5. The shearing tangent cycle of a Hitchin character
5.1. Slithering
Para além daqueles objetivos descritos na seção metodológica, a construção do calendário lunar teve como intuito concretizar os conhecimentos adquiridos pelos professores no primeiro encontro presencial. Além disso, essa atividade possibilitou aos participantes vivenciarem diariamente por meio da observação da Lua os aspectos discutidos anteriormente e a partir do desenvolvimento sistemático do calendário construir e reconstruir conceitos sobre o ritmo e ciclo lunar. A compreensão de certos conteúdos da Astronomia precisa ser vivenciada na prática para que tenham sentido e significado na vida, já que ela é regida por ciclos basicamente cósmicos (JAFELICE et al. 2010, p. 69).
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Figura 7: Calendário lunar confeccionado por um professor participante do curso. Fonte: Próprio autor (É possível observar que entre os dias 25 e 27 a lua começa a sua fase
minguante, mas no dia 26 não apresenta o mesmo formato dos dias 25 e 27. Este aspecto deve-se ao fato de as fotografias terem sido feitas em horários diferentes)
A construção do calendário lunar foi proposta como uma das atividades virtuais do curso (AV-1) e foi desenvolvido pelos professores durante um mês entre o primeiro e segundo encontro presencial. Desta forma, a análise assim como as discussões e questionamentos relativos a está atividade ocorreram no feedback realizado no segundo encontro presencial (EP-2). Alguns desses momentos são apresentados no Quadro 19.
Quadro 19: Momentos de construção, reconstrução e aprofundamento de saberes docentes relativos ao segundo Encontro Presencial (EP-2) – Momento 1.
EP Momento/Oficina Excertos 2 Momento 1: feedback da Atividade Virtual 1 (Construção de um calendário Lunar)
Instrutor: “Uma pessoa que está no hemisfério norte vê a Lua com os mesmos formatos que nós aqui do hemisfério Sul?”
P6:“Eu acredito que deve ser diferente. Porque até aqui mesmo a
gente percebe que nem sempre a Lua tem formato de “Letra C” quando está crescente e de “Letra D” quando está minguante! Eu percebi isso nas fotos que tirei.”
P1: “(...) Deu de notar isso mesmo P6, à medida que eu ia tirando as fotos e fui construindo o calendário, percebi que a Lua foi mudando o tamanho da parte iluminada. Logo no começo a lua estava bem fininha e depois começou a aumentar a parte iluminada no decorrer dos dias.”
Instrutor: “Observando os últimos cinco dias no calendário que a professora fez. Tem dois dias que a parte de baixo está iluminada e tem três dias que a parte de cima está iluminada. Por que existe essa diferença?”
P1: “Porque as duas primeiras fotos foram tiradas durante o dia e as três últimas foram tiradas durante a noite.”
Instrutor: “A face iluminada da Lua é a mesma, mas as imagens são muito diferentes! Por que isso?”
108 P1: “Então, a noite ela estava aqui né, mais ou menos próxima ao hospital [apontando para o lado que a Lua nasce]. Aí quando foi cedo ela estava nessa outra posição aqui [apontando para o lado em que a Lua se põe]. As fotos que eu tirei durante o dia foram as nove, nove e meia da manhã, já as da noite eu tirei umas onze e meia, quase meia noite.”
P15: “Então, dependendo do horário que eu observo, a Lua pode estar de um jeito ou de outro”
P6: “Eu acho que dependendo da posição do observador na Terra, o formato da parte iluminada da Lua muda. Foi o que vimos no encontro passado. A situação que discutimos sobre o Formato de “C” e de “D” que nem sempre acontece e que a gente vê muito nos livros.
Fonte: Próprio autor
A partir das discussões sobre a construção do calendário lunar os professores conseguiram observar não apenas as mudanças na porção iluminada da Lua no decorrer do seu ciclo mas também que o formato da face lunar iluminada nem sempre apresenta os formatos das letras “C” e “D”, podendo apresentar também as formas de “U” e “∩” dependendo da posição do observador na Terra como mostra as falas do professor P1 e P6. Vale destacar que os professores tiveram total liberdade e autonomia para a construção de seus calendários. Esse aspecto foi importante pois, é possível observar na Figura 7 que o professor notou que a Lua também pode ser visualizada durante o dia e que isso pode ser relacionado com sua fase como mostra o relato último excerto do professor P15.
Os relatos apresentados, mostram que o enfoque prático adotado no decorrer do curso contribuiu não apenas para o desenvolvimento dos saberes teóricos sobre o movimento e as fases da Lua, mas também como instrumento facilitador para a aprendizagem dos professores. Esse aspecto destaca-se nesta pesquisa pois a maioria dos professores que participaram do curso não tiveram contato com conteúdos de Astronomia em seus cursos de formação, nesse sentido, mesmo para aqueles com poucos conhecimentos em Astronomia, os conceitos básicos se tornariam muito mais difíceis de serem compreendidos em um curso com enfoque totalmente teórico.
A visualização do ciclo lunar, bem como sua compreensão teórica também pode ser apresentada por meio de simulações computacionais disponíveis em sites, programas e plataformas educativas facilmente encontradas na internet. Por outro lado, os excertos mostram que a construção manual ou digital de um calendário lunar pode auxiliar e ao
109 mesmo tempo instigar no professor o raciocínio investigativo e interpretativo do fenômeno, podendo ser muito mais produtivo quando se relaciona a observação sistemática com a construção de um modelo que reproduz o fenômeno estudado.
Os excertos apresentados no Quadro 19, mostram que as atividades propostas supriram as necessidades e curiosidades dos professores, mas também serviram para a complementação e aprofundamento do trabalho docente em Astronomia. Além disso, a proposta de relacionar oficinas com atividades virtuais práticas serviram também como ponto de partida para que fosse possível problematizar as concepções dos professores, sanar dúvidas, promover discussões e consequentemente aprimorar os conhecimentos sobre o conteúdo.