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6.3 Simulations en dimension deux

6.3.3 Simulations avec la méthode pararéel en CUDA

Os pressupostos teóricos desta pesquisa estão fundados na Pesquisa (Auto)Biográfica, mais especificamente, na História de Vida. Dentro dessa perspectiva, e de acordo com Josso (2006), a História de Vida oportuniza revisitar sua história para extrair dela o que pensamos ter contribuído para nos tornarmos o que somos, o que sabemos sobre nós mesmos e nosso ambiente humano e natural e tentar compreender melhor. (JOSSO, 2006, p. 376)

A História de Vida, narrativa biográfica, autobiografia, biografia, são conceitos que têm surgido em textos de diversas pesquisas através dos quais é possível retomar vivências de uma pessoa, cujas estruturas têm sido diversas nas histórias e diferentes contextos. (RODRÍGUEZ, 2014)

Na perspectiva de Souza (2006) as Histórias de Vida têm sido utilizadas por diversas áreas das ciências humanas e da formação, através de adequações teórico- metodológicas de sua epistemologia, a partir dos saberes tácitos ou experienciais e do surgimento de aprendizagens construídas ao longo da vida. Para o autor a História de Vida é pertinente para a compreensão da formação do sujeito, consistindo na

[...] autocompreensão do que somos, das aprendizagens que construímos ao longo da vida, das nossas experiências e de um processo de conhecimento de si e dos significados que atribuímos aos diferentes fenômenos que mobilizam e tecem a nossa vida individual/coletiva. (SOUZA, 2006, p. 27) Nessa perspectiva compreender a História de Vida é identificar e compreender, a partir das relações do sujeito com o mundo, aquilo que foi formador na vida do sujeito. (SOUZA, 2016)

Para Alarcão (2004), as Histórias de Vida não visam convencer ou argumentar através das narrativas, mas descrevem, representam, colocam diante de nós

instâncias de percursos. Desencadeiam reflexões a partir das experiências que emanam das narrativas, permitindo estabelecer relações temporais em perspectiva com presente, passado e futuro.

Ao compreender a sua História de Vida recriam-se fatos e acontecimentos importantes dessa história, possibilitando entender como um sujeito chega a ser o que é. O conhecimento que se faz pelas narrativas de si torna sua própria história um objeto de investigação, extraindo saberes para si e para o outro, fazendo o registro dessa construção histórica para evidenciar fatos que o formaram no contexto sócio histórico e educacional.

No sentido de compreender as narrativas do sujeito como objeto de investigação, Souza (2006) entende que o ato de contar é uma decisão do ator, que conta aquilo que quer contar não importando, nesse caso, a cronologia dos acontecimentos, mas sim o percurso vivido por ele.

As narrativas de si são baseadas nas vivências que os sujeitos trazem consigo em sua memória, e “constituem o tecido do quotidiano” (JOSSO, 2009). A autora chama a atenção para essas vivências, pois nem sempre elas ficam na memória, ou qualquer uma delas é suficiente para produzir conhecimento. Ademais, é importante perceber que a experiência é produzida por uma vivência que escolhemos ou aceitamos como fonte de aprendizagem particular. As Histórias de Vida são constituídas de relatos de experiências, em que essas “experiências são vivências, mas nem todas as vivências tornam-se experiências” (JOSSO, 2009). Trata-se nesse caso de compreender na narrativa os diversos acontecimentos considerados formadores pelo sujeito. A articulação entre esses períodos efetua-se em torno do que a autora chama de “momentos charneira”

[...] designados como tal porque o sujeito escolheu - sentiu-se obrigado a - uma reorientação na sua maneira de se comportar, e/ou na sua maneira de pensar o seu meio ambiente, e/ou de pensar em si por meio de novas atividades. Nesses momentos-charneira, o sujeito confronta-se consigo mesmo. A descontinuidade que vive impõe-lhe transformações mais ou menos profundas e amplas. Surgem-lhe perdas e ganhos e, nas nossas interações, interrogamos o que o sujeito fez consigo, ou o que mobilizou a si mesmo para se adaptar à mudança, evita-la ou repetir-se na mudança. (JOSSO, 2010, p. 70)

Nessa perspectiva de formar-se a partir do confronto consigo mesmo nos momentos charneira, Nóvoa (2010) aborda as questões de formação do sujeito nas

Histórias de Vida em que o trabalho reflexivo sobre os percursos da vida é essencial, entendendo nesse processo o que ele, o autor, afirma que “ninguém forma ninguém”, e que esse processo formativo individual envolve, o que Josso (2004) considera da pessoa caminhar para si com experiência vivida.

O processo de construção da História de Vida consiste em perceber as representações do sujeito que orientaram e orientam suas atividades do sujeito, as suas opções passivas ou deliberadas, as suas projeções, tanto nos seus aspectos tangíveis como invisíveis para outrem, e talvez ainda não explicitados ou surgidos na consciência do próprio sujeito. Por meio deste processo evidenciam-se as posições existenciais, adotadas ao longo da vida, permitindo ao autor da narrativa tomar consciência da sua postura de sujeito e das ideias, consciente ou não conscientemente. (JOSSO, 2012, p. 22)

No que se refere à História de Vida de professores, Abrahão (2007) nos ajuda a pensar que, à luz da História de Vida, conhece-se a história da Educação do próprio estado, neste caso, da Escola Parque como um lugar que se constroem os laços. A História de Vida constitui-se de relatos produzidos com o objetivo de remontar a memória individual ou coletiva num período da história, cujo pesquisador está também unido ao processo, participando na elaboração desse memorial, pois a História de Vida não é uma transmissão, mas uma construção. (ABRAHÃO, 2007)

