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Simulation d’une mutation

La trajectoire de croissance de la feuille 11 du mutant (Figure 3.28 ) montre, comme dans le cas de la trajectoire r´eelle (voir la Figure1.4.2du Chapitre2 ), des dents plus pointues que

5.3.3 Simulation d’une mutation

No capítulo anterior, analisámos a estrutura do inquérito por questionário, sendo que duas das questões se debruçavam sobre as motivações inerentes a esta prática de consumo na perspetiva de utilizador de boleia e condutor. Da análise de ambas as questões, concluímos que a poupança de custos é o principal motivo para a adoção de boleias, estando alinhada com os motivos económicos defendidos por Vaquero e Calle (2013), Botsman e Rogers (2011) e Böcker e Meelen (2016) nos seus estudos. Adicionalmente, tal como Bardhi e Eckhardt (2012) concluíram no seu estudo sobre utilizadores da Zipcar, no caso da partilha de boleias entre Porto e Lisboa, 72% dos inquiridos que são utilizadores de boleias preferiam realizar a viagem no seu veículo próprio em detrimento de recorrer às boleias, reforçando que as motivações económicos são críticas para a utilização das boleias, assim como na utilização da Zipcar.

Note-se ainda que o facto dos participantes do inquérito por questionário terem viatura própria é a terceira razão mais indicada para as boleias não serem adotadas como meio de deslocação, com 45 respostas. Adicionalmente, os participantes mencionaram que gostam de ter autonomia de decisão para escolher para onde e quando querem ir, como segundo motivo com maior número de respostas para a não utilização de boleias, reforçando a importância de que um veículo próprio lhes possibilita em termos de liberdade de escolha da hora e local. Assim, apesar de Botsman e Rogers (2011) sustentarem que há uma menor associação entre a liberdade e a vontade de ter um veículo próprio, neste inquérito por questionário identificámos que a possibilidade de escolher uma hora e locais diferentes são valorizados pelos utilizadores de boleias.

Adicionalmente, o facto de as boleias permitirem conhecer e interagir com pessoas novas foi o terceiro motivo mais apontado para a partilha de boleia por condutores, com 48 respostas, e a quarta maior no caso dos utilizadores de boleias com 40 respostas, estando em linha com a importância que Vaquero e

Calle (2013) e Botsman e Rogers (2011) atribuem aos aspetos de interação social no seu estudo. Contudo, é importante referir que os participantes deste inquérito por questionário referiram que sentem insegurança ao partilhar o carro com pessoas que não conhecem ou que não lhe são próximas como o segundo motivo com maior número de respostas (54) para a não utilização de boleias. Já o terceiro motivo com maior número de respostas indicado para a não partilha de boleias consiste no facto de não agradar aos participantes a ideia de partilharem o carro com pessoas que não conhecem ou que não lhes são próximas, com 47 respostas. Estes dois motivos referidos reforçam o facto de que o desconhecimento das pessoas que partilham boleias é um fator inibidor desta prática de consumo.

Desta forma, a procura de informação sobre as pessoas que vão conduzir e sobre as pessoas que vão utilizar esta plataforma, assume também um papel relevante para que os membros do grupo do Facebook “Boleias: Porto-Lisboa ... e ... Lisboa-Porto!!” utilizem boleias. Note-se que cerca de 72,67% dos inquiridos que são condutores procuram informação sobre as pessoas que os vão acompanhar durante a viagem e cerca de 60,50% dos inquiridos, que são utilizadores de boleias, procuram informação sobre os condutores. Com esta procura de informação, procurámos perceber o grau de confiança que os membros deste grupo têm entre si. Por outro lado, os utilizadores de boleias referem como principal motivo para não aderirem às boleias, a falta de confiança nas pessoas que não conhecem na condução das viaturas, com 53 respostas, reforçando a importância que a confiança assume no carsharing. Tal como Botsman e Rogers (2011) sustentam, o sucesso das novas formas de consumo colaborativo depende muito da confiança que é estabelecida entre estranhos, bem como Buczynski (2013) sustenta.

Já a solidariedade para com outras pessoas, defendida por Vaquero e Calle (2013), não teve muita expressão nos resultados deste inquérito por questionário, onde apenas 37 inquiridos indicaram essa motivação, em 351 respostas à questão

“Quais são os principais motivos que o fizeram partilhar boleias) na sua viatura própria? Assinale apenas os dois que considera mais importantes.”.

Relativamente às evidências da predominância dos valores pós-materialistas face a valores materialistas que Inglehart (1997) identificou na sociedade dos finais do século XX, verificamos que os dados recolhidos neste estudo, no que concerne à aplicação do inquérito por questionário nos permitem aferir, entre os utilizadores de boleias do grupo em questão prevalecem os valores materialistas em detrimento dos valores pós-materialistas. Efetivamente, verifica-se uma maior predominância dos valores materialistas, pois as principais motivações indicadas para utilizar boleias se prendem com a poupança de dinheiro, rentabilização do espaço do carro, a redução do tempo das deslocações e com o facto de ser uma opção confortável. Já a solidariedade para com outras pessoas e a preocupação ambiental, relacionadas com valores pós-materialistas, apresentam uma menor representatividade nas respostas dadas.

Em última análise, o fator económico de poupança de custos surge como principal motivo para a utilização e partilha de boleias, independentemente dos critérios demográficos considerados, estando alinhado com o que Vaquero e Calle (2013), Botsman e Rogers (2011) e Böcker e Meelen (2016) defendem nos seus estudos. Por outro lado, a menor dissociação que Bostsman e Rogers (2011) sustentam existir entre a liberdade e a vontade de os utilizadores terem o seu veículo próprio é contrária aos resultados obtidos neste estudo, pois alguns utilizadores de boleias afirmam preferir gostar de escolher a hora e locais para onde querem ir. Adicionalmente, tal como Bardhi e Eckhardt (2012) concluíram no seu estudo sobre utilizadores da Zipcar, no caso da partilha de boleias entre Porto e Lisboa, a maioria dos utilizadores de boleias preferiam realizar a viagem no seu veículo próprio em detrimento de recorrer às boleias. Já o aspeto da interação social, também é valorizado pelos inquiridos, indo de encontro ao

defendido por Vaquero e Calle (2013) e Botsman e Rogers (2011) nos seus estudos. Destaca-se também a importância da confiança, referida por Botsman e Rogers (2011) e Buczynski (2013) como fator crítico para práticas de consumo colaborativo, como também se evidencia no presente estudo. Por fim, a solidariedade que surge nos estudos de Vaquero e Calle (2013) é muito residual nos resultados obtidos neste inquérito por questionário.

2. Retratos Sociológicos

2.1. Caracterização Sociodemográfica do conjunto de