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Important considerations for automatic seismic trip systems

2. SEISMIC INSTRUMENTATION FOR DURING- AND AFTER-EARTHQUAKE

2.4. AUTOMATIC SEISMIC TRIP SYSTEMS

2.4.4. Important considerations for automatic seismic trip systems

A Hipótese de Global Saving Glut, formulada por Bernanke (2005), explica que o excesso de poupança nos países asiáticos de mercado emergente, fruto do aumento da poupança e da queda dos investimentos após a crise financeira, é o principal fator responsável pelos déficits em transações correntes dos EUA.

A presente hipótese a respeito das origens dos desequilíbrios globais atribui um papel passivo à economia norte-americana em relação aos seus déficits em transações correntes, e explica esses déficits a partir de uma perspectiva global que envolve o aumento da oferta de poupança no resto do mundo. Há distorções nos mercados financeiros dos países menos desenvolvidos que os tornam incapazes de canalizar e alocar domesticamente o capital de poupadores para tomadores de empréstimos. Bernanke (2005, p. 1) explica sua hipótese:

My answers will be somewhat unconventional in that I will take issue with the common view that the recent deterioration in the U.S. current account primarily reflects economic policies and other economic developments within the United States itself. Although domestic developments have certainly played a role, I will argue that a satisfying explanation of the recent upward climb of the U.S. current account deficit requires a global perspective that more fully takes into account events outside the United States. To be more specific, I will argue that over the past decade a combination of diverse forces has created a significant increase in the global supply of saving - a global saving glut - which helps to explain both the increase in the U.S. current account deficit and the relatively low level of long-term real interest rates in the world today.

Assim, para Bernanke (2005), a falta de mercados financeiros abertos e desenvolvidos força os países com excesso de poupança a demandarem intermediação financeira de mercados financeiros mais bem desenvolvidos, como o dos EUA. A solução para este problema viria no longo prazo, conforme os países em desenvolvimento fortalecessem seus mercados financeiros e solucionassem esse problema de poupança excessiva. Três fatores explicam a origem do problema de excesso global de poupança. A primeira fonte deste excesso envolve as questões demográficas de países industrializados que, por sofrerem crescentes aumentos nas taxas de aposentadoria em relação ao número de trabalhadores conforme a população desses países envelhece, possuem fortes razões para poupar. Com a força de trabalho em declínio ou em baixa taxa de crescimento e as taxas de capital por trabalho já em níveis altos – fatores que fazem com que a produtividade marginal do capital seja baixa –, vários países desenvolvidos sofrem também de escassez de oportunidades de investimentos domésticos. A soma de altas taxas de poupança com baixos retornos de investimentos domésticos resulta em um superávit nas transações correntes desses países e no empréstimo dos mesmos ao exterior. Contudo, este fator não é, conforme Bernanke (2005) salienta, a fonte principal ou mais importante dos excessos de poupança das últimas décadas.

O segundo fator apontado por Bernanke (2005) como relevante – porém não o de maior relevância – para o surgimento do excesso de poupança global seria o aumento acentuado no preço do petróleo. Este aumento de preço proporcionou aos países exportadores de petróleo um aumento em suas receitas, acompanhado pelos consequentes superávits em transações correntes nesses países, tais como países do Oriente Médio, Rússia, Venezuela e Nigéria.

Por fim, o terceiro e principal fator apontado por Bernanke (2005) são as estratégias de defesa dos países em desenvolvimento contra crises financeiras e a estratégia de crescimento liderado pelas exportações. A fonte mais importante do aumento da

poupança global seria, portanto, a transformação dos países em desenvolvimento de tomadores líquidos de empréstimos no mercado internacional de capitais em fornecedores líquidos de recursos nesse mercado.

