6.4 Résultats
6.4.5 Efficacité des contres-mesures
O Membro Triunfo, não aflorante nesta bacia hidrográfica, caracteriza a porção basal da Formação Rio Bonito, sendo constituído essencialmente de arenitos e conglomerados cinza-claros a esbranquiçados, com intercalações de folhelhos e siltitos maciços ou laminados de coloração cinza ou preta.
Do ponto de vista litológico, os arenitos variam de finos a grossos, são argilosos, micáceos, feldspáticos, com grau de selecionamento regular e grãos, geralmente, subarredondados. Apresentam estratificações paralelas, cruzadas tabulares e acanaladas de pequeno a grande porte, e ciclos onde predominam lobos sigmoidais.
Descrições dos testemunhos de sondagem (furos PTR-01, PTR-02 e PTR- 03), realizadas por este autor, evidenciaram a ocorrência de arenitos finos, quartzosos, com estruturas de ondas de tempestades (hummockys), que intercalam siltitos arenosos com estratificação lenticular. Localmente estes arenitos estão fluidizados e apresentam estruturas de afundamento (flisch-like delta front) ou de deslizamento (slurry) e os siltitos apresentam estruturas convolutas. A Figura 18 ilustra estas estruturas.
Figura 18: Arenitos fluidizados com estruturas de carga e escorregamento e siltitos com estruturas convolutas. Testemunhos da sondagem PTR-03. Local Rio Ferreira, nas proximidades da cidade de Treviso.
Localmente, ocorrem conglomerados constituídos de areia grossa, grânulos e seixos de composição variada (quartzo, folhelhos, argilitos e siltitos), imersos em uma matriz fina (areno-pelítica), feldspática e micácea.
Secundariamente, são encontrados folhelhos e siltitos cinza-escuros a quase pretos, carbonosos, micáceos, com nódulos de pirita, às vezes maciços ou com laminações plano-paralela, ondulada e lenticular. Ocorrem ainda arenitos muito finos, com laminação flaser.
De acordo com os perfis litológicos dos referidos furos, a espessura do Membro Triunfo, varia de 24,30m no furo PTR 02, a 80,00m no furo executado na localidade de São Pedro, ambos situados nas proximidades da cidade de Treviso. Cabe ressaltar que o furo PTR 02 posiciona-se na borda de uma calha estrutural N300W, a qual será descrita detalhadamente no capítulo referente à Geologia Estrutural, e que o furo executado na localidade de São Pedro posiciona-se exatamente no centro da referida calha.
Medidas de paleocorrentes, efetuadas por KREBS; CARUSO JUNIOR em afloramento de arenitos situados à entrada de Lauro Müller, no ponto 1, por ocasião
da elaboração do roteiro geológico da COLUNA WHITE (1994), obtiveram em estratificações cruzadas 240º e 250º, e em sigmóides, uma variação de 250º a 280º, indicando um sentido da corrente para oeste e sudoeste, sendo que a área-fonte estaria situada a leste-nordeste.
Pelas características litológicas e geometria sigmoidal das camadas, o Membro Triunfo pode ser interpretado como formado em um ambiente deltáico, dominado por rios e ondas. A ocorrência de arenitos lenticulares com intenso retrabalhamento por ondas de tempestade (hummockys), sugere a presença de barras marinhas de costa fora. A persistência de marcas de onda no topo das camadas sugere profundidade de deposição pequena, provavelmente inferior a 30 metros, partindo-se do pressuposto que se trata de uma bacia intracratônica. Membro Paraguaçu
O Membro Paraguaçu, também não aflorante na área desta bacia, constitui a parte média da Formação Rio Bonito, sendo caracterizado por uma sedimentação predominantemente pelítica. É formado principalmente por siltitos e folhelhos cinza- médios a esverdeados e subordinadamente apresenta intercalações de camadas de arenitos muito finos, quartzosos, micáceos, com laminação plano-paralela e ondulada, e bioturbação. Mais raramente, podem ocorrer camadas e leitos de margas. As Figuras 19 e 20 ilustram a seqüência litológica desta formação nas proximidades da cidade de Treviso.
