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Simulation et optimisation d’une antenne à patch circulaire :

Dans le document Mémoire de Projet de Fin d Etude (Page 45-51)

Chapitre IV : Conception et simulation d’une antenne micro ruban

7- Simulation et optimisation d’une antenne à patch circulaire :

O filósofo busca “defender a tese inversa” daquela da “relação de comunhão”.1106 Sua proposta consiste em apresentar a linguagem como relação interpessoal que faz frente. A linguagem faz frente mas não instaura a igualdade e nem a totalidade. Ela mantém e possibilita a relação interpessoal na separação dos termos. A linguagem contribui para a separação e a desigualdade entre os termos.

A linguagem contribui para a desigualdade entre os interlocutores. A linguagem cria uma situação na qual os interlocutores permanecem separados. Os interlocutores estão separados, mas há um apelo em si no rosto alheio. Ao se apresentar, o rosto apela eticamente ao sujeito. Impossibilitado de captar o próximo nos parâmetros da intencionalidade, o sujeito se vê obrigado – um desigual em relação a outrem – a encontrar uma resposta para esta situação de não- captação. A situação de não-captação acontece no binômio da presença/ausência. A face se ausenta ao se apresentar. Ela está ausente por não ser passível de captação na consciência. O discurso mantém o sujeito e o próximo separados um do outro. O discurso é originariamente ético, e isto, para Lévinas, indica uma relação interpessoal distante dos parâmetros da totalidade.

Para desmistificar a relação interpessoal, não há um terceiro elemento instaurando uma síntese entre os termos na totalidade. O “terceiro” levinasiano contribui para a desigualdade entre os termos. Nas palavras do autor em Totalité et Infini:

É preciso, sobre este último ponto, defender a tese inversa: a relação entre Mim e o Outro começa na desigualdade de termos, transcendentes um em relação ao outro, onde a alteridade não determina o outro formalmente como a alteridade de B em relação a A que resulta simplesmente da identidade de B, distinta da identidade de A. A alteridade do Outro, aqui, não resulta da sua identidade, mas constitui-a: o Outro é Outrem. Outrem enquanto outrem situa-se numa dimensão da altura e do abaixamento –

1105 TEI 229 (ID. Totalidade e Infinito, p. 229). 1106 Ibid.

glorioso abaixamento: tem o semblante do pobre, do estrangeiro, da viúva, do órfão e, ao mesmo tempo, do senhor chamado a bloquear e a justificar a minha liberdade. Desigualdade que não aparece ao terceiro que nos contraria. Significa precisamente a ausência de um terceiro capaz de abraçar-me a mim e ao Outro, de maneira que a multiplicidade original é constatada no próprio frente-a-frente que a constitui. (...) A relação que se estabelece – relação de ensino, de domínio, de transitividade – é linguagem e só se produz no falante que, conseqüentemente, faz frente ele próprio. (...) A linguagem não se acrescenta ao pensamento impessoal, que domina o Mesmo e o Outro; o pensamento impessoal produz-se no movimento que vai do Mesmo ao Outro e, conseqüentemente, na linguagem interpessoal, e não apenas impessoal. Uma ordem comum aos interlocutores estabelece-se pelo ato positivo que consiste, para um, em justificar-se da sua liberdade perante o outro, isto é, pela apologia1107.

A relação interpessoal poderia, porém, ser encarada dentro de um espaço entre dois termos: Eu-Tu. Este seria um espaço simétrico e caracterizado exclusivamente pelo amor entre Eu-Tu. Esta seria uma relação que excluiria a multiplicidade, e que possibilitaria ao Eu e ao Tu se identificarem dentro desta relação. A unicidade de cada interlocutor se daria em termos de identificação e de participação. Em contraste com esta visão de unicidade, Lévinas propõe que a mesma aconteça na des-identificação e no des-interesse. A unicidade é possível na substituição. A unicidade se concretiza no encontro frente-a-frente. O frente-a-frente, por sua vez, é um espaço que passa do duo ao trio, uma vez que no rosto alheio existe sempre um terceiro.

