3. PARAMETERS INDICATING EARTHQUAKE MOTION INTENSITY AND
3.2. SESMIC INTENSITY SCALES
3.2.4. Seismic intensity scale specialized for nuclear power plant structures, systems and
As tabelas A.1 e A.2 em Apêndice exibem, respectivamente, todos os países e os anos que sofreram crises bancárias, crises cambiais e crises da dívida soberana, no período 1970 – 2011, e a quantidade de crises cambiais, bancárias e da dívida soberana em cada ano, em todos os países, para o período de 1970 – 2011.
As crises cambiais são definidas por Laeven e Valencia (2013), assim como Frankel e Rose (1996), como uma depreciação nominal da moeda do país em relação ao dólar americano de pelo menos 30%, que é no mínimo 10% mais elevada do que a taxa de depreciação do ano anterior. São identificadas, para os 157 países da amostra e para o período 1970 – 2011, 211 crises cambiais.
As crises bancárias são definidas por Laeven e Valencia (2013) como eventos que cumprem duas condições: i) sinais significativos de dificuldades financeiras no sistema bancário (indicados por corridas bancárias significativas, perdas no sistema bancário e/ou liquidações bancárias); e ii) políticas governamentais significativas de intervenção no sistema bancário em resposta a perdas significativas no sistema bancário. O ano da crise sistêmica é o primeiro ano em que os dois critérios ocorrem simultaneamente. Foram identificadas, de acordo com essa abordagem, 147 ocorrências de crises bancárias para o total de países.
As crises da dívida soberana, por fim, são definidas por Laeven e Valencia (2013) como eventos de default da dívida soberana em relação aos credores privados. São identificados, para o total da amostra e período, 66 episódios de crises da dívida soberana.
Os gráficos 3.11, 3.12 e 3.13 apresentam, respectivamente, os ciclos de crise da dívida cambial, crise bancária e crise da dívida soberana, isto é, o número de crises cambial, bancária e da dívida que são iniciadas em um determinado ano. É possível observar, como Laeven e Valencia (2013) e Reinhart e Rogoff (2009), que as crises ocorrem em ondas.
Os gráficos exibem um aumento acentuado na atividade de crises cambiais, crises bancárias e crises da dívida soberana no início dos anos 1980. Durante a década de 1990, para as crises cambiais e bancárias, houve três agrupamentos de crises nas economias de transição, na América Latina durante a crise do México, e no Leste Asiático durante a
crise financeira asiática. A década de 2000 foi um período relativamente estável, até a crise financeira de 2008, que concentrou um número recorde de crises bancárias desde 1970. Para as crises da dívida soberana, as maiores incidências ficaram concentradas na década de 1980, que foi seguida por um período relativamente tranquilo na década seguinte, e um aumento no início da década de 2000.
Laeven e Valencia (2012), Reinhart e Kaminsky (1999) e Rogoff (2011) observam que é comum que crises bancárias precedam crises cambiais e crises da dívida soberana, e Laeven e Valencia (2012) apresentam que crises cambiais e principalmente crises da dívida tendem a seguir crises bancárias, como é possível ver na tabela 3.1, por exemplo, em alguns países como Argentina, Chile, República Dominicana, Suécia, Ucrânia e Zâmbia.
Gráfico 3.11: Ciclos de Crises Cambiais
Fonte: Laeven e Valencia (2012).
Gráfico 3.12: Ciclos de Crises Bancárias
0 5 10 15 20 25 30
Fonte: Laeven e Valencia (2012).
Gráfico 3.13: Ciclos de Crise da Dívida Soberana
Fonte: Laeven e Valencia (2012).
3.5 Considerações Finais
De maneira geral, os desequilíbrios globais são usualmente definidos como os déficits persistentes e significativos em transações correntes de alguns países, principalmente os EUA, que se igualam aos grandes superávits em conta corrente de vários outros países, principalmente das economias asiáticas.
