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Ricoeur interroga-se se Eric Weil, ao pretender elevar à dignidade de categorias a obra e o finito, não tornou mais difícil o seu próprio projecto de coerência. "A questão é saber que coerência está ainda disponível quando deixamos o discurso único e absolutamente coerente do Absoluto e aceitamos atravessar o discurso incoerente da Obra e do Finito" 34

G. Kircher, por seu turno, considera que é o lógico, e só ele, que, nesta atitude, consegue discernir a categoria.

Isto permite ao discurso abrir-se de novo, recomeçar, olhando-se do ponto de vista do seu outro, da violência, que a filosofia deve certamente compreender, assumindo assim a ideia de absoluto, mas sem lhe reduzir a novidade, sem esquecer que esta alteridade radical impede que o discurso se feche na sua própria coerência. Esta exigência de abertura é bem reconhecida pela categoria

do finito.

Assim, segundo este autor, para Weil, não se trata de escolher entre o sistema e a abertura, entre o absoluto e o finito; trata-se antes de resolver a antinomia articulando as duas possibilidades; "recusando ao mesmo tempo o retorno ao absoluto e a renúncia do finito, a Lógica da Filosofia evita escolher discursos em relação aos quais entende, pelo

contrário, pensar na sua articulação, recebendo a dupla herança."

Emerge, então, a nova categoria da acção como uma categoria de síntese sempre em curso, nunca acabada, mas de síntese prática, que não é somente teoria ou poiesis, mas praxis, obra-discurso, discurso-obra.

- Da razão filosófica à razão pedagógica Atitudes e Categorias

À categoria do finito sucede, na Lógica da Filosofia, uma última categoria, a da acção, que não se satisfaz com a do finito porque o reconhecimento do facto da finitude não significa nem a renúncia à compreensão do mundo e do homem segundo a ordem do discurso coerente, nem renúncia à acção, quer dizer à transformação, à educação deste mundo e do homem segundo esse mesmo discurso coerente.

A atitude / categoria da acção tenta pensar e realizar a síntese da finitude e da razão, sabendo que uma e outra são irredutíveis. Na acção, o homem encontra a unidade da vida e do discurso. Não a unidade no discurso único, porque o homem é essencialmente razão. Não a unidade no sentimento único da vida, porque o homem não é pura finitude largada num mundo, mas a unidade do pensamento e da acção.

Neste contexto, Ricoeur questiona a contribuição desta categoria para a coerência seguida pela Lógica da Filosofia. Partindo do enunciado da categoria - "Revelando a condição humana, a finitude revela-se ela própria como simples discurso ao homem que se opõe à violência do ponto de vista da violência: este homem age sobre a realidade na sua totalidade, para a submeter ao seu discurso" 38 - Ricoeur sublinha duas vertentes no

discurso do homem da acção:

Primeira vertente: a oposição à violência do ponto de vista da violência. Esta primeira vertente só diz respeito ao discurso coerente através da segunda: agir sobre a realidade na sua totalidade, para a submeter ao discurso. Coloquemos um momento entre parêntesis a condição «para a submeter ao discurso» - ela relançará imediatamente a dificuldade em manter o projecto de coerência até ao fim. E coloquemos o acento sobre: «agir sobre a realidade na sua totalidade». E claro que é a transferência para a acção do horizonte de totalidade do discurso absoluto que preserva a continuidade do discurso categorial.

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Segundo este autor, o que interessa a Weil é o carácter recapitulativo da acção em relação a todas as outras categorias. O discurso coerente que abandonou o absoluto entende tornar coerente a realidade, quer dizer, ser uma prática racional e totalizante do ponto de vista do que entrou em ruptura com o discurso único e absolutamente coerente.

O homem passou da finitude a uma outra atitude que exige precisamente o que é impossível tanto do ponto de vista da finitude como do Absoluto. Nem um acto nem uma razão, mas a acção, uma via que seja coerente, uma razão total que possa guiar a vida.

