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C ONDITIONS POUR UNE BONNE GESTION DU PTA

9. PHASE D’ESTIMATION DES COUTS DE GESTION DU PTA

9.2. C ONDITIONS POUR UNE BONNE GESTION DU PTA

Podemos considerar como praticamente impossível conceituar o espaço de forma a atender a tantas disciplinas que o estudam. Ramos como filosofia, geografia, astronomia, física, matemática, arquitetura e urbanismo são algumas dessas que possuem conceituações particulares, mas que carregam sempre algo em comum. A importância de sua análise é exaltada pelo arquiteto e urbanista Fabio Duarte (2002) ao referi-lo como possuidor de estruturas conceituais para se pensar o mundo, pois se constitui como o primeiro elemento que tomamos contato de modo mais imediato, material ou intelectual.

O espaço, enquanto elemento geométrico, tem como fundamento básico o conceito de distância. O Houaiss – Dicionário da Língua Portuguesa, define a palavra espaço como: “distância entre duas linhas, extensão limitada entre uma duas ou três dimensões; extensão que compreende o sistema solar, as galáxias, as estrelas, o universo; período ou intervalo de tempo”. A distância também aparece na definição

de espaço no Dicionário Visual de Arquitetura ao afirmar que este é “um campo tridimensional que abriga objetos e eventos e tem posição e direção relativas”, e ainda se refere ao espaço pessoal como sendo “distância variável e subjetiva na qual um indivíduo se sente confortável ao conversar com outro” (CHING, 2000, p. 21, 77). Em concordância encontra-se Duarte (2002), que complementa considerando que o conceito de espaço é “fundamental para todos os outros relativos a ele (como lugar e território), ao mesmo tempo em que é apreendido de modo mais imediato pelos nossos sentidos – e instrumentos tecnológicos” (DUARTE, 2002, p. 63).

Em um contexto histórico, encontramos que, quando o historiador e crítico italiano Giulio Argan (1973) analisa o conceito de espaço na época Barroca, afirma que este conceito é uma criação histórica, e é sob esta ótica que devemos analisá-lo. Essa concepção histórica mostra que o conceito de espaço não é verificável apenas nas formas arquitetônicas, mas também na relação existente entre os conjuntos de edifícios e, consequentemente, no amplo desenvolvimento da arquitetura que é o urbanismo. Sob esse aspecto, verifica-se que um dos componentes que mais concorrem para a conceituação do espaço é o fato de se entender a concepção do mundo a partir da natureza e sua relação com o indivíduo e a sociedade. A esse aspecto Argan chama de naturalista.

Importante chamar a atenção que a referida relação do homem com a natureza, ou do homem com o meio, tem sido verificada através da técnica, que é considerada por Santos (2008) como um conjunto de procedimentos que o homem utiliza para realizar sua vida, produzir e criar espaço. Esse autor explica que a natureza, ao longo da história, foi perdendo seus objetos naturais, sendo substituídos por objetos fabricados, objetos técnicos, que criaram uma natureza artificial tendendo a funcionar como uma máquina. Assim, a presença desses objetos técnicos marca o espaço concedendo-lhe um conteúdo técnico, que define o espaço hoje como um sistema de objetos artificiais envoltos num sistema de ações também artificiais. Esses dois sistemas, portanto, se interagem, fazendo com que os objetos não tenham uma realidade filosófica, ou ainda, não permitam seu conhecimento se o vemos separados dos sistemas de ações. Aqui se entende como o espaço encontra sua dinâmica e se transforma: “De um lado, os sistemas de objetos condicionam a

forma como se dão as ações e, de outro lado, o sistema de ações leva a criação de objetos novos ou se realiza sobre objetos preexistentes” (SANTOS, 2008, p. 63).

Temos então que as atividades e os objetos urbanos estão relacionados a uma dinâmica que define “espaços” e criam “paisagens”. O arquiteto norueguês e historiador da arquitetura Christian Norberg-Schulz (2008) afirma que essas atividades são fenômenos formados pelas coisas concretas que constituem nosso mundo, se inter-relacionam de modo complexo e às vezes contraditório. Assim, alguns fenômenos podem compreender outros, e alguns fenômenos formam um “ambiente” para outros. O autor coloca um termo concreto para falar em ambiente: “lugar”. Ele diz que os atos e os acontecimentos têm lugar, pois não podemos imaginá-los sem referência e localização. Podemos pensar o lugar como sendo uma totalidade constituída de coisas concretas que possuem substância material, forma, textura e cor. Juntas, essas coisas determinam uma “qualidade ambiental” que é a essência do lugar. Então, lugar é um fenômeno qualitativo “total” e não somente uma localização.

Com essa análise, pode-se concluir que a estrutura do lugar deveria ser analisada por categorias de “espaço” e “caráter”. Para Schulz (2008), “‘espaço’ indica a organização tridimensional dos elementos que formam um lugar, o “caráter” denota a atmosfera geral que é a propriedade mais abrangente de um lugar” (SCHULZ, 2008, p. 449).

Na teoria da arquitetura, o conceito de espaço não é novo, mas pode ter diversos significados. Encontramos, pois, segundo Schulz (2008), dois usos: o espaço como geometria tridimensional e o espaço como campo perceptual, porém, esse autor considera que nenhum deles é satisfatório, porque “são abstrações a partir da totalidade intuitiva tridimensional da experiência cotidiana, que podemos chamar de espaço concreto” (SCHULZ, 2008, p. 449). Assim, pode-se entender que as ações concretas das pessoas não acontecem num lugar homogêneo, mas sim em um espaço caracterizado por diferenças qualitativas.

Seja através de um ponto de vista histórico ou estrutural, a socióloga Sharon Zukin (1996) analisa que o espaço hoje é visto como um meio dinâmico que, ao mesmo

tempo, exerce uma influência sobre a história e é moldado pela ação do homem. Dessa forma, podemos entender o espaço como o meio que é produzido, reproduzido e transformado pela sociedade, e é tido pelas pessoas que o utilizam como dotado de significados emocionais e simbólicos. Assim, temos que a interpretação e a produção do espaço estão estreitamente relacionadas com a cultura.