0 5 10 15 20 25 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Contudo, o presente capítulo teve como objetivo ir além deste conceito, atentando para a importância de se considerar indicadores alternativos de desequilíbrios globais, que envolvam outros fatores relevantes, como os desequilíbrios globais de liquidez e o excesso de elasticidade financeira do SMeFI.
Na primeira seção foram apresentados o conceito dos desequilíbrios globais e os indicadores que apresentam: a soma em valor absoluto dos saldos em transações correntes de todos os países do mundo e esta soma em relação ao PIB mundial; as discrepâncias entre países e regiões em relação aos saldos em transações correntes; e o índice de dispersão dos desequilíbrios globais. É possível perceber: o aumento significativo dos saldos em transações correntes ao longo dos anos mais recentes; os déficits dos EUA e os superávits dos países da Ásia emergente e em desenvolvimento; a queda no índice de dispersão dos déficits em transações correntes, concentrados principalmente nos EUA; e um aumento no índice de dispersão do lado superavitário.
Na segunda seção foram apresentados indicadores alternativos aos saldos em transações correntes. A análise de indicadores alternativos aos saldos em transações correntes revela que, embora estes saldos sejam importantes, é importante que foco seja redirecionado para se compreender melhor não só o padrão atual dos desequilíbrios globais, mas também sua relação com a ocorrência de crises financeiras. O índice de cobertura de liquidez proposto por Gourinchas (2011), Reservas – Ouro/ M2, expõe a existência de desequilíbrios globais de liquidez: para os países emergentes e o Japão, esta taxa aumentou significativamente ao longo dos anos, enquanto que para os EUA e a área do euro, esta taxa diminuiu ou se manteve bastante baixa ao longo dos anos.
Gourinchas (2011) afirma que uma baixa taxa de cobertura, isto é, um aumento nos desequilíbrios globais de liquidez, como acontece nos EUA e área do euro, tenderia a aumentar a probabilidade de ocorrência de crises financeiras. Por fim, a análise dos dados acerca das crises cambial, bancária e da dívida soberana revela um aumento acentuado na atividade dessas crises no início dos anos 1980.
CAPÍTULO 4
DESEQUILÍBRIOS GLOBAIS E CRISES FINANCEIRAS: UMA INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA
4.1 Introdução
O objetivo desse trabalho é realizar uma investigação empírica acerca das relações entre desequilíbrios globais e probabilidade de ocorrência de crises financeiras - cambial, bancária e da dívida soberana. Os trabalhos empíricos que analisam a relação entre desequilíbrios globais e crises financeiras são relativamente escassos, não apresentam um consenso no que diz respeito a esta relação e não incluem medidas alternativas de desequilíbrios globais que extrapolem a visão convencional dos saldos em transações correntes como principal e único indicador desses desequilíbrios.
São utilizados dados para 157 países avançados e países emergentes e em desenvolvimento durante o período 1970 a 2011 e são estimados modelos não lineares de dados em painel. O trabalho contribui para a literatura em 4 dimensões: i) utiliza ampla amostra de países com dados durante um longo período; ii) estima modelos não lineares para a probabilidade de ocorrência de crises cambiais, crises bancárias e crises da dívida; iii) utiliza métodos distintos para estimar os modelos não lineares; iv) inclui um indicador alternativo de desequilíbrios globais até então inédito para tratar dessa relação, o índice de cobertura de liquidez, que mede os desequilíbrios globais de liquidez.
Os resultados encontrados indicam que há uma relação estatisticamente significativa entre desequilíbrios globais e crises cambiais, crises bancárias e crises da dívida soberana: foram encontradas evidências de que maiores déficits em transações correntes em relação ao PIB e maiores desequilíbrios globais de liquidez aumentam a probabilidade de ocorrência de crises financeiras.
O capítulo está divido em cinco seções, incluindo esta introdução e as considerações finais. Na seção 4.2 realiza-se uma revisão da literatura empírica acerca da relação entre desequilíbrios globais e crises financeiras. A seção 2.3 aborda os procedimentos metodológicos. A seção 2.4 expõe os resultados dos testes econométricos.