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Test of intrinsic spatial resolution

6. SCINTILLATION CAMERAS

6.3.7. Test of intrinsic spatial resolution

Em se tratando da alfabetização, esses “saberes docentes” também adquirem uma especificidade mediante ao objeto de ensino da leitura e escrita. Diante dos objetivos da nossa pesquisa, nossas discussões neste tópico serão em torno da prática de ensino da Língua Portuguesa nos anos iniciais.

Gauthier et al. (1998, p.29), afirmam que “ensinar exige um conhecimento do conteúdo a ser transmitido, visto que, evidentemente, não se pode ensinar algo cujo conteúdo não se domina”. A partir da afirmação do autor, podemos inferir que professor alfabetizador deve conhecer os fundamentos que norteiam o ensino da língua escrita, entender os seus princípios e a sua utilização na sociedade. Além da apropriação dos conteúdos a serem ensinados, o alfabetizador deverá também, articular metodologias específicas no ensino desses conteúdos.

Ao professor alfabetizador é necessário compreender como se dá o processo de construção da aquisição da escrita. Nesse sentido, primeiro é importante saber que o Sistema de Escrita Alfabética (SEA) é um sistema de representação notacional como postula Morais (2012) em seus escritos, o qual não é aprendido de maneira “natural através de um instalo”, e sim, que deve haver na escola um trabalho de ensino sistemático sobre as propriedades da escrita. Segundo (MORAIS, 2012, p.51), para aprender a ler e escrever, o indivíduo necessita entender a relação estabelecida entre fala e escrita e conhecer o sistema de regras da escrita:

1. Escreve-se com letras, que não podem ser inventadas, que têm um repertório finito e que são diferentes de números e de outros símbolos.

2. As letras têm formatos fixos e pequenas variações produzem mudanças na identidade das mesmas (p, q, b, d), embora uma letra assuma formatos variados (P, p, P, p).

3. A ordem das letras no interior da palavra não pode ser mudada.

4. Uma letra pode se repetir no interior de uma palavra e em diferentes palavras, ao mesmo tempo em que distintas palavras compartilham as mesmas letras.

5. Nem todas as letras podem ocupar certas posições no interior das palavras e nem todas as letras podem vir juntas de quaisquer outras.

6. As letras notam ou substituem a pauta sonora das palavras que pronunciamos e nunca levam em conta as características físicas ou funcionais dos referentes que substituem.

7. As letras notam segmentos sonoros menores que as sílabas orais que pronunciamos.

8. As letras têm valores sonoros fixos, apesar de muitas terem mais de um valor sonoro e certos sons poderem ser notados com mais de uma letra.

9. Além de letras, na escrita de palavras, usam-se, também, algumas marcas (acentos) que podem modificar a tonicidade ou o som das letras ou sílabas onde aparecem.

10. As sílabas podem variar quanto às combinações entre consoantes e vogais (CV, CCV, CVV, CVC, V, VC, VCC, CCVCC...), mas a estrutura predominante no português é a sílaba CV (consoante – vogal), e todas as sílabas do português contêm, ao menos, uma vogal. Outro saber importante para quem vai alfabetizar é entender o processo psicogenético de construção da escrita, definido por Ferreiro e Teberosky (1986) na teoria da Psicogênese da Língua Escrita, onde a aprendizagem da escrita é gradual e passa por saltos cognitivos (hipóteses/conflitos) e cada salto depende de uma assimilação e acomodação dos esquemas internos e esse percurso de aprendizagem leva tempo, considerando que as crianças não aprendem no mesmo momento.

Cabe somente ao professor alfabetizador articular seus saberes para fornecer elementos em sua prática pedagógica que ajudem seus alunos a construírem conhecimentos sobre o SEA, promovendo situações didáticas que levem cada vez mais seus alunos à construção de hipóteses mais avançadas da escrita.