Figura 19: Membro Paraguaçu. Intercalação de siltitos e arenitos finos com estratificação ondulada. Testemunhos de sondagens do furo PTR 02, próximo à cidade de Treviso.
Figura 20: Membro Paraguaçu. Detalhe da estratificação ondulada em arenitos finos. Testemunhos de sondagens do furo PTR 02, próximo à cidade de Treviso.
Com relação à espessura desta unidade, a correlação litológica realizada através dos perfis dos furos PTR 01, PTR 02, PTR 03 e o furo executado para USITESC na localidade de São Pedro, Município de Treviso, permitiram verificar-se que a espessura varia de 22,60m no furo PTR 03 a 46,00m no furo realizado na localidade de São Pedro.
A sedimentação do Membro Paraguaçu deu-se em um ambiente marinho de plataforma rasa, de caráter transgressivo sobre os sedimentos flúviodeltaicos do Membro Triunfo, que lhe é subjacente. Caracteriza o afogamento do delta do Membro Triunfo.
Membro Siderópolis
O Membro Siderópolis constitui um espesso pacote de arenitos, com intercalações de siltitos, folhelhos carbonosos e carvão. Como foi dito, pela primeira vez o Membro Siderópolis está sendo subdividido em três seqüências litológicas distintas e individualizado em mapa na área correspondente à bacia hidrográfica do Rio Araranguá.
a) Seqüência basal:
Nesta seqüência, geralmente os arenitos possuem cor cinza-amarelado, textura média, localmente grossa, sendo moderadamente classificados, com grãos arredondados a subarredondados de quartzo e, raramente, feldspato. Possuem abundante matriz quartzo-feldspática. As camadas apresentam espessuras variáveis, desde alguns centímetros até mais de metro, geometria lenticular ou tabular, sendo a estruturação interna constituída de estratificação acanalada, de médio e pequeno porte. Ocorrem também arenitos com granulometria fina a muito fina; sua cor é normalmente cinza-claro a cinza-médio, tendo como principais estruturas a laminação plano-paralela, truncada por ondas e cruzada cavalgante (climbing), acamadamento flaser e drapes de argilas, bioturbação e fluidização.
No topo da seqüência basal do Membro Siderópolis, ocorre uma espessa camada de carvão, conhecida como Camada Bonito. Em alguns locais da bacia, principalmente na região litorânea, onde esta seqüência possui espessuras superiores a 60m, há outras camadas de carvão. Na área da bacia do rio Araranguá, esta porção basal possui espessura máxima de 35m, como pode ser verificado nos perfis litológicos dos furos PB 01 e MA 69, ambos situados nas proximidades da
cidade de Criciúma, sendo aflorante nas proximidades da referida cidade, como se vê no Mapa Geológico, Anexo 1.
b) Seqüência média:
A seqüência média é a mais espessa da três. O Mapa Geológico (Anexo 1) mostra que ela ocupa uma extensa faixa posicionada ao longo dos vales dos rios Sangão e Criciúma, estando presente também no alto vale do rio Mãe Luzia, onde aflora de maneira contínua desde a localidade de Forquilha, ao norte, até a confluência do rio Morozini, ao sul. No terço superior desta seqüência, ocorre a camada de carvão Irapuá. De maneira subordinada, intercaladas nessa seqüência arenosa, ocorrem camadas de siltito e folhelho carbonoso.
Trabalhos de campo, realizados durante os trabalhos de elaboração desta tese, demonstraram que os arenitos do topo desta seqüência apresentam estruturas tipo heringbone, evidenciando a parte inferior da antepraia, com ação de ondas. As Figuras 21 e 22 ilustram os arenitos desta seqüência, na estrada que dá acesso à Mina Esperança, em Treviso.