A causa principal desta mudança nas posições em transações correntes desses países seriam as crises financeiras pelas quais estes países passaram. Até meados de 1990, os países em desenvolvimento eram, em grande maioria, importadores líquidos de capital externo. Bernanke (2005, p. 5) observa que, em muitos casos, este capital externo não era usado de maneira produtiva: sistemas bancários mal desenvolvidos, por exemplo, eram incapazes de aplicar estes recursos nas oportunidades de investimentos que ofereciam os maiores retornos. Desta forma, “loss of lender confidence, together with other factors such as overvalued fixed exchange rates and debt that was both short-term and denominated in foreign currencies, ultimately culminated in painful financial crises”. As consequências trazidas por estas crises financeiras envolveram a saída abrupta de capitais, depreciação cambial, quedas nos preços dos ativos domésticos, sistemas bancários enfraquecidos e recessão.

A reação dos países em desenvolvimento diante do cenário de crises econômicas envolveu mudar a estratégia em relação aos fluxos internacionais de capitais; assim, vários países passaram a ser exportadores líquidos desses capitais, e não mais importadores líquidos. Bernanke (2005) observa que alguns desses países se tornaram, inclusive, exportadores de quantias substanciais de capitais: economias asiáticas, como Coréia, Tailândia e China, passaram a acumular grandes reservas internacionais, mesmo após terem relaxado as restrições aos fluxos de capitais, o que culminou em uma mudança no saldo em transações correntes desses países.

Bernanke (2005) denomina a estratégia de acumulação de reservas como mecanismo de defesa desses países contra a saída abrupta de capitais e a ocorrência de possíveis crises futuras de “war chests”. Há ainda uma estratégia adicional adotada pelos países asiáticos que também envolve a acumulação de reservas internacionais: essas reservas também são usadas em intervenções cambiais, cujo objetivo é promover o crescimento liderado pelas exportações por meio da desvalorização cambial.

Bernanke (2005, p. 6) explica que:

in practice, these countries increased reserves through the expedient of issuing debt to their citizens, thereby mobilizing domestic saving, and then using the proceeds to buy U.S. Treasury securities and other assets. Effectively, governments have acted as financial intermediaries,

channeling domestic saving away from local uses and into international capital markets.

Portanto, a hipótese de excesso global de poupança atribui a estas estratégias adotadas pelas economias em desenvolvimento diante das crises financeiras pelas quais passaram a responsabilidade pela evolução do déficit em transações correntes dos EUA. Quanto ao porquê de a economia norte-americana ter sido desproporcionalmente afetada por estes fatores externos a ela em relação aos demais países desenvolvidos, a explicação fornecida por Bernanke (2005) apresenta as seguintes causas: a sofisticação e o nível de desenvolvimento do mercado financeiro do país; o boom tecnológico dos anos 1990, que aumentou atratividade do país como destino de investimento; e o status especial de moeda-reserva internacional do país, que serve também como referência nas principais transações das economias em desenvolvimento.

A acumulação de poupança global e a mudança dos saldos em transações correntes por parte dos países em desenvolvimento proporcionou aos mesmos, de acordo com Bernanke (2005), vários benefícios: suas dívidas externas foram diminuídas, suas moedas estabilizadas e a probabilidade de ocorrência de crises financeiras foi reduzida, de modo que a mudança de status dessas economias, pelo menos como um paliativo de curto-prazo, foi bem-sucedida. Já no longo prazo, segundo o autor, a continuação do atual padrão do fluxo internacional de capitais seria ineficaz.

Ao analisar as soluções para o déficit em transações correntes dos EUA, Bernanke (2005) sugere tanto medidas internas ao país – que, embora ajudem a diminuir o déficit, não solucionam o problema de fato – quanto medidas externas – estas sim mais efetivas, uma vez que o diagnóstico fornecido pelo autor aponta fatores externos como sendo a causa principal desse déficit.

Assim, embora mudanças orçamentárias de curto prazo na economia norte-americana possam causar apenas pequenos efeitos sobre o déficit em transações correntes do país, elas ainda assim são importantes, uma vez que atuariam no sentido de diminuir este déficit. Além disso, uma diminuição dos gastos do governo diminuiria as obrigações referentes às dívidas que deverão ser pagas no futuro pelos contribuintes.

