• Aucun résultat trouvé

An example Phase 1 internet

Dans le document About This Guide (Page 70-75)

Uma vez que a razão é constitutiva da própria humanidade do homem, de qualquer homem e de todos, "o principal dever (do homem moral) é respeitar a razão em todo o ser humano e respeitá-la em si mesmo respeitando-a nos outros".8 E isso significa,

em primeiro lugar, que deve abster-se de violentar quem quer que seja. "Ele não pode esquecer as consequências dos seus actos [...] não tem direito de querer aquelas, por

exemplo, que transformariam outros homens em coisas."

Para Eric Weil, existe uma estrutura do discurso que nunca coincide com ele, já que este é inesgotável. Há, assim, qualquer coisa definitivamente irredutível ao homem e que não é a razão mas que está na sua origem, uma realidade que limita o domínio de toda a universalização possível, porque ela é "a negação universal e absoluta do Universal e do Absoluto." Esta realidade é a Violência. Por isso, como a razão não existe fora da violência, há que enfrentá-la.

Toda a filosofia de Eric Weil é uma enorme meditação sobre esta dualidade da existência humana que mostra as suas possibilidades extremas - Filosofia (a busca de um

- Da razão filosófica à razão pedagoga O Homem como Razão - o Homem como Violência

discurso coerente para a realidade total) e Violência, sendo que ambas estão intimamente ligadas e que uma não se pode compreender sem a outra:

compreender como pode a razão reencontrar dentro de si mesma a exterioridade radical da violência e da razão - exterioridade essa que Hegel pensa ter superado, que Kant descobre como um facto incontornável, para reflectir

10

sempre.

A violência é, na perspectiva do autor, o não razoável irredutível ao discurso, é a recusa, definitiva e sem apelo, da autoridade da razão, e não uma arma ao serviço da razão ou instrumento da sua manha.

Razão e Violência são os contrários fundamentais da existência humana e só se separam, para o homem, depois da sua opção pela razão; por isso, ao filósofo não lhe interessa o indivíduo que conhece as possibilidades do discurso absolutamente coerente, mas o homem que, conhecendo-as, o recusa.

O homem pode assim escolher entre razão e não-razão, o que parece uma escolha livre mas não-racional, ou seja, do ponto de vista do discurso absolutamente coerente, uma escolha absurda. A liberdade não se confunde com o discurso da razão. Antes da razão, a humanidade exige a precedência ontológica da liberdade.

Se, para Hegel, a liberdade se confunde com o discurso da razão, Weil enfoca a possibilidade de existir a liberdade de dizer tanto não como sim ao discurso e à razão. O discurso não é o destino da liberdade. A recusa da razão é a outra possibilidade íntima da liberdade. A escolha da filosofia, por seu turno, não é

mais do que uma possibilidade face a outra. A esta outra, Weil chama violência Violência e razão têm a mesma origem: a liberdade.

A razão e a violência, a filosofia e o seu outro têm a mesma origem: a liberdade. A liberdade é, de facto, o verdadeiro princípio antropológico como princípio pré-racional.

Violência e Educação Análise da Problemática Filosófica da Violência em Eric Weil

- Da razão filosófica à razão pedagógica O Homem como Razão - o Homem como Violência

Assim, não é somente a liberdade que define o homem, mas também a violência, porque é original e irredutível. Este é o único estatuto que permitirá a coerência da escolha primordial entre a filosofia (expressão suprema da razão) e a violência. Tal escolha também não tem justificação, já que, para tal, era necessário um discurso anterior a outro para a justificar.

A natureza do homem é designada por dois termos diferentes: razão e liberdade. O homem, enquanto visa a universalidade, é racional; enquanto é capaz de universalidade, é liberdade; sendo capaz de razão, mas não sendo razão, é também capaz de optar contra a universalidade e a razão.

Neste sentido, pode dizer-se que o homem é liberdade indeterminada e sempre determinando-se: a liberdade pode aceitar como pode recusar a violência; pode colocar-se do lado da animalidade, da mesma forma que pode afastar-se dela. "A liberdade escolhe entre a razão e a violência". n Assim, para Eric Weil, o problema fundamental da filosofia

já não é a oposição entre discursos - já que, se assim fosse, o discurso absolutamente coerente teria absolutamente razão e o homem, qualquer que ele fosse, realizá-lo-ia sempre totalmente ou em parte - mas a oposição entre a filosofia consciente de si mesma e a atitude do homem que, embora conhecendo-a, a recusa.

