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A reformulação dos conceitos dá uma nova forma de interpretar os fenômenos em que a religião está inserida. A reconfiguração conceitual da religião passa pelo aparato familiar complexo e de difícil compreensão (BAUMAN, 1998). Nos estudos e debates sobre o pluralismo religioso, o trabalho segue a linha da polidez dos significados dos termos (BERCKFORD, 2003). O que se pretende é ter ampla visão da realidade, pois "[...] a análise do fenômeno religioso é um elemento imprescindível para uma compreensão adequada das sociedades da modernidade tardia” (OLIVEIRA, 2013, p. 10).

Sabendo que um conceito não é absoluto em si mesmo, é analisado dentro de um tempo e espaço sociais, que revelam a mobilidade e as transformações desse conceito. Em sua forma incipiente, as ideias dão suas contribuições, sendo uma formação de educação “[...] para alcançar a claridade da compreensão conceitual” (BRUGGER, 1995, p. 121). Em outras palavras, para as profundas hermenêuticas, deve se ter a sua disposição os conceitos, cada um com sua distinta qualidade científica (RODRIGUES; NEVES, 2017).

O contexto interpretativo toma nota que o “[...] tema do pluralismo religioso ocupa um lugar cada vez mais importante dentro da sociologia da religião” (GIORDAN; PACE, 2014, p. 1). A partir da ideia de que a religião se enfraquecia

pelas tempestades da secularização, uma nova postura metodológica foi requerida pelas interpretações da situação, que buscam explicar o “mistério sociológico”. Detecta-se certa “[...] reemergência do fator sagrado, na vida social e na experiência individual” (SANCHIS apud TEIXEIRA, 2013, p. 12).

Nova categoria hermenêutica adveio com a perspectiva social e religiosa, que “[...] parece capaz de explicar e interpretar melhor o que está acontecendo no mundo das religiões e espiritualidades contemporâneas” (GIORDAN; PACE, 2014, p. 1). Entender os acontecimentos do mundo sobre o conceito de pluralismo religioso também distingue a compreensão descritiva de diversidade religiosa. A justaposição conceitual não traria apenas uma confusão de sentidos, mas retiraria a sua força analítica que lhe é própria, pois “[...] não devemos confundir o nível normativo-regulador, a saber, o pluralismo, com o nível descritivo de diversidade empírica” (GIORDAN; PACE, 2014, p. 1).

As interpretações se aproximam ou se afastam, sendo a primeira opção o estudo de Giordan e Pace (2014), que as análises estão veiculadas ao trabalho do sociólogo Beckford (2003)9. Nesta pesquisa, o nível interpretativo pressupõe que o

pluralismo religioso é a chave hermenêutica para a problemática das conceituações divergentes.

É precípuo um processo mais refinado na elaboração do significado do fenômeno social que, nesse caso, é a própria diversidade religiosa. A plataforma ideológica que parece sustentar essa gama de coletividades no tocante às suas inter-relações harmoniosas é o pluralismo religioso. Esse é uma ferramenta da sociologia do conhecimento e da religião para legitimar que a diversidade religiosa, reconhecida como boa e desejável.

Pela razão essencial de o tema do pluralismo religioso estar ocupando um lugar cada vez mais importante dentro da sociologia da religião, a perspectiva construcionista está para além da postura de querer tratar o pluralismo religioso apenas como um conceito formal, uma ideia abstrata de como lidar com a diversidade religiosa:

As análises não são enquadradas em um alto nível de abstração. Elas geralmente atribuem significância às características contextuais e

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Beckford (2003) é o teórico que nos ajuda a compreender mais detidamente não somente a problemática conceitual e suas diferenciações, mas também, a partir dele, tem-se a hipótese de que a diversidade religiosa que existe na sociedade não implica dizer seja considerada boa e desejável.

situacionais para as quais boa ‘documentação’ pode ser produzida. Essa é uma virtude do construcionismo social, mas também implica a exigência correspondente de que suas análises sejam continuamente ajustadas a diferentes contextos e circunstâncias variáveis. Em defesa das perspectivas construcionistas sociais, considero-as indispensáveis aos estudos científicos sociais da religião, mas de modo algum exaustivas ou definitivas. Elas lançam uma luz interessante sobre o uso da religião na vida social e cultural; e fornecem um valioso antídoto, ou alternativa, às variedades de funcionalismo ou essencialismo que ainda tendem a permear a sociologia da religião. Além disso, como operam em um nível intermediário de análise entre o micro e o macro, as análises construcionistas sociais são compatíveis com algumas outras perspectivas teóricas (BECKFORD, 2003, p. 194).

A observação sobre o uso da teoria cognitiva, enquanto uma construção social da realidade, auxilia nos estudos do pluralismo religioso. O ponto de partida é a ideia de que a religião faz parte do tecido social. É um fenômeno participativo da esfera pública e capaz de influenciá-la:

O ponto de partida é a afirmação de que, seja lá o que conta como religião, é um fenômeno social. Independentemente se as crenças e experiências religiosas realmente se relacionam com realidades sobrenaturais, superempirais ou numênicas, a religião é expressada por meio de ideias, símbolos, sentimentos, práticas e organizações humanas. Essas expressões são produtos de interações sociais, estruturas e processos e, por sua vez, influenciam a vida social e os significados culturais em diferentes graus (BEKFORD, 2003, p. 2).

As explicações asseguraram que a diversidade religiosa em sua dimensão empírica e factual está nas sociedades. O pluralismo religioso, em sua forma analítica, consegue adentrar nos liames de significação da realidade e fornece os parâmetros hermenêuticos para a compreensão dos fenômenos pluralismo versus diversidade. O pensamento teórico não se prende aos aspectos cômodos e facilidades conceituais para analisar o fenômeno do pluralismo religioso e não se apega apenas em fórmulas abstratas para explicar algo tão realístico e empírico como a diversidade religiosa.

O estudo beckfordiano reconhece que a teoria da construção social necessita de outras perspectivas teóricas para auxiliar no processo de construir novas bases para pensar o fenômeno religioso em sua pluralidade religiosa. No prisma da aceitação e do reconhecimento, pensa-se nos aspectos do multiculturalismo, que podem reforçar as análises do pluralismo religioso em sua vertente valorativa da diversidade religiosa.

2.6 Aspectos do Multiculturalismo para o Favorecimento do Pluralismo

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