Considera Ricoeur que a acção não é racional se não integrar a revolta, se o absurdo não desaparecer, se o niilismo não for praticamente ultrapassado, para que se possa falar da "unificação do discurso pela acção e na acção" . Para o mesmo autor, tudo isto só faz agravar o problema da continuação do discurso coerente, problema agravado quando relançado pela categoria da acção:

Não remetemos para a Acção as pretensões que tomamos por insustentáveis no discurso coerente? Agir sobre a realidade na sua totalidade não é um projecto que a passagem pelo Finito desmantelou antecipadamente? A Acção terá mais hipótese que o Absoluto de reconciliar o Absoluto «humano» e a particularidade? Tudo o que se espera da ideia de reconciliação não è então

remetido para o futuro, numa utopia sem fim, como no Projecto kantiano de Paz perpétua? E, supondo que a acção sensata possa ter este efeito totalizante e recapitulativo, em que é que ela é discurso?

Todas estas interrogações levantam ainda a questão de saber a que discurso o homem vai submeter a realidade na sua totalidade: se ao discurso do homem da acção, se ao do filósofo, dando acesso, segundo Ricoeur, ao que considera ser o último enigma da Lógica da Filosofia:

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sobre a necessidade, para o próprio projecto de discurso coerente, de juntar à Acção as duas últimas categorias de Sentido e de Sabedoria./...] Com testemunho da declaração espantosa [de Weil] segundo a qual «a categoria-atitude da acção é a mais elevada à qual o homem pode chegar no seu discurso [...] Não existe atitude depois da acção» [...]É necessário compreender o que é que Sentido e Sabedoria acrescentam à Acção. Acrescentam sem acrescentar.

Acerca da categoria do sentido, Eric Weil afirma que, se existe uma categoria para além da acção, ela só pode ser "uma categoria que não serve para compreender tudo, mas que funda a filosofia por si mesma [...] O sentido é, assim, a categoria que constitui a filosofia".44

Na passagem da acção ao sentido, o que é decisivo é, então, a compreensão da filosofia elaborada pela Lógica da Filosofia, "não como necessidade, mas como possibilidade; não como ontológico, mas como (antropo)-lógico do discurso; não como

discurso de Deus, mas como discurso do homem livre na situação".

A sabedoria, como o sentido, é, para a filosofia "uma categoria formal que só se mostra, enquanto categoria, ao filósofo; não uma categoria filosófica, mas uma categoria constitutiva da filosofia".

Para Ricoeur, as duas categorias não fazem mais do que reflectir o estatuto categorial da acção, quer dizer, a transferência do discurso do homem da acção para o campo categorial do discurso filosófico. No sentido, a acção é compreendida filosoficamente como unidade da vida e do discurso, unidade do discurso coerente com a revolta. O que era discurso implícito, mas pleno, da acção, tornou-se discurso explícito, mas vazio, do sentido; "é pela forma vazia do sentido que se mantém e se efectua o

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projecto de discurso coerente [...] Este vazio é o preço a pagar pela coerência. É a dura condição do discurso filosófico depois da Acção."

Mas Paul Ricoeur considera que esta passagem pelo vazio é essencial para compreender e situar a última categoria: sabedoria.

Se a Sabedoria acrescenta qualquer coisa, não só à acção, mas ao sentido, não será isto um grau suplementar de formalismo: uma espécie de sentido do sentido? [...] O que faz da Sabedoria - não do sábio - uma categoria - e a última - é que ela relança a circularidade do sistema categorial.

Há, assim, segundo este autor, dois sentidos para a sabedoria no discurso weiliano: "Por um lado, ultrapassagem somente formal da acção, logo esvaziamento do

discurso depois da acção [...] por outro lado, retorno ao ponto de partida, à categoria da verdade..."

