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Considerations on manual shutdown vs. automatic seismic trip systems

2. SEISMIC INSTRUMENTATION FOR DURING- AND AFTER-EARTHQUAKE

2.4. AUTOMATIC SEISMIC TRIP SYSTEMS

2.4.2. Considerations on manual shutdown vs. automatic seismic trip systems

A próxima hipótese acerca dos desequilíbrios globais a ser apresentada é de dark matter, que, assim como a hipótese BWII, afirma não haver a necessidade de correção dos desequilíbrios globais. Hausmann e Sturzenegger (2005) questionam a suposição de que os EUA estejam de fato acumulando grandes déficits em transações correntes e questionam também os dados oficiais sobre esses saldos.

Hausmann e Sturzenegger (2005, p. 3) argumentam que, se de fato os ativos dos EUA oferecem um rendimento inferior ao dos ativos externos mantidos pelos EUA, e os investidores são livres para escolher em quais países e ativos investir, não haveria porque continuarem investindo no país:

Why are US investors abroad so much smarter than foreign investors in the US? After all, are global portfolio investors not free to buy any assets they want? Why would foreigners consistently pick worse assets than American investors? Finally, isn’t there something misleading about calling a country that makes money on its financial position the world’s largest debtor?

Deve haver, portanto, algum erro no processo de contabilização das transações correntes que não consegue capturar as exportações norte-americanas de reputação, como os valores de marca de empresas importantes, como Disney e Coca Cola, e a reputação do governo do país em preservar o valor de suas dívidas. A diferença entre a estimação oficial e aquela supostamente existente, porém não mensurada, é chamada de dark matter, que são ativos cuja existência é reconhecida, uma vez que geram receitas, mas que não podem ser vistos ou medidos de forma precisa. O termo dark matter é usado na física para se referir a uma matéria que não pode ser vista, mas que interage gravitacionalmente com a matéria visível. Para Hausmann e Sturzenegger (2005), os EUA possuíam cerca de 3,1 trilhões de dólares em ativos externos líquidos não reconhecidos oficialmente.

Hausmann e Sturzenegger (2006a) argumentam que os saldos em transações correntes medem erroneamente a evolução real dos ativos externos líquidos de um país, devido a dois erros de mensuração: os investimentos diretos externos são medidos de forma errônea e a troca de serviços de seguros ou de liquidez entre os países não é contabilizada. Dessa forma, é preciso estimar os ativos externos líquidos por meio da capitalização dos fluxos de serviços e estimar os saldos em transações correntes a partir das mudanças nos ativos externos contabilizados. A diferença entre essa forma de se medir os ativos externos líquidos e a forma convencional é chamada pelos autores de dark matter. Hausmann e Sturzenegger (2006b) definem os ativos de dark matter como o valor capitalizado do privilégio de retorno obtido pelos ativos dos EUA.

Hausmann e Sturzenegger (2006a) propõem que o valor dos ativos sejam medidos com base em seus retornos, de modo que se um ativo oferece um retorno maior que outro ativo, ele vale mais, mesmo que historicamente o custo dos dois ativos tenha sido o mesmo. Os autores citam três fatores responsáveis pelo diferencial de retorno dos ativos e passivos dos EUA e, portanto, pela acumulação de dark matter. O primeiro é o diferencial de retorno dos IDEs do país no exterior, que são superiores em relação aos demais países. Isso acontece porque, embora os investidores de IDE comprem ativos para investir, eles também levam consigo uma planta, um produto e um know-how cujos valores são subestimados. Esses serviços de know-how têm o efeito de tornar os investimentos mais produtivos, mas são fracamente contabilizadas pela categoria de IED.

O segundo canal de acumulação de dark matter tem suas origens na estabilidade econômica dos EUA, que faz com que o país possa vender parte de sua estabilidade aos demais países como uma venda de um seguro, por meio da oferta de títulos do tesouro. Em outras palavras, os EUA emprestam ao resto do mundo a uma taxa de juros inferior àquela que recebe por seus investimentos no exterior, e esta diferença – prêmio de seguro – se mantém porque o mundo está disposto a continuar trocando ativos seguros – títulos do tesouro norte-americano –, por ativos arriscados – ativos de mercados emergentes. Assim, “the US is a net provider of knowledge, liquidity and insurance. As the world became more global financially, the increasing asset value of these services underlies the spectacular increase in dark matter over the last two decades” (HAUSMANN E STURZENEGGER, 2005, p. 5). À medida que o país mantém uma estabilidade superior às dos demais países, o diferencial de retorno de seus títulos deve se manter ou até mesmo aumentar.

