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Simultaneous matrix diagonalization and tensor decomposition

A identificação e a diferenciação, como produções culturais e simbólicas do indivíduo que está incluído em um contexto específico, não podem ser apreendidas à margem dos atuais sistemas de significação social. A demonstração de características ou comportamentos considerados pela sociedade como indesejáveis, pode promover sanções e reprimendas manifestadas por um sistema aperfeiçoado, mas questionável, de controle social. Esta questão nos direciona à ideia de que a construção da identidade não acontece de maneira harmoniosa e equilibrada, mas é resultado de um jogo de poderes, no qual a dominância dos grupos hegemônicos indica o socialmente valorizado, influenciando a constituição das identidades. Existe uma disputa pela identidade que, em última análise, é revelada na luta por bens simbólicos e materiais da sociedade (MAGALHÃES; CARDOSO, 2010).

É no contexto dos jogos de poder que as práticas de inclusão e exclusão podem ser observadas por meio da determinação implícita ou explícita de quem é ou não merecedor de pertencer. A constituição da identidade acaba incitando uma operação classificatória entre nós e eles, ou entre eu e os outros (MAGALHÃES; CARDOSO, 2010).

Há diversos tipos de diferenças, muito ou pouco visíveis, percebidas devido às comparações feitas a partir de determinados padrões socialmente construídos. A deficiência é uma diferença que se apresenta por meio de atributos físicos, sensoriais, psicológicos, mentais ou comportamentais. Contudo, o atributo em si não é o mais importante, mas sim, a significação social a ele imputada. A atenção é voltada principalmente às diferenças vistas como desvantajosas, e que apresentam significações negativas, direcionando o indivíduo ao descrédito social (MAGALHÃES; CARDOSO, 2010).

Goffman (2013) considera que as “abominações do corpo”, que consistem nas várias deformidades físicas, são um tipo de estigma. Quando um indivíduo (que pode ser recebido na relação social cotidiana) possui um traço que chama a atenção dos demais, ele

corre o risco de que este traço ao ser percebido, promova o afastamento das pessoas que o circundam, fato que destrói a possibilidade de atenção para os seus outros atributos. Isto acontece porque o sujeito apresenta um estigma, uma característica diferente da prevista pela sociedade, que pode ser considerada incomum, estragada e diminuída, de grande descrédito. Algumas vezes, o estigma também é considerado um defeito, uma fraqueza, uma desvantagem. Ele é usado em referência a um atributo depreciativo, todavia, na verdade se refere a uma linguagem de relações, e não de atributos, pois um atributo que estigmatiza alguém pode confirmar a normalidade de outrem, e por isso, ele não é, em si mesmo, honroso nem desonroso.

Partindo do pressuposto que é a sociedade que determina as regras ou padrões dos atributos físicos e comportamentais considerados “normais”, é possível deduzir que as pessoas que se desviam destas normas serão rotuladas de “anormais” e, por consequência, serão estigmatizadas. O conceito de normalidade é estabelecido pelas exigências de cada momento histórico, e neste sentido, os critérios de desvio, excepcionalidade, ou deficiência, estão sempre relacionados ao contexto social. Uma vez que o sujeito irá se constituir a partir das interpretações de suas ações pelo grupo social no qual está inserido, conclui-se que a visão do sujeito a respeito de si mesmo dependerá dos valores e da época em que vive (LEITE; MONTEIRO, 2008).

Desde cedo, a presença do grupo social ou do “outro” aparece como uma realidade que objetiva ajustar ou normalizar os indivíduos. Aqueles que apresentam padrões diferentes daqueles comuns à maioria do grupo, frequentemente não encontram identificação com os demais sujeitos que o compõem. Pessoas rotuladas como deficientes mentais, por exemplo, podem demonstrar uma maior dependência e incapacidade, do que seria resultante de sua condição orgânica, por terem aprendido a desempenhar o papel de deficientes. Como geralmente estes sujeitos são assim rotulados logo após seu nascimento, ou nos primeiros anos de vida, eles acabam sendo socializados em uma situação de desvantagem – enquanto pessoas estigmatizadas. Isso afeta a sua identidade pessoal, aumentando a probabilidade de assumirem o papel que lhes é atribuído (LEITE; MONTEIRO, 2008).

