Section II- Pour l’analyse de la cession de créance en un changement non novatoire de l’obligation
A- La substitution de l’obligation dans la novation par changement de créancier
Neste código estão reunidas as citações que mostram as mudanças de comportamento pelos quais passaram os expatriados japoneses da empresa Z e da
amostra “V”. Percebe-se que os expatriados citam com freqüência as mudanças de atitude para trabalhar com os brasileiros, tais como o acompanhamento minucioso dos prazos; a necessidade de tolerar e ser mais paciente ao lidar com os brasileiros no âmbito do trabalho:
ZP4: Penso que acontece à medida que se avança dentro de uma cultura diferente. Eu penso que eu estou adaptado. Um exemplo disso é que quando temos um trabalho a ser feito e eu sei que os brasileiros costumam deixar tudo para a última hora, eu procuro trabalhar não com prazos longos, pois sei que tudo ficará para o final, mas para que o trabalho seja feito, procuro designar tarefas que devam ser cumpridas mensalmente...esse é um exemplo...agora, se o Japonês ficar muito tempo aqui ele vira Brasileiro e aí chegará uma hora em que ele mesmo vai dizer: “programação? mas agora...deixa mais para o final”.
P1: Eu não acho que tenha mudado....Eu me tornei mais paciente, não me irrito mais com facilidade..acho que essa paciência é devido a minha idade também...
P4: Penso que fiquei mais paciente. O meu jeito de pensar também mudou. A mudança se deu no trabalho. O nosso jeito é sempre estabelecer um objetivo e através de inúmeras discussões chegar ao método ou modo de acessar ao objetivo. Assim avança-se passo a passo e isso é o gerenciamento do processo. O nosso jeito é detalhado, minucioso. Quando vamos trabalhar com os locais, percebe-se que as pessoas aqui acham isso maçante. As pessoas daqui tendem a pular esses pequenos passos e isso não é visto com bons olhos pela cultura da matriz. Assim, as pessoas não acompanham esse nosso jeito. Aí, temos de realmente fazer as coisas com calma aqui e gastar o tempo necessário para tudo seja feito minuciosamente...é por isso que havia dito que aqui as coisas levam mais tempo e por isso acho que fiquei mais paciente.
Esta paciência se faz necessária não somente para o trabalho, mas de acordo com ZP5 e P12 entre outros, para o âmbito da vida particular:
ZP5: como mudei...eh...por exemplo...se tenho que me encontrar com alguém e essa pessoa atrasa então não fico mais irritado...no aeroporto, se o vôo atrasa então não fico mais irritado, afobado...
P12: Sinto que passei a não apressar os resultados... Eu consigo isso no âmbito em que eu gerencio e há várias formas de me comunicar com a matriz para conseguir isso. A outra coisa, bom não tem a ver com o trabalho, eu passei a prestar muita atenção à questão da segurança e serviços rs.
Em ZP7 e P21, observa-se a preocupação de que as mudanças pessoais, por parte dos expatriados, decorrentes da tolerância e das facilidades do ambiente brasileiro possam levar a um estado de relaxamento e comodismo, que futuramente poderá causar dificuldades ao serem repatriados. Isso se deve ao fato de que no Brasil, os expatriados conseguem se comunicar em japonês graças ao suporte dos nikkeys no trabalho e também sentem que o ritmo do trabalho é mais lento do que no Japão. Toda essa facilidade levaria, na interpretação dos expatriados, ao esquecimento de certas habilidades técnicas do trabalho ou mesmo de habilidades de comunicação em inglês, conforme as citações abaixo:
P21: Bom, no Japão há muitas pessoas nervosas e ocupadas. Nas reuniões matinais meu chefe ordenava para que um trabalho fosse realizado e o prazo era, por exemplo, hoje até o final da tarde ou no máximo amanhã. Eu tenho vivido dentro desse ambiente. Ah...No Japão eu não tinha tempo de pensar sobre as coisas com calma. No Japão não há tempo de pensar sobre as coisas. Já aqui há muito tempo pois as coisas são mais calmas. Eu acho que se voltar ao Japão eu vou sofrer um choque cultural inverso. Meu chefe vai me dizer: “Vai mais rápido, você está parecendo uma tartaruga” Rs Rs... há essa possibilidade...
