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PenPoint Application Life Cycle

Chapter 5. Application Embedding

Quadro 12 – Categorias e subcategorias da dimensão - Participantes

Dimensão – Participantes - Docentes

Categorias Subcategorias

Perfil pessoal • Idade • Género Perfil académico e profissional • Grau académico • Formação especializada • Vínculo ao agrupamento • Escalão em que se encontra • Tempo de serviço

Grau de satisfação • Com a atividade profissional

• Com a atividade desenvolvida nas turmas de PCA

No capítulo anterior, pudemos analisar a caracterização dos professores participantes desta investigação, no que respeita o perfil pessoal, académico e profissional, efetuada a partir das entrevistas realizadas.

Grau de satisfação com a atividade profissional

Enunciado da questão: “Como é que caracteriza o grau de satisfação em relação à sua atividade de docente?”

Análise das respostas

Sem qualquer exceção, verificamos que as respostas coincidem no sentido de os entrevistados se sentirem satisfeitos com a sua atividade profissional. E, todos consideram a sua atividade profissional como muito importante, e com a qual se sentem realizados. Constatamos, também, que todos dizem ter elegido esta profissão por opção e não por qualquer constrangimento pessoal. Relevante é, igualmente, a motivação que todos dizem sentir pela atividade docente:

“tenho um grau de satisfação elevado” (P2);

“gostei sempre muito do ensino (…) com uma motivação bastante elevada, gostei

imenso e gosto imenso da profissão (…) uma profissão que tem grandes desafios e portanto acho que vale a pena, vale a pena ser professor ainda” (P3).

“eu estou na profissão que escolhi e estou satisfeita com a profissão e sinto-me motivada para ela” (PC).

Interpretação dos resultados

Esta questão conduz-nos aos inúmeros estudos que têm sido realizados, tendo como figura principal a satisfação (e a insatisfação) profissional dos docentes. Com efeito, o debate em torno desta questão tem dado origem a variadíssimas investigações211 e interpretações sobre este tema. E, este facto não é de estranhar se tivermos em conta que, tal como referem Borges e Daniel (2009) a importância dada à satisfação com o trabalho exercido torna-se cada vez mais importante na sociedade atual, uma vez que a satisfação profissional surge como uma avaliação pessoal acerca das diferentes experiências de contexto que são vivenciadas no local de trabalho (Seco, 2002, 2005). E, no caso dos professores, esta satisfação não pode ser encarada como algo pouco relevante, já que “reconhecida que é (…) a importância da satisfação profissional (…) para a concretização de qualquer reforma educativa, para a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, para o envolvimento numa educação ao longo da

211 Vejam-se, a este propósito os estudos levados a cabo, nomeadamente, por S. N. de Jesus (1991; 1992;

1996;1998; 2002); M. G. Seco (2002; 2005); J. M. Esteve (1987; 1988; 1992); M. H. Cavaco (1991; 1993). O relatório nacional – A situação do professor em Portugal – organizado por B. Cruz; A. Dias; J. Sanches; J. Ruivo; J. Pereira e J. Tavares (1988) aborda também esta problemática.

vida” (id., 2005: 74), e daí que esta satisfação possa fazer toda a diferença na motivação e na dedicação à atividade exercida. Teodoro vai ainda mais longe quando diz que “os professores estão no coração do processo educativo212” (1994: 20). Ou seja, deles dependerá a existência de uma educação de qualidade e esta será sempre, sem dúvida, “uma tarefa muito pessoal” (Esteve, 2002: 9). Além disso, parece ser consensual que sem o envolvimento e a motivação dos docentes, dificilmente as reformas implementadas poderão ter êxito (Teodoro, ibid.).

Apesar de todas as contingências com que os professores se deparam na sua atividade profissional em que lhes é solicitado que sejam educadores, formadores, familiares, animadores, técnicos sociais, tarefas para as quais não foram, nem se sentem, preparados (Barroso, 2005; Esteve, 1987; Hameline, 2000; Nóvoa, 1992, 2009), a motivação e a satisfação dos docentes entrevistados parece constituir-se como uma realidade. Ora, não podemos deixar de concordar com Ruivo, Sebastião, Rafael, Afonso e Nunes quando referem que “o educador, o professor com elevada auto-estima sentir- se-á mais motivado para continuar a senda do sucesso, procurando elevados níveis de realização pessoal e intervenção profissional. Os grandes beneficiários da motivação dos professores, do seu bem-estar serão os alunos” (2008: 12).

Grau de satisfação com a atividade desenvolvida nas turmas de PCA

Enunciado da questão: “Como é que vê a atividade que desenvolve com as turmas de percursos curriculares alternativos?”

Análise das respostas

Ao analisarmos as respostas dadas verificamos alguma unanimidade nas opiniões dos docentes. De facto, todos se mostram satisfeitos com a atividade desenvolvida com estas turmas. Atitude compreensível, pois, tal como foi referido por uma das entrevistadas, estas turmas não são impostas aos docentes da escola. Com efeito, os professores são convidados a integrarem o conselho de turma, podendo, mesmo, recusá- las. Apesar de ser dada primazia à continuidade pedagógica, qualquer um destes docentes pode, no final do ano letivo, ser substituído se assim o desejar. Compreende- se, por isso, que todos os professores se sintam agradados com o trabalho realizado, pois de outro modo não aceitariam as turmas em questão. Esta satisfação demonstrada gira,

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sobretudo, à volta do trabalho realizado com os alunos e da perceção dos professores em relação ao interesse demonstrado pelos alunos na concretização desse trabalho.

“tento ao máximo trabalhar com eles e motivá-los e dar-lhes ferramentas para o

futuro deles” (PC);

“gosto de trabalhar com estes alunos” (PCT);

“sinto-me muito satisfeito com o trabalho realizado aqui”; “é lógico que isto [a evolução dos alunos] nos traz alguma satisfação” (P2).

Interpretação dos resultados

Parece-nos que não extrapolamos ao considerarmos a importância da estabilidade docente e da constituição de equipas de professores, de forma a “promover a estabilidade da relação pedagógica do educador e do professor com as crianças que lhe são confiadas, com vista a uma educação mais personalizada e humanista” (Formosinho, 2000: 159). Efetivamente, a satisfação, que estes professores revelam, passa, sem dúvida, por uma continuidade pedagógica que permite a criação de laços afetivos com os alunos, algo que um trabalho descontinuado não permitiria. Citando, novamente, Formosinho o sucesso dos alunos também passa pela “preocupação de criar no corpo docente de uma turma um conjunto equilibrado de pessoas em termos de experiência, de empenhamento (…), de disponibilidade garantida ao longo do ano” (ibid.: 152).

Mas, esta satisfação docente também pode ser justificada por aquilo que Alves (1994) classifica como o factor relacional. Assim, e de acordo com este autor, “a interpessoalidade professor-aluno (…) adquire especial realce (…). Reconhece-se que o processo de ensino/aprendizagem é inconcebível sem o encontro empático, e mesmo osmótico, daquele que ensina e daquele que aprende” (ibid.: 17). Ou seja, “las

relaciones con los alumnos representan uno de los aspectos de la profesión que mayor satisfacción pueden reportar a los professores. Sin embargo constituem, a la vez, una de las mayores fuentes de malestar213” (Vila, 1988: 145). Neste caso, apesar de estarmos perante alunos com um historial pedagógico fora dos cânones habituais do sucesso educativo, os docentes consideram que as aprendizagens conseguidas constituem-se como um fator gerador de satisfação, considerando que o seu trabalho e empenho não são em vão.

213 As relações com os alunos representam um dos aspetos da profissão que maior satisfação pode trazer