Partie 2 : Quelle prise en compte des salariés TH dans les procédures de GRH ?
5. Comment les salariés TH sont-ils pris en compte dans les politiques de ressources
A busca por novas fontes de pesquisa tem levado a historiografia a questionar o que é documento. O que pode ser considerado documento, e com isso o seu conceito tem ganhado amplitude e modificado a hierarquização de seu valor, conseqüentemente transformado em documento tudo que traga algum tipo de informação, ou seja, qualquer meio pelo qual o homem se expressa pode ser fonte relevante para a pesquisa. Toma-se evidente a enorme abrangência do que possa ser documento.
Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que a bibliografia sobre cachaça é extremamente gande e variada, destacando-se o trabalho de folcloristas, memorialistas, as produções técnicas e cientificas produzidas com o respaudo do INDI, AMPAQ, PBDAC, Emater, entre outros órgãos incluindo ainda instituições como: Universidade Federal de Viçosa, Universidade Federal de Lavras, Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade Federal de Uberlândia, a Unicampi e a Universidade de São Carlos, entre tantas outras, produzindo trabalhos técnicos e científicos nas areas de Engenharia Química, Engenharia de Alimentos, Biologia, Agronomia, desenvolvendo teses de doutorado, dissertações de mestrado e artigos referentes ao tema.
Então, consideramos como documento tudo que tivesse a ver com a cachaça, tudo que nos trouxesse informações sobre a bebida: livros, revistas, jornais, artigos, fotografias, filmes, programas de rádio e televisão, folders, os rótulos, as embalagens, as garrafas, as piadas, as músicas, os versos, os ditados e ainda, as entrevistas. Enfim. Tudo o que seja produzido pela atividade humana, trazendo informações sobre pinga, sobre cachaça.
Todos esses materiais oferecem uma visão geral da cachaça no Brasil e no mundo. Tratam do plantio da cana, classificação de suas diferentes variedades e melhoramentos genéticos, técnicas de plantio, os diferentes modos e tipos de produção regional e nacional, a comercialização e as exportações. Traz ainda a importância histórica e os múltiplos usos da bebida, na alimentação popular, nas receitas culinárias doces ou salgadas, nos muitos
coquetéis, nas músicas, nas piadas, nos versos, na religião e nos hábitos cotidianos carregados de representações, simbólicas e identidades regionais.
Iniciamos em 2003 o trabalho de reunir a documentação, mas há muito ainda por fazer. No entanto já dispomos de um considerável e rico acervo. Na medida em que a pesquisa avançava novas localidades e assuntos relacionados ao tema foram surgindo, e o trabalho ficando extenso. O recorte foi inevitavel, uma vez que muito extenso, tínhamos que deixar fora do texto da monografia parte do antes pretendido. O consolo veio nas palavras da orientadora Dr' Maria Clara: o trabalho não para por aqui, ele pode se dar de
outras formas, em outro momento. Parte interessantíssima do trabalho fica para uma outra
oportunidade que, espero, seja em breve.
Uma parte importante de nossas fontes não chegou a ser mencionada nesse trabalho, tratando-se de rica documentação como: a entrevista com a socióloga Fabíola Benfica Marra, que nos explicou um pouco sobre os usos da cachaça durante rituais religiosos praticados no terreiro de Umbanda, rituais estes carregados de simbologias, e ainda nos cedeu parte de seu acervo fotográfico. A entrevista com Dona Rita Cabral, que deu início à profissão de parteira na época da segunda guerra mundial, o último foi feito em 1982, ( com história digna de ser publicada corno crônica), nos garantiu importância para a saúde da mulher no pós-parto o uso dos medicamentos à base de pinga. Dona Rita, uma das responsáveis pela escolha do tema em questão, infelizmente faleceu em agosto de 2003. Mineira típica deixou a Frase: todo homi tem que ter um cadim de arco correno nas veia.
A presença da bebida no cotidiano do consumidor, seus diversos usos, a relação com a religião, a presença nos pratos típicos, as garrafadas, a parte do santo, as letras de música dedicadas à ela, os poemas, os bêbados, as lendas belíssimas como a do velho do Rio São Francisco, que gosta de fumo de rolo e de pinga ... ficou de fora. Foi lamentável ter que deixar essa parte fora do texto. É mais essa é outra história e que será contada em um outro momento.
Temos ainda histórias, registros folclóricos da bebida datados entre 1930 e 1980 colhidos por diferentes pesquisadores. Livros como o que relaciona a maconha e a cachaça e que não conseguimos ter acesso, por enquanto. Quando iniciei o trabalho de pesquisa não
imaginava que tratava se de um tema tão rico e abrangente. De todas as fontes, nenhuma é mais trabalhosa e proporciona tanta satisfação quanto as fontes orais e os trabalhos de campo. Como diz Fernando Antônio, meu irmão: a Floriana armmou a desculpa perfeita
para ir pros botecos. Vale lembrar que na família Silva o termo Floriana só é usado em ocasiões de contrariedade, o habitual é Lora.
A história do Brasil e a história da cachaça se confundem, se misturam, se entrelaçam em uma mesma história de mudanças e de permanências. Mudanças tecnológicas com altos investimentos econômicos, grandes manobras políticas, a permanência de tradições, hábitos, costumes, pobrez.a, desigualdade, exploração, contradições sociais. Na história nem toda mudança é positiva, nem toda permanência é
negativa, nem tampouco os acontecimentos podem ser encarados como sendo bons ou ruins, mas devemos considerar que um mesmo fato pode ser bom ou ruim, dependendo do seu referencial.
Não acreditamos que a história tenha se dado de forma tão simples como foi exposta na narrativa do primeiro capítulo desta monografia, ela se apresenta de forma muito mais profunda e complexa, sendo um engano pensar ser possível contemplar seis séculos de história em poucas páginas de escrita. Aliás, é impossível contemplar toda a história, ainda que se reúna tudo o que foi registrado, através da escrita e/ou de outros métodos, em todas as áreas do conhecimento, seja científico ou não. A história se faz de homens, de grandiosos e pequeninos acontecimentos em momentos e espaços distintos, os quais, na maioria das vezes, não são registrados. A história se faz das coisas mais simples às mais complexas, dos faraós, reis, príncipes e presidentes, aos súditos, ao povo, ao verme.