Chapitre 5 : Les frontières à l’école secondaire
5.5 Le tracé des frontières ethniques : les marqueurs importants
5.5.2 La socialisation parentale : des différences qui ont de l’importance
NATUREZA
As matas [...] protege porque ele respira pro ser humano, pros animais. Protege porque eles são o agasalho dos pássaros e a beleza também.
E chama chuva. (GP)
PROJETOS DE ABASTECIMENTO HÍDRICO
Os poços [...] eles tão representando vida.
Porque fornecem a água que é uma das fontes [...] pra o alimento, pra matar asede, para os animais, pra higiene.
[...] no momento que a gente planta, a gente cria, já evita com que a gente vá até a mina atrás de um emprego lá.
[...] a coisa mais difícil é faltar milho verde, cebola, verdura! A gente teve uma reunião com eles um dia na Itatira e eles explicando que se cada dono de terra se
pegasse um local que desse pra construir qualquer tipo de barreira [...] pra tratar o capim, pra tratar a verdura, pra dar água ao animal. (GP)
AGRICULTURA
Eu acho que comparando a parte da agricultura com o funcionário que ta lá
dentro da mina esses daqui têm mais vida do que os de lá. Pode está ganhando o
dinheiro que tiver, ganhando uma ruma de dinheiro, mas eles pode sair de lá com mais seqüela de alguma coisa do que os que tão aqui, talvez na parte da saúde. (GP)
Por vezes surge a visão naturalizada da dependência da agricultura com a água. Em outros trechos, a necessidade de projetos para abastecimento de água colide com a crítica do grupo ao projeto da adutora para mina. Nesta é estabelecida a relação de um trabalho cuja maior exposição à radiação levaria a piores condições de saúde, sendo a agricultura protetora.
A referência à água como representação de vida se conecta com a proposta já clara e viável de projetos de pequenas barragens, com alto potencial de produção de hortaliças, corroborando o “franco desfavorecimento da população rural em relação à urbana”. (PINHEIRO, 2009 apud CARNEIRO et al., 2012, p. 144)
ASSENTAMENTOSE ASSOCIAÇÕES
A força dos assentamentos [...] são vários que tem no município, porque eles podem produzir até mais do que a própria mina. É o trabalho que os assentamentos oferecem não tem nenhum risco, nenhum dano à saúde! [...] Já a mina se eles chegarem a abrir, a explorar, ela traz benefícios? Traz, mas também ela traz muitas coisas negativas, muito mais do que coisas boas. O bom vai ficar mais é pra eles mesmo que forem explorar.
Os assentamentos, eles também protegem. As Associações juntaram com assentamento. [...]
Todos eles promovem a mesma agricultura. Uma comunidade que não é assentamento, também promove.
[...] através de Associações vem o poço, vem o açude.
[...] o assentamento ele promove vida por isso, porque ele não destrói. Protege a natureza. (GP)
CULTURA
[Festa de São João] Pode estar com fome do jeito que tiver, mas quando cai dentro dessa brincadeira aí não lembra nem que existe barriga.
[...] a pessoa pode estar com o problema que tiver e eu digo isso porque conheço, ela é organizadora de quadrilha e eu também sou e esse ano eu organizei uma
quadrilha com mais de trinta jovens. No momento que eles estão ali com a gente, eles esquecem tudo, a gente ta promovendo vida com eles porque aqueles que usam droga seja o álcool ou qualquer outro tipo de droga naquele momento não passa aquilo pela cabeça dele e ele simplesmente quer estar ali. (GP)
TURISMO
[Balneário de São Pedro] pra mim promove porque ela é uma nascente de água. Lá é uma nascente, ela jorra água e água é vida.
Água é vida e lá é um ponto turístico também, tem uma piscina feita na pedra e a gente vai final de semana, se diverte e também é um ponto turístico. (GP)
As formas de organização em associações remetem aos padrões comunais que, comparados ao formato societal que valoriza a individualidade, tem valores e práticas definidas coletivamente e culturalmente (SAMAJA, 2000). É, por isso, uma forma protetora frente à visão da epidemiologia linear do risco (ALMEIDA-FILHO, 2004), mas ameaçada pela distribuição desigual do contexto de injustiça ambiental (ACSELRAD, 2006).
