É possível fazer diversas comparações entre os modos de transportes. De forma geral, o modo hidroviário apresenta vantagens comparativas em relação aos demais, principalmente o rodoviário, especialmente para o transporte de cargas de baixo valor agregado em médias e longas distâncias. Diversas são as vantagens, econômicas, sociais e ambientais, que podem ser oferecidas pelo transporte hidroviário interior, dentre as quais, podem ser citadas:
• Redução no custo do transporte de carga, especialmente das cargas pesadas, volumosas e de baixo valor unitário, transportadas a grandes distâncias;
• Com poucas intervenções e investimentos, dezenas de milhares de quilômetros de malha viária ficariam disponíveis para a navegação; • Mobiliza maior carregamento de uma só vez, pois a capacidade de carga
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• Apresenta menores custos de implantação e manutenção da via;
• Apresenta menor consumo de combustível e maior eficiência energética; • Devido ao fato de ser mais eficiente, o transporte fluvial acarreta
benefícios ambientais significativos, pois reduz a utilização de combustíveis e consequentemente a diminuição da emissão de gases e outros poluentes;
• Menor dispêndio com mão de obra, pelas reduzidas tripulações utilizadas;
• É mais seguro, apresenta menores índices de acidentes, reduzido congestionamento e causa menor nível de ruído;
• Diminui a exaustão de recursos naturais, pois apresenta menor consumo de combustível e menor peso necessário para transportar uma unidade de carga além do maior tempo de vida útil dos veículos;
• Auxilia e facilita a intermodalidade dos transportes.
É possível encontrar na literatura diversas informações comparativas entre os modos rodoviário, ferroviário e aquaviário. O Quadro 5.2 apresenta uma compilação dos principais parâmetros para os três modos de transporte, na qual é possível observar por meio de dados quantitativos algumas vantagens do modo aquaviário.
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Quadro 5.2 - Parâmetros de transporte para os modos rodoviário, ferroviário e aquaviário.
Parâmetros Rodoviário Ferroviário Aquaviário
Custo Médio de Construção USS/Km (1)(2)(3)(4) 440.000 1.400.000 34.000
Custo de Manutenção (1)(4) alto alto baixo
Custo de manutenção da via (2)(3) alto baixo baixo
Consumo de combustível Litros/ton/1000km
(1)(2)(3)(4) 96 10 5
Custo de frete USS/ton/1000km (1)(4) 34 21 12
Custos de fretes, para cada ton transportada
(R$/Km) (5) 0,016 0,056 0,009
Custo Médio de Operação USS/Km (2)(3) 34 21 12
Custos Sociais (*) (USS/100 ton/km) (2)(3) 3,2 0,74 0,23
Emissão de Poluentes (kg/ton/1000km) (2)(3) Hidróxido de carbono 0,178 0,129 0,025 Monóxido de carbono 0,536 0,180 0,056 Oxido de carbono 2,866 0,516 0,149
Vida útil da infraestrutura (2)(3) Baixa Alta Alta
Vida útil (anos) (8) 10 30 50
Distância de transporte com US$1 em 1979 (km) (3) 24 107 537
Massa transportada por 1 HP de potência (kg) (3)(8) 150 500 4000
Peso morto por tonelada de carga (kg) (8) 700 800 350
Distância percorrida com 1galão de combustível
para transportar 1 ton de carga (km) (7) 109 374 952
Fonte: Compilação realizada pelo autor. (1) Secretaria de Estado dos Transportes (2002) apud SINAY, TEIXEIRA e AMORIM (2005); (2) AHSFRA (2007) apud DINIZ, SINAY e FERRO (2007); (3) SCHAPPO et al. (2008); (4) Secretaria de Transporte de São Paulo (2007) apud Diniz (2007); (5) Superintendência de Portos e Hidrovias (2007) apud Garaventta (2008); (6) www.centrodelogistica.org apud Chamorro (2009); (7) Eastman (1980); (8) Nazaré (1993); (9) Beuthe et al. (2002); (*) Inclui acidentes, poluição atmosférica e sonora, consumo de espaço e água.
Nazaré (1993) faz a comparação dos equipamentos necessários para transportar 1.000 toneladas pelos três modos. De acordo com esse autor, para transportar essa quantidade de carga no modo rodoviário seriam necessários 50 cavalos mecânicos e 50 reboques, no ferroviário uma locomotiva e 50 vagões e, no aquaviário, apenas um empurrador e uma balsa.
