A primeira etapa do CPIS começa em Farminhão e a referência é um centro de equitação que existe a poucos metros de distância. No seu ponto inicial, o caminho, padecia de alguma falta de sinalética (não existia nada a referir que ali é o ponto zero do CPIS), contudo, a vegetação neste troço tinha sido recen- temente cortada (maio de 2018), criando, desta forma, uma imagem aprazível no seu ponto inicial. Nesta aldeia existe um albergue que faz parte do circuito oficial de albergues promovido pelos municípios que gerem o CPIS. A dormida custa 3 euros (inclui roupa de cama, almofada e toalha), há a possibilidade de, por 5 euros, aceder a um menu completo de refeição e por 2 euros pode tomar o pequeno-almoço antes de iniciar a etapa. As instalações têm capacidade para acomodar até 12 pessoas. Este albergue é parte integrante da Estrutura Resi- dencial para Pessoas Idosas da Associação de Solidariedade Social, Recreativa e Desportiva de Farminhão e é aí que a credencial pode ser carimbada (primei- ro carimbo oficial no CPIS), aliás como em todos os albergues deste caminho. O caminho atravessa terras, florestas, aldeias e algumas estradas municipais e estava, em geral, bem sinalizado. Durante esta etapa encontram-se uma série de fontes de água potável. Depois de cerca de 19 km alcança-se à cidade de Viseu. O Albergue de Fontelo é o local de pernoita oficial, situa-se na floresta/ parque do Fontelo, no antigo parque de campismo (que é atualmente gerido pelos escuteiros de Viriato), tem capacidade para 20 pessoas e a dormida custa 3 euros. Este albergue não fornece comida (nem disponibiliza cozinha), a mel- hor opção são os restaurantes locais. Uma possível alternativa de alojamento é a Pousada da Juventude de Viseu localizada na entrada da Floresta do Fontelo e no mesmo edifício existe um multibanco (ATM) e um snack-bar. A rota passa em frente ao posto de turismo do município onde se pode carimbar a credencial, pode ser carimbada, também, pelos escuteiros no albergue. “Não foi fácil dar com o albergue, as pessoas a quem perguntava (inclusive pontos de informação públicos) indicam a Pousada da Juventude” (diário de campo a 7 de maio de 2018).
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A segunda etapa leva-nos de Viseu a Almargem e representa cerca de 17 km de distância. Metade da etapa decorre em pequenas aldeias e a outra me- tade atravessa florestas com muitos carvalhos, pinheiros e eucaliptos. Existem cerca de 3 fontes de água potável ao longo deste troço. Os últimos 2 km antes do albergue são feitos numa estrada romana que desce uma colina até à estra- da nacional 2 (N2) e depois cruza-se o rio Vouga mesmo no limite da aldeia de Almargem. O albergue oficial situa-se numa antiga escola primária que foi recuperada e transformada para hospedar os peregrinos. Nesta aldeia (Almar- gem) existe, apenas, um café e que cujos horários dependem da existência de clientela. Aí é possível fazer as refeições, mas só com reserva prévia – os pro- prietários dispõem-se a abrir o estabelecimento à hora de jantar e a servir uma refeição quente, modesta, com produtos da sua horta e em clima familiar por 7,5 euros. O preço da estadia no albergue é de 3 euros. Aquando do pagamento da estadia, ao presidente ou funcionária da Junta de Freguesia, a credencial é carimbada. “O melhor estava por vir, a cerca de 6km, em Pousa Maria, o troço segue a Via Romana – lindo!!” (diário de campo a 8 de maio de 2018).
Figura 1: Algures entre Viseu e Almargem
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A terceira etapa, de Almargem a Ribolhos, estende-se ao longo de 25 km. Este troço segue, principalmente, por florestas, atravessa pequenos riachos e cruza aldeias relativamente isoladas. Tem longas subidas (e, de igual forma, longas descidas) algumas de 5 km sempre a subir. Algumas das florestas e pai- sagens desta etapa estão marcadas pelo tom negro deixado pelos incêndios. O albergue oficial de Ribolhos é um dos melhores do CPIS, está totalmente equi- pado – é possível confecionar refeições - e ocupa metade do edifício da escola primária. Em tempo de aulas é possível desfrutar dos sons e agitação caracte- rísticos de uma escola, de crianças a brincar! O pagamento da estadia pode ser feito através de doação (sem valor mínimo). No canto da sala/cozinha, onde se podem encontrar objetos que foram deixados por outros peregrinos e onde disponibilizam uma mesa e cadeiras que convidam ao lazer, está um carimbo oficial desta rota com o qual se pode carimbar a credencial. “A aldeia é linda e remota [Cabrum – Eco-aldeia]…os trilhos nessa zona parecem mágicos” (diá- rio de campo a 9 de maio de 2018).