ZP7: Agora neste ambiente eu tento ser mais rigoroso comigo mesmo, pois aqui, devido às facilidades, consigo colocar as minhas opiniões sem utilizar o inglês porque sempre alguém me ajuda com o japonês e talvez isso não seja realmente bom para o desenvolvimento das minhas habilidades. Digo isso porque quando estava na Europa eu me comunicava só em inglês e tinha que vencer na discussão com outros para que a minha opinião fosse aceita e o certo seria eu me comunicar aqui em português ou inglês, mas há muitas facilidades aqui e tenho que tomar cuidado para eu não ficar muito relaxado.
Já ZP13 reconhece que não tinha o costume de se relacionar com estrangeiros e que já considera um avanço o fato de cumprimentar os brasileiros:
ZP13: Nunca havia tido essa experiência antes... e também não falo línguas...tinha um certo complexo em relação ao exterior...um receio...até mesmo em me relacionar com estrangeiros no Japão. Com essa experiência, passei a cumprimentar Brasileiros e penso que posso ir a qualquer lugar agora, por exemplo, Europa, China...Somos todos seres humanos...
ZP8, ZP3 e P8 tiveram a chance de refletir sobre o estilo de vida local e isso influenciou suas atitudes quanto ao modo como encaram a família e os amigos. Os
expatriados afirmaram que se sensibilizaram com o modo como os brasileiros valorizam suas famílias e relações de amizades. Diante dessa observação, eles passaram a refletir sobre as relações humanas em seu país e muitos disseram que o Japão deveria aprender com os Brasileiros a valorizar mais os familiares e amigos:
ZP8: Eu passei a pensar mais em fazer as coisas que tenho vontade e vivê-las, agora se isso é possível ou não é outro problema. Aqui no Brasil valoriza-se muito a família e os amigos quando comparado ao Japão e eu passei a repensar a importância dos amigos e familiares que tenho ao meu redor.
ZP3: Vou dizer mais uma coisa, os brasileiros me dizem “oi” sorrindo... eu lembro uma vez que estava no Japão e os brasileiros nikkeys que foram lá para trabalhar tinham esse costume de sorrir e aí a reação típica do japonês é achar estranho...algo como: “por quê ele está sorrindo... o que quer de mim...eu não o conheço?” certamente os brasileiros nikkeys pararam de sorrir no Japão.. agora vejo que foi um erro meu ter agido daquela maneira...veja como a cultura é algo interessante e cheio de descobertas.
P8: então...eu penso que mudei mais quando vim a primeira vez como assistente de pesquisa em 84, 85. Nessa época eu me surpreendi, pois sofri um tipo de choque cultural...vi como se valoriza a família aqui e isto virou uma lição para mim. No Japão hoje penso que as famílias estão fragmentadas e talvez o Japão esteja errado. Antes eu tinha só uma visão e hoje eu ampliei a minha forma de enxergar as coisas. Tive um amigo que veio passear aqui no Brasil e o levei para o Rio. Lá ele tinha amizades e acabou conhecendo uma favela. Esse amigo entrou em uma casa, que embora fosse pobre, tinha uma família muito unida e após me contar essa experiência eu fiquei pensando novamente nesta questão da família...Toda essa experiência no Brasil me fez refletir sobre certas coisas em minha vida e antes de 87 tomei uma grande decisão eu já havia decidido largar o meu emprego na Universidade pois não estava satisfeito e tive coragem de mudar e entrar nesta empresa. Essa experiência no Brasil foi uma experiência muito proveitosa.
A citação de ZP11 sugere que a matriz tem uma visão padronizada sobre a subsidiária brasileira, mas que com esta experiência no Brasil, o expatriado pode ampliar a sua compreensão sobre a situação local. Percebe-se aqui novamente o aspecto do trabalho como o ponto de partida e o aspecto central para a auto-análise das mudanças pessoais:
ZP11: ...hum...acho que fiquei mais simpático rs.. tenho problemas com a língua mas sinto que surgiu um sentimento de me relacionar mais amigavelmente com os outros..isso não é apenas no
Brasil..acho que pelo fato de ter me distanciado do Japão e o jeito de ver as coisas mudou...agora estou vendo o Japão de fora...por exemplo, disse coisas sobre o Brasil, mas a matriz vê só de um jeito: Por quê eles agem assim?... mas quando se muda de posição então se percebe que o jeito de trabalhar de um único lado nem sempre é o mais adequado... enquanto estava na matriz eu achava que estava sempre certo...
