1. ORGANISATION DES SERVICES DE SANTE ET PLANIFICATION ANNUELLE
1.2. C ADRE DE PLANIFICATION
O questionário aplicado aos professores seguiu a mesma linha de ideias das questões propostas para os alunos. Apropriamo-nos do mesmo conteúdo, alterando, apenas, o
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A escola só emite o certificado de conclusão do Ensino Médio regular, após o aluno ter se submetido ao Exame Nacional do Ensino Médio.
foco das perguntas, a fim de que mapeássemos práticas e representações acerca do uso do livro didático de Literatura, também sob a ótica docente. Nossa intenção foi de que pudéssemos, com isso, estabelecer possíveis distanciamentos e/ou aproximações entre pontos de vistas diferentes, a partir do cotejo da perspectiva do professor com a do aluno.
Sendo o planejamento da equipe de Língua Portuguesa, às quintas-feiras, conforme já mencionamos anteriormente, optamos por aproveitar um desses momentos, para que não houvesse comprometimento nas atividades escolares que envolvessem o efetivo trabalho em sala de aula. Dessa forma, os professores responderam individualmente o questionário e, a partir dele, obtivemos dados necessários a nossa pesquisa.
Na primeira questão, em que se objetivava saber sobre a frequência do uso do livro didático de Língua Portuguesa e Literatura na sala de aula, as duas professoras do ensino médio responderam “sempre”, e o professor respondeu “às vezes”. Vale relembrar que tais indicativos são apenas parâmetros que têm em foco mais a percepção subjetiva dos professores que a quantificação. Não visam à medida objetiva da frequência do uso, pois, aqui, o “às vezes” e o “sempre” podem até terem pesos equivalentes, ou seja, ao afirmarem que sempre usam o material didático nas aulas, as professoras não invalidam a ideia de que outras metodologias também sejam adotadas por elas. Isso pode ser percebido nas justificativas dos professores dos respectivos níveis de ensino:
a) Primeiros anos – “O livro didático é uma ferramenta de apoio” (...)
“proporciona maior agilidade ao conteúdo programático”;
b) Segundos anos – “Porque nele estão os conteúdos a serem estudados”;
c) Terceiros anos – “O conteúdo programático é desenvolvido com o (e, a partir
do) livro didático, sendo assim esse recurso passa a ser a base dos conteúdos trabalhados em sala de aula”.
Nota-se nas três justificativas a presença das palavras “conteúdo” e “base”. A ideia de “base” abre a possibilidade de esse objeto escolar não ser, definitivamente, o único recurso didático nas práticas docentes. Já a palavra “conteúdo” sugere indícios da permanência de um currículo (ou uma perspectiva) que valora o ensino conteudista, que
se pauta na quantidade de informações contidas no livro didático, numa via de transmissão de conhecimentos fragmentados, e que, possivelmente, se não suplanta a prática de leituras de obras literárias completas, no mínimo contempla boa parte do tempo de estudos de literatura dentro da sala de aula.
Quanto à questão que posiciona o livro didático de literatura como um recurso capaz de contribuir para uma boa formação literária do aluno do Ensino Médio, os três professores afirmaram que, de fato, as coleções “contemplam um corpo teórico-prático
capaz de contribuir para esse fim”, “incentivam os alunos a descobrir novos autores” e
“trazem exemplos de obras de arte, textos e biografias as quais, talvez, o estudante não
tivesse acesso em outros suportes”.
A ideia de o livro didático ser importante para a formação dos alunos do ensino médio não encontra respaldo nas práticas de estímulos para leituras desse material em casa. De forma unânime, os professores responderam, na terceira questão, que “às vezes” estimulam os alunos a lerem os conteúdos desse material, reconhecendo que ele “ajuda
na compreensão mais ampla da teoria literária e, consequentemente, facilita as atividades em sala de aula”, mas que, no entanto, a “mobilização para a prática da leitura em casa” é uma tarefa muito difícil, pois “falta interesse” da parte dos alunos
por esse exercício.
Ao responderem a que parte(s) contida(s) no livro didático (literatura, gramática ou produção de texto) os professores procuram dar mais ênfase, a professora dos primeiros anos disse que “dá mais ênfase à literatura”. A professora dos segundos anos disse que “procura dar a mesma ênfase aos estudos, porém gosta mais de produção de texto”. Já o professor dos terceiros anos disse que “procura priorizar os conteúdos que, a seu ver,
são mais importantes para o aluno”, complementando que “em cada semestre, há ênfases diferentes, movidas pelo programa curricular”.
Na sequência do questionário, os professores destacaram os conteúdos de literatura contidos no livro didático que entendem ser mais significativos para a formação de leitores. A professora dos primeiros anos disse acreditar que “o Barroco seja o período
mais significativo, por estar presente em obras e arquiteturas do nosso país”. A
professora dos segundos anos afirmou que o “Romantismo e o Realismo despertam mais
anos pensa que “o trabalho com textos menores como a poesia, minicontos, crônicas
etc., por meio do livro didático, por quase sempre serem impressos na íntegra, podem fundamentar um trabalho mais significativo”.
Quanto às representações sobre o livro didático de literatura dadas em poucas palavras pelos professores participantes das pesquisas temos:
a) Primeiros anos:
“Representa uma ótima ferramenta de trabalho, que proporciona aos alunos contato direto com textos e imagens diversas, além de conter bons exercícios para que os alunos aprimorem seus conhecimentos”.
b) Segundos anos:
“Um ponto de apoio muito importante. Representa informação, conhecimento. É uma obra viva que deve ser manuseada constantemente, com intuito de aprender mais.”
c) Terceiros anos:
“A ferramenta mais importante e acessível no trabalho com a literatura em sala de aula no ensino médio”.
As representações obtidas por meio dos questionários indicam, de modo geral, que o livro didático de literatura no ensino médio é importante tanto para os alunos quanto para os professores. Isso, a nosso ver, é fundamental para o desenvolvimento das práticas de ensino que se apropriam desse recurso. Entretanto, vale ressaltar que tais representações se constituem de ideias amplas e de pouca criticidade a respeito desse material escolar, o que nos leva a pensar se de fato temos o “controle” do livro didático com o qual trabalhamos ou se apenas o livro didático funciona como uma forma de controle do comportamento do professor, caracterizando-o, assim, “como proletário (que executa e repete) e não como intelectual (que analisa e cria)” (CORACINI, 2011, p. 75).
Essa perspectiva talvez indicie que as condições materiais precárias de trabalho (por exemplo, ausência de bibliotecas e de possibilidade de reprodução de textos) contribuem para que o livro didático tenha o papel de reforçar certo habitus junto à comunidade cultural docente, na rede pública de ensino estudada.