Além de apropriar-se dos saberes que revelam o SEA como um sistema notacional e saber dos mecanismos cognitivos de aprendizagem da escrita, é importante o professor alfabetizador compreender que a alfabetização é um tema multifacetado, segundo Soares (2016):

Basicamente, três principais facetas de inserção no mundo da escrita disputam a primazia, nos métodos e propostas de aprendizagem inicial da língua escrita: a faceta propriamente da linguística da língua escrita – a representação visual da cadeia sonora da fala, faceta que neste livro se reservará a designação de alfabetização; a faceta interativa da língua escrita – a língua escrita como veiculo de interação entre as pessoas, de expressão e compreensão de mensagens; a faceta sociocultural da língua escrita – os usos, funções e valores atribuídos à escrita em contextos socioculturais, estas duas ultimas facetas consideradas neste livro, como letramento (SOARES,2016, p. 28-29).

É necessário estudar a alfabetização em sua inteireza, sem fragmentações sem focar em um método ideal ou milagroso para ensinar a escrita, ou apenas dar ênfase a uma só

faceta. Segundo, Soares (2016) embora a alfabetização seja entendida e tratada como um fenômeno multifacetado deve ser desenvolvida como um todo, “porque essa é a real natureza dos atos de ler e escrever” (p.35). Para a autora mencionada:

Como em qualquer tema multifacetado, também na aprendizagem inicial da língua escrita o todo só pode ser compreendido se cada uma de suas partes é compreendida; por isso, para a ciência, para a pesquisa, é necessário fragmentar essa aprendizagem, tomar cada uma de suas facetas separadamente, a fim de aprender as características específicas a cada uma, construir princípios e teorias que elucidem cada uma. [...] – aos que ensinam – cabe considerar, sim, cada parte, cada faceta, separadamente, uma vez que é necessário desenvolver as competências específicas a cada uma, fundamentando-se nos princípios e teorias que a elucidam; cabe também considerar as várias facetas em suas relações, de modo a desenvolver harmonicamente a aprendizagem do todo, não só como estratégia de ensino, mas, sobretudo em respeito aos processos reais de leitura e escrita, em que as diferentes competências não atuam separadamente nem em sequência, mas simultaneamente. (SOARES, 2016, p. 34)

É importante o professor alfabetizador entender que a alfabetização tem múltiplas facetas (o SEA está inserido na faceta da linguagem) e que cada uma dessas facetas tem especificidades diferenciadas, as quais requerem do docente amplo conhecimento, para que possa articular seus saberes e trabalhar com os mesmos de forma integrada no seu planejamento pedagógico.

O trabalho com apenas uma faceta, sem dar evidencia as outras simultaneamente, fragmenta a aprendizagem do todo – a alfabetização. E possivelmente haverá lacunas na aprendizagem dos alunos, pois: como a criança pode comunicar-se manuseando a cultura escrita com autonomia sem ter se apropriado de todas as facetas do sistema de escrita?

O professor alfabetizador precisa ter a preocupação de ofertar um ensino que possibilite aos seus alunos compreenderem e se apropriarem da linguagem escrita em todos os seus usos e funções. Nesse sentido, concordamos com Teberosky (1991, p.15):

Há algo mais proveitoso na escola do que o fato de ela proporcionar uma variedade de oportunidades de uso da linguagem? Se o professor é capaz de oferecer uma ajuda efetiva quanto à diversidade das situações de uso, a criança poderá aprender, por meio desse uso, as regras de funcionamento da linguagem escrita.

Portanto, a compreensão e a articulação dos seguintes saberes: a) saber que o SEA é um sistema de representação notacional; b) saber dos aspectos cognitivos e construtivos do processo de aprendizagem da escrita; c) saber que a linguagem escrita tem múltiplos usos e funções sociais - são fundamentais para que sejam definidos objetivos de ensino para o SEA,

e de acordo com os saberes docentes definidos por Tardif (2002), elaborar intervenções junto às crianças de acordo com as necessidades de aprendizagem de cada uma.

No próximo tópico, abordaremos os desafios do ensino do sistema da escrita, levando em consideração que é atribuição do alfabetizador oferecer aos seus alunos meios e possibilidades para a construção de uma aprendizagem significativa da escrita, fundamentada em teorias e em seus saberes.

2.3 ALFABETIZAÇÃO COM MÉTODOS: DELINEANDO CAMINHOS PARA