Figura 2: Mata de pinheiros antes da descida para Cabrum
Fonte: Fotografia captada pelo autor durante o trabalho de campo
A quarta etapa concretiza-se de Ribolhos a Bigorne e tem cerca de 21 km. É uma etapa que nos leva a bonitas aldeias, pequenas florestas e atravessa o rio Paiva e o rio Paivô. Desta forma, gradualmente, este troço vai atravessando
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típicas aldeias de montanha, à medida que vamos aumentando de altitude até atingir a Serra de Montemuro e o ponto mais elevado do CPIS (Bigorne: 1009 metros). O albergue oficial, em Bigorne, é propriedade da – sempre acolhedo- ra – Sra. Isabel e do seu irmão (um pároco local). O café e restaurante Giesta ao chegar à localidade, também lhes pertence. Ali pode-se usufruir de uma refeição típica de Montemuro. O pagamento da dormida pode ser efetuado através de doação e a refeição tem um preço adaptado ao peregrino. A Sra. Isabel, no seu café, carimba as credenciais.
Figura 3: Troço de caminho e ponte romana – CPIS em Moura Morta
Fonte: Fotografia captada pelo autor durante o trabalho de campo
A quinta etapa leva-nos de Bigorne a Lamego em cerca de 18 km. Neste troço a sinalética é bastante confusa, algumas das setas amarelas dentro das aldeias (paralelas à N2, quem desce para Lamego) são pintadas de branco e ou- tras são pouco visíveis. Segundo a versão oficial, este facto deve-se à interceção com o Caminho de Torres naquela zona do CPIS. Parte do caminho coincide com a N2 e é abrilhantado com a paisagem do vale por onde serpenteia o rio Balsemão, ladeado pela Serra das Meadas. O albergue oficial localiza-se no Complexo Desportivo de Lamego e a estadia tem um custo de 7 euros por pessoa. Para efetuar as refeições existem alguns restaurantes nas proximida-
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des. A credencial pode ser carimbada no albergue e/ou em qualquer uma das instalações associadas à diocese de Lamego.
Figura 4: Mercado ambulante nas aldeias da serra de Montemuro
Fonte: Fotografia captada pelo autor durante o trabalho de campo
Lamego - Bertelo (Santa Marta de Penaguião) é a sexta etapa e tem cerca de 23 km de extensão. Esta etapa, que maioritariamente se faz no vale do Dou- ro, atravessa o rio Douro na cidade do Peso da Régua e, depois, leva-nos até Santa Marta de Penaguião. Neste troço, são possíveis vislumbres de paisagens ímpares intimamente associadas aos rios Corgo e Aguilhão. De forma gradual, vai-se subindo até Bertelo. Ao longo destes 23 km a moldura paisagística do caminho é monopolizada pelas vinhas da região demarcada do vinho do Dou-
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Eulália da Cumieira – entidade que gere este albergue – a entrega do jantar, por um custo de 5 euros. A credencial é carimbada no próprio albergue.
De Bertelo a Vila Real, a sétima etapa oficial do CPIS, tem cerca de 11 km e a reduzida extensão transforma-se num serpentear e num sobe desce constan- te por vezes esgotante. Dentro da Cumieira há uma parte em terreno agrícola onde um muro desabou e aí constava a seta a indicar a direção certa. Portanto, é expectável – caso ainda não tenha sido resolvido – alguma confusão nesse ponto. Ao chegar aos limites do concelho de Vila Real, na aldeia de Relvas, é possível obter uma perspetiva única da grande obra de engenharia que marca a paisagem da cidade, a grande ponte da Auto Estrada nº 4 (A4). Esta etapa tam- bém utiliza a estrada nacional dois (N2) pela qual se entra na cidade de Vila Real onde se localiza o albergue oficial. A pernoita era efetuada nas instalações do Seminário diocesano de Vila Real, no entanto, segundo mencionado pela diocese de Vila Real, este encontra-se em obras. O albergue, provisoriamente, localiza-se nos Bombeiros Voluntários da Cruz Branca de Vila Real (já à saída da cidade, na zona nordeste). O preço da estadia cifra-se em 5 euros e as re-
Figura 5: CPIS na Região Demarcada do Douro
Fonte: Fotografia captada pelo autor durante o trabalho de campo
ro. O albergue oficial de Bertelo pode acomodar 14 peregrinos e o pagamento é em doação (com sugestão de um mínimo de 5 euros). Há possibilidade de solicitar à equipa de Apoio Domiciliário do Centro Social e Paroquial de Santa
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Figura 6: CPIS à chegada a Vila Real
Fonte: Fotografia captada pelo autor durante o trabalho de campo
feições podem ser tomadas nos locais de restauração espalhados pela cidade. A credencial pode ser carimbada no posto de turismo da autarquia, no albergue e, eventualmente, nalgum organismo ligado à diocese de Vila Real.