Daqui se conclui que o homem não é essencialmente discurso e razão, mas somente capaz de razão, o que significa uma possibilidade do homem, sendo que a outra é a violência.

A razão é uma possibilidade do homem: possibilidade, isto designa o que o homem pode, e o homem pode certamente ser racional, pelo menos querer ser racional. Mas isto é apenas uma possibilidade, não é uma necessidade, e é a possibilidade de um ser que possui pelo menos uma outra. Sabemos que esta

Violência e Educação Análise da Problemática Filosófica da Violência em Eric Weil

- Da razão filosófica à razão pedagóg.oa O Homem como Razão - o Homem como Violência

Mas a violência não é apenas a outra possibilidade do homem, ela é a possibilidade realizada em primeiro lugar.

É evidente que o discurso absolutamente coerente é importante do ponto de vista do filósofo, que fala no interior de um discurso não violento, mas não para o homem comum, para quem ele é apenas uma possibilidade entre outras, uma vez que para si, a ideia de coerência absoluta não tem sentido. Assim, aquele que escolheu o discurso racional contra a violência pode esbarrar na violência do homem que não aceita esse discurso e que "procura o contentamento lutando pelo seu próprio discurso, que pretende seja único, não só para ele, mas para toda a gente, e que tenta tornar realmente único por meio da supressão real de todos aqueles que têm outros discursos."

A violência só se compreende pela reflexão, isto é, depois de o homem ter realizado uma retrospectiva da sua própria violência. Ele só descobre e compreende a violência que existe nele, na sociedade e na história, porque já tem a ideia de não-violência.

O homem não se compreende como violência, porque ele não é apenas violência. Tudo o que é violência para o homem é-o porque ele já tem a ideia da não-violência e, por esta razão, pode ver a violência na natureza [...]Não existe não-sentido senão do ponto de vista do sentido.

O resultado paradoxal é que a violência só tem sentido para quem a recusa pela filosofia. Como reflexão da realidade, a filosofia nasce da negatividade do homem em busca do contentamento. Fruto de uma escolha da razão, ela surge como a possibilidade de superar a violência que caracteriza o homem enquanto animal. É por isso que a origem, o segredo e o fim da filosofia consistem na eliminação progressiva da violência, dado que esta só pode impedir o contentamento do ser finito e racional, porque ela é a recusa da

- Da razão filosófica à razão pedagógica O Homem como Razão - o Homem como Violência

verdade e da coerência. A exigência filosófica, que se junta aqui à exigência moral, leva o homem a optar pela razão contra a violência; "a violência sentida de forma violenta, afirma categoricamente Eric Weil, deve ser afastada de uma vez por todas.'" 17

A não-violência é o ponto de partida e o objecto de chegada da filosofia, segundo Eric Weil, para quem a filosofia se define integralmente pela vontade de sentido, pela escolha em favor do discurso coerente. O homem que optou pela razão, porque quer que o seu discurso informe e transforme a sua vida, submete as suas decisões ao "critério da universalidade". É por isso que o homem só pode avançar para a universalidade se escolher a não-violência: "ela é universal". Assim, o filósofo deve esforçar-se por educar os outros para a razão e para a transformação do mundo, afim de pôr termo, na medida do possível ao reino da violência. Escolhendo a universalidade e o discurso, o homem assume-se como aquele que pode edificar a compreensão de tudo o que resulta desta escolha.

Para Labarrière, torna-se insustentável fazer o que pretende Eric Weil: juntar, ao mesmo tempo, o facto do dever que o filósofo tem de reduzir a violência com o de a compreender como o outro irredutível da razão; isto porque "compreender é sempre descobrir ou instituir uma certa continuidade de sentido; como compreender, por conseguinte, o outro irredutível da razão?" 18

O facto de Weil não admitir que haja nada fora do discurso é que o leva, na Lógica da Filosofia, a dedicar treze capítulos expondo o que se refere ao acto de compreender, tanto no seu funcionamento autêntico como nos disfuncionamentos possíveis, e nos três capítulos seguintes (em que, segundo Labarrière, seria de esperar a execução do que foi anteriormente exposto) a preocupar-se antes em aceitar as atitudes que

- Da razão filosófica à razão pedagógica O Homem como Razão - o Homem como Violência

se prendem com um certa forma de anti-fílosofia, para a qual é necessário, antes de mais, agir, contornando ou ignorando a busca de coerência racional.

