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SF1  does  not  interact  with  SF3a120-­‐SURP2

2.   Results  I:  Analysis  of  SF1-­‐interacting  proteins

2.3.   Additional  experiments

2.3.2.   Results

2.3.2.1.   SF1  does  not  interact  with  SF3a120-­‐SURP2

Apesar de considerado um tema recente, a questão da Responsabilidade Social tem seus primórdios ainda no século XIX. Segundo Hood (1998, apud Ashley, 2002), naquele século, nos Estados Unidos e na Europa a Ética e a Responsabilidade Social já eram aceitas como doutrina. Note-se que era a época em que a prerrogativa de conduzir negócios de forma corporativa cabia ao Estado e não se consubstanciava como um interesse econômico privado. Nesse tempo, segundo o autor, era comum que os governantes expedissem alvarás para as corporações de capital aberto que prometessem benefícios públicos, que, no caso, referiam-se, por exemplo, à colonização e exploração do “Novo Mundo”.

A abordagem clássica a respeito da Responsabilidade Social das grandes empresas, porém, estabeleceu-se somente a partir de 1899, quando Andrew Carnegie, fundador do conglomerado U.S. Steel Corporation, publicou um livro intitulado “O Evangelho da Riqueza”, que demonstrava a sua visão, de

claro cunho religioso, baseada nos princípios da caridade e da custódia. Essa visão tinha ainda caráter amplamente paternalista e, em linhas gerais, defendia que os membros mais afortunados da sociedade assumissem o papel de guardiões e protetores dos menos afortunados. Esses conceitos, ainda nas décadas de 1950 e 1960, eram amplamente aceitos nas empresas americanas, que aceitavam, cada vez mais, que o poder – consubstanciado pelo dinheiro – trazia responsabilidades.

Segundo Stoner e Freeman (1985), novas idéias a respeito do tema surgem a partir de um novo conceito de Responsabilidade Social proposto por H.R. Bowen em 1953. Esse conceito colocava as empresas como um reflexo dos objetivos e valores da sociedade. Assim, elas deveriam adotar posicionamentos que viessem atender a esses objetivos e deixavam de ser as responsáveis pela manutenção e proteção da sociedade. Mas Stoner e Freeman lembram que a evolução das discussões a respeito dos conceitos da Responsabilidade Social levaram ao surgimento de outras vertentes, que defendiam posicionamento oposto. Foi um período em que diversos estudiosos passaram a defender que caberia ao governo e às entidades organizadas da sociedade o suprimento das necessidades comunitárias através de ações organizadas. Segundo essa vertente, cabia às empresas somente preocupar- se em atender aos interesses de seus acionistas. Era uma linha de pensamento defendida por Milton Friedman, que era claro a respeito:

Há uma, e apenas uma, responsabilidade social das empresas: usar seus recursos e sua energia em atividades destinadas a aumentar seus lucros, contanto que obedeçam às regras do jogo (...) participem de uma competição aberta e livre, sem enganos e fraudes (...). (FRIEDMAN, apud STONER e FREEMAN, 1985, p. 73).

Já Ashley (2002) lembra que a partir de diversas discussões que passaram a se verificar a partir da Grande Depressão americana e da Segunda Guerra Mundial, começou-se a questionar o papel das organizações diante de seus acionistas. A partir daí, os defensores da ética e da responsabilidade social corporativa passaram a argumentar que se a filantropia era uma ação legítima da corporação, outras ações nesse sentido também o seriam, como o

caso do abandono de linhas de produtos lucrativas mas que fossem nocivas ao ambiente natural ou social.

Visto até aqui de maneira ainda superficial, o processo de surgimento do ideário da Responsabilidade Social Empresarial, principalmente no Brasil, merece um estudo mais detido. Nesse aspecto, abordagem ampla é feita por Neto e Froes (2001), que lembram que no início do processo está o estabelecimento da chamada “ética do dinheiro”, baseada na dualidade “dinheiro-consumo” e que passou, nas últimas décadas, a regular a vida da sociedade. No processo de exacerbação da competitividade, o poder e o dinheiro passam a ser os “objetivos preferenciais” dos agentes econômicos, “que se digladiam numa competição sem fim” (NETO e FROES, 2001, p.14). Em resumo, tudo gira em torno do mercado, a partir do estabelecimento do fenômeno da globalização.

