes Suíços, que ela visitara em 1961; na importância do protagonismo dos movimentos sociais, abordado no livro Protagonisti Oggi, de Secondini; e no convite a solidarie- dade em um sistema econômico de dimensão planetária formulado pelo Papa João Paulo II na Encíclica 'Centesimus Annus', lançada em 1º de maio de 1991101 (28 dias
antes do lançamento do Projeto EdC na Mariápolis Aracelli).
Enquanto alguns focolarinos, como Ricardo Caiuby de Faria, que presidiu a Espri S.A., destacam a importância sócio-econômica do Projeto da Economia de
99
BRUNI, Luigino. Comunhão e as novas palavras em economia. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2005. p. 53.
100
Sorgi enfatiza que a Economia de Comunhão não nasceu de uma visão economicista do trabalho e da produ- ção, mas, sim de uma concepção do homem nos termos do conceito de ‘Humanismo total’ referido na encí- clica Populorum Progresso, revelada pelo papa Paulo VI em 1967. SORGI, Tommaso. A cultura do dar. COSTA, Rui et. al. Economia de Comunhão. 2ª edição. Vargem Grande Pau-lista: Cidade Nova, 1998. p. 31.
101
LEITE, Kelen Christina. Economia de Comunhão: Uma mudança cultural na construção do princípio da reci- procidade nas relações econômicas. São Carlos: UFSCar, 2005. p. 247 a 264.
Comunhão.102, outros fazem questão de destacar os aspectos transcendentais da
EdC. É o caso de Tommaso Sorgi, um dos fundadores do Movimento Humanidade Nova e ex-deputado no Parlamento Italiano (entre 1953 e 1972), que, em considera- ção implícita de que o Projeto surgiu da necessidade de elevar o montante financeiro arrecadado na comunhão dos bens, como forma de ampliar a ajuda aos pobres, não vê a EdC como um projeto econômico e, sim, como uma ‘peculiaridade’ da comu- nhão de bens praticada no seio do Movimento dos Focolares103. Sorgi afirma que, por
conta da concepção estruturada no conceito de ‘Humanismo total’, a Economia de Comunhão deságua imediatamente no campo social, se empenhando na realização do homem e na busca de melhor qualidade de vida104.
A Economia de Comunhão encerra a possibilidade de grandes reviravoltas na dinâmica econômica tradicional. Não foi à toa que, em pronunciamento proferido em 05 de janeiro de 1992, em Castel Gandolfo, no Vaticano, Chiara Lubich afirmou que “ou o nosso projeto da Economia de Comunhão decola ou nós perdemos um encon- tro marcado com a história”105. Sobre este ponto, vale dizer que, embora tenha se
tornado viável porque nasceu no contexto cultural do Movimento dos Focolares106, a
102
Falando em Congresso do Bureau Internacional da Economia e do Trabalho em junho de 1999, na Mariápolis Araceli, Ricardo Caiuby de Faria, então presidente da Espri S/A, considerou ‘essencial’ ressaltar o significa- do do lançamento da Economia de Comunhão “tanto pela consonância que apresenta com a trajetória de vida desse Movimento [dos Focolares], quanto pelos inadiáveis desafios de ordem socioeconômica, política e cul- tural que se colocam no horizonte da história e que são demasiadamente sentidos no continente latino- americano”. FARIA, Ricardo Caiuby de. Espri S.A. BARAÚNA, Márcia. (Coord.) Economia de comunhão e movimento econômico: desenvolvimento e perspectivas. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1999. p. 125.
103
“A comunhão dos bens deu ‘um passo à frente’, gerando em seu interior essa ‘peculiaridade’ que é a econo- mia de comunhão”. Ver SORGI, Tommaso. A cultura do dar. COSTA, Rui et. al. Economia de Comunhão. 2ª edição. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 1998. p. 39.
104
Id. p. 31.
105
LUBICH, Chiara. Economia de Comunhão: História e profecia. Vargem Grande Paulista: Cidade Nova, 2004. p. 73.
106
Economia de Comunhão tem despertado simpatias em diversas searas. Depois de observar que "até o momento [...] a EdC se desenvolveu quase exclusivamente gra- ças ao entusiasmo dos membros do Movimento dos Focolares”, Leite registra pedi- dos de adesão de empresários não vinculados ao movimento e destaca que "este é um passo novo, também no que tange a questão organizacional da distribuição dos lucros que até agora se tem realizado por meio das estruturas do Movimento"107.
Cumprindo a ideologia do Movimento dos Focolares, a Economia de Comu- nhão se relaciona à Gratuidade, cujo conceito, no entender de Luigino Bruni, por si só, é capaz de exprimir toda a realidade da EdC108. Bruni afirma que “a empresa é de
comunhão se constrói a própria identidade em torno da Gratuidade”109, acrescentan-
do que, por isso, ela protege e potencializa a gratuidade, tentando permanecer ‘so- cial’ mesmo sendo totalmente ‘empresa’, desenvolvendo uma ‘cultura empresarial da gratuidade’ que deve impregnar a visão empresarial.