Labarrière encontra, assim, na tentativa de reconhecer no discurso a atitude do homem violento, a primeira ruptura irreparável na Lógica da Filosofia de Eric Weil:

Das duas uma: ou bem que se julga esta atitude efectivamente na categoria que lhe corresponde, e ela está como que domesticada no discurso da razão, que a integra na filosofia; a totalidade, neste caso, está salva, mas já não há resto; ou bem que se trata realmente de uma viragem no movimento da obra, e a razão filosófica encontra-se arredada para dar lugar a expressões, que já não

correspondem aos seus ideais de coerência; é então que a totalidade é posta em 19 causa, e o discurso [...] encontra-se, pela primeira vez, quebrado no seu seio. Para Labarrière, Eric Weil nunca explicou claramente o que entendia por violência nas suas diferentes formas, de modo que é necessário questionar se ela será da ordem do irracional, a título de uma anti-razão clara e definitiva, ou se deverá ser entendida no sentido de uma ainda-não-tornada-razão.

Se considerarmos o primeiro caso, teremos o universo humano como bicéfalo, com o homem da filosofia e da razão de um lado e, face a ele, o homem da violência. De qualquer forma, a fronteira entre eles não é totalmente estanque e, mesmo que fosse, nada privaria a violência de intervir na filosofia. Inversamente, o filósofo não se pode contentar com uma inteligibilidade limitada e, por isso mesmo, recusar-se a integrar a violência no seu sistema de ideias, já que, se o fizesse, estaria a retirar automaticamente uma questão essencial na sua confrontação à anti-filosofia.

No segundo caso, o irracional que encontramos no mundo não será a anti-razão mas o ainda-não-tornado-razão, encontrando-se, por isso, o filósofo investido de uma missão: "ele deve, com efeito, concentrar-se em despertar a razão na imediatidade da

- Da razão filosófica à razão pedagógica O Homem como Razão - o Homem como Violência

contingência pré-racional; isto, além de mais, tanto para si como para o outro [...] pois todo o ser está antes de mais preso na rede cega de uma contingência que não se revela."

Coloca-se, então, uma questão com dupla face: por um lado, passando do primeiro ao segundo sentido da violência, desliza-se do termo de violência para o de contingência; "intencionalmente, com certeza, ainda que esta passagem esteja longe de ser inocente: ela marca muito exactamente, a meus olhos, o lugar de uma decisão necessária, para a qual um Eric Weil talvez não esteja plenamente preparado." 21 Por outro lado, é necessário ver

"se a razão que se confronta com a contingência possui a mesma estrutura e o mesmo • l'y

funcionamento que a que luta com a violência."

E Labarrière junta as duas faces da questão para voltar ao que lhe parece ser o ponto fundamental que qualifica, na origem, toda a filosofia:

Imagina-se o mundo formado unicamente e para sempre por razão e anti-razão, só havendo uma escolha possível entre a resignação e o combate sem esperança, tendo como única perspectiva a de sucumbir condignamente à injustiça e ao absurdo, ou acredita-se que faz parte da razão apoderar-se de toda a força contrária para fazer dela a substância da sua própria afirmação, não com totalitarismos, mas porque assim evoluem as coisas, e que a liberdade consiste em dizê-lo e em fazê-lo, arriscando a palavra dentro da imprevisibilidade do mundo?

Labarrière considera não ser possível o que pretende Eric Weil, quando este afirma com vigor que não existe nada fora do discurso. A pretensão de exigir, em conjunto, o dever de reduzir a violência e o de a compreender como o outro irredutível da razão suscita, da sua parte, um comentário interessante sobre o nosso filósofo: "Lembro-me do que alguém dizia, com humor: «Eric Weil é um homem impossível, ele quer tudo e o resto»." 24

- Da razão filosófica à razïo pedagógica O Homem como Razão - o Homem como Violência

1 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 5 2 Idem, p. 8-9

3 Idem, p. 12

4 Paul Ricoeur - Lectures autour du politique, p. 132 5 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 18 6 Idem, p. 20.

