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Les applications de la RFID :

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Chapitre II : La technologie RFID

3- Les applications de la RFID :

É o rosto no seu brilho ambíguo que quebra com a categoria da necessidade. Esta quebra dá origem ao que está para além de tudo o que possa simplesmente completar o desejo952. Nas palavras de Lévinas:

O desejo metafísico tende para uma coisa inteiramente diversa, para o

absolutamente outro. O Outro metafisicamente desejado não é o “outro”

como o pão que como. (...) Dessas realidades, posso “alimentar-me” e, em grande medida, satisfazer-me, como se elas simplesmente me tivessem faltado. Por isso mesmo, a sua alteridade incorpora-se na minha identidade de pensante ou de possuidor. (...) Na base do desejo comumente interpretado encontrar-se-ia a necessidade: o desejo marcaria um ser indigente e incompleto ou decaído da sua antiga grandeza. Coincidiria com a consciência do que foi perdido e seria essencialmente nostalgia e saudade. Mas desse modo nem sequer suspeitaria o que é o verdadeiramente outro. (...) O desejo metafísico não aspira ao retorno, porque é desejo de uma terra onde de modo nenhum nascemos953. A idéia

do infinito não parte, pois, de Mim, nem de uma necessidade do Eu que avalie exatamente os seus vazios954. (...) Conceber a separação como

decadência, ou privação, ou ruptura provisória da totalidade, é não conhecer outra separação a não ser a que é testemunhada pela

necessidade955. (...) O infinito abre a ordem do Bem. Trata-se de uma

ordem que não contradiz, mas ultrapassa as regras da lógica formal. Na lógica formal, a distinção entre necessidade e Desejo não poderia refletir- se; nela o desejo deixa-se sempre verter nas formas da necessidade. (...) Mas a ordem do Desejo – da relação entre estranhos que não fazem falta uns aos outros, do desejo na positividade – afirma-se através da idéia da criação ex nihilo. Desvanece-se então o plano do ser necessitado, ávido dos seus complementos, e instaura-se a possibilidade de uma existência sabática em que a existência suspende as necessidades da existência956.

Lévinas propõe uma ética sabática na qual os filhos não são carentes e não sofrem de nenhuma privação957. A criação ex nihilo permite pensar a emergência de um novo sujeito: não mais um ser necessitado de uma relação na qual possa se complementar, se unir, atingir um certo acabamento. O ser verdadeiramente livre é um ser separado e com desejo metafísico que não se

952 TEI 4 (ID. Totalidade e Infinito, p. 22). Cf. CAVADI, Augusto et al. Metafísica, anti-metafísica, post-metafísica.

Lineamenti di ontologia, p. 374-375.

953 TEI 3 (ID. Totalidade e Infinito, p. 21). 954 TEI 33 (ID. Totalidade e Infinito, p. 49). 955 TEI 75-76 (ID. Totalidade e infinito, p. 89). 956 TEI 77 (ID. Totalidade e Infinito, p. 91).

957 AE 173: “Une impossibilité purement ‘éthique’ s’exprime dans des expressions comme ‘impossible sans

carence,’ ‘sans faute’, ‘sans péché.’ (...) Mais l’impossibilité ‘purement éthique’ n’est pas un simple relâchement d’une impossibilité ontologique. La carence, la faute, le péché –(...) – cela n’est pas une réalité pour ‘fils à papa’”.

funde no infinito. Para o autor, a idéia de criação representa um questionamento ao conceito filosófico de totalidade, uma vez que tal conceito não está imune da aceitação da união mística no sentido forte e fraco da palavra “união”. Afirmar que “o todo é anterior às partes, e as partes só podem ser entendidas em termos de todo” é aproximar-se de místicos como Boehme, e das categorias da mística que rendem o sentido de completude, inteireza, e unidade ao conceito de totalidade958. A idéia do infinito se produz no “em-frente”: na “oposição do discurso” cuja significação é “moral”.959

A separação e o Desejo instauram uma relação fora dos moldes da “correlação”.960 O Desejo do infinito não é sentimentalmente amoroso, e muito menos brutal. O Desejo indica, para Lévinas, o rigor da exigência moral da responsabilidade para com o próximo, pois o Desejo direciona a intenção do sujeito ao próximo sem englobá-lo no “eu”, e o próximo é o único caminho pelo qual Deus age961. Fora dos parâmetros da correlação, o que acontece é uma ruptura com a participação no divino. Neste ponto, o filósofo define o que está implícito no “ateísmo metafísico”.