Na sequência desta análise crítica, só uma coerência regressiva, de re-leitura pode salvar a coerência da Lógica da Filosofia, já que ela não pode ser preservada se seguir somente a ordem progressiva das categorias, uma vez que, como afirma Weil, "a passagem de uma categoria à seguinte é livre e «incompreensível» [...] Toda a passagem é escandalosa para o que é ultrapassado".50 Neste sentido, comenta Ricoeur:

A violência está também no discurso. A própria progressão do discurso é violenta. A única coerência possível é, por conseguinte, uma coerência recorrente [...] Coerência recorrente aberta ela própria a muitas interpretações, compreendidas entre os dois extremos de uma composição sinfónica, que deixará atitudes e categorias coexistir pacificamente sem se abolirem mutuamente - ou ordem linear que não deixa lugar a nenhuma alternativa.

Parece a Ricoeur que a aposta de Weil se situa mais perto do segundo polo, terminando a sua análise com as próprias palavras do filósofo:

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A única introdução ao sistema encontra-se no seu fim e consiste na justificação da escolha que foi feita no princípio. Ela confunde-se com a prova da circularidade. Isso implica que todo o livro filosófico só é verdadeiramente compreensível à segunda leitura, já que a primeira «ideia» só é pensada, quer dizer completamente desenvolvida e assim compreensível, com a última, já que só então se dissipa a aparência de uma primeira e de uma última ideia. 52

E conclui que o que Weil afirma de todo o grande livro filosófico é também verdade relativamente ao seu.

Labarrièrre vai também levantar algumas questões ao discurso weiliano. Para este autor, atitudes e categorias são, antes de mais, realidades da história. A filosofia perderia todo o sentido para Eric Weil, segundo Labarrière, se ela viesse a construir apenas um mundo de ideias, já que o filósofo é um indivíduo do seu tempo, que vive o mesmo destino do homem comum, que se debate com problemas morais, políticos, culturais, e que se compromete.

Assim, para nós, é a violência que constitui a cruz do nosso pensamento, não porque tenhamos escolhido interessarmo-nos por ela, mas porque, ao contrário, foi ela, se tal posso dizer, que antes se mostrou interessada em nós. Eric Weil

subscreveria sem dificuldade o aforismo de Hegel «Não poderás ser melhor do que o permitido pelas condicionantes do teu tempo, mas, nessas condições, serás

c'y o melhor que puderes».

O que está primeiro é, portanto, a situação histórica, ou antes, é a atitude prática que o homem toma nessa situação da história, a forma como reage às solicitações ou provocações a que está sujeito, embora a atitude weiliana não seja, segundo este autor, um dado à priori fornecido pela história, comum a todos os homens de uma mesma época. Ela não é o que se impõe ao homem no plano dos acontecimentos exteriores, estando antes ao

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lado do que eles suscitam em nós; acontecimentos esses que nem têm nenhum poder de determinação, já que é apenas a liberdade individual que conta quando se trata de definir como pode o homem reagir no mundo.

Épor isso que a atitude não se desenvolve em nenhum momento sem a categoria, quer dizer, sem o risco de uma palavra, de uma linguagem, de um discurso, que assumem a situação ao nível de uma totalidade inteligível e comunicável. Atitudes e categorias apelam-se assim umas às outras; e, mesmo se as suas velocidades de evolução não são idênticas - é a razão pela qual, justamente, há história, e não uma simples temporalidade descontínua - elas não são nunca, na situação humana, uma sem a outra.

O que permite o movimento entre atitudes e categorias e vice-versa é a retoma, noção básica da lógica weiliana. Podemos dizer que a retoma é a compreensão de uma atitude (ou categoria) nova sob uma categoria precedente, compreensão realizada nessa e por essa atitude anterior. É através da retoma que a atitude se torna categoria.