7 Ibid

8 Eric Weil - Philosophie Politique, p. 31 9 Ibid

10 Gilbert Kirscher cit. por Labarrière in "Après Weil, Avec Weil - Une lecture de Gilbert Kirscher" -

Archives de Philosophie 53, p. 663

11 G. Kirscher - "Hegel aujourd'hui?" m Archives de Philosophie 47, p. 320 12 Eric Weil - Philosophie Morale, p. 43

13 Idem, p. 47

14 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 57 15 Ibid

16 Eric Weil - Philosophie Morale, p. 20 17 Eric Weil - Logique de la Philosophie, p. 75

18 Labarrière - Le Discours de L Altérité - Une logique de I 'experience, p. 89 19 Idem, p. 90 20 Idem, p. 91 21 Idem, p. 91,92 22 Ibid 23 Ibid 24 Idem, p. 89

Violência e Educação

- Da razão filosófica à razão pedagógica

Análise da Problemática Filosófica da Violência em Eric Weil

1.3 - A Relação da Lógica Formal com a Filosofia

Segundo M. Perine, embora não fazendo o papel de historiador, Eric Weil segue, na sua obra, os grandes momentos do desenvolvimento histórico da filosofia, desde a sua forma mais simples e mais originária, a da "lógica do diálogo", passando pela transformação do diálogo em discurso, transformação que "fixa a data de nascimento da ontologia"; depois, o desenvolvimento do discurso ontológico é acompanhado pela constituição de discursos científicos, daí resultando o abandono do primeiro, até que surge a "reflexão revolucionária" da filosofia transcendental, que prepara o termo da filosofia com o discurso absolutamente coerente da "onto-lógica" hegeliana.

Compreender o discurso racional não é suficiente para compreender a filosofia, o que nos prova que esta não se reduz à lógica. Um discurso pode ser lógico, em termos de correcção, isto é, sem contradições, o que não significa a sua compreensão, no seu ser e intenção. Não é apenas a não contradição do discurso em si mesmo que decide o seu valor. Com certeza que ela é indispensável e, sem isso, nenhum discurso compreensível pode ser pensado. Mas esta condição necessária não é suficiente. Assim, a lógica pode ajudar o homem, mas somente com ela ele nada pode fazer.

A contradição está presente quando uma tese não é válida para todos os intervenientes num diálogo. Quando alguém discorda de tudo, o consenso é impossível; da mesma forma, "o diálogo não poderia conseguir-se com um parceiro que negasse o valor da contradição como critério decisivo, que não admitisse a possibilidade de contradição ou que defendesse que toda a afirmação do discurso é contraditória."

- Da razão filosófica à razão pedagógica A Relação da Lógica Formal com a Filosofia

A lógica, tornada ciência do diálogo, ajuda, assim, a detectar as contradições, sendo o seu fim provar a consistência do discurso para o tornar coerente, permitindo, por outro lado, dizer qual dos interlocutores não tem razão, isto se considerarmos que não tem razão quem se contradiz, já que nada nos prova que quem se encontra convicto não esteja igualmente errado mas, apenas temporariamente, em vantagem sobre quem não está convicto. A lógica pole o discurso e o homem aceita esta situação porque, sendo assim, se excluirmos o silêncio e a abstenção como forma de comunicar com os outros homens, o diálogo aparece-nos como a única saída face à violência. O diálogo é, na verdade, o domínio da não-violência.

A filosofia moral nasce quando o homem, recusando a escolha, sempre possível, do absurdo e do silêncio, compreende ao que ele se obriga pela sua recusa - e ela tornar-se-ia em si e para si mesma incompreensível se esquecesse essa origem. 2

No diálogo, quando não se tem a mesma opinião, é necessário chegar-se a acordo ou combater-se - até que uma das duas teses desapareça com aquele que a defendeu. Se não queremos esta segunda solução, teremos que optar pela primeira, isto é, pelo diálogo, última instância segundo a qual se deve viver quando já se excluiu a violência

O diálogo weiliano é esta disciplina da Razão que se esforça pela coerência afim de encontrar o contentamento do acordo: acordo que exige a violência do logos contra a violência emocional.

