6. SCINTILLATION CAMERAS
6.4.5. Check of oscilloscope
Fizemos um levantamento de dissertações e teses recentes, publicadas entre os anos de 2004 a 2016 através da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal de Pernambuco (BDTD/UFPE), as quais tiveram como foco principal a heterogeneidade de conhecimento da escrita na alfabetização. Apresentaremos as mesmas na ordem cronológica e em seguida faremos as possíveis relações entre elas.
Oliveira (2004) buscou perceber como estava ocorrendo o ensino e a avaliação do aprendizado do SEA num regime ciclado. Nessa perspectiva, foram analisadas as concepções das professoras acerca de seus encaminhamentos didáticos em sala de aula (enfocando, entre outros aspectos, o tratamento dado aos “erros” dos educandos, à heterogeneidade da aprendizagem do SEA e ao registro dos progressos e necessidades individuais dos alunos) e identificados os fatores que facilitavam e/ou dificultavam a prática avaliativa das professoras referente ao aprendizado do SEA. Para isso, a autora realizou entrevistas de grupos focais com professoras de três escolas dos três anos do primeiro ciclo, na rede municipal de Recife - PE. Os “diários de classe” dessas docentes também foram analisados com o intuito de perceber as formas de registro e avaliação que elas estavam desenvolvendo a partir da implantação da proposta de ciclos. Os resultados apontaram, que havia uma preocupação das mestras com a promoção automática dos aprendizes, uma vez que a rede defendia essa promoção, mas não esclarecia, por meio de suas propostas, os conteúdos e as aprendizagens correspondentes a cada ano do ciclo. Ela concluiu que as docentes sentiam dificuldades em evidenciar quais as formas de ensino e os conhecimentos dos quais os alunos deveriam se
apropriar ao final de cada ano ciclo. Em relação aos encaminhamentos didáticos, a autora evidenciou que as docentes reconheciam, embora revelassem dificuldades em lidar com a diversidade, a necessidade de levar em consideração os diferentes ritmos de aprendizagem, criando, para isso, táticas que recaíam em atividades de agrupamento dos alunos por níveis de aprendizagem e de atividades diversificadas realizadas com base em diagnósticos, dentre outras estratégias.
Cruz (2008) com o intuito de analisar as práticas de alfabetização e letramento no 1º ciclo do Ensino Fundamental e suas relações com as aprendizagens dos alunos, a autora buscou perceber se havia práticas diferenciadas e aprofundadas a cada ano do 1º ciclo da rede municipal da cidade de Recife - PE, e se era possível, mediante uma prática sistemática de alfabetização, promover a apropriação do SEA no primeiro ano, deixando os outros anos para um maior aprofundamento na leitura e produção de textos. Para isso, a autora realizou uma pesquisa de caráter longitudinal com três turmas: uma do 1º, uma do 2º e outra do 3º ano do 1º ciclo de uma escola da secretaria de educação da cidade de Recife - PE. Com os alunos foram realizadas duas atividades diagnósticas (um ditado mudo e a reescrita de uma fábula), uma no início e outra no final do ano letivo. Já com as professoras, foram realizadas entrevistas, além de observações de aulas. Os resultados dessa investigação sugeriram no que concerne ao fenômeno da heterogeneidade, que as práticas diferenciadas das docentes, em relação ao ensino de leitura e da escrita, o respeito à heterogeneidade nas turmas e o estabelecimento de metas para cada ano do ciclo teriam possibilitado a apropriação da alfabetização dos alunos do 1º ciclo e o avanço dos estudantes dos outros anos.
Solange Oliveira, em sua pesquisa de doutorado (2010), acompanhou nove turmas do ciclo de alfabetização durante seis meses, constatou ser o trabalho que leve em consideração a heterogeneidade da aprendizagem das crianças, um aspecto ainda tímido nas práticas de alfabetização por ela investigadas. Através de sua pesquisa a autora revela a escassez da presença de atividades diversificadas, considerando irrisório o investimento nesse tipo de prática nas salas de aula. Além disso, afirma também não ser uma preocupação das professoras investigadas por ela, o estímulo a contribuição dos alunos mais avançados aos colegas em dificuldades.
Cruz (2012), em sua pesquisa de doutorado, analisou práticas de alfabetização e letramento em escolas organizadas em ciclo e em séries nos três primeiros anos do Ensino Fundamental, nos municípios de Camaragibe e Recife/PE. Os dados dessa pesquisa assinalam que as professoras pesquisadas buscavam criar táticas para lidar com a heterogeneidade e atender à diversidade das turmas. Porém, a variável organização escolar não foi determinante
para a efetivação da prática; as professoras fabricaram taticamente suas metodologias de ensino por serem comprometidas com a aprendizagem de todas as crianças. Em relação às aprendizagens, os resultados não apontaram uma diferença significativa nos Perfis Inicial e Final, entre as turmas de mesmo ano escolar; todas as turmas de mesmo ano escolar terminaram o ano letivo “tecnicamente iguais”. Porém, a análise qualitativa dos dados nos indicou que as crianças retidas no 2º ano da Escola Seriada estavam com o mesmo Perfil Final das que foram aprovadas nos 3º anos na Escola Ciclada e Seriada. Estas constatações corroboram a ideia de que a retenção no sistema seriado pode prejudicar as crianças da Escola Seriada em relação ao seu avanço na escolaridade sem de fato proporcionar aprendizagens.