O terceiro não é o elemento médio ou neutro efetuando uma síntese. O terceiro assegura a diferença enquanto tal. Na visão de Tarter, o terceiro, para além da “dialética especulativa”, instaura uma relação que “não está na síntese, mas na diferença como diferença, e que evidentemente é inominável e em um certo sentido impossível: Tertium datur”.1108 Para Tarter, com o advento do terceiro, a relação Eu-Tu se posiciona para além da reciprocidade e de qualquer “espécie de unidade mística”.1109 Lévinas denomina “ética uma relação entre os termos na qual um e outro não são unidos nem por uma síntese do entendimento[,] nem pela relação do sujeito ao objeto”, e sim na qual “um pesa ou é significante ao outro”: “Eles são ligados por uma intriga que o saber não saberia esgotar”.1110 A relação ética se distancia de qualquer forma de

1107 TEI 229 (ID. Totalidade e Infinito, p. 229).

1108 Para um estudo aprofundado sobre o terceiro a partir da lógica matemática, da dialética, e da ontologia, veja-se:

TARTER, S. Evento e ospitalità: Lévinas, Derrida e la questione straniera. Assisi: Cittadella Editrice, 2004. p. 121- 129.

1109 TARTER, S. Evento e ospitalità: Lévinas, Derrida e la questione straniera, p. 123. 1110 EDEHH 314, nota n. 1.

participação mística. O conceito de relação não envolve somente o sujeito e o objeto, mas inclui sempre um terceiro termo representando toda a humanidade: “A presença do rosto – o infinito do Outro – é indigência, presença do terceiro (isto é, de toda a humanidade que nos observa) e ordem que ordena que mande”.1111

Lévinas critica o sentido durkheimiano de relação social. Para ele, o pensamento de Durkheim é categorizado como uma tentativa de definir a relação social ou a socialidade enquanto busca de um “ideal de fusão” no qual a “minha relação com o outro tende a identificar- me com ele”, e para o qual “um terceiro termo (...) serve de intermediário”, fornecendo, assim, “o comum da comunhão”.1112 A “relação sem relação” segue sendo a relação última: “A relação

entre os seres separados não os totaliza[.] ‘Relação sem relação’ que ninguém pode englobar nem tematizar. (...) A relação (...) do ser separado é um frente-a-frente, relação irredutível e última”.1113

O terceiro não é um mediador. O terceiro é o elemento desmistificador da relação. O terceiro assegura a assimetria da relação interpessoal. Assegura também a não-mediação e a não- captação. O terceiro faz com que a exclusividade exigida pelo amor do duo se abra à humanidade conservando as distâncias: “A mediação (característica da filosofia ocidental) só tem sentido se não se limitar a reduzir as distâncias”.1114

A ética é capaz de pensar o paradoxo da possibilidade de uma relação sem relação, para além do duo permitindo a responsabilidade universalizada. Para Autrement qu’être ou au-delà de

l’essence, a ética é o campo no qual se designa o “paradoxo de um Infinito em relação com o

1111 TEI 188 (ID. Totalidade e Infinito, p. 191).

1112 IDEM. De l’existence à l’existant, p. 161-162 (ID. Da existência ao existente, p. 112-113). 1113 TEI 271 (ID. Totalidade e Infinito, p. 275).