Com essas informações, já é possível inferir que o frete hidroviário deve ser menor que o dos demais. Tal assertiva pode ser confirmada no Quadro 5.3, que apresenta uma compilação de valores de fretes, apresentados em diversos documentos, realizada por Rossetto Jr. (2005).
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Quadro 5.3 - Comparação de Fretes por modo de transporte (US$ / t . 1000 km).
Fontes
Rodoviário Ferroviário Hidroviário
Relatório Hidrovia Tietê-Paraná
IPT – 1994 40 28 12
Relatório a Onda do Progresso
R. Pavan – 1995 35 20 14
JICA – Japa International
Cooperation Agency – 1995 61 20 18
Relatório Rios de Negócios
CESP – 1997 35 17 13 Consultoria J. C. T. Riva – 2004 32 20 12 SIFRECA ESALQ – 2005 30 22 13 Média 39 21 14 Fonte: ROSSETTO JR. (2005)
Além dos custos, os critérios para a escolha dos modos de transporte levam em consideração as características operacionais de cada serviço. Chamorro (2009) apresenta cinco dimensões, que considera mais importantes, referentes às características operacionais dos serviços oferecidos por cada um dos modos de transporte, sendo elas: velocidade, confiabilidade, capacidade, disponibilidade e frequência. No Quadro 5.4, pode-se observar como essas características se apresentam em cada modo, seguindo uma pontuação crescente de 1 a 5.
Quadro 5.4 - As cinco dimensões (velocidade, confiabilidade, capacitação, disponibilidade e frequência) referentes às características operacionais dos serviços oferecidos por cada um dos modos de transporte.
Rodoviário Ferroviário Aquaviário Aéreo Dutoviário
Velocidade 2 3 4 1 5 Disponibilidade 1 2 4 3 5 Confiabilidade 2 3 4 5 1 Capacidade 3 2 1 4 5 Frequência 2 4 5 3 1 Resultado 10 14 18 16 17
Fonte: www.centrodelogistica.org apud Chamorro (2009)
Além das vantagens já elencadas, o modo hidroviário,
comparativamente aos demais modos de transporte, é, segundo estudos realizados, o que acarreta menos impactos negativos ao meio ambiente. Várias
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razões justificam essa afirmação, entre eles, a eficiência e o fato de a via ser constituída por rios, lagoas, lagos, baías e enseadas, o que faz com que ela se integre naturalmente com o meio ambiente, mesmo sofrendo intervenções para permitir o transporte de grandes volumes de carga de maneira segura e econômica (FILIPPO, 1999).
Beuthe et al. (2002) apresentam um estudo dos custos externos (ou sociais), abordando os parâmetros: congestionamentos, poluição, acidentes, ruído e desgastes. O Quadro 5.5 mostra o resultado de uma simulação feita para o transporte de cargas, por três modos, de longo curso na Bélgica em um ano.
Quadro 5.5 - Custos externos (ou sociais) levantados por simulação para o transporte de cargas de longo curso na Bélgica em um ano, para caminhões, trens e barcos.
Custos externos
(milhões de euros) Caminhão Trem Barco
Congestionamentos 412,8
Poluição 419,7 51,9 88,2
Acidentes 298,6 25,1 -
Ruído 153,3 32 -
Desgastes das vias 46,4 - -
Total 1.330,8 109 88,2
Fonte: Beuthe et al. (2002)
Santana (2008) cita estudo realizado em 12 países da Comunidade Europeia sobre impactos dos transportes sobre o meio ambiente comparando diferentes modos, que mostrou que o transporte fluvial teve menores índices de impactos ambientais, conforme pode ser visto no Quadro 5.6.
Quadro 5.6 - Custos sociais em relação às modalidades de transporte (%).
Custos Sociais Rodoviário Ferroviário Fluvial Aéreo
Poluição Atmosférica 91 4 3 2
Poluição Sonora 64 10 0 26
Uso da terra 91 7 1 1
Construção/Manutenção 56 37 5 2
Acidentes 98 1 0 1
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Observa-se, portanto, que o transporte hidroviário pode contribuir para o desenvolvimento social e econômico, oferecendo benefícios nacionais e regionais como a redução no preço final do produto transportado, em função de eventual redução do frete, o que poderia estimular a produção agrícola, a geração de empregos para a população, não só em face das obras e serviços necessários à operação da hidrovia, mas também em função das atividades econômicas que venham a se desenvolver no seu entorno e o impulso ao turismo na região cortada pela via (CARVALHO, 2008).
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