8. WORKED EXAMPLE OF A BRACHYTHERAPY
8.4. Calculation methods
Ante as considerações anteriores, nota-se que a capacidade aeróbia apresenta maior predomínio durante a prova de orientação, todavia, o me- tabolismo anaeróbio também deve ser considerado (ROLF et al. 1997).
A contribuição anaeróbica para o esforço das corridas de orientação tem sido comprovada através dos níveis elevados de ácido láctico durante provas, especialmente durante subidas e orientação em terreno acidentado.
Desse modo, os fatores ambientas infl uenciam fatores biomecânicos, uma vez que a mecânica da corrida muda em função do tipo de terreno. Portanto, para que consiga correr em alta intensidade, o orientista necessita de maior força muscular de membros inferiores e maior angulação de fl exão do joelho que outros corredores de longa distância. Exigência necessária para que ocorra uma adaptação biomecânica da corrida em várias superfícies
(ÇINAR-MEDENI et al. 2016). Embora exista uma relação entre força muscular e desempenho na orientação, mais estudos são necessários para elucidar essa relação.
Ocorre que durante a prova, os músculos geram contrações excêntri- cas que resultam em maior dano tecidual, e concêntricas devido a alternân- cia de terreno (COLAKOGLU et al. 2016). Além disso, a capacidade de correr rapidamente em várias superfícies é fator determinante na orientação (HÉBERT-LOSIER et al. 2014), visto que, uma vez identifi cado um ponto de controle o orientista geralmente realiza um sprint, de maneira a chegar rapidamente até o objetivo. De fato, a Orientação quando comparada a outros esportes de endurance tende a se diferenciar devido a modulação dos componentes anaeróbicos que ocorrem em várias etapas do percurso (RANNUCI et al. 1986).
Em um interessante trabalho, Larsson et al. (2002) verifi caram re- lação entre um alto limiar anaeróbico e poucos erros de orientação, bom tempo de prova e alta velocidade de corrida, concluindo portanto estas variáveis como melhores preditores de desempenho.
Moser et al. (1995) conduziram um estudo com orientistas noruegue- ses a fi m de investigar as contribuições relativas dos processos aeróbicos e anaeróbicos, observaram então que a orientação ocorre no limiar anaeróbico ou ligeiramente acima. Gjerset et al. (1997), em estudo similar verifi caram que a orientação ocorre no limiar anaeróbio com enormes demandas aeróbi- cas e acima do limiar, corroborando com os achados de Moser et al. (1995). Outra explanação importante que mostra alta exigência do com- ponente anaeróbico foi verifi cada por Johansson et al. (1990). O estudo apontou que o aumento do cortisol e a magnitude do consumo de glicogê- nio durante o percurso refl etem as altas demandas de produção muscular. Recentemente, Hébert-Losier et al. (2014) investigaram a potência muscular de saltos e encontraram fortes correlações com a velocidade de sprint e força pico, além de moderadas correlações com a economia de corrida e VO2pico em orientistas de elite.
Como visto anteriormente, os terrenos irregulares exigem dos atletas rápidas mudanças de direção e saltos sobre os obstáculos. Sendo assim, a capacidade do orientista em armazenar e liberar energia elástica de forma efi caz e aumentar os níveis de força e potência muscular contribui signifi - cativamente para o desempenho bem-sucedido.
Capítulo 6 – A Orientação no Brasil: aspectos históricos e fi siológicos
Em suma, sugere-se que orientistas de elite não devem ser atletas de resistência puros. É (toquei vírgula por ponto) necessário considerar as contribuições advindas do metabolismo anaeróbio e por isso o treinamen- to físico também deve contemplar intensidades abaixo e acima do limiar anaeróbio.
O componente físico é o elemento chave no desempenho de um atleta de orientação, assim como a capacidade de navegação. A proporção com que estas capacidades se apresentam no decorrer da prova devem ser levadas em consideração no momento de defi nir as estratégias de treina- mento, de modo que uma não prejudique a outra e contribua fortemente para o sucesso no desempenho da Orientação.
Conclusão
Considerado um Esporte moderno e transdisciplinar, a Orientação tem possibilitado ao praticante o desenvolvimento intelectual e a prática saudável da atividade física junto a natureza. Originalmente desenvolvida e restrita ao âmbito militar, a mesma vem expandindo-se também no meio civil, principalmente, no ambiente escolar, tornando-se importante para com a inclusão social. Pelos seus aspectos de possibilidades transversais e interdisciplinares, a Orientação tem se apresentado com uma ferramenta pedagógica efi caz para a efetivação da práxis e da aproximação da realidade através de uma atividade lúdica, podendo ainda ser competitiva e que traba- lha o físico e a mente com a pretensão de auxiliar na superação justamente da fragmentação do conhecimento.
Este capítulo é dedicado aos 40 anos do Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE) e aos 20 anos da Confederação Brasileira de Orientação referenciando-se aspectos históricos e fi siológicos relevantes desta modalidade, de suma importância para o desenvolvimento social.
Agradecimentos
Agradeço a CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ORIENTAÇÃO, a FEDERAÇÃO PARANAENSE DE ORIENTAÇÃO e ao CLUBE DE ORIENTAÇÃO LOBO BRAVO pelas informações e contribuições biblio- gráfi cas relevantes.
Especial agradecimento ao 2o Sargento do Ministério do Exército, pro-
fessor de Educação Física e atleta de Orientação, ODILON PENTEADO JUNIOR, pela acentuada ajuda para com este capítulo, assim como para o desenvolvimento da Orientação no Brasil. Igualmente, a MAYARA
MACIEL BATISTA, professora de Educação Física, discente do Programa de Pós-Graduação em Educação Física (PPGEDF), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e integrante do Grupo em Mecânica e Energética do Movimento Humano (MEMH) da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO), pelo relevante apoio acadêmico, principalmente na abor- dagem fi siológica.
Muito obrigado!
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