O relato seguinte trata-se de uma aula idealizada por mim para uma turma de 3.º ano de escolaridade, inserida na Disciplina de Estudo do Meio. O objetivo principal foi dar a conhecer o que é um fóssil e a sua importância para o estudo da evolução da vida na Terra. Esta aula teve como duração 30 minutos.
Na educação a aprendizagem não ocorre apenas dentro do espaço físico de sala de aula. É importante que o professor promova um ensino diversificado e que, através de outras atividades e, contextos diferenciados, complementem o ensino formal. Neste sentido, o docente tem à sua disposição várias instituições não-formais, como museus, fábricas, quintas pedagógicas, entre outras, a que deve recorrer. Pombo (2006, como citado em Rato, 2016) defende que “o destino da escola é o Mundo” (p. 162) e que “todos os professores têm, fora de aula, o seu objecto de ensino” (p. 164). Considero que as deslocações fora da escola em visitas de estudo, são de extrema importância para os alunos, pois permitem-lhes terem contacto com diferentes realidades, enriquecendo-os socialmente, culturalmente, potenciando as suas aprendizagens. “Estas ações realizadas em contexto não formal são extremamente importantes para a promoção de uma aprendizagem efetiva pelos alunos e para contribuir para que estes tenham uma visão mais positiva e realista acerca da ciência” (Boaventura, 2014, p. 47).
Devido ao estado atual de pandemia gerada pela COVID-19, não é possível realizar visitas presenciais a museus, mas, no entanto, existem vários que desenvolveram ferramentas online para que a população pudesse realizar visitas virtuais. Muchacho (2005) afirma que “o museu virtual é essencialmente um museu sem fronteiras, capaz de criar um diálogo virtual com o visitante, dando-lhe uma visão dinâmica, multidisciplinar e um contacto interactivo com a colecção e com o espaço expositivo” (p. 1546). Desta maneira, dei início à aula, partilhando um Powerpoint, onde apresentei a imagem de um museu e coloquei algumas questões, como exemplo: “Alguém já visitou este museu?”, “O que mais gostaram?”, “O que será que vamos visitar hoje?”, ouvindo as opiniões. Assim sendo, e aproveitando a plataforma disponível, iniciei a visita virtual ao Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Figura 5). Encaminhei a turma à “Galeria do Átrio 2 – Memória da Politécnica – O ensino e a investigação” com o intuito de observarem os artefactos, e alguns elementos naturais expostos.
22 Após a apresentação da exposição, promovi o diálogo, realizando algumas questões: “Através do que observam, qual será o tema da nossa aula?” e “O que observam nesta parede em específico?”. De modo a abordar o conteúdo a lecionar, pedi para observarem o elemento que se encontrava legendado com o número 33 e obtive as seguintes respostas: “É uma pedra”; “É uma rocha”, de acordo com estas respostas, expliquei que não era uma rocha, mas sim, um fóssil de um animal, denominado trilobite, evidenciando o tema da aula.
Após o tema da aula ser identificado, apurei as conceções alternativas dos alunos sobre fósseis. Algumas respostas que obtive foram: “É um animal que morreu há muitos anos e foi conservado nas rochas”; “São marcas de seres muito antigos” e “São restos de seres vivos”. Antes de dar a definição correta de fóssil, e tendo por base o suporte digital, expliquei que a ciência que estuda os fósseis denomina-se de paleontologia e esta tem como objetivo entender a história da vida na Terra através dos vestígios preservados de seres vivos. Apresentei posteriormente a definição de fóssil, mostrando o exemplo de uma trilobite, relembrando o fóssil visto no museu, e dizendo que se tratavam de animais marinhos revestidos por uma carapaça. Neste seguimento, promovi outras questões tais como: “Qual a importância dos fósseis?” e “Como se formam os fósseis?”. Para elucidar, realizei uma breve explicação relativamente às questões anteriores e apresentei um vídeo alusivo à formação de um fóssil de um peixe através do processo de mineralização. Para finalizar, apresentei duas imagens de exemplares de fósseis de dinossauros –
Archaeopteryx lithographica e Lourinhanossauro – temática bastante apreciada pelos
alunos. Martins et al. (2007) defendem que “a escola básica terá sempre que veicular alguma compreensão, ainda que simplificada, de conteúdos e do processo e natureza da
Figura 5 − Imagem da exposição da Galeria do Átrio 2 – Memória da Politécnica – O ensino e a investigação
23 Ciência, bem como o desenvolvimento de uma atitude científica perante os problemas” (p. 17).
Para finalizar a aula, decidi realizar uma atividade prática, propondo à turma a elaboração de um molde de um fóssil. Para tal, pedi antecipadamente alguns elementos da natureza, como por exemplo: folhas, ramos e conchas; solicitei também plasticina, água e gesso em pó. Galvão, Reis, Freire e Oliveira (2006), reiteram que “no ensino das ciências pretende-se desenvolver ambientes de aprendizagem onde a observação, a experimentação, a previsão, a dúvida, o erro, estimulem os alunos no seu pensamento crítico e criativo” (p. 16).
Comecei por mostrar dois moldes de fósseis que tinha realizado previamente (Figura 6). Desta forma a atividade compreendia cinco etapas, nomeadamente: 1) modelar a plasticina; 2) decalcar o elemento da natureza na plasticina; 3) juntar a água e o gesso até obter uma mistura homogénea; 4) colocar o preparado no molde da plasticina; 5) aguardar 30 minutos até o gesso secar. No decorrer destas etapas, promovi o diálogo, auxiliando sempre que necessário. Foi realizada uma simulação de dois processos distintos de fossilização através do gesso e da plasticina: a moldagem externa da concha, onde foi reproduzida a morfologia externa do organismo fóssil e, a impressão da estrutura fina de uma folha.
Fazendo um balanço geral da aula, considero que o feedback foi bastante positivo, pois a turma mostrou-se entusiasmada e participativa duranta a atividade. Contudo, considero que após terminar a atividade verifiquei que existiram dificuldades na preparação do gesso, visto que não determinei as quantidades necessárias para o mesmo. Em suma, o feedback dos alunos ao professor “deve ocorrer durante o processo de aprendizagem, a fim de que as informações dadas possam ser imediatamente usadas quer pelo professor na melhoria do seu ensino, quer pelos alunos na melhoria da sua aprendizagem” (Lopes et al., 2019, p. 102). Assim sendo, o professor deve ser capaz de transmitir o seu discurso de forma clara e objetiva de modo a que as diretrizes sejam eficazes no desenvolvimento da discência.
Figura 6 – Simulação de fósseis por moldagem e impressão
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