A partir do recrudescimento desse cenário, a globalização deu origem a novos processos hegemônicos, em que a dominação fica entregue a “atores hegemônicos” difusos aos olhos das pessoas, como as empresas globais, os organismos internacionais ou as grandes corporações financeiras. Implanta-se então a nova ética, que tem como elementos principais o imaginário da técnica, a ética da competitividade e do consumo e a exaltação do mercado. A conseqüência é relatada pelos autores:

O que na verdade ocorre, é um verdadeiro desmonte do social através de diversos processos-chave: a banalização dos problemas sociais, a quebra da solidariedade social, a generalização da violência, a ampliação do medo e do desamparo, a exacerbação das desigualdades, o agravamento do empobrecimento e a contaminação do caráter das pessoas. É quando a ética do dinheiro transforma-se em ‘ética da irresponsabilidade social’. (NETO e FROES, 2001, p. 14).

Segundo eles, a solução lógica para deter esse processo é a construção de uma nova ética, que possa atenuar a “perversidade sistêmica difundida pela ética do dinheiro” (p. 14). É, segundo os autores, nesse contexto que começa a se difundir no mundo “a nova ética da responsabilidade social”, que tem como principais características, definidas por Milton Santos (2000, apud Neto e Froes, 2001, p. 14) e citadas por eles:

b) revigoramento do debate civilizatório; c) resgate da cidadania;

d) glorificação do associativismo, da cooperação, da solidariedade social; e) restauração da relação entre os setores da vida social; e

f) restauração do domínio da territorialidade.

A Figura 13 a seguir faz a comparação entre as duas éticas e deixa evidentes as diferenças e a evolução desse processo:

Ética do dinheiro (irresponsabilidade social)

Nova ética social (responsabilidade social) Promove individualismos

Ênfase na competição e competitividade Prevalece o discurso único do mercado Banalização dos problemas sociais Adoção de comportamentos anti-éticos Gera alienação

Deterioração do trabalho

Contaminação do caráter das pessoas Ampliação das desigualdades

Promove o associativismo Ênfase na solidariedade Prevalece o debate civilizatório Priorização dos problemas sociais Adoção de comportamentos éticos Gera participação

Enobrecimento e revigoramento do trabalho

Exaltação do caráter das pessoas Redução das desigualdades

Figura 13: Éticas da responsabilidade e da irresponsabilidade social. Fonte: Neto e Froes (2001, p16).

Neto e Froes (2001) registram ainda o relato do processo de passagem do que chamam de “responsabilidade social comunitária” para a “responsabilidade social corporativa” ocorrido no Brasil. Esse processo se inicia entre o final da década de 70 e início da década de 80, com a redemocratização do país e a volta à ativa de diversas entidades lastreadas nos movimentos sociais que começavam a se organizar. Justamente pelo ambiente de efervescência política, esses movimentos, ainda que se dedicassem a “causas sociais”, dirigiam suas ações com cunho explicitamente

político. Enfatizavam o voluntariado social desses movimentos em uma luta contra o Estado, enraizados em conflitos “do tipo direita x esquerda”. A essa ética da responsabilidade social comunitária sucedeu a responsabilidade social corporativa, que não busca o confronto ideológico e não se baseia nos conflitos entre a sociedade civil e o Estado, mas tem como objetivo “desenvolver a sociedade e a comunidade a partir de novas inserções e parcerias envolvendo outros agentes, tais como: as empresas, ONG’s, entidades filantrópicas, associações comunitárias e o próprio Estado” (NETO e FROES, 2001, p. 21).

As diferenças entre ambas ficam claras na Figura 14 a seguir:

Responsabilidade Social Comunitária

Responsabilidade Social Corporativa

Predomínio da ética da solidariedade Predomínio da ética da cidadania

empresarial

Foco nos direitos humanos Foco nos direitos humanos, sociais,

culturais e políticos

Ênfase na legitimação social comunitária Ênfase na legitimação social empresarial

Reforço dos movimentos e grupos sociais populares

Reforço das organizações não- governamentais e associações comunitárias

Ênfase na busca de soluções para os problemas relacionados à dinâmica social

Ênfase na busca de soluções para os problemas relacionados à dinâmica empresa-comunidade contemplando as vertentes interna e externa

Figura 14: As diferenças entre responsabilidade social comunitária e responsabilidade social corporativa.

Fonte: Neto e Froes (2001, p20).