A lógica formal é indispensável, mas apenas tem sentido na medida em que nos conduz a conhecimentos objectivos. De qualquer forma, é impossível construir um discurso que registe tudo e seja ao mesmo tempo totalmente livre de toda a contradição.

Podemos, se quisermos, considerar a lógica como ciência, mas, porque não contém o essencial, uma ciência subordinada e derivada em relação à filosofia. Como

Violência e Educação Análise da Problemática Filosófica da Violência em Eric Weil

- Da razão filosófica à razão pedagógica A Relação da Lógica Formal com a Filosofia

ciência do discurso, ela é útil e suficiente à solução dos problemas formais que são e devem continuar a ser os seus.

A realidade, o fenómeno, aparece ao homem com contradições, já que não se compreende o mundo sem admitir um elemento negativo, um não-ser no ser. Contudo, esta contradição pode ser enunciada sem que o discurso que fala dela seja em si mesmo contraditório. O homem é "o ser dotado de discurso racional, não porque possa entender-se com os seus semelhantes e excluir a contradição no que ele diz, mas porque pode formar um discurso não contraditório e fundá-lo sobre uma realidade não contraditória".

A sua racionalidade não lhe advém do facto de não se contradizer, mas do facto de se encontrar protegido da contradição pela posse do Ser na verdade.

O homem, por ser racional, pode enganar-se e ser enganado. Ele só conhece a linguagem que herdou, a linguagem das conveniências e dos interesses, suficiente para as suas necessidades, mas apenas superficial.

Assim, ele necessita, antes do mais, de desembaraçar-se deste negativo que o seduz, purificar o seu discurso, procurar ser racional e compreender a verdade. "O homem é racional - o homem, não os homens; e é o Ser que se mostra na verdade, não as coisas que parecem ser." 5 Cabe, por isso, à filosofia procurar aceder à verdade, já que ela não é

dada naturalmente ao homem.

O indivíduo, para ser homem, deve começar por se negar, já que nada lhe dá a certeza racional. Até o acordo entre os indivíduos, se não for fundado no Ser, é apenas um sinal de que cada um não está a seguir os seus interesses pessoais, havendo um acordo acidental entre eles. A discussão constitui um primeiro passo para a certeza racional, mas

- Da razão filosófica à razão pedagógica A Relação da Lógica Formal com a Filosofia

não é senão isso, e afirmar que uma discussão sobre o Ser pode colocar todos os homens de acordo não é suficiente para tornar o discurso coerente.

Assim, não chega postular a unidade do discurso e a unidade do Ser, mas é necessário mostrar a possibilidade de um discurso que compreenda a unidade do Ser na multiplicidade do que existe, e só se encontrará esta possibilidade realizando-a.

Pondo de parte a recusa do discurso ontológico, podem distinguir-se nele duas principais direcções: a que não reconhece nada que seja superior a esse discurso e que vê a realização da razão na via do que existe, na pura teoria, e uma outra, que exige à ciência o abandono de todo o medo tradicional para poder ligar-se ao Ser. Uma, que quer viver para a filosofia, a outra que quer a filosofia para viver. O recurso ao Ser não permite, no entanto, fundar um discurso único sobre o qual todos os homens estejam de acordo - o discurso do homem.

Relativamente aos fenómenos, é fácil encontrar o consenso, mas quando se procura o fundamento comum, o Ser, o Uno, a discórdia reina de novo: não existe essencial universal e concreto e, por isso, continuamos a viver renunciando a um discurso absolutamente coerente, fundado sobre o Absoluto, limitando-nos a lutar contra a violência pelos meios tradicionais, isto é, racionalizando as questões, mas sem resolver pela razão o conflito com a violência de uma vez por todas.

É, assim, compreensível que não possamos reconhecer-nos no discurso do homem verdadeiro [...] A sua tentativa de encontrar um discurso que seja válido para o homem e para todos os homens não nos toca [...] Em suma, vivemos ocupados

Dans le document About This Guide (Page 70-75)