Portanto, em geral os expatriados japoneses parecem atribuir ao ajustamento intercultural basicamente três sentidos que consideram marcantes:
a) Terminar a missão ou ficar até o fim, pois não há outra opção, visto que desistir da missão equivale a desistir do Japão e assim ser motivo de vergonha;
b) Aproximar-se do ambiente e dos locais sem comprometer o “eixo” nipônico que todo expatriado possui para desenvolver o trabalho e facilitar a absorção da cultura organizacional japonesa pelos locais;
c) Ser mais tolerante e paciente para levar adiante o trabalho, pois esta parece ser a dimensão central do ajustamento dos expatriados japoneses no Brasil. Vale ressaltar que os expatriados também se sensibilizam com os valores locais relacionados à família e à amizade e passam a repensar as relações humanas no Japão.
No entanto, observa-se que prevalece o primeiro sentido de obrigação e dever em relação ao Japão, para ficar até o fim e cumprir a missão internacional. Para o expatriado japonês, o ajustamento intercultural parece significar a missão de viver em outro país em prol da matriz e do trabalho a ser desenvolvido na subsidiária, independentemente do expatriado estar ou não se sentido confortável psicologicamente no país anfitrião.
Neste momento seria efetiva a apresentação das diferenças, quando devidamente identificadas nas categorias de análise, entre os expatriados que estão com suas famílias no Brasil e entre os expatriados que estão sozinhos. Em relação à categoria do ajustamento antecipado, observa-se que não houve diferenças significativas em relação ao item “atitude positiva” frente à designação internacional para as duas amostras. Dentre os expatriados que vieram com suas famílias houve poucas citações (Z=3 e V=4) em que afirmam que a decisão pelas condições de expatriação é da matriz. Aparentemente, os expatriados que são casados e vieram
com suas famílias sentiram um espaço relativamente maior que os expatriados sozinhos na hora das definições de condições básicas para a expatriação quando foram selecionados.
Em relação à categoria do ajustamento interacional, os expatriados que estão com suas famílias no Brasil da empresa Z reportaram proporcionalmente menos relacionamento com os locais e mais dificuldades em comunicar-se com os brasileiros que os expatriados que estão sozinhos. Os sozinhos parecem se “aventurar” mais entre os locais do que os casados, em termos de comunicação e entretenimento (esporte, etc). A mesma tendência pode ser observada para a amostra de vinte e dois expatriados (V). Quanto à categoria do ajustamento no trabalho não foram observadas, em geral, diferenças significativas entre as duas amostras (Z e V).
Ao analisar separadamente os expatriados que estão no Brasil como presidentes e os expatriados que não estão como presidentes, também foi possível identificar algumas diferenças significativas em relação a algumas categorias. Em relação à categoria do ajustamento antecipado, os presidentes nas duas amostras não demonstraram nenhuma reação delicada quando informados sobre a missão no Brasil. Os presidentes quando comparado aos demais executivos que não são presidentes, parecem menos ansiosos ou preocupados com o fato de serem designados a vir ao Brasil. Aparentemente, os expatriados que não são presidentes em Z e V apresentam um grau de ansiedade ou mesmo preocupação maior que os expatriados presidentes antes de vir ao Brasil.
Quanto à categoria do ajustamento interacional nas duas amostras, observa- se que os expatriados que não são presidentes têm relativamente mais contato com os brasileiros e por isso sentem maiores dificuldades de comunicação que os presidentes. Os presidentes reportaram menos relacionamento e comunicação com os locais no cotidiano.
Em relação à categoria do ajustamento no trabalho, merece destaque o fato de que os expatriados que não são presidentes sentem com maior intensidade as diferenças na forma de trabalhar com os locais. Aparentemente, os presidentes são mais “protegidos” e imunes em relação ao desconforto subjacente às diferenças na forma de trabalhar com os brasileiros, pois interagem menos com os locais, quando comparados aos expatriados que não são presidentes.