“Ateísmo metafísico” não só “condiciona uma relação autêntica com um verdadeiro Deus” bem como define uma relação “distinta” seja “da objetivação”, seja “da participação”962: “Só um ser ateu pode relacionar-se com o Outro e dispensar-se já dessa relação. A transcendência distingue-se de uma união com o transcendente, por participação”.963 Para o autor, a “fé monoteísta” resiste implicitamente à união mística, seja ela qual for, e propõe uma fé “depurada dos mitos”.964 A definição de fé em Entre nous é pautada em termos do face-a-face e do numenal ou sólido.

A fé não é o conhecimento de uma verdade suscetível de dúvida ou de certeza; fora destas modalidades, ela é o face-a-face com um interlocutor substancial – origem de si, que já domina os poderes que o constituem e agitam, um tu, surgindo inevitavelmente, sólido ou numenal, atrás do

958 INWOOD, M. Dicionário Hegel. Rio de Janeiro: Zahar, 1997. p. 308. 959 TEI 170 (ID. Totalidade e Infinito, p. 175-176).

960 DVI 168-169 (ID. De Deus que vem à idéia, p. 149).

961 Cf. EDEHH 246: “Le Desir de l’infini n’a pas la complaissance sentimentale de l’amour, mais la rigueur de

l'exigence morale – ne s’impose pas brutalement – mais est Désir, par l’attraction et l’infinie hauteur de l’être même, au bénéfice de qui s’exerce la bonté. Dieu ne commande que par les hommes pour qui il faut agir”.

962 TEI 49 (ID. Totalidade e Infinito, p. 63). 963 TEI 50 (ID. Totalidade e Infinito, p. 64). 964 Ibid.

homem conhecido neste pedaço de pele absolutamente decente que é o rosto (...) pelo qual pode responder965.

Conseqüentemente, “a fé monoteísta supõe também o ateísmo metafísico”, pois “a revelação é discurso”, e “para acolher a revelação é preciso um ser apto ao papel de interlocutor, um ser separado. O ateísmo condiciona uma relação autêntica com um verdadeiro Deus”.966 Deus eleva-se “à sua suprema e última presença como correlativo da justiça feita aos homens”.967 Para o autor, a justiça consiste nisso: “A justiça social consiste em tornar de novo possível a expressão em que, na não-reciprocidade, a pessoa se apresenta única. (...) É talvez aí que se abre a perspectiva de uma religião. Ela afasta-se da vida política, à qual a filosofia não conduz necessariamente”.968

O ateísmo à la Lévinas define o sujeito nos termos de autonomia, de satisfação consigo, e de felicidade. O ateísmo é caracterizado como uma relação de interdependência que respeita a distância da separação impossibilitando, portanto, qualquer participação no divino. Em acréscimo, o ateísmo permanece fora das categorias do entusiasmo. Nas palavras do filósofo:

O eu ateu cujo ateísmo não tem falha e não se integra em nenhum destino, ultrapassa-se no Desejo que lhe vem da presença do Outro. O Desejo é desejo num ser já feliz: o desejo é a infelicidade do feliz, uma necessidade luxuosa969. (...) A vontade que equivale ao ateísmo – que se recusa a

Outrem, como a uma influência que se exerce sobre um Eu ou que o mantém dentro das suas rodas invisíveis, que se recusa a Outrem como a um Deus que habita o Eu – a vontade que se furta à posse, a esse entusiasmo como o próprio poder da ruptura – entrega-se a Outrem pela sua obra que, no entanto, permite assegurar a sua interioridade. A interioridade não esgota assim a existência do ser separado970.

Seguindo a linha de interpretação de Peperzak, “posse” indica a diferença entre o êxodo do herói grego, da Odisséia, e o de Abraão. No primeiro caso, a terra é “possuída”, enquanto no segundo caso a terra é “prometida”971 No Desejo, os sujeitos permanecem cada qual em si

965 EN 42 (ID. Entre nós..., p. 58).

966 TEI 50 (ID. Totalidade e Infinito, p. 64). 967 Ibid.

968 TEI 274 (ID. Totalidade e Infinito, p. 278). 969 TEI 34 (ID. Totalidade e Infinito, p. 50). 970 TEI 202 (ID. Totalidade e Infinito, p. 205). 971 PEPERZAK, Adriaan T. To the Other..., p. 68.

próprio – pro domo –, e um não possui o outro. O autor confere à alma uma modalidade tal que o ateísmo metafísico passa a ser seu estado natural:

Pode chamar-se ateísmo a esta separação tão complexa que o ser separado se mantém sozinho na existência sem participar no Ser de que está separado – capaz eventualmente de a ele aderir pela crença. A ruptura com a participação está implicada nesta capacidade. Vive-se fora de Deus, em si mesmo, cada qual é ele próprio, egoísmo. A alma – a dimensão do psíquico –, realização da separação, é naturalmente atéia972.

