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Site de compensation et interventions proposées

LAC NORD-OUEST

11 PROGRAMME CONCEPTUEL DE COMPENSATION

11.2 Site de compensation et interventions proposées

Pesquisas sobre quem foram as comunidades indígenas que habitaram ou somente passaram pela região Oeste da Bahia apontam diferentes grupos. Dentre os pesquisadores, Etchevarne (2006b) destaca que o Rio São Francisco foi um favorecedor para a instalação de grupos na região, devido à fartura de espécie naturais, árvores frutíferas e água e solo propício para plantações.

André Prous (1992) identificou, a partir de pinturas, a existência de grupos que denominou de Tradição São Francisco, por conta da aproximação com o rio. Muitos outros registros sobre a presença na região podem ser encontrados em Falcón (2012), que cita Spix e Martius (1938), que encontraram registros de pinturas “primitivas” na Serra do Anastácio; Teodoro Sampaio (1879); Carlos Ott (1988); Valentin Calderón, com a “Notícia Preliminar Sobre as Sequências Arqueológicas do Médio São Francisco e da Chapada Diamantina (1967)” (FALCÓN (2012, p. 312).

Quanto aos prováveis habitantes, Falcón (2012) postula, a partir de Pierson (1972), que o tipo climático contribuiu para que a população não fosse tão numerosa na região, ocasionando secas extensas e a falta de recursos naturais. Dentre os habitantes nas proximidades do Rio São Francisco ou de seus afluentes, os Tupi e Gê deixaram registros. Além desses, outros foram encontrados em diferentes pontos. Em 1587, quando lá esteve, Gabriel Soares de Souza

identificou Caetés na margem esquerda, Tupinambás na margem direita e, acima destes, Tupinaê, Amoipira e Ubirajara. Fragmentações grupais, lutas intertribais e enfrentamento com os portugueses levavam à constituição de novos grupos, às vezes conhecidos pelo nome de seus líderes (FALCÓN, 2012, p. 313).

Citaremos novamente a pesquisa de Falcón (2012) por trazer dados relevantes sobre os grupos indígenas que habitaram a região e, provavelmente, foram os que realizaram os registros nas paredes da Serra do Sarapó, em Riachão das Neves. A partir de Nimuendaju (1981 apud FALCÓN, 2012), houve a possibilidade de se ter acesso às informações sobre os grupos na região. Para essa discussão, nos detemos nos habitantes próximos ao Rio Grande, que seriam os Aricobés e Tapuias. Os Aricobés foram identificados em 1850 e 1882 pela documentação da Diretoria Geral dos Índios, como demonstra Falcón (2012, p. 313).

Os Aricobés se instalaram próximos a Angical, comunidade denominada Missão do Aricobé; eles foram exterminados em 1930, na denominada “Chacina do Aricobé”. A ambição dos desbravadores foi o principal motivo desse acontecimento. A ganância por ouro e pedras preciosas, bem como a conquistas de terras e submissão dos indígenas, levou ao massacre. Foram três frentes que planejaram o extermínio. Segundo Falcón (2012),

partiram em direção ao Vale: uma vinda da Bahia, isto é, de Salvador e seu recôncavo – à frente dela, a Casa da Torre, primeiro núcleo da elite agrária baiana, na sua sanha expansionista de anexação de terras e implantação de currais; outra, menos forte, de Pernambuco –; a Casa da Ponte, vinda de Recife e Olinda avançava sobre a margem esquerda do Vale, que lhe era de direito, e outra ainda, mais voraz e violenta, de São Paulo. Esta, inicialmente, esteve voltada para o sul, dirigindo-se depois, com intensa fúria, também para o São Francisco (FALCÒN, 2012, p. 314).

Na construção da estrada que liga Angical a Barreiras, foram encontrados vestígios da existência desse grupo, como urnas, material lítico e pinturas. As urnas e algumas peças foram encaminhadas para Salvador por meio do Batalhão de Engenharia e Construção sediada em Barreiras (ALMEIDA, 2005).

Em 2008, o então deputado Estadual Junior Magalhães congratulou a população da cidade de Angical pela passagem do aniversário da cidade por meio de uma Monção32, em função das lutas às quais as primeiras populações do Oeste

baiano tiveram que enfrentar no início de sua colonização. Os grandes latifundiários, grilavam as terras para expandir seus rebanhos, ocasionando a escravidão ou catequização dos indígenas.

A monção destaca que a região viveu durante muito tempo dependente economicamente dos rios São Francisco, Grande e Preto, que também foram fundamentais para o povoamento. O documento destaca que os Acroás e Chacriabás eram grupos indígenas que habitavam as margens do Iassu, (Rio Grande). Já os Aricobés, que também habitaram a região, ficavam mais a leste, onde se localiza atualmente o município de Angical; tais tribos habitaram o Oeste antes da chegada dos portugueses. Segundo o documento, os dois grupos foram dizimados no século

32 Monção n. 10.027/2008 - pela passagem de aniversário da emancipação do município, nos termos

do Art. 141do regimento interno da Assembleia Legislativa da Bahia. Disponível em: www.al.ba.gov.br/docs/Proposicoes2008/MOC_10_027_2008_1.rtf. Acesso em: 10 out. 2017.

XVII por conta das disputas de terras. Os Aricobés, por serem dóceis, foram poupados e catequizados, primeiro pelos Capuchinhos e, depois, por Franciscanos, mas foram extintos em 1930 pelos motivos já citados anteriormente.

Na região de São Desidério, Angical e Riachão das Neves, além dos Aricobés, há registro dos Tapuias, que provavelmente habitaram a região. Em Riachão das Neves, o local em que se encontram as pinturas rupestres recebe o nome de Serra Sarapó-Tapuias, pela ocupação dos indígenas naquele local. Porém, não há uma comprovação de que os Tapuias realmente habitaram o sítio Sarapó.

Considero que deveria aprofundar teoricamente a esse respeito, mas as poucas fontes teóricas que existem se repetem com as mesmas informações. O Oeste baiano foi esquecido até o início da década de 1980, quando aconteceu a imigração vinda de vários estados do Sul, Sudeste e de outros países pela aquisição de terras. Anterior a isso, não havia preocupação em conservar acervos históricos e os poucos que restam são insuficientes. Mas os registros estão lá e necessitam de catalogação para que não se percam.

2. REPRESENTAÇÕES RUPESTRES: TRADIÇÕES E ESTILOS, BRICOLAGENS