A oitava etapa é de Vila Real a Parada de Aguiar (Vila Pouca de Aguiar) com cerca de 27 km de extensão. A paisagem perde a presença constante das vinhas para dar lugar à moldura da montanha, onde grande parte do percur- so se efetua paralelamente ao rio Corgo, na antiga linha de comboio com o mesmo nome. Parte do troço efetua-se pela N2 e é recomendável a atenção redobrada devido ao tráfego automóvel. O albergue oficial é o Albergue de Santiago, em Parada de Aguiar, está totalmente equipado e é muito acolhedor. Podem ser confecionadas as refeições ou encomendar a entrega por um par de restaurantes. A aldeia apenas dispõe de um café que encerra às 20:00h. Este é outro dos melhores albergues desta rota e tem capacidade para 10 pessoas. O pagamento da estadia efetua-se como doação de valor mínimo de 5 euros. A credencial carimba-se no próprio albergue.
A nona etapa é de Parada de Aguiar até Vidago, com cerca de 23 km. De- pois de deixar a aldeia de Parada de Aguiar, o percurso retoma a antiga linha do Corgo – esta parte mais próxima de Vila Pouca de Aguiar (VPA) transfor- mada em ciclovia – esperam-nos cerca de 4 km em linha reta até VPA. A etapa tem uma parte de especial alheamento da civilização! Chegados a Pedras Sal-
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gadas é altura de contemplar o vínculo estreito desta localidade com o terma- lismo. O CPIS passa mesmo ao lado do posto de turismo de Pedras Salgadas e, por opção, pode obter um carimbo na credencial. As etapas que se efetuam no concelho de VPA evidenciaram uma boa manutenção da sinalética. Ao en- trar no concelho de Chaves - até atingir Vidago na zona do campo de golfe do Vidago Palace – há uma longa descida por caminhos rurais. Em Vidago o albergue oficial, com capacidade para 10 peregrinos, é nos Bombeiros Vo- luntários de Vidago, onde por um custo de 5 euros se passa a noite num local extremamente agradável e de gentes simpáticas e acolhedoras. A credencial é carimbada pelos bombeiros.
A décima etapa é de Vidago a Chaves com cerca de 20 km. A primeira parte do troço segue por uma estrada municipal e passa em várias aldeias e, depois, atravessa algumas zonas de floresta. À chegada a Chaves encara-se com o rio Tâmega. Tanto o albergue oficial como o alternativo, ambos mencionados nas informações disponibilizadas pelo município, não estavam a funcionar. Feliz- mente, há inúmeras opções de alojamento no centro da cidade, com preços acessíveis. A credencial pode ser carimbada no posto de turismo.
Figura 7: Antiga escola primária e agora albergue em Parada de Aguiar
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Figura 8: O CPIS na rota do termalismo
Fonte: Fotografia captada pelo autor durante o trabalho de campo
A última etapa do CPIS, liga Chaves a Verim e tem uma extensão de cerca de 29 km. Esta etapa tem a caraterística de ser transnacional, cruza a fronteira entre Portugal e Espanha (Galiza) em Vilarelho da Raia. No meu caso, optei por dividir a etapa ao meio, uma vez que há um albergue oficial em Vilarelho da Raia. À saída de Chaves, o troço percorre longas extensões de estrada e interseções viárias de algum tráfego. Após a passagem da zona industrial da ci- dade, ao entrar nas aldeias da área metropolitana, o trajeto faz-se, também, por estrada, mas estas são municipais – de menor tráfego. O albergue de Vilarelho da Raia, situa-se no Centro Social, Cultural e Desportivo de Vilarelho da Raia que, como associação, dinamiza um café da aldeia e, também, leva a cabo algu- mas atividades relacionadas com a história e cultura da própria aldeia e região de fronteira. Uma das atividades mais célebres e interessante, são as recriações do contrabando com o país vizinho, em tempos de ditadura em ambos os paí-
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ses. A dormida tem um custo de 5 euros e pode-se, ainda, com antecedên- cia encomendar alguma refeição quente. Restam cerca de 14 km até Verim, efetuados por entre aldeias da Raia e percebe-se que a chegada está próxima quando se avista – com alguma nitidez – o Castelo de Monterrei. À entrada de
Fonte: Fotografia captada pelo autor durante o trabalho de campo Figura 9: Chegada à cidade de Chaves
Figura 10: Algures na Galiza quase a chegar a Verim
Fonte: Fotografia captada pelo autor du- rante o trabalho de campo
Verim, depois de Cabreiroá, as setas ou sinalética desaparecem, há que procurar o albergue Casa do Escudo, que fica per- to do rio Tâmega no centro da cidade. A dormida fica por 5 euros e aí pode ser carimbada a credencial.