4. Tangent cycles for a geodesic lamination
4.7. Relative tangent cycles from another viewpoint
Tendo em vista os objetivos desta pesquisa, durante as seções de GF colocamos em discussão as seguintes questões:
1. Levando em consideração o contexto da educação rural, quais conteúdos ou temas um o curso de formação continuada em Astronomia precisa abordar de forma a complementar ou potencializar a prática docente em sala de aula? 2. O curso deve ter caráter teórico, prático ou ambos?
As opiniões e sugestões dos professores em relação as questões anteriores são apresentadas a seguir.
P12: “O curso tem que abordar os conteúdos que a gente trabalha aqui com eles: As fases da Lua, as estações do ano, o Sistema Solar etc. Seria bom! E é isso que eles pedem pra gente trabalhar com eles né. Eu preciso entender melhor esses assuntos. Falo por mim.”
P92: “Eu acho que não vale a pena, a gente que dá aula aqui na educação básica fazer um curso sobre, por exemplo galáxias, buraco negro, essas coisas sabe! Não vale a pena, eu sei que conhecimento
93 nunca é demais, mas acaba que a gente aprende um monte de coisa que não vai ensinar aqui para eles e no final a gente acaba esquecendo. Não é verdade?”
Sobre o primeiro questionamento o que percebemos nas falas das professoras foi uma opinião semelhante em relação aos conteúdos que devem ser priorizados em um curso de formação em Astronomia. Em ambas os relatos, os professores enfatizam que um curso de formação em Astronomia deve priorizar os conteúdos básicos que são trabalhados com os alunos e que fazem parte do currículo de Ciências ou de Geografia. Em sua fala, o professor P92 ressalta que temas como galáxias e buracos negros são interessantes, mas não são ensinados no ensino fundamental. Os relatos mostram que os professores se preocupam quase que com a aplicação dos conteúdos sugeridos pelos livros didáticos de Ciências e Geografia que normalmente norteiam o trabalho dos docentes no momento de abordar os conteúdos de Astronomia no ensino fundamental.
Também destacamos o discurso do professor P11, que embora concorde com as sugestões da professora P12 sugere o tema movimento das estrelas. O professor sugere o tema e usa como justificativa a diferença entre o céu visto da cidade e céu visto do bairro rural.
P11: “Eu concordo com a professora P12, mas também seria importante ver coisas como por exemplo: as estrelas, o movimento das estrelas. Não está no plano para nós ensinar. É por que os alunos aqui tem um céu diferente de lá da cidade né!...Aqui, quando chega à noite é uma beleza o céu.”
O professor ainda destaca a importância de os cursos de formação continuada serem condizentes com as especificidades locais e com as necessidades docentes.
P11: “(...) acredito que a gente precisa de reciclagem, de formação, pois existem conteúdos que nós não dominamos e que o livro didático e a internet não são suficientes. As vezes nós fazemos alguns cursos do estado sobre gestão etc. Mas não tem nada a ver. Aí a gente foge muito desse mundo da pesquisa, do conhecimento pedagógico sabe. A gente faz um curso respondido online e daqui a pouco estamos com certificado na mão!
O professor P6 também fala da importância da formação continuada, mas ressalta a existência de dificuldades enfrentadas pelos professores que atuam no âmbito da educação rural em participar dos cursos de formação ofertados na região. Em razão dessas dificuldades, a professora sugere um curso com o modelo semipresencial.
P6: “Eu acho que a formação continuada é sempre válida, principalmente para nós que trabalhamos aqui na escola rural. Mas pra gente aqui é mais complicado né pessoal! Pra gente tudo é mais
94 complicado. Tem o problema da distância, da estrada ruim, do tempo. Tem que ser algo bem ajustado mesmo. Isso tudo acaba dificultando pra gente fazer vários cursos. As vezes tem um curso bom pra gente fazer, mas quando a gente vai ver, é lá em Itajubá ou é no meio da semana ou é em horário que a gente não pode...entendeu! Acho até, que uma boa ideia é um curso com uma parte virtual e outra presencial.”
O professor P5 reitera as sugestões e opiniões do professor P6 e assim como o professor P12 sugere um curso que aborde os temas básicos de Astronomia que são trabalhos com os alunos do ensino fundamental.
P5: “Sem dúvida que tem que ter um diferencial, no sentido de horários, lugar e tempo. Acho uma boa ideia essa da professora P6 de um curso parte virtual e parte presencial. Acho que seria mais viável aqui pra gente. Mas quanto a conteúdos, sem dúvida tem que ter os conteúdos básicos que a gente trabalha aqui com eles né...Fases da Lua, sistema Solar, dia e noite, estações do ano, equinócio, solstício. O básico é o precisamos e já ajudaria muito.”
Em relação ao segundo questionamento, todos os professores sugeriram um curso com enfoque prático.
P11: “Na minha opinião deve ser mais prático. Tipo assim, que mostrasse pra gente como fazer uma atividade com eles, como elaborar uma atividade prática, uma observação. Seria muito bom. Eles gostam muito mais e eu não sei como fazer essas coisas.”
P14: “Eu acho que deve ser mais prático. Até por que, a gente só trabalha a parte teórica com os alunos e mesmo assim muito superficial. Seria bom unir a teoria com a prática.”
O professor P7, assim como os demais, demonstra interesse em um curso de caráter prático em virtude da disposição e do interesse dos alunos em participar de aulas com esse enfoque. Entretanto, não é favorável a ideia de um curso virtual devido a dificuldades de acesso à rede de internet.
P7: “Na minha opinião teria que ser mais prático. Quanto mais prático melhor será para os alunos. Porque, os eles (alunos) gostam de atividades práticas, eles ficam entusiasmados, fazem mais perguntas, se interessam mesmo. (...) Eu não gosto muito da ideia de ser virtual. Eu tenho muita dificuldade em acessar internet, essas coisas são complicadas pra mim.”
A partir das sugestões e opiniões dos professores é possível destacar praticamente as mesmas condições e aspectos em relação a estrutura, conteúdos e caráter metodológico para a elaboração e oferta de um curso de formação em Astronomia que de fato atenda as demandas e as especificidades do ensino de Astronomia em escolas rurais.
O Quadro 13 apresenta um resumo das sugestões e opiniões dos professores em relação a estrutura minimamente adequada para a realização de um curso que atenda os
95 interesses e as demandas dos docentes que atuam em escolas rurais do município de Brazópolis. A síntese das sugestões e opiniões apresentadas no Quadro 13 foram levados em consideração na fase de elaboração e organização do curso descrito no capítulo IV deste texto.
Quadro 13: Padrão das sugestões e opiniões dos professores sobre a oferta de um curso de formação em Astronomia
Conteúdos O curso deve abordar inicialmente conteúdos básicos que já são trabalhados na sala de aula.
Sugestões: Fases da Lua, estações do ano, Sistema Solar, movimento das estrelas, noite e dia, Astronomia observacional, instrumentos astronômicos.
Caráter Metodológico O curso deve ter preferencialmente enfoque prático.
Sugestões: Orientação para a realização de atividades práticas a serem realizadas na sala de aula ou em ambientes externos.
Produção e construção de materiais pedagógicos que auxiliem o professor e o aluno.
Estrutura/organização O curso pode ser presencial ou semipresencial.
Encontros somente aos sábados com duração de no máximo 4 horas. Fonte: Elaborado pelo autor
5.3. QUESTIONÁRIO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A ATUAÇÃO DOCENTE E O