Silva (2014) objetivou, através de sua investigação, compreender como era concebido e praticado o ensino de alfabetização em relação ao atendimento à heterogeneidade de conhecimentos dos alunos sobre a leitura e a escrita em turmas do primeiro ano do ciclo de alfabetização. Os elementos expostos por essa pesquisa revelam que as professoras utilizavam-se de esquemas para lidar com a heterogeneidade, fazendo sobressair dentre eles o trabalho com as atividades diversificadas, a autora sinaliza um avanço nas maneiras de lidar com o fenômeno da heterogeneidade, no que diz respeito aos dados por ela analisados, afirmando que a prática docente têm buscado alternativas para atender e não marginalizar os alunos que não conseguem acompanhar o ritmo da maioria do grupo-classe.
A pesquisa de Sá (2015) buscou analisar as estratégias docentes para lidar com a heterogeneidade de aprendizagens do SEA em turma multisseriada. A pesquisadora revela que a prática docente, por ela observada, utilizava a diferenciação das atividades visando o atendimento à heterogeneidade de aprendizagem das crianças, independente do ano escolar das mesmas, mesmo possuindo crianças de cinco anos distintos, o que revela um esforço em abarcar as diferenças como um fator promotor das aprendizagens A referida pesquisadora destaca três estratégias de organização do trabalho com a heterogeneidade durante a análise dos dados coletados: Atividades diferenciadas realizadas coletivamente, atividades diferenciadas realizadas em grupo ou em duplas e atividades diferenciadas realizadas individualmente. A autora atenta também para o critério de escolha das atividades realizadas em grupo. Segundo ela, a professora investigada agrupava de acordo com um nível de leitura, guiando-se pelo princípio da homogeneidade, deixando assim de aproveitar momentos em que as crianças com mais dificuldades fossem auxiliadas pelas que estavam mais avançadas.
Silva (2016) buscou compreender as práticas de duas professoras alfabetizadoras, uma do 2º e outra do 3º anos do Ensino Fundamental e o tratamento dado por elas à heterogeneidade das turmas, no que diz respeito aos conhecimentos dos alunos sobre o
Sistema de Escrita Alfabética. As professoras demonstraram que para atender à heterogeneidade das turmas diversificando as atividades. Foi percebido os diferentes modos de lidar com a heterogeneidade em sala de aula, com ações de diversificação das atividades, dos modos de organização dos alunos e da produção e seleção de recursos didáticos variados. No entanto, nem sempre as estratégias adotadas favoreciam a apropriação de conhecimentos pelos alunos não alfabéticos, evidenciando dificuldades das docentes para atender às diferentes necessidades em sala de aula.
A partir dos resultados das pesquisas supracitadas, identificamos que em todas elas as professoras reconheciam que suas turmas eram heterogêneas em seus conhecimentos sobre a escrita. Porém, a maneira como cada professora lidou com a heterogeneidade de seus alunos sobre a escrita foi o que fez a diferença nos avanços das aprendizagens de suas turmas.
Sobre a oferta de atividades diversificadas, Oliveira (2004); Cruz (2008); Silva (2014); Sá (2015) e Silva (2016) evidenciam a importância de promover tais atividades, de modo a apresentar variações desafiadoras, atendendo à diversidade de conhecimento, para isso é necessário que o alfabetizador estabeleça objetivos específicos sobre o que se espera alcançar com a aplicação das atividades diversificadas, que deverão ser realizadas em um mesmo momento, com a turma organizada em pequenos grupos ou em duplas.
Cruz (2012); Silva (2014) e Silva (2016), destacaram a relevância dos alfabetizadores fazerem agrupamentos produtivos de maneira planejada, intencional e criteriosa. Para isso o professor precisa: saber em qual hipótese cada aluno se encontra (é necessário aplicar atividades diagnósticas com frequência); o relacionamento dos pares precisa ser positivo (é importante conhecer as características emocionais dos estudantes); as atividades precisam ser desafiadoras (para que haja mobilização do conhecimento); e intervir nas duplas/grupos quando necessário (significa lançar perguntas/desafios para que os estudantes possam refletir e colocar em jogo tudo o que sabem para resolver a questão).
Cruz (2012) e Oliveira (2010) apontaram que ainda existem professores com dificuldades de compreender o ciclo de alfabetização e os direitos de aprendizagem para cada ano. E que isso se deve ao fato de algumas práticas pedagógicas estarem engessadas na perspectiva do sistema de séries, o que acarreta a falta de objetivos nas atividades propostas.
Diante das pesquisas apresentadas, identificamos que o tema da heterogeneidade de conhecimento sobre a escrita está norteando cada vez mais as práticas pedagógicas na busca de atividades diversificadas, recursos didáticos que favoreçam a aprendizagem do SEA e a valorização dos agrupamentos produtivos. Desse modo, consideramos ainda pertinente continuar desvendando as práticas de professores alfabetizadores que constroem, no seu
cotidiano, deferentes maneiras de fazer para dar conta dos desafios de alfabetizar considerando as singularidades dos estudante, como a nossa pesquisa, ora em tela.
No próximo e último tópico, trataremos do cotidiano escolar como um lugar de construção dos saberes docentes, a fim de articular os pressupostos presentes na proposta do ciclo de alfabetização, com a proposição de fabricar táticas por meio de metodologias específicas para o atendimento da heterogeneidade de conhecimento sobre a escrita dos estudantes.
2.5 COTIDIANO ESCOLAR: ESPAÇO DE ATUAÇÃO DOS SABERES DOCENTES