A História de Vida se constrói junto com a narrativa, diferenciando-se do relato de vida. O relato de vida é a narração de uma história exatamente como quem a viveu conta, valorizando a fidelidade dos acontecimentos narrados. Ao passo que na História de Vida a pessoa ao relatar poderá nesse processo ressignificar o relatado, dando a sua compreensão do presente para percursos vividos. (PUJADAS, 1992 apud ABRAHÃO, 2007, p. 167)

A História de Vida consiste no próprio relato da história contada, juntamente com fontes documentais que permitam reconstruir essa história o mais fielmente possível. Estas fontes podem ser: a) documentos pessoais-diários, correspondências, fotografias, vídeos, matéria publicada etc., além de documentos oficiais e; b) registros biográficos, História de Vida e relatos cruzados. “Em se tratando de pesquisa na área educacional pode-se explorar, por meio do método de Histórias de Vida, a dinâmica de situações concretas pelas narrativas em que aflorem as percepções de sujeitos históricos” (ABRAHÃO, 2007, p. 167).

A pesquisa com História de Vida, que tem como concepção recriar fatos da memória individual ou coletiva, se inscreve num tempo/espaço, cujos elementos dessa história vão se desenhando numa relação que o sujeito faz de sua narrativa com o contexto. Essa estrutura pode ser entendida através da compreensão das cenas em que se tomam os planos do contexto vivido no passado, o contexto presente do sujeito, e o contexto da entrevista (ver ABRAHÃO, 2016). Trata-se nesse caso de interpretar esses contextos tecidos em sua história, bem como a dimensão da construção do sujeito, para situar as histórias de vida em seus sujeitos e processos plurais.

A História de Vida nessa perspectiva se constrói a partir de cenas de uma história plural do sujeito, cuja compreensão não se preocupa em entender uma história linear, mas como um repertório de cenas, para que se tenha uma construção global dessa história (ABRAHÃO com base em MARINAS, 2016, p. 04). Essa perspectiva focada nesse repertório de cenas me faz lembrar as palavras de Josso (2006) que para se tomar consciência das dimensões individuais da existencialidade, é preciso abordar a vida das pessoas na globalidade de sua história, compreendendo as variações dos registros nos quais elas se exprimem, e as múltiplas facetas que elas evocam de seu percurso.

Essa história representada por cenas é uma forma de elaboração mental, pois ao narrar sua própria trajetória, uma vez que, no momento da enunciação, o sujeito (re)significa o vivido, “pelo esforço de trazer os acontecimentos à memória, sopesando uns, destacando outros, esquecendo ou reprimindo alguns” (ABRAHÃO, 2016, p. 265).

Para tanto, dois construtos são de fundamental importância nesse processo os quais são: a escuta e a palavra dada. Essa escuta se refere a uma escuta atenta, de qualidade, em que a narrativa do sujeito está em evidência para que se identifiquem e se organizem essas estruturas cênicas. A palavra dada é algo que deve estar combinada com a escuta, pois exerce um vínculo entre o que narra e o que “escuta”, se constituindo de um valor moral e de um rigor metodológico dessa escuta. (ABRAHÃO, 2016)

Para a autora esses dois conceitos estão ligados pelo compartilhamento da memória no contexto da narração, implicando num momento de máxima implicação entre o investigador e investigado, possibilitando significados para as narrativas numa

construção rica da história, pois “certamente, as narrativas são ressignificadas no momento da narração (a invenção de si/a invenção da personagem) dada a natureza reconstrutiva e seletiva da memória que permeia a relação narrador/ouvinte. Mas vai além.” (ABRAHÃO, 2016, p. 284).

Vai muito além quando a autora enfatiza que o trabalho com memória não implica buscar fatos que indiquem uma verdade estanque e absoluta, uma vez que “a memória não é um repositório passivo de fatos, mas um processo ativo de criação de significados. A verdade dos fatos narrados é o que é verdadeiro para o narrador”. A autora acrescenta ainda mais, afirmando que “a verdade dos fatos é também o que fica como verdadeiro para o pesquisador, que interpreta o material de que dispõe, à luz da teoria, para construir uma História de Vida.” (ABRAHÃO, 2016, p. 284).

Nessa perspectiva colocada pela autora, em que o narrador conta aquilo que é verdadeiro em si mesmo, fica claro que os pressupostos teórico-metodológico da Pesquisa (Auto)Biográfica que iluminam a História de Vida, estão interessados em evidenciar as experiências formadoras do sujeito, cujos acontecimentos não são tratados como verdades inquestionáveis, mas compreendidos numa rede de significados e interpretações cujo sujeito não se torna coadjuvante da própria história, mas como ator principal. Essas experiências são para Souza (2012) “fontes originais dos narradores, os quais partilham modos singulares como vivem suas vidas e como relatam, através de significados e sentidos cotidianos de suas existências e individuação” (SOUZA, 2012, p. 68).

A História de Vida de professores de música que constroem laços com a Escola Parque pode ser melhor compreendida a partir dos construtos apresentados por Abrahão (2016) no que concerne à compreensão cênica com a inclusão dos correlatos palavra dada e escuta atenta; e a compreensão dos laços apresentada por Josso (2006), ao afirmar que “não haveria vida sem uma multiplicidade de ligações bio-psico- sociais e, ainda menos, história sem constituição de ligações entre acontecimentos materiais e psíquicos de nossas vidas em suas dimensões individuais e coletivas” (JOSSO, 2006, p. 375).