IV. VGLUT3 dans le système auditif
IV.2. c. Les synapses à ruban
A flexibilidade oferecida pelas DCN e as diferentes necessidades regionais encontradas pelas instituições de ensino superior, no que diz respeito ao perfil do bacharel em Administração, fazem com que elas criem currículos com características especificas, voltadas ao atendimento das necessidades que identificam.
Entende-se que essa variedade seja natural e necessária, devido a aspectos como: a) o Brasil possui grande diversidade regional e cultural. Isso cria diferentes
realidades organizacionais e, consequentemente, diferentes necessidades; b) ajustes no PPC possibilitam o aprofundamento em determinadas áreas do
conhecimento, para atender melhor determinadas realidades;
c) a diversidade nos PPC possibilita que o estudante de Administração tenha possibilidade de escolher, durante a graduação, uma área com a qual tenha mais afinidade. A partir daí, aprofundar seus estudos nessa escolha, podendo, quando egresso, ter uma formação profissional mais específica e que atenda aos seus anseios.
Entretanto, independentemente do perfil do egresso necessário aos contextos culturais ou regionais, uma questão que deve ser planejada com cuidado nos currículos dos cursos de Administração diz respeito aos aspectos voltados ao processo de aprendizagem dos alunos e aos elementos que propiciem uma melhor formação profissional. Em um curso multidisciplinar e heterogêneo como o de Administração, o PPC deve ser planejado de modo a garantir que o aprendizado dos egressos lhes propicie uma formação que possa capacitá-lo a uma atuação profissional eficiente e eficaz.
Registra-se novamente a importância de quem desenvolve o PPC e os outros elementos curriculares, a saber: professores, coordenadores de curso e demais gestores envolvidos com o processo de ensino-aprendizagem.
No que diz respeito ao escopo dos cursos, o Ministério da Educação limitou as possibilidades das especializações dentro dos cursos de Administração DCN (2005), porém ainda há bastante diferença entre os PPC das instituições que oferecem o bacharelado em Administração, inclusive entre as matrizes curriculares. Isso ocorre porque a concepção dos PPC sofre influência de aspectos como visão do coordenador do curso e/ou dos gestores educacionais, interesse institucional em relação ao perfil do egresso, formação e experiência dos professores do Núcleo Docente Estruturante-NDE, características regionais onde a IES está localizada e também, em alguns casos, influência de consultores educacionais contratados para ajudar na elaboração desse documento.
No meio dessa grande variedade de ideias, as instituições devem ficar atentas aos aspectos operacionais do PPC, pois tais aspectos é que irão produzir o processo de aprendizagem desejado. O professor Marcos Masetto, em sua obra sobre formação docente para o ensino superior, apresenta uma boa discussão de como isso pode ser colocado em prática. De forma bem clara, ele define o processo de aprendizagem como:
Processo de crescimento e desenvolvimento de uma pessoa em sua totalidade, abarcando minimamente quatro grandes áreas: a do conhecimento, a do afetivo emocional, a de habilidades humanas e profissionais e a de atitudes e valores (MASETTO, 2010, p. 27).
Masetto (2010) ainda considera que o processo de aprendizagem não termina junto com a conclusão do curso, ele deve se tornar contínuo e fazer parte da cultura do egresso ao longo de sua vida, pois, dessa forma, ele continuará adquirindo os conhecimentos necessários para sua atividade profissional e também para sua vida, ou seja, promoverá o processo de educação continuada.
Masetto (2010, p. 33) ainda destaca que:
A condição básica para aprender alguma coisa é sentir necessidade daquilo, viver uma carência que precisa ser suprida, experimentar uma sensação de falta de algo que pode completar, realizar ou tornar a pessoa mais feliz.
Nesse contexto, a atividade docente aparece como elemento fundamental, sendo o principal elo entre escola, PPC e o discente, pois o professor tem a grande oportunidade de mostrar ao aluno como aquele aprendizado pode ser significativo e fazer a diferença em sua vida. Então, concatenando essas ideias e elementos, pode-se dizer que aprendizagem e formação profissional são dependentes direta e indiretamente do PPC do curso e das práticas pedagógicas concebidas pelo professor, dentro e fora da sala de aula.
Outro aspecto que também merece destaque na introdução desse tema é o fato da mudança e/ou evolução do perfil profissional.
É natural que a forma de atuação profissional de várias profissões mude com o passar do tempo, por causa das mudanças ambientais, sociais e tecnológicas, conforme discutido na sessão 1.2.1. Essas mudanças devem ser acompanhadas pelos interessados na formação acadêmica e na atuação dos profissionais com vistas a oferecer instrumentos capazes de subsidiar as novas necessidades.
