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1. ORGANISATION DES SERVICES DE SANTE ET PLANIFICATION ANNUELLE

1.3. S OURCES DE FINANCEMENT ET INCIDENCE BUDGETAIRE POUR L ’ ELABORATION DES PTA

1.3.5. Autres sources

Reconhecendo os limites dos questionários como método de produção de dados, devido ao seu aspecto fechado, individualizado, constituído por um pequeno conjunto de perguntas (OLIVEIRA, 2013), apropriamo-nos também de entrevistas em grupo, a fim de que pudéssemos obter um material de análise mais consistente.

As entrevistas foram divididas em duas dinâmicas. Na primeira, realizada com os alunos, no início de dezembro de 2013, atuamos como mediador, e foram produzidas 1h43min de gravação. Já, na segunda, realizada na semana subsequente à entrevista com os alunos, assumimos a condição de informante, e, convidamos, portanto, o professor de Artes da escola em foco para mediar o encontro com os professores, no qual obtivemos 22 minutos de gravação.

A respeito de entrevista, Eduardo José Manzine (2003) afirma que:

[...] é, essencialmente, uma forma de interação social. A título de definição, a entrevista seria uma forma de buscar informações face a face com o entrevistado. Pode ser entendida como uma conversa orientada para um objetivo, sendo esse objetivo estabelecido pelo pesquisador (MANZINE, 2003, p. 12).

Maria de Lourdes Rangel Tura (2011) destaca, dentre vários outros procedimentos que se associam à tarefa de observação exercida pelo pesquisador, a entrevista semiestruturada. Para ela:

Estas entrevistas se organizam em torno de perguntas ou roteiros, que representam tópicos a averiguar. Guardam, nesse sentido, certa similaridade com a entrevista estruturada, especialmente pelo fato de conterem questões previamente estabelecidas e por se delimitarem a um centro de interesse. Distanciam-se, desta, no entanto, porque não há uma sequência muito estandardizada nem um controle muito rígido da postura do entrevistador, o que permite que se mantenha uma comunicação mais livre entre o pesquisador e o entrevistado e que se realizem certos acertos de rota diante de situações inesperadas (TURA, 2011, p. 198).

Ancorados nos pensamentos de Manzine (2003) e de Tura (2011) sobre este método de coleta de dados, podemos caracterizar a entrevista utilizada em nossa pesquisa como “semiestruturada”, pois focamos em um tema sobre o qual confeccionamos, previamente, um roteiro com perguntas principais, complementadas por questões surgidas a partir de circunstâncias momentâneas à entrevista. Além disso, pretendemos

que as informações emergissem de forma mais livre e sem uma padronização de alternativas para as respostas.

Embora optando por usar o termo “entrevista”, no nosso trabalho, o que “numa conotação mais formalista pode divergir da ideia de comunicação afável, e, consequentemente, constituir um espaço opressivo para os entrevistados” (SARMENTO, 2011, p. 161), na prática, em campo, preferimos estabelecer um diálogo mais informal, cabendo melhor, talvez, definir o processo de interação adotado como “conversação”. Dessa forma, pensamos que toca mais de perto a natureza da relação etnográfica, que prioriza as manifestações mais “livres”, “democráticas” e “informais” (MANZINE, 2003; SARMENTO, 2011; TURA, 2011).

A nosso ver, um caminho interessante para constituirmos os grupos de entrevistados foi pedir aos professores de língua portuguesa para convidar cinco alunos de cada ano do ensino médio a participarem da pesquisa. Deixamos claro aos professores que não seria necessário escolher os estudantes por serem considerados “exemplares” pela escola, mas os que, voluntariamente, tivessem interesse em contribuir conosco, haja vista que, segundo Backes et al., “pode ser vantajoso reunir um grupo diversificado, para maximizar diferentes perspectivas dentro de um grupo” (BACKES et al., 2011, p. 440).

Portanto, estendemos o convite para a entrevista a alunos de todas as turmas e anos do ensino médio, diferentemente do questionário, o qual foi aplicado a uma única turma de cada ano. Alguns alunos, ao serem informados sobre nossa pesquisa, de imediato se prontificaram a colaborar; outros não se dispuseram a isso, por não se sentirem à vontade, ao saberem que as entrevistas seriam filmadas. Mas, o interessante na formação final foi que, embora composto por alunos do mesmo ano de ensino, havia, em cada grupo, diferentes perfis entre os participantes.

