Partie 2 : Quelle prise en compte des salariés TH dans les procédures de GRH ?
4. Quelles sont les pratiques de maintien dans l’emploi ?
A cachaça, mesmo sendo considerada o novo negócio rentável, no entanto é vítima de grande preconceito. Foi a partir da década de 1980 que intensificou os esforços para melhorar a imagem da bebida. Começaram a pipocar por todo o país artigos em revista e jornais referentes ao destilado. A forma como ela passou a ser abordada apontava para a ascensão da bebida.
Números dão boa idéia de aguardente. m_. Surge nova cachaça para
apreciadores. 139: Cachaça tenta ganhar titulo de nobreza. Programa de desenvolvimento da aguardente vai divulgar a pin1ta para fazê-la ficar conhecida no exterior como uísque brasileiro.2·'°: A nova cachaça mineira.241
:
Produção de cachaça sai da ilegalidade.1-12: Marvada rhique.243: Da hranca ou
da amarela. 2-1-1.
Foi uma mudança radical em relação ao que se escrevia sobre a cachaça. Antes os textos publicados referiam-se à bebida de forma folclórica, trazia versos, rimas, hábito de bebedores, música falando da pinga, os 1001 nomes e mais alguns. Todavia, preconceito que se tinha com a bebida era grande, e ainda é hoje, embora esteja diminuindo continuamente. As décadas de 1980, 1990 dão maior importância a cachaça como novo negócio lucrativo, tradicional, um produto em potencial para exportação, reforçando os avanços tecnológicos. Geraldo Inácio pondera:
2311
GANDOUR. Ricardo. 1991.
:39 SQUEFF, Larissa. Surge nova cachaça para apreciadores. O Estado de S. Paulo, 05 jan, 1996. p 08.
::4u LÔBO. Núbia. Cachaça tenta ganhar titulo de nobreza. Programa de desenvolvimento da a!,1Uardente vai divulgar a pinga para fazê-la ficar conhecida no exterior como uísque brasileiro. Jornal Diário da
Manhã, Goiânia. sábado 27 de dezembro de 1997.
141 RUDHART. Wemcr. 1998.
242 TADEU. Rogério. Produção de cachaça saj da ilegalidade. Jornal Correio de Ubcrlândia, Agronegócio, terça feira, 26 de novembro de 2002.
243 BEZERRA. J. A. e SOUZA. E. 2003.
1!:. eu acho que a cachaça ela veio do meio rural, né? A gente lembra as origens. aliásfoi na senzala também que surgiu a cachaça, como a feijoada que acabaram se tornando marca registrada da nossa cultura no exterior. Então quer dizer, muita gente. muitos estrangeiros apreciam a feijoada, que eles vêm
conhecer aqui no Brasil e que é uma comida da senzala. A cachaça também
surgiu na senzala, né? H acho que isso tem a ver só com a origem. por que hoje a cachaça é consumida no meio mral, no meio urbano, e é evidente que nós somos um país urbano hoje. e então apesar de ela ter se originado no meio rural. hoje é uma bebida muito consumida na cidade. E acho que vai bater o uísque rapidinho. logo-logo, nas .famílias chiques porque nas famílias mais
pobres isso já acontece a muito tempo. o ulsque é uma iguaria que está muito
longe, como aquele caviar da música do Zeca Pagodinho. 245
Essa é a idéia que temos. Que não é apenas idéia. A cachaça realmente é um produto rural, que nasceu no meio rural entre os anos de 1532 e 1548, e como já foi trabalhado no primeiro capitulo deste trabalho a história da bebida tem um grande envolvimento com a história do Brasil, que muitas vezes se confunde e se funde em uma única. Os produtores e comerciantes relacionam a bebida com elementos da história do Brasil, da ruralidade,da tradição, da hetero e homo sexualidade, da moralidade machista, e estes temas são usados como propaganda de seus produtos, podendo ser vistos em folders, rótulos, embalagens e tudo mais que possa induzir ao consumo deste produto.
A cachaça Chico Mineiro com apelo histórico trás a imagem de um cavaleiro, no
verso uma fazenda com um casarão, grande curral com um carro de boi dentro. Os dizeres: Produzida e engarrafada na.fazenda -Autêntica cachaça de Minas. Veja rótulo
a baixo.
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• ___ .... _ .. �-... -,. __ ,..:. ·1 ' -:w::":""::..:i:-�·· _.,. •' . . • '"'Rótulos da esquerda para direita: frente e verso da cachaça Chico Mineiro, o da direita rótulo da cachaça vitória. (Acervo particular).
Veja o rótulo (acima a direita) do rótulo da cachaça Vitória, de Guará MG, com a inscrição Cachaça de Minas e a paisagem de uma fazenda com um engenho, roda
d'água e uma sombrosa árvore. Abaixo rótulo da cachaça Cubana traz estampado uma
245
Caninha Chora Rita, traz a imagem da mulher (rótulo abaixo) sensual, exuberante. Nuku. Rótulo simples com desenho de um sujeito curvado e os dizeres. (Veja rótulo abaixo).