Expor teorias sobre a identidade da pessoa com deficiência, considerando os processos de estigmatização, aponta para a conclusão de que a estas pessoas são negadas importantes oportunidades de metamorfose. A fluidez e a dinamicidade que são inerentes aos processos de constituição identitária são colocadas em xeque pelas amarras da pessoa com deficiência, estigmatizada às características de sua deficiência (MAGALHÃES; CARDOSO, 2010).

A interpretação que o grupo faz do sujeito influencia a leitura que este fará de si mesmo e sua constituição. Se a sociedade apresentar concepções negativas sobre as pessoas com deficiência, ou não interpretar suas ações como significativas, estas pessoas vão se constituir a partir desta imagem, e suas ações retratarão esta visão (LEITE; MONTEIRO, 2008).

A metamorfose, enquanto processo constante da identidade, pode assumir diferentes sentidos. Quando ocorre como simples reposição, sem questionamento e/ou responsabilidade por parte do próprio indivíduo (neste caso, sem autonomia), o sujeito ao repor a identidade pressuposta, fica preso à um personagem que lhe foi atribuído de modo heterônomo, permanecendo na “mesmice” que, mesmo que não o degrade precisamente, faz com que ele se encontre “estagnado”, impedido de vivenciar novas experiências e relações que lhe propiciem uma melhor qualidade de vida. A degradação pode ocorrer quando um estigma, atribuído pelos outros e incorporado pelo indivíduo, deteriora sua identidade com atitudes preconceituosas e discriminatórias que o prejudicam significativamente. A metamorfose, todavia, pode acontecer como superação, quando o sujeito se emancipa dos valores estigmatizantes e preconceituosos, impostos pela sociedade e/ou assumidos por ele mesmo, o que lhe permite exercer um agir mais livre e criativo para realização de suas metas e desejos, o que é a expressão da “mesmidade”, que pode ser entendida também como autenticidade, que implica autorreflexão e autodeterminação (PACHECO; CIAMPA, 2006).

Além disso, Gutierrez e colaboradores (2011), analisando as formas de comunicação entre pessoas com deficiência na busca por um consenso, observaram durante a dinâmica realizada como método do estudo, que a deficiência física motora, mesmo sendo um elemento importante e presente em toda a atividade, foi constantemente subordinada a outros aspectos de personalidade que interferiram na dinâmica proposta. Isto significa que na maior parte do tempo, houve algum aspecto de personalidade que chamou mais a atenção do que a própria condição de deficiência física motora, que chegou em alguns momentos, a sobrepor-se de tal maneira que esta passou despercebida. As características de personalidade que mais se destacaram foram a condição de gênero, o espírito de liderança, a capacidade de raciocínio e expressão verbal, a maturidade moral, e a condição econômica. Em termos gerais, as dinâmicas indicaram que o fato de a deficiência física/motora não se sobrepor às condições pessoais de personalidade, não anula as demais características pessoais, mas articula-se com elas, ou seja, a deficiência física/motora soma-se aos diversos aspectos pessoais que constituem a identidade, podendo até ser ignorada no contexto de uma vivência específica, em alguns momentos.

A deficiência se soma e se articula com as demais características de personalidade, e por essa razão, ela pode ser considerada como mais um elemento no desenvolvimento da pessoa. Neste sentido, o ambiente que a pessoa com deficiência vivencia, pode tanto potencializar sua evolução, levando-a a atingir todas as suas potencialidades, como também, limitar esta evolução se apresentar-se como via de reforço das dificuldades inerentes à deficiência. As condições de deficiência não podem ser responsabilizadas pela falta de uma interação social plena da pessoa, embora possam, certamente, dificultar o desenvolvimento pessoal, quando somadas a outras situações de carências materiais, culturais ou políticas (GUTIERREZ; ALMEIDA; MARQUES, 2011). Neste sentido, consideramos o ambiente da dança promissor para a potencialização da evolução de todas as pessoas, independentemente de suas condições.