De acordo com os dados da pesquisa promovida pelo Conselho Federal de Administração, Mello et all (2011, p. 6) destacam que o perfil de atuação do administrador vem sofrendo uma rápida mudança. Segundos os dados dessa pesquisa, sua atuação no mercado de trabalho sofreu importantes mudanças nos últimos anos, fato que deve ser analisado pelos envolvidos no processo de formação desses profissionais. Ainda de acordo com as informações organizadas por Mello et all (2011), o administrador em 1994 era percebido como um “generalista”, em 2006 passou a ser percebido como “articulador”, e em 2011 como um “profissional com visão sistêmica”.
Uma interpretação desses três conceitos, feitos à luz das informações encontradas no dicionário Houaiss (2014), que define generalista o indivíduo cujos talentos, conhecimentos e interesses se estendem a vários campos, não se confinando em uma especialização. Então, no campo da Administração, pode-se dizer que generalista é o profissional que conhece um pouco de cada área da profissão e não é especialista em nenhuma delas. O articulador é o indivíduo que, além de conhecer as áreas com as quais se relaciona, estabelece contatos e combinações em prol da organização. Finalmente, o profissional com visão sistêmica é aquele capaz de ter uma visão geral, estrutural de um sistema, seu conjunto, suas relações internas e externas, entender e ser capaz de organizá-lo.
Analisando os conceitos, percebe-se que o referido relatório do CFA informa que a expectativa sobre os administradores tem crescido, ou seja, as exigências para as atividades profissionais do administrador vêm aumentando. Pode-se então entender que o escopo da formação do bacharel em Administração evoluiu, porque ter visão sistêmica implica, dentre outros aspectos, entender o ambiente e saber gerenciar vários recursos simultaneamente, buscando otimizá-los para que se alcance os melhores resultados.
Deste modo, para formar bons bacharéis em Administração, as Instituições de Ensino Superior devem ficar atentas à evolução de todos os processos que podem estar envolvidos na atuação desse profissional e, por meio do seu PPC, buscar prover os envolvidos no processo de ensino aprendizagem com informações que possam propiciar aos seus futuros bacharéis de Administração uma adequada formação acadêmica e profissional.
A formação profissional é influenciada por um conjunto de atividades que ocorrem fora da sala de aula, muitas vezes, fora da escola. Tais atividades possibilitam, em vários casos, a ligação entre os conteúdos teóricos e a realidade dos processos ligados à atividade profissional. Dessa forma, os envolvidos no processo de formação profissional devem ficar atentos ao planejamento, execução e controle de tais atividades.
É importante considerar ainda que a formação profissional de diversas áreas, dentre elas a Administração, não passa por um bom momento no Brasil. A explicação para tal fato pode ser dada em função de aspectos como os relatados por Oliveira et all (2013), que destaca a facilidade, por parte das Instituições de Ensino Superior, para a abertura de cursos de Administração.
Segundo esse autor, eles requerem uma quantidade mínima de exigências se comparadas com Medicina e Engenharia e essa facilidade colabora para o crescimento do número de cursos, em grande parte, com qualidade duvidosa. Conforme os registros do INEP (2011), citados por Oliveira et all (2013, p. 8),
das 800 IES de pequeno porte, que possuíam 1 ou 2 cursos, boa parte (394) corresponde à área de Ciências Sociais, Negócios e Direito e, muitas vezes, nessas instituições as bibliotecas são insuficientes, os laboratórios e espaços de atividades de pesquisa e extensão são reduzidos, os professores possuem baixa titulação e não têm dedicação exclusiva àquela unidade e a seus alunos.
As informações oficiais do MEC mostram que a qualidade de grande parte dos cursos de Administração não contribui para proporcionar aos egressos uma adequada formação profissional. Isso pode ser verificado nos dados do INEP (2011), por meio do Conceito Preliminar de Cursos (CPC) das escolas de Administração, citados por Oliveira et all (2013, p. 8), que destaca:
As escolas de Administração em média apresentam um CPC em torno de 2,3 (numa escala de “1” pior a “5” melhor), com um desvio padrão de 0,7 e a moda, ou CPC mais frequente, de 2,8. Esses resultados medianos mostram que a expansão quantitativa não tem sido acompanhada de um alto nível de ensino. Os estudantes não têm se destacado no ENADE, e as Instituições de Ensino Superior (IES) também não têm oferecido cursos com diferencial suficiente para impulsionar o ensino dessa profissão no país.
Se, do lado das IES, a oferta de cursos de boa qualidade é insuficiente, o mercado de trabalho, segundo pesquisa do CFA (2011), conduzida por Mello et all (2011), percebe o Administrador como um profissional multidisciplinar que usa tecnologia e que constantemente se adapta às mudanças ambientais e organizacionais para realizar suas atividades profissionais.