Assim, considerar o incentivo à preservação de suas festas e demais aspectos da cultura, como também o turismo sustentável devem ser elementos favoráveis à promoção da saúde (BUSS, 2003) e da justiça ambiental (PORTO, 2012).
O que protege: a agricultura, apicultura, a piscicultura, criação de bovino, caprino, suíno, ovino, hortaliça, irrigação para fruticulturas, fábricas de doces [...].
Fábricas de doce de banana, no caso nas terras a gente tem banana, mas é exportada pra outros cantos. Usar o meio ambiente com limites, no caso tirar madeira pra carvão, essas coisas, com limite. Investimento de governantes para com a agricultura. Porque se tiver um incentivo à agricultura pode funcionar de uma maneira bem controlada. (GP)
Uma variedade importante de possibilidades promotoras e protetoras é colocada. Considerando o modo de vida, associativismo e agricultura são destaques como promoção de saúde e vida. A noção de distribuição desigual dos benefícios do desenvolvimento é explicitada, assim como a associação entre pequenos ganhos e importantes riscos, já anunciando um contexto de injustiça ambiental (ACSELRAD; MELLO; BEZERRA, 2009). Os órgãos governamentais de controle ambientais tidos inicialmente como protetores revelam na contradição, eles passam [...] de dez em dez anos, uma vulnerabilidade institucional (PORTO, 2012).
Os elementos promotores demandam o trabalho entorno da Promoção de Saúde, investindo nas potencialidades do lugar e das pessoas, com “ampla participação da comunidade na definição de questões culturais da vida coletiva” e “equidade, seja na
distribuição de renda, seja no acesso aos bens e serviços produzidos pela sociedade” (BUSS, 2003, p. 16, 17).
A vocação passa ao cerne da questão. Trata-se de saúde ligada às condições de vida, aos modos de vida, e estes estão equacionados pelos “quatro movimentos reprodutivos da reprodução social”, todos em múltiplas interações: ecológica, biológica, econômica e consciência e conduta, sendo a questão assegurar as potencialidades do lugar (SAMAJA, 2000, p. 98).
POTENCIALIDADES
Tem muitas costureiras, muitas mesmo. Na Lagoa do Mato acho que quase toda rua tem uma.
[...]
No caso da fábrica de banana [...]o município é rico nessa área.
[...] bem aqui no São João tem uma energia lá que é produzida do estrumo de gado, bem aqui no São João. Bem pertinho, não tem contaminação nenhuma.
É como a gente estava falando, o que é que precisa? Um grande programa dos Governos, dos Bancos, quer dizer, é uma conjunção de coisas para que viesse barrar essa nossa ida para o corte de cana.
[...]
Se nósfizéssemos com que funcione essa fábrica do mel [...] nós vamos criar aqui cem produtores de mel, vai ter emprego, bastante. Se nós criar uma fábrica de doce de qualquer coisa que seja.
De costura.
Vai criar outro bocadão de gente sem nenhum prejuízo pra natureza. (GP)
A qualidade de cooperação e produção no uso e comercialização loco - regional dos „produtos e serviços‟ de Itatira demonstra as potencialidades das pessoas e dos lugares. Isto reflete algumas das necessidades desta população (TEIXEIRA, 2013).
E nesse movimento entre elementos promotores e ameaçadores, vulnerabilidade determinada pela ausência do Estado (ACSELRAD, 2006), com parcos investimentos nas necessidades locais (CARNEIRO et al., 2012), acrescida à vulnerabilidade no favorecimento do capital (RIGOTTO et al., 2012), representa afastamento dos pressupostos da Promoção de Saúde (BUSS, 2003). Entre o que se pode ter e o que não tem. O inédito viável (FREIRE, 2011).