1114 TEI 14 (ID. Totalidade e Infinito, p. 31). Verifique-se também: AE 200-201: “Le tiers introduit une contradiction

dans le Dire dont la signification devant l’autre allait, jusqu’alors, dans un sens unique. C’est, de soi, limite de la responsabilité naissance de la question: Qu’ai-je à faire avec justice? Question de conscience. (...) Dans la proximité de l’autre, tous les autres que l’autre, m’obsèdent e déjà l’obsession crie justice, réclame mesure et savoir, est conscience. Le visage obsède et se montre: entre la trancendance et la visibilité/invisibilité. La signification signifie dans la justice, mais aussi, plus ancienne qu’elle-même et que l’égalité per elle impliquée, la justice passe la justice dans ma responsabilité pour l’autre, dans mon inégalité par rapport à celui dont je suis l’otage. Autrui est d’emblée le frère de tous les autres hommes. Le prochain qui m’obsède est déjà visage, à la fois, comparable et incomparable, visage unique et en rapport avec des visages, précisément visible dans le souci de justice”. Cf. PEPERZAK, Adriaan T. To the Other..., p. 176-177: “The relation to which the other calls me is not the closed ‘society’ of love. God is not to be found in romantic love (amour) or in friendship but in the law of justice, that is, in the nonintimate relationship to the other, who is called here – in opposition to the second person of the beloved Thou – ‘the third’. I would neglect the third and do injustice to him or her if I were to abandon myself to the dual privacy of love. In order to do justice to the third, i.e., to all people, the institutions of a political body are necessary warrants”.

finito sem desmentir esta relação”.1115 Também a noção de “substituição” é submetida a este estado de “separação”1116 enfatizando a substituição a qualquer rosto humano. A separação da substituição serve para transformar as categorias ontológicas em exigências éticas1117. O “terceiro” continuamente garante a impossibilidade da totalização da relação. O “terceiro” levinasiano livra o Outro seja da visão captadora do Mesmo, seja da participação mística. Nas palavras de De Dieu qui vient à l’idée:

O conceito é a distância absoluta (...). Distância absoluta, refratária à síntese que o olhar sinóptico de um terceiro desejaria estabelecer entre dois humanos em diálogo. O Eu e o Tu não são abarcáveis objetivamente, não há e possível entre eles – eles não formam conjunto. Não há unidade que se possa produzir no espírito de um terceiro1118. (...) A palavra

profética (...) duplica todo o discurso, não como um discurso sobre temas morais, mas como momento irredutível do discurso suscitado essencialmente pela revelação do rosto enquanto ele atesta a presença do terceiro, de toda a humanidade, nos olhos que me observam1119.

Com a finalidade de evadir qualquer tematização do infinito num presente e possibilitar um “desvio”, o filósofo denomina esse desvio de “Eleidade”, ou o “terceiro”.1120 Eleidade é um

neologismo do francês il e “indica uma maneira de me concernir sem entrar em conjunção comigo” diferindo, destarte, de um Tu passível de tematização e de conjunção com um “eu”.1121

Em En découvrant l’existence avec Husserl et Heidegger, o filósofo argumenta que o “Desejo ou a resposta ao Enigma ou a moralidade é uma intriga a três: o Eu se aproxima do infinito indo generosamente em direção ao Tu, ainda meu contemporâneo, mas que, no seu traço de Eleidade, se apresenta a partir de uma profundidade do passado, de rosto, que me

1115 AE 189: “L’éthique est le champ que dessine le paradoxe d’un Infini en rapport avec le fini sans se démentir

dans ce rapport. (...) L’Infini signifie à partir de la responsabilité pour autrui, de l’un pour l’autre. (...) Le trace de l’infini est cette ambiguité dans le sujet, tour à tour commencement et truchement, ambivalence diacrhonique que l’éthique rend possible”.

1116 AE 70: “Mais substitution dans la séparation”.

1117 AE 146: “Par la substitution aux autres, le Soi-même échappe à la relation. Au bout de la passivité, le Soi-même

échappe à la passivité ou à la limitation inévitable que subissent les termes dans la relation: dans la relation incomparable de la responsabilité, l’autre ne limite plus le même, il est supporté par ce qu’il limite. C’est ici que se montre la surdétermination des catégories ontologiques, qui les transforme en termes éthiques”.

1118 DVI 222-223 (ID. De Deus que vem à idéia, p. 195). 1119 TEI 188 (ID. Totalidade e Infinito, p. 191).

1120 AE 15: “C’est ce détour à partir du visage et ce détour à l’égard de ce détour dans l’énigme même de la trace,

que nous avons appelé illéité”. Cf. também AE 214; EDEHH 298; EN 69 (ID. Entre nós..., p. 90): “Ele é Ele. Eleidade. Seu passado imemorial não é extrapolação da duração humana, mas a anterioridade original ou ultimidade original de Deus com relação a um mundo que o não pode alojar”.

