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2. National Contexts

2.5 Spain

Obras Seleccionadas 126

POSTO MÉDICO DE NEGRELOS

1955

LOCAL: Nacional nº105, Avenida Ponte, Santo Tirso

TIPOLOGIA: Equipamento de Saúde

ENCOMENDA: Serv. Médico-Sociais da FCP

COLABORAÇÃO: Arq. Eduardo Figueirinhas; Eng. Napoleão Amorim

ESTADO: Construído

Figura 46. Vista do alçado Norte e envolvente Foto de época

O edifício do Posto Médico de Negrelos coloca o carácter moderno em consonância com a realidade específica do lugar e, das suas condições físicas, climáticas e socioculturais. No contexto do desenvolvimento do Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal, em curso desde 1955 e que viria a ser publicado somente em 1961, torna-se significativa a presença deste edifício na Revista Arquitectura nº62, um projecto realizado por um arquitecto fora do habitual circuito das publicações, e do qual é salientado o diálogo entre a tradi- ção e o moderno. A este propósito o arquitecto Nuno Portas refere: “Não era obrigatório ser na capa, mas achamos que era importante ser, porque estáva- mos num período de dois anos depois do Inquérito à Arquitectura Portuguesa e a obra ainda não estava publicada penso eu, a revista é de [19]58”.1 A rele-

vância atribuída a este artigo reside no facto de estabelecer uma ligação direc- ta à obra de Germano de Castro Pinheiro assim como à forma que esta foi interpretada no seu tempo, tendo este projecto sido visto entre os arquitectos como uma proposta de síntese.

Ao longo do artigo elaborado na revista Arquitectura são realçados os principais elementos diferenciadores da proposta, desde a sua abordagem e inserção paisagística, em que “é evidente que a sua concepção não resultou de uma procura do espaço interno tomado como gerador da forma, mas ao contrário de uma intuição “paisagística“, isto é, do respeito pelo espaço exte- rior” passando pela distribuição do programa e o sistema construtivo que em muito contribuem para que o edifício resulte num conjunto que dá sinais de continuidade da tradição dentro de uma proposta moderna. É neste sentido que se interpreta que “o seu modo de integração no ambiente regional não é

Figura 47. Vista do alçado Sul e envolvente próxima

Foto de época

Retirado da revista Arquitectura nº62, 1958, p.24

Obras Seleccionadas 128

de tipo passivo ou mimético, mas de proposta (…)”, isto é, capaz de se inte- grar na paisagem local, recorrendo a um edifício de baixa altura com materiais locais, cobertura de duas águas e beirado que reforçam a composição hori- zontal e a dinâmica da curva que o edifício apresenta em planta.

A implantação do edifício em curva assim como a distribuição interior do programa valorizam o enquadramento da paisagem, encontrando-se os espaços interiores voltados para Norte privilegiando a vista ampla voltada para o Rio Vizela. No piso térreo encontra-se uma sala de espera junto à entra- da, a eixo do edifício, já no primeiro andar os espaços comuns são colocados nas extremidades do edifício e os gabinetes na zona mais central. A galeria de distribuição encontra-se voltada a Sul em paralelo com a estrada a partir da qual o edifício é visto como um volume pousado cujo movimento curvo é interrompido com topos rectos.

Quanto à materialidade e sistema construtivo do edifício, é referido no mesmo artigo que «O sistema construtivo assenta na conjugação das paredes portantes de xisto, dispostas como pilares ao longo do edifício e laje de betão armado, constituindo o pavimento do piso superior; os panos de enchimento são de tijolo rebocado e pintado em azul intenso.

O emprego do xisto mereceu cuidados especiais, como se refere noutro local, que vão desde o envernizamento (por verniz especial, exterior, à protec- ção por parede de tijolo na face interna e à previsão de uma caleira de recolha das águas infiltradas na caixa intermédia.» O emprego do xisto nesta cons- trução é talvez dos elementos mais relevantes pela integração do material local na construção e pela reinterpretação da sua aplicação uma vez que a sua composição surge em planos fragmentados contrariando a sua natureza hori- zontal. No artigo é referido a este propósito que «Com efeito, o emprego de um material com a característica do xisto solicitaria, em princípio, uma estru- tura do tipo da parede contínua, surgindo aqui, ao invés, num predomínio da

Figura 49. Vista topo poente © Tiago Casanova

Figura 50. Vistas da entrada Foto de época

Retirado da revista Arquitectura nº62, 1958, p.26 e 28

forma de suporte vertical, fragmentado não só na extensão, como ainda na altura.» Em Negrelos o xisto é explorado na sua dimensão simbólica e plásti- ca, como um elemento que faz a ponte com a textura e cor locais.

O artigo da revista Arquitectura termina referindo-se ao contexto da encomenda deste projecto assim como às opções do arquitecto: «O centro médico-social de Negrelos, como aqui se documenta, apresenta características que o destacam da orientação como das realizações que para o mesmo fim a Federação das Caixas de Previdência tem levado a efeito em outros pontos do País. Com efeito, a confiança dada ao arquitecto autor do projecto, sobretudo na Delegação do Norte, permitiu a criação de uma obra original, que alia à adequação aos fins requeridos uma visão arquitectónica moderna, não isenta de respeito pela tradição local.»

Figura 51. Vista alçado Norte © Tiago Casanova

Figura 52. Vista do beirado no alçado Norte

© Tiago Casanova

Figura 53. Vistas interiores Foto de época

Retirado da revista Arquitectura nº62, 1958, p.25 e 28

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Figura 54. Vista alçado Sul © Tiago Casanova

Peças Desenhadas: 1- Planta de implantação/cobertura 2- Cortes transversais 3- Alçado Norte 4- Planta 1º Piso 5- Planta 2º Piso 6- Alçado Sul

Arquivo escritório Germano de Castro Pinheiro Arquitectos

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