Por fim, a última fonte de dark matter estaria relacionada à oferta de serviços de liquidez, vendidos a agentes de todo o mundo por meio do dólar ou de retornos mais baixos nos mercados financeiros altamente líquidos. Esses serviços de liquidez fornecidos pelos EUA são mal contabilizados, uma vez que os EUA podem imprimir esses dólares ou emitir esses títulos para comprar ativos que oferecem um retorno maior. Assim, os EUA estariam exportando dark matter sob a forma de serviços de liquidez, e ganhando com o diferencial de retorno. Hausmann e Sturzenegger (2006a, p. 14) concluem que “this concept which involves both seignorage and a negative premium on the dollar- denominated reserve assets constitutes an unmeasured provision of liquidity services which our accounting method would capture as dark matter”.

Esta hipótese sustenta, portanto, que os EUA têm a capacidade de incorrer em déficits persistentes devido à superioridade de seus retornos sobre os investimentos. A existência desses retornos atípicos faz com que o atual resultado das transações correntes do país seja sustentável e que não haja motivos para preocupação.

De acordo com essa visão, portanto, a renda gerada pela posição financeira de um país seria uma boa medida do valor real de seus ativos. Quando estes ativos são mensurados de forma correta, os EUA mudam para a posição de credor líquido, e não de devedor líquido. Além disso, Hausmann e Sturzenegger (2005) afirmam que a posição de ativos externos líquidos do país tem se mantido estável por um longo período.

Hausmann e Sturzenegger (2005, p. 9) concluem que:

Globalization has made the flows of dark matter a very significant part of the story and the traditional measures of current account balances paint a very distorted picture of reality. In particular, it points towards imbalances that are not really there, making analysts predict crises that, for good reason, remain elusive.

Algumas críticas se apresentam a essa teoria: observa-se que os pagamentos de juros líquidos sobre as securities nas quais os investidores externos investem desproporcionalmente têm sido deprimidas artificialmente pelos baixos níveis de taxas de juros; ademais, não seria correto tomar os dados oficiais de renda líquida do exterior como corretos quando se questiona a precisão dos dados oficiais das transações correntes (EICHENGREEN, 2006).

Mas, para Eichengreen (2006), a crítica principal a esta hipótese se baseia no fato de que, de acordo com esta teoria, investidores externos consideram seus investimentos nos EUA

como um ativo que irá oferecer um maior rendimento no futuro e, portanto, maiores ganhos de capitais. Contudo, Eichengreen (2006, p. 9) argumenta que

If this is the case, then perhaps the new economy view is right. But, if so, the dark matter view must be wrong. U.S. net income from abroad remains positive only because the high future returns on foreign investment in the United States have not yet materialized. As soon as they do, the value of U.S. net liabilities to foreigners will rise sharply. So will U.S. net income payments, assuming that foreigners begin to repatriate some of the associated income gains once their investments have paid off. Once the capital gains have occurred, the incentive for foreign investors to take more such positions will be less, since the likelihood of further gains will have diminished. The dollar will have to depreciate in order to crowd in U.S. exports, not just sufficiently to offset the decline in capital inflows but now also to service the more expensive net external debt.

Portanto, Eichengreen (2006) argumenta que a afirmação da hipótese de dark matter de que o atual arranjo monetário seria sustentável é, portanto, contraditória com esta própria hipótese, uma vez que o fato de os investidores externos considerarem seus investimentos nos EUA como uma fonte de maior rendimento e maiores ganhos de capitais no futuro é condizente com a visão da nova economia, o que implica, derradeiramente, na depreciação do dólar e na diminuição dos fluxos de capitais para o país, invalidando a hipótese de dark matter.