Segundo Jacinto (2005), os métodos de análises de acidentes podem ser definidos como técnicas concretas para empregar na análise dos acidentes, pelo que são considerados ferramentas práticas. Já os modelos são definidos como a teoria que explica os mecanismos sobre a ocorrência dos acidentes.
Deste modo, serão apresentados alguns métodos de análise de acidentes que antecederam e contribuíram para a construção do método RIAAT.
Para um melhor entendimento do método RIAAT serão apresentados, no presente estudo, apenas os métodos que foram usados para a elaboração do método RIAAT.
Os métodos que serão descritos usam as técnicas mais atuais que podem ser empregadas após a ocorrência de um acidente (Jacinto, 2005).
2.4.1 Método Work Accidents Investigation Technique
O método “Work Accidents Investigation Technique” (WAIT) desenvolvido pelos autores Jacinto e Aspinwall em 2002, no Reino Unido, trata-se de um método
autor Hollnagel (1998) para classificar os esquemas de análise (Jacinto, 2005; Jacinto & Aspinwall, 2003).
O método tem a finalidade de facilitar a investigação através da estruturação e sistematização de esquemas, tendo sido criado para ser usado por profissionais envolvidos diretamente na investigação de acidentes de trabalho, como os profissionais de Segurança e Saúde do Trabalho (SST) (Jacinto, 2005).
Para os processos de análise o método WAIT inclui algumas variáveis harmonizadas do Eurostat (2001), além disso o método distingue que nem todos os acidentes proporcionam a mesma aprendizagem, existindo a necessidade de serem investigados de forma diferente para que seja usado de maneira favorável os recursos disponíveis (Jacinto, 2005).
O processo da análise está dividido em duas fases, a primeira incide numa investigação simplificada na qual o objetivo é a identificação das causas e circunstâncias mais imediatas dos acidentes para posteriormente verificar e rever a análise de riscos, que é uma obrigação legal no cumprimento da Legislação Portuguesa (Artigo 98o da Lei n.o102/2009 de 10/09).
A segunda fase do Método WAIT incide numa análise aprofundada que contempla outros fatores de causalidade (eventualmente relacionados com níveis de gestão ou de organização). De uma maneira geral, esta segunda fase apenas é aplicada caso a gravidade do acidente assim o justifique. Assim, acidentes graves, que trazem prejuízo ao trabalhador e para organização, devem ser investigados neste nível de análise (Jacinto, 2005).
No total o método WAIT integra nove itens os quais devem ser seguidos através de um manual de investigação. A primeira fase começa na recolha de informações sobre o acidente e acidentado, na identificação das falhas ativas e suas consequências, nos fatores que contribuíram para cada falha ativa identificada e, por fim, na comparação entre os resultados obtidos e a respetiva análise de risco existente tendo, como finalidade, a identificação de recomendações e melhorias do sistema ou organização. Já na segunda fase, definida como análise aprofundada, é necessário analisar os fatores humanos, as condições organizacionais e de gestão, relacionar os resultados com o sistema de gestão da SST, fazer as recomendações e considerações e identificar os fatores contributivos ou ações positivas que o acidente gerou na organização pela perspetiva de consequências menores em relação à gravidade que poderia ter ocorrido. O método WAIT é um método recomendado para ser aplicado em empresas industriais (Jacinto, 2005).
2.4.2 Método Control Change Cause Analysis
O método Control Change Cause Analysis (3CA) desenvolvido em 2000 por John
Kingston, no Reino Unido e citado pela autora Jacinto (2005), tendo como foco
os profissionais de chefia e supervisão intermediária para sua aplicação. Trata- se de um método aparentemente simples e rápido. Baseia-se numa abordagem de transferência de energia através da análise de barreiras de causas mais profundas e reitera a visão de mudança adversa para a ocorrência do acidente. O método tem como objetivo descobrir os acontecimentos importantes para a investigação, e é definido em três fases.
Na primeira fase é reportado somente os acontecimentos relevantes para ocorrência do acidente. Em seguida, é identificada a mudança ocorrida ou situação adversa e o agente ou objeto da mudança, o efeito que a mudança trouxe e, por fim, os controles e barreiras que poderiam ter prevenido o acidente. Todos os itens estão dispostos em colunas para facilitar o preenchimento (Jacinto, 2005).
A fase dois do método 3CA, atribui um grau de importância referente aos acontecimentos que antecedem o acidente. Alguns factos considerados
Deve-se levar em consideração na aplicação do método 3CA a gravidade do acidente, as primeiras falhas ou erros que antecederam o acidente e a importância dos controles e barreiras para a gestão do risco (Jacinto, 2005). Finalmente, na fase três do método 3CA, deve-se fazer o registo das barreiras que foram identificadas anteriormente e que não foram eficazes. Em seguida, deve-se fazer a análise do que falhou (equipamento, desempenho ao realizar a tarefa etc.) e por fim, a última coluna que deverá ser respondida deve dar resposta ao porquê do acidente ter ocorrido (falta de experiência do trabalhador, procedimentos insuficientes, mal concebidos ou não entendidos pelo trabalhador). Para o sucesso do método é conveniente que a análise seja feita em equipa, para que possa haver discussões na análise dos acidentes. O método é simples e de rápida aplicação, porém pode não ter sua fiabilidade garantida, pois não há nenhum enquadramento de classificação ou um guião a ser utilizado (Jacinto, 2005).
2.4.3 Método Management Oversight and Risk Tree
O método Management Oversight and Risk Tree (MORT) criado por Jonhson em 1980, consiste numa árvore com oito conexões com 98 problemas genéricos e 200 possíveis causas a serem identificadas e podem aumentar até 1500 causas (Jacinto, 2005).
De acordo com HSE (2001), no método MORT a análise começa pelo evento que ocorreu através da perda como morte, perda material, ou lesões ocasionadas pelo acidente.
Após a identificação da perda, a árvore segue como um diagrama onde serão analisados os riscos assumidos (riscos que foram identificados e previamente analisados) e as omissões ou as falhas (riscos não identificados ou não analisados previamente). O passo seguinte é definido por uma subdivisão onde a análise é separada pela ocorrência do facto e o motivo pelo qual ocorreu o facto.
Para a análise do motivo do facto, a razão que levou ao acidente, são considerados alguns fatores específicos do controle de gestão que deveriam ter
sido identificados no sistema de operação, mas por qualquer razão não foram identificados a tempo tendo, como consequência, ocasionado o acidente.
A análise da ocorrência do facto, o acontecimento em si, é considerado o foco principal na análise e na construção da árvore.
No método MORT, após feitas as subdivisões, continua-se a fazer a análise de cada fator que contribuiu para o acidente. Pode ter, até aproximadamente 13 níveis e, para cada nível analisado, há perguntas que devem ser respondidas pois servem de orientação para a investigação. O método MORT permite uma investigação sistemática, porém requer experiência e tempo por parte dos utilizadores (HSE, 2001).
III METODOLOGIA
Neste capítulo serão apresentados os aspetos metodológicos usados no decorrer do estudo. Assim, começa-se por apresentar as etapas do estudo e, em seguida, será feita uma descrição do método usado - RIAAT- bem como os motivos para a sua seleção. Por fim, são descritos os procedimentos usados para avaliar a sinistralidade bem como do seu controlo e do tratamento dos dados, efetuado.