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7.2 Stochastic Search
A função do Diretor de Turma (DT) é extremamente relevante em todo o processo educativo, de forma transversal, assim como nas relações e interações que se devem estabelecer entre os diferentes agentes educativos, “assegurar a articulação entre os professores da turma e com os alunos, pais e
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encarregados de educação...” (Decreto Regulamentar nº 10/99 de 21 de julho – artigo 7º).
O DT acumula assim uma função tripla, estabelecem uma relação entre os alunos, os Encarregados de Educação (EE), e os professores da turma.
Neste sentido ao DT compete a coordenação de todos os intervenientes no processo educativo do aluno, estimulando uma colaboração eficiente entre a escola e a família, de modo a aproximar os EE da vida escolar dos seus educandos. Isto só será possível se o DT for capaz de compreender as diferenças culturais, individuais, atuando de forma diferenciada, consoante as características sociais dos alunos e das suas famílias.
Em relação ao EE, este é responsável pelo acompanhamento da vida escolar da criança/jovem em causa. É com este agente que o DT estabelece todos os contactos necessários, devendo procurar envolvê-lo no processo educativo do seu educando e não somente informá-lo. Marques (1997a) diz que “para educar uma criança é preciso toda uma aldeia”. Daí que as relações e comunicações entre este “triângulo educativo” (DT – EE – aluno) devem ser fortes e colaborativas de forma a promover um clima de diálogo, abertura e apoio.
Para muitos isto pode parecer óbvio e fácil de se ver executado, porém isto não é verdade, os obstáculos nesta colaboração são significativos e limitadores. Na generalidade os professores querem acompanhamento por parte dos EE dos alunos, querendo simultaneamente a independência e liberdade relativamente às famílias, criando então conceções negativas e desconfianças parte a parte. Estes têm por vezes atitudes culpabilizantes perante os EE, ao invés de procurar soluções com e para os EE e os seus educandos. Outro obstáculo à colaboração é também a incompatibilidade de horários dos EE, que é muitas vezes usada para desculpar as ausências constantes dos EE na escola.
A escola é vista pelos EE como uma estrutura burocrática, com rituais formais e com linguagem demasiado técnica, em que os contactos são abusivamente negativos, achando que só são procurados se os seus
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educandos têm problemas e dificuldades e nunca com vista a promover estratégias facilitadoras do processo de aprendizagem.
Por último vemos o perfil do corpo docente e dos DT como um obstáculo à colaboração, dado que o cargo é atribuído por conveniência de horários e nunca pela apropriação do perfil do professor, sendo a função encarada como uma obrigação e até um enviesamento rotineiro e burocrático, ao invés da profícua função que este toma na vida escola do aluno. Já o corpo docente reclama a sua autonomia pedagógica tomando a relação com os EE com grande insegurança, procurando até repelir a ação dos mesmos da sua disciplina.
Abordando agora a temática das reuniões individuais entre os EE e o DT, como estratégia de solução para os EE que vêem os seus horários incompatíveis com as reuniões gerais por algum motivo, estas devem ser encaradas como um momento de troca sentimentos, crenças, conhecimentos e informações entre o meio familiar e o meio escolar, percebendo o educando como uma mensagem, um vaivém com papel ativo e consciente na comunicação escola/família. Este mesmo educando deve fazer-se presente nestes mesmos atendimentos, colaborando na definição de objetivos, evitando distorção de mensagens, promovendo sentimentos de valorização do “eu aluno” e do “eu familiar/pessoal”, estando mais implicados no processo educativo e motivados para a colaboração com o corpo docente por este responsável. Outro aspeto favorecido pela presença do educando é a possibilidade de haver continuação de diálogo em casa sobre as estratégias definidas, facilitando a aplicação das mesmas quer na escola, quer em casa se assim decidido.
Este foi um enquadramento que permitiu reconhecer o DT enquanto gestor pedagógico responsável por estabelecer uma relação com os alunos e com os EE, além da interação estabelecida com os demais professores da turma. O DT não surge apenas como um professor, mas como um elemento posicionado numa estrutura pedagógica de gestão intermédia da escola, particularmente centrado nos alunos e na orientação dos mesmos, estabelecendo um trabalho
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cooperativo entre os diferentes professores da turma, no intuito de promover o desenvolvimento intelectual e pessoal dos alunos.
Através do resultado da proximidade que se estabelece entre o DT e os alunos da sua direção de turma, desenvolve-se muitas vezes uma relação de empatia, que pode, em muitos casos, potenciar a confiança do aluno. Esta dinâmica pode apresentar um papel estruturante no atender de uma situação de desconforto emocional, sofrimento físico e psicológico, levando-o à partilha desses problemas e à procura de ajuda para a sua resolução. Todavia, uma boa relação com os alunos é também uma oportunidade de contribuir para o bom funcionamento e para um bom clima de turma.
A disponibilidade, a capacidade de comunicação e de liderança, a experiência refletida, a tolerância e a dedicação, são algumas das caraterísticas que se destacam de toda experiência vivenciada neste estágio pedagógico. Perante toda a complexidade envolvente, denota-se a necessidade que o professor tem em sair da sua zona de conhecimento específico para, numa dimensão humana, atender às necessidades dos seus alunos e da turma em geral. Desta forma, é representativa a preponderância da inteligência emocional na intervenção do DT.
O meu acompanhamento com a DT não foi durante muito tempo, quer dizer que, a minha comunicação com a mesma prendeu-se mais com a troca de informação via e-mail, para perceber algumas atitudes manifestadas por alguns alunos e presencialmente quando nos encontrávamos nas reuniões de avaliação. Nestas reuniões aproveitava para partilhar a minha opinião sobre alguns comportamentos dos alunos em EF, por se comportarem de forma um pouco diferente das outras disciplinas.
O meu papel prendeu-se assim, mais por uma intervenção pedagógica junto dos alunos, através da comunicação com os mesmos fora das aulas de EF, para saber se estava tudo bem, em vez das questões mais burocráticas.
Em suma, percebi que o DT constitui uma peça fundamental na relação interna entre o grupo – turma e o grupo – professores, bem como na relação externa que estabelece com os EE. Para responder a esta função, necessita
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de estar preparado, ou seja, de ter aprendido e de continuar a aprender, no intuito de cumprir todas as tarefas que são da sua responsabilidade.
5.7. Participação na Escola e Relação com a Comunidade Escolar