Esta noção pode ser considerada, segundo Labarrière, "a melhor ou a pior das coisas". A melhor, porque assegura a "cobertura" das atitudes e das categorias, dando sentido a uma certa permanência das segundas quando as primeiras se modificam, permitindo a constituição da memória do mundo e fazendo com que não se percam o essencial e a substância dos acontecimentos, das situações e das reacções do homem. Mas a pior, também, porque o movimento pode aqui petrificar-se, quando o atraso estrutural da inteligência se recusa a aceitar a novidade do mundo: "então, de facto, o indivíduo «retoma» toda a nova figura nos esquemas antigos, reduz o outro ao mesmo e impõe às coisas uma grelha de leitura: fenómeno que chamaríamos de «recuperação» de uma novidade por um sistema instalado".55 Labarrière acentua que a expressão atraso estrutural

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Assim, no melhor dos casos, atitudes e categorias, sob a égide de uma retoma que, fielmente, as medeia, trocam as suas determinantes, e desenham dessa forma o curso de uma história, desenvolvendo-se segundo um sentido. Mas, questiona Labarrière:

Quererá isto dizer que cada figura do mundo corresponde, tomando em consideração o seu movimento relativo, a uma só atitude e a uma só categoria? Isso só seria possível se não estivesse sempre em jogo a essencial liberdade de

leitura e da realização das coisas ou das palavras.

É, então, a liberdade que permite ao homem, em todas as situações da história, tomar uma pluralidade de atitudes e de as universalizar numa pluralidade de categorias.

Analisando a passagem das atitudes às categorias pela retoma, assim como a sucessão das atitudes / categorias, sucessão fundada sobre a liberdade, Labarrière constata que todas as categorias da Lógica da Filosofia, desde a Verdade à Sabedoria, são com-possíveis ("com-possibles"), no sentido de a sua sucessão não ser uma sucessão da história. Ora, é neste ponto que Labarrière encontra outra inconsistência no discurso weiliano:

Se é verdade que as atitudes e categorias da inteligência e da acção - da filosofia e da violência - são, efectivamente, com-possíveis, ainda que simultaneamente incompatíveis para um mesmo indivíduo, pelo menos sob as suas formas pura e abstractas, é necessário falar aqui do fim do discurso f.JEric Weil convida, em definitivo, o homem da razão e o homem da acção a ultrapassarem-se um ao outro - a superarem-se - nas duas últimas atitudes / categorias, a do Sentido e a da Sabedoria.

Labarrière sustenta que Weil não responde claramente à questão de saber o que representam estas duas últimas categorias, em particular a da Sabedoria, e que é necessário procurar a razão no facto de o seu discurso acabar por se tornar num outro exterior a si

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próprio, uma vez que Weil afirma que a acção é a última categoria do discurso. Mas, se a intemporalidade na qual ele se finda é lógica, então a Lógica da Filosofia deixa "escapar do seu domínio uma atitude e uma categoria muito concretas - a Sabedoria, termo do Sentido - não se vislumbrando como ela poderá, privada desta estruturação, continuar

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ainda a existir como figura de história."

Assim, para Labarrière, na categoria da Sabedoria, Weil escapa (e não pode deixar de escapar) ao "processo de coerência que ele tão dificilmente elaborou [...] Eric Weil é obrigado a dizer que a Sabedoria permanece coisa do tempo; no entanto, todo o movimento do seu pensamento condu-lo - e ele di-lo também - a apresentá-la como uma realidade fora do tempo...".

Labarrière encontra, deste modo, o que considera ser fracturante no discurso de Eric Weil: violência e sabedoria serem, ao mesmo tempo, interiores e exteriores ao processo que Weil traça, referindo ainda que "a explicação se encontra no oculto arrependimento de um movimento escolhido para se afirmar como absoluto, e que se

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apercebe bruscamente que o não pode ser sem renunciar a si próprio . Mas é o mesmo Labarrière que afirma:

Se Eric Weil nos toca, é justamente porque ele não é somente um lógico ou, para ser mais preciso, porque a sua lógica correctamente preenchida acaba por reportar-se em definitivo ao lugar onde o "moralista", no sentido mais nobre deste termo, é chamado a pronunciar-se sobre o sentido.

A Lógica da Filosofia pretende trazer à luz a unidade do discurso humano, mas esta unidade não conduz nunca à redução da dualidade essencial ao discurso, dualidade que Weil designa como dualidade da verdade e da liberdade, fora da qual só existe silêncio. A

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sua filosofia continua filosofar, acto de liberdade, que se pode fechar sobre si mesmo na verdade do seu discurso, mas que pode também abrir-se de novo ao sentido dessa verdade.

