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Standard Behavior and Inheritance

Machine Interface Layer Hardware

Chapter 3. PenPoint Kernel

4.1 Function of the Application Framework

4.1.2 Standard Behavior and Inheritance

Realizámos um total de cinco entrevistas a docentes e vinte e duas entrevistas a alunos. Tal como referimos no capítulo III, optámos por entrevistas semiestruturadas para as quais elaborámos previamente um guião. Considerámos guiões separados de acordo com a função do entrevistado, sendo, no entanto, constituídos pelas mesmas

dimensões e categorias o que obrigou à pré-definição de itens, sem contudo implicar uma formulação rígida de questões, servindo de orientação, de forma a garantir que as questões colocadas a todos os entrevistados fossem semelhantes (anexo III). Na elaboração desse guião tivemos em conta os objetivos da pesquisa, explicitados na Introdução desta dissertação, e todas as questões para as quais procurávamos uma resposta. Assim, considerámos como primeira dimensão os participantes no estudo, com vista a conhecer o seu perfil pessoal, académico e profissional, e o grau de satisfação quer com a atividade profissional quer com a atividade desenvolvida no contexto das turmas de PCA. A segunda dimensão considerada incidiu no perfil da escola onde se desenvolveu esta investigação. Aqui, privilegiámos os aspetos relativos ao espaço físico, aos recursos humanos e aos recursos materiais. Interessava-nos, igualmente, conhecer a oferta curricular, e daí tê-la considerado como a terceira dimensão, na qual incluímos, como categorias, a composição e a organização do plano de estudos das duas turmas de PCA alvo deste estudo, ou seja a forma como se encontram distribuídas e organizadas a área académica (as disciplinas) e a área vocacional (da qual fazem parte as oficinas) nesse plano de estudos; as razões que levaram à implementação deste plano de estudos; a implementação, propriamente dita e, por fim, as perceções dos entrevistados sobre esse plano de estudos e sobre a pertinência da existência deste tipo de turmas. Estas categorias foram também as selecionadas no guião das entrevistas realizadas aos alunos.

Procurámos salvaguardar a identidade e as afirmações proferidas por cada um dos docentes participantes, atribuindo a cada um deles um código (P1; P2; P3; PC e PDT), tal como havíamos feito para os alunos envolvidos no estudo.

1.1.1. Sobre a realização e a transcrição das entrevistas

Todas as entrevistas foram feitas na escola e gravadas em suporte áudio, com a prévia autorização dos entrevistados, sendo, depois transcritas integralmente.

Realizadas as entrevistas, a primeira tarefa consistiu na audição e transcrição das mesmas. Mas esta empreitada que à partida parecia ser muito básica, acabou por revelar-se muito mais complexa. Efetivamente, as opiniões divide-se entre se a transcrição deverá ser apresentada exatamente como ela surge ou se devemos fazê-la com as correções que o código escrito exige. Com efeito, aquilo que temos gravado faz parte de um código oral e quando o passamos para código escrito verificamos que há alterações que somos obrigados a fazer.

Concordamos por isso com Kvale (1996) e com Atkinson (1998) quando referem que algumas alterações feitas durante a transcrição não se devem a omissões deliberadas mas, tão-somente, à necessidade de transformar a entrevista num texto que seja bem entendido por todos aqueles que o lerem. Isto não significa que os critérios de fiabilidade e de validade da transcrição não devam estar sempre presentes no espírito do investigador, sem contudo esquecermos que, segundo Kvale (1996, citado por Valles, 2002: 136) não existem transcrições corretas e objetivas, pois, ainda segundo o mesmo autor

Transcribir implica traducir de un lenguage oral, com sus propias reglas, a un lenguage escrito com outro conjunto de reglas. Las transcripciones non son copias o representaciones de una realidade original, son construcciones interpretativas que son herramientas útiles para determinados propósitos. Las transcripciones son conversaciones descontextualizadas, abstracciones, al igual que los mapas topográficos son abstracciones del paisaje original del que derivan. Los mapas enfatizan algunos aspectos del paisaje y omiten otros, dependendo la selección del uso que se intenta hacer205 (1996: 165).

Nas transcrições que realizámos tentámos ser fiéis aos discursos dos entrevistados, sem alterar as suas ideias, ou seja tentámos ser o mais objetivos possível. No que respeita às entrevistas feitas aos alunos, depois de terminada a transcrição, verificámos que, mercê de algum nervosismo e/ou, porventura, de algum sentimento de vergonha, as respostas foram dadas com o recurso sistemático ao «não» e «sim», com inúmeras pausas e silêncios, acabando por tornar, inúmeras vezes, o seu discurso algo inexplicável.

Aliás, apesar de termos optado por entrevistas semiestruturadas (tal como explicámos no capítulo III desta dissertação), as entrevistas feitas aos alunos acabaram, quase, por se tornar em entrevistas estruturadas mercê das não-respostas dadas. Ou seja, foi necessário insistir, explicar as questões, e voltar a insistir para conseguirmos obter algumas (poucas) respostas. Provavelmente o facto de sermos professora de todos eles (e diretora de turma de alguns) não tenha ajudado, embora à partida parecesse exatamente o contrário, dado o seu entusiasmo inicial.

205 Transcrever implica traduzir de uma linguagem oral, com as suas próprias regras, para uma linguagem

escrita com outro conjunto de regras. As transcrições não são cópias ou representações de uma realidade original, são construções interpretativas que se constituem como ferramentas úteis para determinados fins. As transcrições são conversas descontextualizadas, abstrações, do mesmo modo que os mapas topográficos são abstrações da paisagem original. Os mapas enfatizam alguns aspetos da paisagem e omitem outros, dependendo, a seleção, do uso que se lhes pretende dar (tradução livre).

No entanto, tudo fizemos para os colocar à vontade, seguindo a sugestão de Blanchet e Gotman que referem que a entrevista “comme technique d’enquête est née de

la necessité d’établir un rapport égalitaire entre l’enquêteur et l’enquêté pour que l’enquêté ne se sente pas, comme dans un interrogatoire, contraint de donner des informations”206 (1992: 9).

Quer-nos parecer, por tudo isto, que a parcimónia nas palavras se deveu, em grande parte, a não saberem o que dizer e a um receio de errarem ou de, eventualmente, acharem que as respostas podiam não ser o que pretendíamos, ou seja aquilo que Moreira refere como “desejabilidade social das respostas” (2007: 231), isto é, os inquiridos tendem a responder de acordo com o que deles se espera e não tanto com aquilo que é a sua verdadeira perceção dos temas em questão.

Um outro aspeto que considerámos relevante prende-se com a transcrição do material recolhido. Glaser e Strauss (1967) defendem uma combinação de transcrições completas com transcrições parciais, introduzindo-se, assim, uma vantajosa economia de tempo. Decidimos, contudo, seguir a opinião de Atkinson (1998) que defende a transcrição de todo o material gravado.