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3.2 SpamTracer

3.2.4 Root cause analysis

A água subterrânea em condições naturais tende a ter uma estabilidade em suas propriedades físico-químicas tanto no espaço como no tempo. No entanto, com a percolação da água através dos interstícios há uma evolução natural do fluido. Em relação às suas características químicas, há uma tendência de aumento da concentração de sólidos dissolvidos, principalmente quando a velocidade de percolação é muito baixa, o que proporciona uma interação mais demorada entre os minerais do aqüífero e a água. Fisicamente a água subterrânea sofre um processo de depuração por filtragem, tornando-se incolor e translúcida. Um processo natural de depuração também ocorre com os organismos vivos, os quais são retidos tanto pela filtração como pela adsorção dos grãos minerais, ocasionando sua morte por inanição ou sufocamento.

De posse do conhecimento hidrogeológico de uma região, pode-se prever a composição físico-química natural das águas subterrâneas. A composição química e sua característica biológica vão definir qual a aptidão da água, ou seja, se serve para uso doméstico, industrial, agrícola etc. Portanto, o conceito de qualidade da água é uma noção relativa que se refere ao tipo de uso ao qual é destinada, definindo-se, assim, normas ou padrões diferentes para cada situação.

Os padrões da água para uso na irrigação são bastante simples, pois o número de parâmetros a serem considerados é restrito. A qualidade das águas para fins agrícolas é determinada pela concentração de alguns íons, tais como o sódio, potássio, cloreto, sulfato e borato, além de parâmetros como condutividade elétrica e concentração total de cátions e sais dissolvidos, que influenciam, de maneira diferenciada, no crescimento de cada espécie vegetal.

A água para o consumo animal é avaliada nos aspectos químico, físico- químico, biológico e radiológico, com o objetivo de evitarem-se assim contaminações, intoxicações e até a morte do animal. Os padrões são adotados, portanto, em conseqüência da diversidade das espécies animais e suas variadas raças, levando em consideração, ainda, aspectos referentes ao clima, cadeia alimentar, tamanho, sexo, etc.

Os padrões da água para fins industriais são complexos em função da diversidade de uso da água, pois dependem do tipo da indústria e dos processos de industrialização, gerando necessidades diferentes de qualidade de água para cada uso. Dentre os vários parâmetros analisados nas águas para fins industriais, o que mais afeta a maioria das indústrias é a capacidade de ataque químico, que revela o seu caráter de agressividade, neutralidade e incrustabilidade.

A água utilizada para recreação de contato direto (natação, hidroginástica etc.) exige um controle constante na sua qualidade química, físico-química, biológica e radiológica, pois oferece risco à saúde humana, principalmente quando contém organismos patogênicos e metais pesados.

Os padrões para uso na piscicultura levam em consideração, principalmente, aspectos ecológicos referentes à manutenção da vida aquática.

Em relação ao conceito de potabilidade, diz-se que uma água é potável quando ela pode ser consumida pelo homem sem perigo para sua saúde, não apresentando efeitos tóxicos, carcinogênicos ou mutagênicos. Os aspectos organolépticos, como odor, sabor e cor, são considerados de importância secundária como critérios de qualidade de água potável, garantindo que o consumidor aceitará a água e não optará por uma fonte aparentemente melhor. Os padrões de potabilidade podem ser estabelecidos, exigidos, adotados ou recomendados pelos diferentes organismos relacionados à saúde pública, usualmente com pouca variação dos valores máximos toleráveis. Entre esses órgãos, podemos citar:

• Poder público: Governo Federal, através dos Ministérios da Saúde ou do Meio Ambiente;

• Governos Estaduais ou Municipais (Secretarias de Saúde, de Obras e de Meio Ambiente);

• Órgãos internacionais: Organização Mundial da Saúde;

• Associações técnicas: Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, American Water Works Association – AWWA, etc.

No Brasil, os padrões de potabilidade da água são estabelecidos pela Portaria nº. 1469, de 29 de dezembro de 2000, do Ministério da Saúde. Na Tabela 10 são apresentadas as concentrações máximas admitidas de substâncias que representam riscos à saúde e de aceitação para consumo humano.

Tabela 10: Resumo dos guias da OMS para a qualidade da água potável, adaptado de FOSTER; HIRATA (1993).

CONSTITUINTEª VALOR (mg/l) CRITÉRIOb FONTE DE ÁGUA

SUBT.C Alumínio (Al) 0.2 E N Amônio (NH4 -N) 0.01 E Pn Arsênico (As) 0.5 S Np Cádmio (Cd) 0.005 S P Cloreto (Cl) 250 E NP Cobre (Cu) 1.0 E Np Cromo (Cr) 0.05 S P Cianeto (Cn) 0.1 S P Detergentes 0.2 E P Fluoreto (F) 1.5 S N

Ferro (Fe) 0.3 E NPO

Chumbo (Pb) 0.05 S Np Manganês (Mn) 0.1 E NPO Mercúrio (Hg) 0.001 S Np Nitrato (NO3 -N) 10.0 S Pn Selênio (Se) 0.01 S Np Sódio (Na) 200 E Np Sulfato (SO4 ) 400 E Np Zinco (Zn) 5.0 E Np

a. Omitiram-se parâmetros tais como condutividade elétrica, sólidos totais, pH, etc. b. S - de consideração para saúde (tóxico, cancerígeno, mutagênico)

E - aspectos estéticos (sabor, cheiro, cor) c. N - ocorrência natural

P - poluição

PO - produto indireto de poluição orgânica mediante redução de Eh a níveis em que Fe e Mn são solúveis.

As letras maiúsculas indicam ocorrência mais freqüente.

Entre os constituintes nocivos à saúde mencionados nos guias de qualidade, o nitrato é o que tem ocorrência mais generalizada e problemática devido à sua alta mobilidade e estabilidade nos sistemas aeróbicos de águas subterrâneas (FOSTER; HIRATA, 1993). Constituintes como o fluoreto e o arsênico, em menor grau, encontram-se nas águas subterrâneas com origem natural. Os metais pesados (cádmio, cromo, chumbo, mercúrio) tendem a ser imobilizados por precipitação, mas migram significativamente em águas subterrâneas com baixo pH e Eh.

Vários constituintes inorgânicos citados por questão estética (Tabela 10) podem ser encontrados com freqüência nas águas subterrâneas, em geral devido a causas naturais e, em alguns casos, relacionados à poluição; destaca-se o cloreto, o ferro, o manganês, o sulfato e o sódio.

No que se refere aos constituintes orgânicos, destacam-se os compostos mais ameaçadores à qualidade das águas subterrâneas como alguns alcanos,

alquenos e benzenos clorados, relativamente solúveis em água e que uma vez no subsolo não provocam grande retardo ou rápida degradação (FOSTER; HIRATA, 1993). Tais compostos são os solventes sintéticos e os desinfetantes, cujo uso é bastante difundido em todas as áreas industriais.

Alguns pesticidas, como DDT, HCB, HCH, heptacloro/epóxi, podem representar uma ameaça para a qualidade das águas subterrâneas apesar de mostrarem uma alta sorção nos solos.

Em relação à qualidade microbiológica, os guias atuais da OMS recomendam que um abastecimento não é satisfatório quando são detectadas bactérias do tipo coliforme fecal em qualquer amostra de 100 ml de água. No entanto, são aceitáveis, em alguns tipos de abastecimento, níveis de até 10/100 ml.