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9. WORKED EXAMPLES FOR SPECIAL PROCEDURES

9.2. Shielding calculations

Indicar estratégias para minimizar o estresse e ansiedade pré-compe- titiva não é uma tarefa fácil. Além do mais, a emoção é uma combinação complexa de inter-relações que envolve aspecto psicológico (i.e., processos cognitivos), fi siológico (i.e. nível de ativação, controle autonômico) e o social (i.e. relações sociais) (HACKFORT, 1993). Por este motivo optou-se por apresentar evidências científi cas, bem como estratégias que vêm sendo adotadas pelos diversos profi ssionais que militam nesta área multifacetada.

Conforme apresentado no início deste capítulo, as respostas às si- tuações de estresse parecem ter relação com a qualidade de recursos físicos, técnicos, táticos e/ou psicológicos que o atleta tem (STENANELLO, 2007), e neste sentido a experiência prévia é um fator minimizador destes transtor- nos no meio esportivo (OLIVEIRA-SILVA et al., 2018), daí a importância da iniciação esportiva e competitiva dos atletas ser desenvolvida de maneira leve, gradativa e confortável (FOLLE et al., 2015), desta forma o atleta vai gradativamente evoluindo e se empoderando de recursos físicos, técnicos, táticos e psicológicos.

Os técnicos e familiares precisam ter ciências que as cobranças exer- cem infl uência no desenvolvimento da criança, podendo trazer consequên- cias negativas (WEIS et al., 2011). Vale destacar que apesar de não existir uma idade mínima para o início da exposição do jovem nas disputas espor- tivas ofi ciais, acredita-se de maneira genérica, que as mesmas não devessem ocorrer antes dos 12 anos (ROBERTS, 1980; MALINA, 1988) quando o foco central for o desempenho.

Entretanto, é nesta tenra idade que a criança pode adquirir o gosto pelo esporte (GARCIA, 2000), e neste sentido a motivação exercida pelo profi ssional mediador é fundamental, e certamente quando bem orientado

Capítulo 7 – Estresse e ansiedade pré-competitiva

terá prazer em aprender novas habilidades, e consequentemente vivenciará uma sensação de competência e autonomia que tende a refl etir na futura vida esportiva (KORSAKAS, 2002).

Durante o período de preparação do atleta para a vida esportiva, é importante proporcionar experiências variadas e gradativamente elevar o nível das disputas (NOGUEIRA, 2013). Esta é uma dica de ouro para os treinadores e familiares, pois estudos apontam que boa parte dos atletas tendem a desistir da carreira desportiva, antes mesmo de começar efetiva- mente, em função do esgotamento físico e psicológico advindos das co- branças dos adultos, sejam eles técnicos e/ou familiares (WEIS et al., 2011; CHIMINAZZO & MONTAGNER, 2004; RÉ et al., 2004).

Ademais a preparação física e técnica, encontra-se na literatura di- versos estudos que demonstram que a respiração exerce um papel chave que pode atuar minimizando a ansiedade e o estresse (MIKOSCH et al., 2010). Isso se dá porque o sistema autonômico é responsável por regular as funções vitais, em detrimento do nosso ciclo circadiano, bem como das mais diferentes situações (PAUL & GARG, 2012), e esta busca automática por regulação atribuímos o nome de homeostase.

Para podermos situar no tempo e entender a quanto tempo isso nos intriga, o termo “homeostase” foi defi nido por Walter Cannon, pesquisador americano que atuava na Universidade de Harvard, e a exatos noventa anos nos informou que a manutenção da estabilidade do meio interno é defi - nida como homeostase (CANNON, 1929). De lá para cá muitos avanços vieram e hoje temos algumas evidências que podem auxiliar a minimizar o problema.

Existe uma inter-relação entre os sistemas orgânicos (PAUL; GARG, 2012), um exemplo clássico se dá com a frequência cardíaca, a qual varia de acordo com a frequência da respiração e vice-versa (HAOUZI & BELL, 2009). Este controle autonômico característico neste exemplo, apresenta regularmente uma predominância parassimpática sobre o coração, e con- sequentemente a frequência cardíaca e a respiração (vice-versa). Quando é necessária maior circulação, é desencadeia uma reação, denominada de ativação simpática, que por sua vez provoca aumento da frequência cardíaca e respiratória (SILVERTHORN, 2017). A ansiedade está associada a uma maior atividade simpática (FU et al., 2018).

Com base nestas informações, podemos concluir que para minimizar a atividade simpática, teoricamente teremos que minimizar a frequência cardíaca e respiratória, e consequentemente minimizar a ansiedade. Para desenvolver esta tarefa, encontra-se na literatura técnicas respiratórias que auxiliam neste procedimento. De maneira prática é necessário dobrar o

tempo da ação expiratória (i.e. 6-10 seg) em relação a inspiratória (i.e. 3-5 seg). A reatividade deste procedimento pode ter implicações importantes sobre o estresse e ansiedade (TONHAJZEROVA et al., 2016).

Técnicas respiratórias do Yoga também podem ser bastante úteis para os desportistas (SATHYANARAYANAN et al., 2019), e necessitam ser estu- dadas com mais afi nco para que possa ser extraído os benefícios necessários para minimizar o estresse e a ansiedade dos atletas.

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