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� ... ,._ CONTEÚDO 600 mi orr ...O rótulo da Caninha Chora Rita, traz a imagem de uma mulher exuberante, tomando cachaça com batom rosa, cabelos vermelhos, unhas esmaltadas, roupa sensual deixando braços e ombros bem a vista.
Rótulo da Cachaça Cora Rita. (Acervo particular)
NUKU
Quem toma vive menos:
Menos btressado Menos Triste Menos Tenso Menos P. da Vida/
Nabunda. (veja rótulo abaixo) E uma mistura de rural e sexualidade. Nabunda - Tome sem fazer carela. As três últimas marcas não trazem informações sobre o produto,
além do teor alcoólico e do forte apelo sexual, cômico, machista, muitas vezes hetero sexual ou homo-sexual, acompanhada de valores morais e de piadas e dizeres exóticos.
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Com exceção da Caninha Chora Rita, que é vendida por um valor comercial baixo em torno de R$2.00 a R$3.00 reais a garrafa de 600 mi, os outros atingem valores comerciais de cachaças artesanais de qualidade, em torno de R$10.00 a R$20.00 reais. Nestes casos, além de comprar o produto estamos comprando o apelo sexual e a piada.
A Domina (Senhora, em latim) é feita especialmente para as mulheres.
Produzida em Minas Gerais, é envelhecida em barris de jatobá, madeira capaz de absorver álcool e reter água. Mais leve que as demais, tem rótulo cor-de-rosa e por isso
já é chamada de marvada rosa. 246
E assim para cada gosto, cada desejo e cada necessidade cria-se um produto que atenda este mercado, criando marcas e tipos diferentes de cachaça para diferentes tipos de sujeito e diferentes grupos sociais (econômicos), ricos, pobres, homens, mulheres e, assim sucessivamente, em uma infinidade de marcas e preços, que nem sempre indicam qualidade e sim estratégia de comercialização. Para Cleber Rocha:
O que mais importa em uma cachaça primeiro é o sahor, né? Mas o visual, a embalagem também é fimdamental, né? Embalagem não só na cachaça, a estética da coisa, não só na cachaça, em r11do e assim. Minas. apesar de ser grande. é bem interiorana. então quando a coisa pega nome. às vezes a pessoa toma pelo nome. Aqui em Minas tem o que eles falam Geromim
Ribeiro de Jtuiutaba. Cachaça? Não. essa é a Ceromim Ribeiro. 2
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Mesmo com todo este trabalho de propaganda e marketing dos produtos que, sem dúvida é importante para a comercialização, a melhor propaganda, a mais eficaz ;46 BEZERRA, J. A. e SOUZA. E. 2003. p. 24-32.
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ainda é o boca a boca. Quem fala, fala para quem está perto e tem a possibilidade de ir comprar, de consumir, de visitar o local e o produto.
A tradição da cachaça está referenciada num passado rural um tanto idealizado, glorioso, mas sem esquecer as necessidades dos homens do presente. Parece existir uma necessidade de se preservar algo do passado com o qual, de certa forma, esteja ligado, reforçando, assim, a identidade cultural. Então a indústria engarrafa vende o desejo, essa necessidades, a coisa da roça, aquilo que era meu, que foi de meu pai, do meu avô, que muitas vezes foi perdido, que se busca resgatar adquirindo, comprando e consumindo um determinado produto.
A questão de se ver, de se reconhecer, de se identificar no passado parece muito importante, ainda que seja apenas para negá-lo, repudiar. A identidade de um sujeito vai sendo construída na medida que este se aproxima ou afasta, se reconhece ou se diferencia das práticas culturais experimentadas.
O profissional da propaganda tem plena consciência da necessidade de identificação do sujeito com o produto, para que haja sucesso na comercialização, aceitação da mercadoria. Se o individuo tem saudade da roça, do chapéu de pai ha, do ar puro das montanhas, então o produto, o bar tem que remeter áquilo que é desejado. Quando compramos uma cachaça estamos comprando a bebida, mas também a história, a tradição, a cultura que ela traz embutida e que muitas vezes não conseguimos identificar, mas pagamos por ela.
Qual o interesse na cachaça? Ela não desapareceu, ao contrario é tão comum que pode ser comprada, encontrada em qualquer supermercado, dos mais modernos aos mais simples, pode ser adquirida ainda em vendas, lojas especializadas, na versão industrializadas, artesanal, pura, temperada, envelhecida em madeiras, ou verde recém saída do alambique. Em síntese, as palavras finais são para Cascudo:
Dijicil não compreender a expansão de coisas produzidas e consumidas pelo
povo nas áreas da própria predileção. 248