O ateísmo irá corroborar a distinção entre o sagrado e o ético. A partir do conceito de ateísmo que se situa nos parâmetros da separação, “a relação ética” se posiciona “contra toda a relação com o sagrado”.973 Em Totalité et Infini, o sagrado é violento. A diferença entre o sagrado mítico e o infinito reside na “fala”, e, portanto, “referir-se ao absoluto como ateu é acolher o absoluto depurado da violência do sagrado. (....) [O infinito] fala, não tem o formato mítico”.974 O Desejo instaura abertura à transcendência por parte de um sujeito separado, autônomo, ateu. O Desejo designa uma relação com o próximo na qual a separação não é deduzida nem analiticamente e nem dialeticamente. E é isso o que significa “ateu”: estar fora de uma relação dialeticamente necessária975: “A separação é a própria constituição do pensamento e da interioridade, isto é, de uma relação na independência”.976 A distância da separação é “intransponível”, mas é “ao mesmo tempo transposta” na “linguagem” que instaura uma relação de Desejo e não de “necessidade”.977 É o Desejo que impulsiona a abertura do sujeito à transcendência. Por esse motivo, o autor propõe uma definição de religião cuja modalidade é a da separação e do Desejo sem absorção, em contraste com categorias tais como a “privação” e a “totalidade”.978 Esta definição está em contraposição com a mística. A definição levinasiana de religião está longe de admitir qualquer forma de totalidade; ela é religião do Desejo: “Por oposição à totalização, chamamo-la religião. (...) A religião é desejo”.979

972 TEI 29 (ID. Totalidade e Infinito, p. 46).

973 TEI 51 (ID. Totalidade e Infinito, p. 65). Cf. o comentário do entrevistador KEARNEY, R. De la phénoménologie

à l’éthique, p. 126: “Le sacré et le saint, opposition typiquement levinasienne”.

974 TEI 49 (ID. Totalidade e Infinito, p. 63). 975 TEI 34 (ID. Totalidade e Infinito, p. 50). 976 TEI 77-78 (ID. Totalidade e Infinito, p. 90-91). 977 TEI 33 (ID. Totalidade e Infinito, p. 49-50). 978 TEI 75-76 (ID. Totalidade e infinito, p. 89). 979 TEI 35, 77 (ID. Totalidade e Infinito, p. 51, 91).

Para além da correlação, qualquer socialidade que envolva uma relação, inclusive a religião, passa a ser definida positivamente como uma “relação sem relação”: “Reservamos à relação entre o ser cá em baixo e o ser transcendente (...) – relação sem relação – o termo de religião”.980 Na “relação sem relação” se percebe também a resistência do filósofo à mística. Ele resiste à mística fazendo uma apologia do frente-a-frente. Com esta apologia, o filósofo espera traçar o percurso rumo ao “ser religioso (...) em verdade”.981 O ente em verdade é aquele separado, que não participa, e que não sente falta de nada. O filósofo afirma:

A vida interior, o eu e a separação são o próprio desenraizamento, a não- participação e, por conseguinte, a possibilidade ambivalente do erro e da verdade. O sujeito cognoscente não é parte de um todo, porque não é limítrofe de nada. A sua aspiração à verdade não é a forma vazia do ser que lhe falta. A verdade supõe um ser autônomo na separação – a procura de uma verdade é precisamente uma relação que não assenta na privação da necessidade. Procurar e conseguir a verdade é estar em relação, não porque nos definamos por outra coisa diferente de nós próprios, mas porque, num certo sentido, não temos falta de nada982.

Trata-se, sobretudo, de um sujeito verdadeiramente capaz de acolher o diferente do Mesmo. A acolhida é efetuada no Desejo metafísico e, por isso mesmo, ela é desinteressada, ou seja, sincera, sem falsidade, sem manipulação, sem violência, e sem preconceitos.