Na sua porção média predominam arenitos finos quartzosos, cor cinza-claro, com microestratificação cruzada acanalada ou ondulada, com truncamento por ondas e hummocky. Intercalados neste pacote arenoso ocorrem siltitos e, subordinadamente, siltitos carbonosos, folhelhos e delgadas camadas de carvão. Próximo à base desta seqüência ocorre um espesso pacote de arenitos cinza-claro, textura média, com pouca matriz feldspática. A estruturação interna das camadas é constituída principalmente por estratificação cruzada acanalada de pequeno porte, percebendo-se, localmente, gradação normal.
Figura 21: Arenitos com estruturas tipo heringbone que ocorrem no topo desta seqüência. Local: acesso à Mina Esperança, Município de Treviso.
Figura 22: Detalhe da estrutura tipo heringbone. Local: acesso à Mina Esperança, Município de Treviso.
As litologias pelíticas são caracterizadas por siltitos de coloração cinza-média a cinza-escura, com acamadamento wavy e linsen, associados aos arenitos finos com laminação truncada por ondas. Aparecem também siltitos cinza-escuro a pretos, carbonosos, geralmente maciços, com impressões de plantas, que se agregam, em alguns locais, a camadas de carvão. Neste intervalo médio, as intercalações de camadas de carvão são muito subordinadas.
c) Seqüência superior:
Na seqüência superior do Membro Siderópolis, ocorrem arenitos finos a médios, cor cinza-claro, bem retrabalhados, com grãos bem arredondados, quartzosos, com ou sem matriz silicosa. Estes arenitos apresentam geometria lenticular e a estruturação interna das camadas é formada por estratificação ondulada, com freqüentes hummockys, que evidenciam retrabalhamento por ondas (Figuras 23 e 24). Neste intervalo ocorre a mais importante camada de carvão existente na Formação Rio Bonito, denominada camada Barro Branco. Além dessa, em locais isolados da bacia carbonífera, ocorre outra camada de carvão, denominada Treviso.
Figura 23: Arenitos com estruturas tipo hummocky, que constituem a lapa da camada de carvão Barro Branco. Local: acesso à Mina Esperança, Município de Treviso.
Figura 24: Detalhe da estrutura tipo hummocky. Local: acesso à Mina Esperança, Município de Treviso.
A espessura do Membro Siderópolis é bastante variável ao longo da bacia do Araranguá. De acordo com os mapas de isópacas das camadas Barro Branco e Bonito Inferior (KREBS et al.,1982) e com os furos de sonda dos diversos projetos executados para pesquisa de carvão pela CPRM (ABORRAGE; LOPES, 1986; FABRÍCIO et al. 1973), a espessura média é de 80 m. Porém, na localidade de São Pedro, no município de Treviso, onde foi executado um furo para a futura USITESC, a espessura do Membro Siderópolis medida foi de 168m. Em vários outros locais deste mesmo município a espessura é superior a 120m, como demonstram os perfis litológicos dos furos EP-12 (6.847.500 X 648.000), FO-14 (6.849.228 X 649.834), BG-27 (6.852.000 X 648.500), entre outros.
A interrelação das diferentes unidades de fácies identificadas nos Membros Siderópolis e Triunfo sugere um ambiente de deposição relacionado a um sistema lagunar e deltáico, influenciado por rios e ondas. A presença de cordões litorâneos, evidenciada pelo arenito de cobertura da camada de carvão Barro Branco, que apresenta freqüentes estruturas tipo microhummocky, indica que este ambiente lagunar/deltáico era periodicamente invadido pelo mar. Por outro lado, a persistência de fácies predominantemente pelíticas no Membro Paraguaçu sugerem a atuação de correntes de maré.
O conteúdo fossilífero da Formação Rio Bonito é evidenciado pela abundância de restos vegetais e palinomorfos encontrados nos carvões e rochas associadas, caracterizados na Carta Estratigráfica da Bacia do Paraná (PETROBRÁS, 1970), em que, através de sua análise, permitiram situar esta formação no Permiano Inferior, mais especificamente entre o Artinskiano e a base do Kunguriano.