No início do estágio pedagógico as questões de organização e disciplina eram uma preocupação. Portanto, desde o início que optei por estabelecer regras e rotinas de organização para que ficassem adquiridas o mais rapidamente possível.
A falta de controlo por parte do professor sobre a turma e a sua permissividade afetam de forma negativa a aprendizagem, como também o desenvolvimento dos alunos no campo afetivo. Segundo Costa (1984, p.23), “o controlo da atividade pedagógica dos alunos é um fator a considerar.”
Neste aspeto não tive grandes dificuldades, uma vez que já tinha alguma experiência em gestão de grupos, adquirida através dos 4 anos em que fui treinador de futebol de formação e também já tinha tido uma experiência a nível de ensino, no 1.º ciclo do ensino básico, num contexto algo complicado, numa escola situada num bairro problemático de Lisboa.
23 Em termos de organização e gestão da aula, tive alguns problemas nas aulas lecionadas no Ginásio 2, isto porque o espaço é pequeno e faz bastante eco, o que torna a tarefa difícil, uma vez que neste espaço a montagem e arrumação do material é de maior complexidade. Para combater estas dificuldades optei por realizar, na maioria das vezes, aulas por estações, de forma a proporcionar mais tempo de prática e manter os alunos sempre em atividade, reduzindo assim os comportamentos fora da tarefa. Para não perder muito tempo em organização, optei por disponibilizar aos alunos esquemas com a planta da sala contendo as diferentes estações a montar, ou seja, os alunos chegavam à aula, olhavam para a folha e ficavam a saber qual a estação onde começavam a trabalhar e quais as tarefas que deveriam realizar em cada estação para cumprir os objetivos específicos definidos para o seu desenvolvimento.
As principais dificuldades que senti na condução do ensino foram adquirir a capacidade de observação constante de todos os alunos, mesmo nos momentos de avaliação e o domínio de todas as matérias. A primeira dificuldade apontada fui superando através da experiência, e a segunda exigiu um grande esforço na preparação das aulas, sobretudo nas matérias onde apresentava maiores lacunas, a ginástica e a dança. Para combater estas lacunas, foi essencial definir estratégias de trabalho. Recorri ao trabalho a pares com o meu colega de estágio que partilhava das mesmas dificuldades. Juntos, realizámos uma pesquisa bibliográfica para conhecermos melhor estas matérias e passámos algum tempo no ginásio da escola a treinar antes de lecionarmos. Solicitámos ajuda ao orientador da escola, que também foi bastante importante na superação destas dificuldades, porque com a sua experiência conseguiu ajudar-nos a dominar as matérias e a encontrar estratégias que permitiram uma constante observação de todos os alunos durante as aulas.
A turma era grande, mas apresentava um bom comportamento, o que facilitou o meu trabalho. Penso que consegui evoluir ao longo do ano e acabei por conseguir criar rotinas de organização que ajudaram a promover um bom clima de aula.
O facto de os alunos conhecerem os objetivos para o qual trabalhavam foi uma preocupação constante, tanto nos desportos coletivos como individuais. Exemplo disso foi a criação de uma tabela referente à matéria de Ginástica de solo onde cada aluno teve que consultar quais os objetivos propostos pelo professor para o seu desenvolvimento individual.
Para garantir uma boa instrução e explicação durante o período de aula, foi necessária uma pesquisa extra acerca das matérias que não dominava. Essa pesquisa foi
24 suportada por vários documentos bibliográficos, através de pesquisa online, e também por conversas com outros professores, mais experientes, ou especialistas em determinadas matérias. Neste aspeto, tive mais dificuldades no início do ano letivo e fui melhorando devido ao aumento da experiência e ao maior domínio das matérias. Uma vez que os alunos sabiam em que níveis estavam em cada matéria e conheciam os objetivos para os quais trabalhavam, permitiu-me manter todos os alunos motivados e focados nos seus objetivos individuais.
Numa fase inicial tive alguma dificuldade em controlar a turma à distância, e dar feedbacks à distância, mas com o passar do tempo e com a ajuda do orientador de escola fui percebendo que devia passar mais tempo de cabeça levantada, posicionando-me em sítios estratégicos que me permitiram observar toda a turma. Com a ausência de muito ruído consegui um maior controlo da turma, aumentando assim a minha percentagem de feedbacks à distância.
Em relação ao comportamento da turma e ao controlo de comportamentos desviantes, a turma não apresentava grandes problemas, uma vez que este tipo de comportamentos não eram uma constante. No entanto, de forma a prevenir, optei por adotar algumas estratégias. Comecei por criar rotinas e regras de funcionamento desde o início das aulas, ficando explicito quais os comportamentos que não devem existir e as consequências desses comportamentos. Comecei por mostrar uma postura mais autoritária até ter o controlo total da turma, chamando à atenção dos alunos de forma coletiva ou individual. Uma das estratégias utilizadas para melhorar o comportamento da turma foi a escolha de grupos de trabalho heterogéneo em algumas matérias, separando alguns alunos que não tinham o melhor comportamento quando estavam a trabalhar juntos, colocando-os com os colegas que apresentavam bom comportamento. Esta estratégia permitiu-me reduzir comportamentos desviantes em alguns momentos e possibilitou que os alunos com mais capacidades ajudassem os alunos com mais dificuldades, estando a trabalhar no mesmo grupo. As estratégias adotadas tiveram sucesso, à exceção de uma ou outra aula onde o comportamento geral da turma não foi bom, o que obrigou a uma correção da minha parte, alertando novamente a turma para as regras de funcionamento.
A minha relação com os alunos foi excelente, desde cedo que foi criada uma empatia, que em parte, deveu-se à proximidade de idades que existe entre mim e os alunos. Esta experiência deu-me uma perspetiva de que no futuro devo manter um espirito jovem e a mesma abertura, só assim poderei ter este tipo de relação de proximidade e
25 confiança. Uma vez que se trata de ensino secundário, os alunos já tem alguma maturidade que permitiu que a relação fosse bastante positiva em termos de respeito mutuo. Nos aspetos relacionados com a direção de turma, este tipo de relação foi bastante benéfica, pois foi fácil perceber o que se passava com os alunos, devido à boa relação, a comunicação ficava facilitada.
Apesar de tudo, consegui manter a distância necessária na relação professor-aluno o que permitiu que as aulas tivessem um clima positivo e um grau de entusiasmo elevado, mantendo o respeito pelo professor e pelas atividades realizadas. Este facto também se deveu à escolha das tarefas propostas, porque o entusiasmo só existe se as tarefas forem ajustadas.
Durante o estágio pedagógico é muito importante ser reflexivo e crítico em relação à minha prestação como professor. Como tal, depois de cada aula senti necessidade de refletir, detetando erros e aspetos a melhorar, e após refletir, criticar o próprio trabalho, apresentando estratégias para progredir e evoluir enquanto pessoa e sobretudo enquanto docente.
Os momentos de reflexão após cada aula foram momentos chave para o meu desenvolvimento. Foi muito importante as reuniões que tive com o orientador de escola e com o colega de estágio após cada aula que lecionei, onde foram debatidos todo o tipo de aspetos relativos às aulas, criando sempre uma espécie de debate, começando por fazer a minha própria análise à aula, seguindo-se depois a análise do meu colega à minha aula e por fim a análise do orientador, dando sempre feedbacks importantes acerca da minha prestação como professor. Estas reflexões constantes serviram para melhorarmos a qualidade do processo ensino-aprendizagem, e respetivas intervenções pedagógicas enquanto professor.
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