Na redução da partícula “e” entre o Mesmo e o Outro não há lugar para a correlação. Embora a conjunção “e” sugira indiretamente uma correlação entre o Mesmo e o Outro, o filósofo assegura que “a conjunção e não indica aqui nem adição, nem poder de um termo sobre o outro”. 983 Sendo assim, a partícula “e” indica uma “conjuntura irredutível à totalidade, porque a posição de ‘frente-a-frente’ não é uma modificação do ‘ao lado de...’. Mesmo quando tiver ligado Outrem a mim pela conjunção ‘e’, esse Outrem continua a fazer-me frente, a revelar-se no seu rosto”.984 O filósofo afirma em Totalité et Infini: “É relação com um excedente exterior à

totalidade, como se a totalidade objetiva não preenchesse a verdadeira medida do ser, como se

980 TEI 52 (ID. Totalidade e Infinito, p. 66).

981 TEI 231 (ID. Totalidade e Infinito, p. 230-231), 18 (ID. Totalidade e Infinito, p. 34). 982 TEI 32 (ID. Totalidade e Infinito, p. 48-49).

983 TEI 9 (ID. Totalidade e Infinito, p. 26-27). 984 TEI 53 (ID. Totalidade e Infinito, p. 66).

um outro conceito – o conceito de infinito – devesse exprimir essa transcendência em relação à totalidade, não-englobável numa totalidade e tão original como a totalidade”.985

Para Lévinas, o ser humano, o sujeito, é ateu, separado mas capaz de acolher verdadeiramente outrem. O filósofo reflete sobre a subjetividade nestes termos:

Ser eu, ateu, separado, feliz, criado – tudo isto são sinônimos986. (...) O ser

é exterioridade e a exterioridade produz-se na sua verdade, num campo subjetivo, para o ser separado. A separação realiza-se positivamente como interioridade de um ser que se refere a si e que depende de si. Até ao ateísmo! (...) Anteriormente a toda visão de si, ela realiza-se mantendo-se;

implanta-se em si como corpo e mantém-se na sua interioridade, na sua

casa. Completa assim positivamente a separação, sem se reduzir a uma negação do ser que ela separa. Mas assim, precisamente, pode acolhê-lo. O sujeito é um hóspede. (...) A separação é o próprio ato da individuação, a possibilidade, de uma maneira geral, para uma entidade que se põe no ser, de nele se pôr não se definindo pelas referências a um todo, pelo seu lugar num sistema, mas a partir de si987.

Ser ateu significa encontrar-se fora de qualquer relação cuja base seja a participação. Para entrar em relação, o sujeito necessita da proximidade do próximo. A relação com o rosto se passa nos moldes da interdependência atéia. Isso porque a relação com o rosto difere de uma relação dialética, já que a separação permanece, e não há preenchimento ou acabamento final: “Mas a interdependência atéia do ser separado – sem se pôr mediante oposição à idéia do infinito, que indica uma relação – é a única que torna possível tal relação. A separação atéia é exigida pela idéia do infinito que, no entanto, não suscita dialeticamente o ser separado”.988

O ateísmo designa a relação com uma “transcendência absoluta inintegrável” numa síntese989. A interdependência atéia se situa nos parâmetros do que Lévinas denomina de “relação sem relação”. A relação sem relação é um sinal da resistência do filósofo à mística in toto, pois “sem a relação, a mística é impossível”.990

“Relação sem relação” se insere na argumentação levinasiana ao modo de uma apologia do sujeito. É a apologia do sujeito que não participa no divino. De Dieu qui vient à l’idée

985 TEI XI (ID. Totalidade e Infinito, p. 11).

986 TEI 121 (ID. Totalidade e Infinito, p. 132). TEI 275 (ID. Totalidade e Infinito, p. 279). 987 TEI 275 (ID. Totalidade e Infinito, p. 279).