Esse dilema entre a formação profissional deficiente e um mercado que exige um administrador com perfil ajustado às suas necessidades, como, por exemplo, visão sistêmica e capaz de acompanhar as evoluções de mercado, de recursos e das organizações, faz emergir a necessidade de estudos mais aprofundados, que possam avaliar o currículo de bacharelado em Administração e as demandas atuais da profissão.
Grande parte dos profissionais da administração inicia seu processo de formação profissional na universidade, ou em conjunto com ela, quando trabalham paralelamente para pagar seus estudos. Nesse contexto, o relacionamento entre a teoria e prática se dá por meio do trabalho ou do estágio profissional, atividade obrigatória ao estudante de Administração. Essas experiências profissionais contribuem para formar a base de conhecimentos e experiências que o administrador terá no início de sua carreira profissional.
Assim, entende-se que, quanto mais recente for a formação acadêmica, maior será a necessidade que o profissional terá de recorrer a essa base de conhecimentos provenientes da educação formal e das experiências vividas até aquele momento. As vivências e aprendizados do estágio supervisionado poderão contribuir bastante. Com o passar do tempo, outras experiências irão se acumular e alterar sua bagagem de conhecimento, ficando, dessa forma, disponíveis para aplicação na vida profissional.
Neste sentido, é razoável considerar que profissionais em início de carreira recorrem, de maneira mais intensiva, aos conhecimentos e vivências adquiridas no ambiente escolar. É nesse período que eles também podem perceber melhor quais são as lacunas entre o conhecimento e experiências trazidas da graduação e as necessidades de sua atividade profissional.
Desse modo, o egresso, com o passar do tempo, aumenta suas experiências e conhecimentos, principalmente em função da atividade laboral, porém, os conhecimentos que não foram bem consolidados pelo processo de aprendizagem durante a formação escolar poderão se tornar mais difíceis de serem aplicados, ou ainda, serem esquecidos com mais facilidade. Quando isso acontece, dependendo da qualidade das experiências e da dedicação do administrador em saber aproveitá- las, as lacunas deixadas pela educação formal poderão ser limitadoras do seu desenvolvimento profissional.
As deficiências na formação acadêmica poderão ser eliminadas com facilidade por meio das vivências profissionais ou do autodidatismo. Porém, outras não poderão ser facilmente resolvidas sozinhas, de forma isolada e, caso não sejam fornecidas pela formação acadêmica, sua ausência poderá comprometer seriamente o futuro profissional do bacharel.
A partir dessas observações, considera-se que todos os elementos envolvidos no processo de aprendizagem e formação profissional do aluno devam ser aproveitados da melhor forma possível, potencializando os momentos especiais proporcionados pelo período da graduação. Nesse contexto, um bom planejamento acadêmico é indispensável, e elementos constituintes do PPC, como planejamento das disciplinas1, planejamento e dinâmica das aulas, atividades externas à sala de aula e, por parte do aluno, planejamento e realização de seus estudos diários, são fundamentais.
Portanto, o fato de compreender que o processo de formação profissional, apesar de contínuo, depende, em grande parte, do aprendizado e das experiências práticas vivenciadas durante a graduação, no ambiente escolar, mostra às IES que elas devem assumir a responsabilidade que lhes cabe nesse processo.
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Diante desse cenário amplo, as IES, dentro de seus propósitos, buscam atender as necessidades da profissão. Para isso, promovem uma grande diversidade de currículos e grande parte deles não atingem seus objetivos no que tange à boa formação acadêmica de seus egressos, fato que pode ser comprovado pelas provas oficiais de avaliação de cursos promovidas pelo MEC - INEP.
Mesmo diante dos inúmeros desafios citados nesta seção e do complexo ambiente que o Brasil apresenta, algumas instituições de ensino vêm conseguindo êxito contínuo na aplicação de seu currículo, fato comprovado pelas avaliações oficiais do MEC. Ademais, tais instituições também parecem atender aos anseios do mercado profissional, fato que, apesar de subjetivo, pode ser constatado entre os profissionais da área. Essas escolas, sob certa medida, conseguiram ajustar os elementos curriculares e aplicá-los de forma a alcançar este status quo. Considera- se que possam ser usadas como modelo, merecem ser estudadas de forma científica e que as informações resultantes contribuam com o desenvolvimento da área.
Esta sessão apresentou alguns desafios que são enfrentados pelos cursos de bacharelado em Administração e que têm relação direta com o currículo. Pesquisas apontam que é fácil criar novos cursos de Administração, porém as exigências profissionais dessa área estão se tornando cada vez maiores. Nesse contexto, a boa gestão do currículo se torna fundamental para que o curso ofereça boa qualidade aos estudantes e consequentemente forme egressos com boa formação profissional.