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1 - Espaço: A associação está localizada em um grande espaço em São Paulo (SP) que possui 2 amplas salas de dança, além de outras salas destinadas à cantina, à confecção dos figurinos, entre outros, e no momento estão passando por reformas neste local. A sala de dança onde ocorrem os ensaios das pessoas com deficiência e sem deficiência, é equipada com piso flutuante.

2 - As pessoas envolvidas: Havia cerca de 20 pessoas usuárias de cadeira de rodas, 20 pessoas sem deficiência, e uma professora. Todos estavam adequadamente vestidos para a prática de atividade física. As pessoas com deficiência apresentavam vários níveis diferentes de comprometimento, sendo suas deficiências poliomielite, paralisia cerebral, hemiparesia, mielomeningocele, síndrome streeter, artrite reumatoide, ataxia, paralisia todd e paraplegia. As idades eram variadas, entre menores de idade (pré-adolescentes), adultos e idosos, que trabalham em diferentes áreas profissionais.

3 - Atividade (um conjunto de atos relacionados realizados pelas pessoas): A aula foi iniciada pela professora passando uma sequência para ser realizada em duplas (uma pessoa com deficiência com uma sem deficiência). Como havia grande número de bailarinos, eles foram divididos em dois grupos, para poderem dançar em um espaço maior. Após os grupos realizarem a dança, eram aplaudidos por aqueles que estavam à espera da sua vez de dançar. A professora passou sequências de jive, e outros estilos de dança de salão. Posteriormente, os bailarinos foram separados novamente em dois grupos, mas desta vez, num grupo de pessoas sem deficiência e o noutro de pessoas com deficiência. A cada grupo foi ensinada uma sequência coreográfica, e ficaram então, treinando entre si, e depois todos se juntaram para treiná-las juntos. Foram ensinadas sequências coreográficas simples, que foram sendo dificultadas (acrescentando giros e deslocamentos, por exemplo). Ensaiaram em duplas, e ao finalizarem, trocavam de dupla para retomarem a sequência. Filmaram a dança, para que pudessem compartilhar o vídeo entre si, e estudarem depois, e não se esquecerem dos passos aprendidos. Houve um intervalo de 5 minutos para se hidratarem e descansarem, neste momento, aproveitaram para conversarem um pouco também. Após essa pausa, a professora orientou exercícios para serem realizados no chão, e para isso, pediu para que os bailarinos retirassem os calçados, e alguns usuários de cadeira de rodas obtiveram ajuda dos demais bailarinos sem deficiência para passarem da cadeira de rodas para o chão. A princípio foram ensinados alguns alongamentos, e a professora explicou que dependendo do tipo de lesão, alguns teriam mais ou menos dificuldade em realizá-los. Os bailarinos sem deficiência

auxiliavam os bailarinos com deficiência, fazendo um apoio para as suas costas. Aqueles que não conseguiram executar os exercícios com as pernas, os realizaram com os braços. Foram enfatizados alongamentos de pernas, braços, tronco, e alguns exercícios de força e coordenação. Deitados no chão, de olhos fechados, relaxando o corpo e buscando silêncio, foram desafiados a imaginar que seus corpos eram pincéis, que se movimentam livremente. Foram orientados a sentir o peso do corpo no chão, sentir as partes que tocam e não tocam o chão, prestar atenção na temperatura do ambiente, investigar e descobrir novas formas de movimento sós ou em contato com os outros, ao som de uma música instrumental de piano. Após um tempo, os bailarinos foram diminuindo a intensidade dos movimentos até ficarem completamente parados de novo. Dividiram-se então em duplas (uma pessoa com deficiência mais uma sem deficiência), e fizeram massagens uns nos outros, trocando depois com a sua dupla. A professora pediu para os bailarinos sem deficiência imaginarem que eram cegos. E também pediu a todos que evitassem tocar nas estruturas que pudessem causar algum desconforto e/ou constrangimento no seu próximo. Essa atividade foi realizada por sugestão de uma bailarina sem deficiência do grupo. A professora incentivou todos os bailarinos usuários de cadeira de rodas que sentiram dor durante a prática, a realizarem mais exercícios e saírem mais vezes da cadeira de rodas.