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1 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 70 2 Idem, p. 71

3 Gilbert Kircher in "Les Figures de la subjectivité dans la Logique de la Philosophie d'Eric Weil" -

Archives de Philosophie 59, p. 610

4 Idem P-609

5 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 71 6 Idem, p. 147

7 A. Wiel in "Comptes Rendus" - Archives de Philosophie 53, p. 683

8 Pierre-Jean Labarrière - "Après Weil, Avec Weil - Une lecture de Gilbert Kirscher" in Archives de

Philosophie 53, p. 664

9 Gilbert Kircher - "Les Figures de la subjectivité dans la Logique de la Philosophie d'Eric Weil" in

Archives de Philosophie 59, p. 611-612

10 Jean Michel Buée in "Comptes Rendus" - Revue Philosophique de Louvain, Tome 87, Quatrième Série, N° 76, p. 658-659

11 Idem, p. 659

12 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 110

13 Jean Michel Buée in "Comptes Rendus" - Revue Philosophique de Louvain, Tome 87, Quatrième Série, N° 76, p.659-660

14 Gilbert Kircher cit. por Labarrière in "Après Weil, Avec Weil - Une lecture de Gilbert Kirscher" -

Archives de Philosophie 53, p. 667

15 Gilbert Kircher in "Les Figures de la subjectivité dans la Logique de la Philosophie d'Eric Weil" -

Archives de Philosophie 59, p. 613

16 Jean Michel Buée in "Comptes Rendus" - Revue Philosophique de Louvain, Tome 87, Quatrième Série, N° 76, p. 660

17 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 168-169

18 Jean Michel Buée in "Comptes Rendus" - Revue Philosophique de Louvain, Tome 87, Quatrième Série, N° 76, p. 660

19 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 210

20 Gilbert Kircher - "Les Figures de la subjectivité dans la Logique de la Philosophie d'Eric Weil" in

Archives de Philosophie 59, p. 620

21 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 266 22 Idem, p. 290

23 Idem, p. 303 24 Idem, p. 313 25 Ibid

26 Eric Weil cit. por Paul Ricoeur in Lectures Autour du Politique, p. 116 27 Paul Ricoeur - Lectures Autour du Politique, p. 116

, ., . _ . . Atitudes e Categorias - Da razão filosófica a razão pedagógica

28 Idem,p. 118 29 Ibid

30 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 345 31 Idem, p. 363, 365

32 Idem, p. 385, 394

33 Paul Ricoeur - Lectures Autour du Politique, p. 120-121 34 Idem, p. 123

35 Jean Michel Buée in "Comptes Rendus" - Revue Philosophique de Louvain, Tome 87, Quatrième Série, N° 76, p. 660

36 Idem, p. 661

37 Gilbert Kircher - "Les Figures de la subjectivité dans la Logique de la Philosophie d'Eric Weil" in

Archives de Philosophie 59, p. 627

38 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p.393 39 Paul Ricoeur - Lectures Autour du Politique, p. 123

40 Eric Weil cit. por Paul Ricoeur in Lectures Autour du Politique, p. 123 41 Idem, p. 124

42 Ibid 43 Idem, p. 125

44 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 419-430

45 M. Perine - Philosophie et Violence - Sens et Intention de la Philosophie à! Eric Weil, p. 212-213 46 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 434

47 Paul Ricoeur - Lectures Autour du Politique, p. 127 48 Idem, p. 128-129

49 Idem, p. 129

50 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p 345-346 51 Paul Ricoeur - Lectures Autour du Politique, p. 130

52 Eric Weil cit. por Paul Ricoeur in Lectures Autour du Politique, p. 130 53 Labarrière - Le Discours de L Altérité - Une logique de I 'experience, p. 93 54 Idem, p. 93-94 55 Idem, p. 94 56 Ibid 57 Idem, p. 95 58 Ibid 59 Idem, p. 96 60 Ibid

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