Outra medida interna que ajudaria a diminuir o déficit em transações correntes do país, ainda que timidamente, seria a adoção de políticas econômicas que incentivem o aumento da poupança doméstica do país. O aumento da poupança do país estimularia maior produtividade e criação de renda e deixaria o país com mais recursos no futuro.

A solução de maior efeito, contudo, tem seu foco nas economias em desenvolvimento, que deveriam ser encorajadas e assistidas a fortalecer suas instituições financeiras, por meio, como exemplifica Bernanke (2005), de melhorias na regulamentação bancária e na supervisão e do aumento da transparência fiscal. Estas medidas teriam o efeito de diminuir a probabilidade de ocorrência de crises financeiras, incentivar os países em desenvolvimento a serem mais amigáveis com os capitais externos, e de incentivar investimentos vindos do exterior.

Bernanke (2005) observa que os países em desenvolvimento poderiam atrair mais investimentos ao aumentar a estabilidade macroeconômica, garantir os direitos de propriedade, diminuir a corrupção, e permitir o livre fluxo de capitais. Isso faria com que os mesmos retornassem aos mercados internacionais de capitais como devedores, e não como credores. Além disso, esses países deveriam também permitir taxas de câmbios mais flexíveis, o que diminuiria o ritmo de suas acumulações de reservas. Estas soluções, contudo, só seriam eficazes de maneira gradual, sendo incapazes de causar uma reversão rápida na atual situação dos desequilíbrios globais.

Para Chinn (2013), o principal aspecto positivo desta teoria é a combinação de um déficit crescente em transações correntes dos EUA e a vigência de baixas taxas de juros reais mundiais. Contudo, o autor observa que a hipótese dos déficits gêmeos e a hipótese de global saving glut não são mutuamente excludentes. A figura 2.1 mostra, por meio de um simples modelo de macroeconomia aberta, como é possível que ambas existam simultaneamente, por meio de gráficos que ilustram os EUA e o Leste Asiático. A poupança nacional, SN, é função da política fiscal, da demografia e da taxa de juros real. O investimento é função da taxa de juros real e de outros fatores. Neste modelo, os desequilíbrios em transações correntes entre os EUA e os países asiáticos se anulam.

No período 0, a taxa de juros real é 𝑟0, e os EUA incorrem em um déficit em transações correntes, enquanto o Leste Asiático incorre em um superávit correspondente em transações correntes. No período 1, os EUA adotam uma política fiscal expansionista que desloca a curva SN para a esquerda. Neste mesmo período, devido a uma crise financeira, por exemplo, a curva de investimento nos países asiáticos se desloca para a esquerda. Estes eventos causam uma diminuição na taxa de juros real mundial para 𝑟1. Desta forma, este modelo possibilita explicar o aumento nos déficits em transações correntes nos EUA, os superávits em transações correntes nas economias asiáticas e a queda nas taxas de juros mundiais tanto pelo aumento dos gastos dos EUA quanto pela diminuição do investimento na Ásia. Vale ressaltar, contudo, que na ausência do aumento dos gastos do

governo norte-americano, o déficit em transações correntes do país teria sido significativamente inferior (CHINN, 2013).

Figura 2.1: Poupança Nacional, Investimentos e Saldo em Transações Correntes

𝑆𝑁𝐿𝐴 𝑆𝑁 𝑆𝑁𝐸𝑈𝐴 𝐸𝑈𝐴1 𝐼𝐸𝑈𝐴 𝐼𝐿𝐴 𝑅𝐿𝐴 𝑅𝐸𝑈𝐴 𝑅0 𝑅1 𝐶𝐴1𝐿𝐴> 0 𝐶𝐴1𝐸𝑈𝐴 > 1

Fonte: Elaboração própria a partir de Chinn (2013).

2.2.6 A Hipótese de Assimetrias Globais de Crescimento e Desenvolvimento