1121 Ibid.: “Exclusive du ‘tu’ et de la thématisation de l’objet, l’lleité – néologisme formé sur il ou ille – indique ue

aproxima”.1122 Eleidade significa “movimento em direção” ao próximo1123. A exterioridade da

Eleidade é um “dever ser” no rosto do próximo1124. Novamente, o duo vira trio.

Para Cohen, o rosto do próximo aparece como se (comme si) fosse a face de Deus1125, mas não é a face de Deus per se. Trata-se, portanto, de um enigma: do enigma do “como se fosse, mas não é”.1126 Cohen faz notar a importância da expressão “como se” (comme si) em Totalité et Infini, haja vista o número de vezes que a mesma é repetida1127. O “como se” nunca se torna um

“é”, ou seja, não entra na dialética do binômio da afirmação-negação1128. “Como se” permanece exterior à síntese numa totalidade. “Como se” permanece enigmático1129. “Como se” permanece fora dos parâmetros da união mística. É “como se” o sujeito tivesse a mesma obrigação para com o outro e para com Deus: “É no frente-a-frente com o rosto significando a alteridade do outro que o ser-para-o-outro precede prioritariamente o ser-para-si-mesmo”, e, desse modo, o sujeito se volta para Deus, “à-Dieu”.1130

Lévinas depura a palavra “rosto” de toda e qualquer interferência direta da mística. O filósofo não contempla a possibilidade de coincidência ou identificação com a face, e sim a “distância”.1131 Em De Dieu qui vient à l’idée, a palavra “rosto” significa “pura alteridade separada”.1132 Com a separação, o autor deseja propor uma relação Eu-Tu que está para além da reciprocidade, da harmonia, da co-presença. Em De Dieu qui vient à l’idée, a face “instaura uma proximidade diferente daquela que regula a síntese unindo dados (...) em um todo”.1133

Este trabalho passa, agora, a pesquisar a resistência à mística nas demais obras do autor. A pesquisa acerca da resistência à mística nas demais obras foi dividida em quatro períodos.

1122 EDEHH 300.

1123 Ibid.: “L’illéite de l’au-delà-de-l’être, c’est le fait que se venue vers moi est un départ qui mi laisse accomplir un

mouvement vers le prochain”.

1124 AE 120, nota n. 35.

1125 Cf. COHEN, Richard A. The Face of Truth in Rosenzweig, Levinas, and Jewish Mysticism. In: GUERRIÈRE,

D. (ed.) Phenomenology of the Truth Proper to Religion. New York: Sate University of New York, 1990. p. 200.

1126 Ibid., p. 200-201.

1127 COHEN, Richard A. The Face of Truth in Rosenzweig, Levinas, and Jewish Mysticism, p. 199. Quanto à

expressão comme si empregada por Lévinas veja-se: TEI X-XI, XVIII, 25, 28, 39, 41, 95, 102, 109, 156, 184, 284 (ID. Totalidade e Infinito, p. 10, 17, 42, 45, 55, 56, 108, 114, 120, 163, 187-188, 287).

1128 Ibid., p. 200. 1129 Ibid.

1130 Ibid., p. 198-201.

1131 Ibid., p. 200. Cf. LÉVINAS, Emmanuel. Altérité et transcendance, p. 105: “Le Dire est cette rectitude de moi à

toi, cette droiture du face-à-face (...) déjà entre-tien, déjà dia-logue et ainsi distance et tout le contraire du contact où se produit la coïncidence et l’identification”.

1132 DVI 245 (ID. De Deus que vem à idéia, p. 215). 1133 DVI 242-243 (ID. De Deus que vem à idéia, p. 213).

Dans le document Mémoire de Projet de Fin d Etude (Page 45-51)