4 - Objeto (as coisas físicas que estão presentes): A sala conta com barras, ventiladores, espelhos, aparelho de som e cadeiras.

5 - Ato (ações individuais realizadas pelas pessoas): Todas as pessoas que trabalham aos sábados na associação são voluntárias. Os bailarinos sem deficiência, por diversas vezes, auxiliaram os bailarinos com deficiência a se arrumarem nas cadeiras de rodas, a irem para o chão, ao retornarem às suas cadeiras de rodas, a tirarem suas blusas, entre outros. A professora deu muitas dicas sobre como os bailarinos deveriam executar os movimentos ensinados, e enfatizou constantemente que deviam realizar os movimentos, na medida do que era possível para cada um. Ao final das atividades realizadas no chão, a professora pediu para os bailarinos relatarem o que sentiram durante a prática. Eles relataram que tiveram que encarar as diferenças de corpo, mas logo depois desta primeira impressão, eles conseguiram alcançar o relaxamento. Uma bailarina sem deficiência se emocionou ao falar sobre a surpresa de ver que a bailarina usuária de cadeira de rodas com alto comprometimento conseguiu fazer uma ótima massagem nela, o que a fez perceber que ela não era uma “deficiente” de fato. Uma bailarina usuária de cadeira de rodas se emocionou ao relatar o sentimento de liberdade durante a prática. Já uma bailarina sem deficiência associou que através de seu toque, teve a percepção de que Deus cuidava da humanidade deficiente. A

professora explicou que a cadeira de rodas acaba tornando o toque restrito. Afirmou que a atividade possibilitou todos a admirar a construção de Deus, a contemplar o ser humano e ser grato por ser contemplado pelo outro, que é uma forma de carinho. Questionou sobre o que Deus estava pensando quando construiu o corpo? Fez uma reflexão sobre a deficiência não estar na impossibilidade de andar, mas em outras incapacidades. Também falou a respeito da expectativa que é anulada, quando os pais descobrem que o bebê que irá nascer tem uma deficiência. Alguns pais se mostraram muito envolvidos com a associação e suas atividades. Uma mãe, muito orgulhosa de seu filho usuário de cadeira de rodas, mostrou uma foto dele dançando no espetáculo.

6 - Evento (um conjunto de atividades relacionadas executadas pelas pessoas): Os bailarinos prestavam muita atenção às instruções da professora e tentavam reproduzir os movimentos ensinados. Ajudavam-se uns aos outros a treinarem as sequências coreográficas.

7 - Tempo (o sequenciamento que acontece ao longo do tempo): Busca pela realização do movimento com o melhor desempenho possível.

8 - Objetivo (as coisas que as pessoas tentam alcançar): As aulas ocorrem todos os sábados das 9h30 às 12h. Os bailarinos buscam aprender a dançar, além de interagir com outros bailarinos.

9 - Sentimento (as emoções sentidas e manifestadas): Apesar da agitação da aula, devido ao grande número de bailarinos dançando, eles mantinham uma expressão facial neutra. Riam entre os erros e acertos ao treinarem as sequências. Ao final da aula, quando foram questionados sobre o que sentiram ao experienciarem as atividades realizadas no chão, alguns bailarinos se emocionaram, chegando a chorar, ao falarem sobre os seus sentimentos.

10 - Outros: A aula foi bem agitada devido à quantidade de bailarinos. Todavia, todos estavam muito atenciosos às instruções da professora. Pareciam estar bem acostumados a interagir uns com os outros. Ajudaram-se constantemente. Os graus de comprometimento eram bem visíveis, mas independentemente das diferentes condições, todos mostraram esforço para realizar os movimentos com o melhor de si. Não houve exigência técnica, mas o incentivo a realizarem cada movimento conforme as suas possibilidades. Chamou atenção o fato da professora e seu marido (os responsáveis pela associação), incluírem seus filhos pequenos nas atividades.