Conforme mencionamos noutro momento da pesquisa, como pesquisadores estamos sujeitos a riscos e imprevistos. Combinamos, antecipadamente, com os alunos voluntários e a equipe docente o dia do encontro, entretanto três dos alunos dos segundos anos não puderam participar da entrevista, pois, no dia previsto, um deles havia faltado e outros dois estavam envolvidos em atividades de recuperação trimestral

em uma determinada disciplina25. Optamos por substituí-los por alunos que se faziam presentes no dia, e que estavam disponíveis para colaborarem, a fim de que não adiássemos o encontro e, com isso, perdêssemos a reserva do laboratório de informática e a participação do professor de Educação Especial nas gravações das entrevistas.

Para Nadir Zago (2011):

A gravação do material é de fundamental importância pois, com base nela, o pesquisador está mais livre para conduzir as questões, favorecer a relação de interlocução e avançar na problematização. Esse registro tem uma função também importante na organização e análise dos resultados pelo acesso a um material mais completo do que as anotações podem oferecer e ainda por permitir novamente escutar as entrevistas, reexaminando seu conteúdo (ZAGO, 2011, p. 299).

Todavia, a autora observa, ainda, que tal prática requer uma negociação com o informante para que seja aprovada, sob pena de termos que responder por supostos atos de constrangimento ou depreciação da imagem dos participantes (ZAGO, 2011).

Em relação ao uso da “imagem” dos informantes, faz-se necessário lembrar que, no âmbito escolar, é muito comum, devido às diferenças sociais, culturais, religiosas, comportamentais etc., que haja alunos que não se preocupem em serem filmados e outros que resistam à presença de uma câmara. Inclusive, o fato de as entrevistas serem filmadas, passou a ser, conforme pudemos observar nas consultas prévias aos alunos, o principal motivo de alguns não aceitarem o convite para a participação. Levando isso em consideração, tomamos o cuidado de elaborar um termo de consentimento livre e esclarecido (Anexo B) para os alunos e professores participantes da pesquisa, no qual os entrevistados autorizam que suas falas sejam transcritas, e que os resultados da pesquisa sejam apresentados na forma de artigos, ensaios, relatórios de pesquisa, dissertação e livro, sem ônus para o pesquisador, para a orientadora e para a instituição responsável pela pesquisa. Além disso, o termo rege nosso comprometimento em dar um tratamento ético aos dados, sem identificação, seja do nome do(a) aluno(a), do(a) professor(a) ou da escola.

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Mesmo tendo o consentimento da equipe pedagógica, pelo fato de que a entrevista foi antecipadamente programada junto aos professores, achamos mais conveniente não insistirmos na liberação dos dois alunos, para não causarmos alguma espécie de conflito com a professora proponente da recuperação. Entendemos que ela, por ter semanalmente apenas uma aula para o ensino da disciplina, fosse, talvez, a maior “prejudicada”, caso não tivesse a oportunidade de reavaliar, naquela ocasião, os alunos.

Sobre questões éticas apropriamo-nos, adequando ao contexto de nossa pesquisa, de ideias levantadas por Sonia Kramer (2002) no texto Autoria e autorização: questões

éticas na pesquisa com crianças, no qual a autora analisa questões emergidas na

orientação de trabalhos científicos. Das questões analisadas, destacamos a que focaliza os nomes (verdadeiros ou fictícios) de crianças observadas ou entrevistadas e analisa se devem ou não explicitá-los na apresentação da pesquisa. De acordo com a autora,

quando se trabalha “com um referencial teórico que concebe a infância como categoria

social e entende as crianças como cidadãos, sujeitos da história, pessoas que produzem cultura, a ideia central é a de que as crianças são autoras” (KRAMER, 2002, p. 42). Entretanto, é importante lembrar que elas precisam de cuidado e atenção, não devendo, portanto, serem expostas a nenhum tipo de constrangimento, garantindo que a integridade de cada participante permaneça incólume, pois “além da dimensão ética”, coloca-se “um aspecto jurídico: os meninos estão protegidos pela lei” (KRAMER, 2002, p. 49).

Sendo assim, no intento de garantir o anonimato dos participantes, e, ao mesmo tempo, possibilitar que os entrevistados possam, numa situação de devolução de dados, se reconhecer, também, como sujeitos da pesquisa, optamos por solicitar que cada aluno escolhesse um nome com o qual gostaria de aparecer no texto. Lembramos, então, que os nomes que aparecem nas entrevistas transcritas foram planeados pelos próprios participantes. E essa proposta se estendeu, igualmente, às entrevistas feitas com os professores.