988 TEI 31 (ID. Totalidade e Infinito, p. 48). 989 TEI 24 (ID. Totalidade e Infinito, p. 41).

990 DREHER, Luís H.; OLIVEIRA, Ednilson Turozi de. Mística e Filosofia no ocidente: principais tipos e

comenta positivamente o ensaio de Jean-Luc Marion, Dieu sans l'être (Deus sem o ser)991. Comum aos dois autores é a descrição da comunicação entre o sujeito e o infinito nos parâmetros de uma relação para além da fusão, sem antropomorfizar Deus, sem regressar a Deus, ou se identificar com Ele. Para Marion mais especificamente, isso é possível no ícone992, enquanto Lévinas evita falar do infinito ou do próximo em termos de ser, em termos ontológicos, e prefere falar de ambos com o conceito do para-além-do-ser, do para-além-da-imagem-e-da-visão. Diz Lévinas: o “Infinito não poderia significar para um pensamento que busca um fim, e o ‘a-Deus’ não é uma finalidade. É, talvez, esta irredutibilidade do a-Deus (...) que o termo glória significa além do ser. (...) O a-Deus não é um processo do ser: no apelo, eu sou enviado ao outro homem pelo qual este apelo significa, ao próximo pelo qual me preocupo”.993

“A-Deus” se dirige contra a idolatria de tentar possuir tanto Deus como o próximo. Dizer, no entanto, que a arte, por exemplo, doa um rosto às coisas, não deveria “declarar uma idolatria qualquer”.994 Ao termo “idolatria” é atribuído estes sentidos: antropomorfizar e domesticar seja Deus, seja o próximo; atribuir uma característica a Deus que satisfaça somente os interesses egoístas do sujeito995. A verdadeira imagem é aquela que serve como “lição de

991 DVI 194 (ID. De Deus que vem à idéia, p. 171): “Basta-nos lembrar o profundo e sutil ensaio de Jean-Luc Marion

sobre a divindade de Deus”. Há referência à idéia de Deus para além do Ser em contraste à de Marcel na qual “Deus é o Ser”, em EN 129 (ID. Entre nós..., p. 162).

992 Veja-se: MARION, Jean-Luc. God Without Being. Trad. Thomas A. Carlson. Chicago/London: The University of

Chicago, 1995. p. 18-19, 23: “The icon opens in a face, where man’s sight envisages nothing, but goes back infinitely from the visible to the invisible by the grace of the visible itself: instead of the invisible mirror, which sent the human gaze back to itself alone and censured the invisable, the icon opens in a face that gazes at our gazes in order to summon them to its depth. (…) Visible and invisible grow together as such: their absolute distinction implies the radical commerce of their transferences. We find again, at work in the icon, the concept of distance: that union increases in the measure of distinction, and reciprocally”. Cf. TRACY, D. Response to Adriaan Peperzak. In: PEPERZAK, Adriaan T. (ed.) Ethics as First Philosophy..., p. 197: “In a similar manner Jean-Luc Marion can affirm Levinas’s understanding of ‘infinity’ (and thereby the “ethics of the face”) while also developing the religious phenomenon of the ‘icon’ (a manifestation phenomenon) dialectically in opposition to the “idol” – which is ultimately the real (and here, I affirm, entirely correct) target of Levinas’s analysis”.

993 EN 141 (ID. Entre nós..., p. 176).

994 IDEM. De l’oblitération: Entretien avec Françoise Armengaud à propôs de l’oeuvre de Sosno. Paris: Différence, 1998.

[1990.] p. 8.

995 Em Autrement qu’être ou au-delà de l’essence, o autor interroga se a questão da divindade de Deus pode ser posta

similarmente à questão da humanidade do homem. Vejam-se estas reflexões do autor: AE 124, nota n. 36: “La question de la divinité du Dieu-Un, peut-elle se poser comme se pose la question de l’humanité de l’homme? L’Un a- t-il un genre? La divinité de Dieu, peut-elle être pensée à part Dieu, comme l’être se pense à part l’étant? Tout le problème consiste précisément à se demander si Dieu se pense comme l’être ou comme au-delà. (...) Il faudra aussitôt ajouter à l’être que désigne la divinité l’adverbe suprêmement. Or, la suprématie du suprême n’est pensée dans l’être qu’à partir de Dieu”; 205: “L’acte de la conscience serait ainsi simultanéité politique, mais aussi en référence à Dieu – à un Dieu toujour renégable et en danger permanent de se muer en protecteur de tous les égoïsmes”.

desinteressamento”.996 Pensada dentro dos parâmetros do desinteressamento, “a estética, a arte, designa um domínio, ou um reino, que precede o reino de Deus e que pode me curar da minha aquisição das coisas[,] (...) da minha perseverança no ser”.997 Uma das tarefas de De Dieu qui

vient à l’idée consiste em descrever como é possível se distanciar da perseverança no ser e traçar

um itinerário filosófico para além do ser. Este itinerário inicia-se a partir da palavra profética.

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