VII. La demande en mariage
VII.II Analyse des passages retenus dans les traductions
1. La rhétorique de l’homme qui fait sa demande en mariage
A avaliação proposta pelo MAPP diferencia-se das propostas tradicionais e demarca a quebra do paradigma da rigidez metodológica, respaldada pelo cientificismo. A partir desta perspectiva metodológica, pude compreender o desafio da construção dos meus próprios instrumentos de avaliação e, sobretudo, o exercício da liberdade acadêmica e a possibilidade de avaliar qualitativamente. O exercício de questionar a própria avaliação, seus métodos e técnicas, causou desequilíbrio inicial, pois os percursos metodológicos tradicionais não dão liberdade para a proatividade do pesquisador. A possibilidade de encontrar meu próprio caminho e, assim, construir o desenho metodológico de minha pesquisa, a partir de uma análise interpretativa da problemática social e da política pública a ser avaliada, despertou-me sentimento de liberdade criativa. Uma chave analítica decisiva foi a perspectiva de que, os instrumentos e técnicas, podem ser criados a partir da realidade dos diversos atores envolvidos e não de forma verticalizada ou com base em dados “oficiais”.
Rodrigues (2008) destaca a importância da definição de avaliação que deve acompanhar toda e qualquer pesquisa, exigindo compreensão dos pressupostos e concepções de ciência e prática científica. Para a autora, as “diferentes abordagens podem ser agrupadas, basicamente, em duas propostas distintas: uma que entende avaliação como ‘medida’ e outra que privilegia o sentido de avaliação como ‘compreensão’.” (p. 11).
A escolha por esta perspectiva de avaliação do PPDT, privilegia a interpretação de aspectos da realidade visível, imensuráveis, mas observáveis, experimentados e interpretados. (LEJANO, 2012). Esta pesquisa é qualitativa, metodologicamente embasada na perspectiva de avaliação de políticas públicas em profundidade que:
[...] não obedece a modelos a priori, mas sim constitui uma construção processual do avaliador pesquisador, que faz suas escolhas metodológicas ao longo do processo avaliativo. Isso implica um exercício de reflexão constante do avaliador quanto ao lugar sócio-político, exigindo uma vigilância permanente para não cair nas armadilhas da subjetividade, dos seus próprios interesses e da sua vinculação institucional com a política pública, o que pode implicar em vieses avaliativos. (CARVALHO E GUSSI, 2011, p. 178).
Nesta pesquisa avaliativa, são utilizados variados métodos de pesquisa social, especialmente a experiência empírica dos que vivenciam e experimentam o PPDT. Conforme Santos “a experiência não dispensa a teoria prévia, o pensamento dedutivo ou mesmo a especulação, mas força qualquer deles a não dispensarem, enquanto instância de confirmação última, a observação dos factos.” (2004, p. 26) Bem alinhado à perspectiva de pesquisa qualitativa que, de acordo com Minayo:
[...] responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (2001, p. 21-22)
Conforme Rodrigues (2008), uma pesquisa que enfatiza a interpretação da realidade e do lócus empírico como fonte de conhecimentos, precisa utilizar:
[...] diferentes tipos de dados e informações: questionários em novos e variados formatos; grupos focais que inovem em relação às propostas tradicionais; entrevistas de profundidade aliadas às observações de campo; análise de conteúdo do material institucional com atenção ao suporte conceitual e às formas discursivas nele expressas; abordagem cultural, com compreensão dos sentidos formulados, em diferentes contextos, sobre um mesmo programa; etc (RODRIGUES, 2008, p. 11)
Compreendendo que a avaliação em profundidade exige conhecimento dos diferentes atores institucionais e destinatários desta, além de um processo de imersão no campo, no sentido etnográfico de construir uma “descrição densa”, propõe-se nesta pesquisa avaliativa, (re) construir a trajetória do PPDT, “compreendendo seus diversos sentidos”, a partir da fala dos diferentes sujeitos. (GUSSI & OLIVEIRA, 2016, p. 18) Ciente de que, para construir a noção de trajetória, é necessário que se considere tanto os distintos posicionamentos dos sujeitos (e da instituição) no contexto social e histórico, como as interpretações destes sobre tais posicionamentos a partir de suas próprias representações.
Enquanto procedimento metodológico, a entrevista em profundidade possibilita um diálogo intensamente correspondido entre o participante e o
entrevistador/informante. Ao utilizar a história de vida para iniciar o diálogo, permite-se ao participante retomar vivências possibilitando uma possível “liberação de um pensamento crítico reprimido e que muitas vezes nos chega em tom de confidência. [...] Esse relato fornece um material extremamente rico para análises do vivido.” (CRUZ NETO, 2001, p. 58) As trajetórias constituem instrumentos metodológicos estratégicos para a compreensão dos processos sociais em um diálogo entre temporalidades, narrativas, e compreensão histórica coletiva e social com a vivência singular e individual. Por meio das narrativas e relatos de vida, é possível formular a compreensão do contexto social em que os sujeitos se inserem, assim como das representações de tais sujeitos a partir das evocações realizadas por estes, por exemplo, nas entrevistas em profundidade. (GUSSI, 2017)
Em complementação à entrevista em profundidade, utilizei a técnica de Grupo Focal, entendida por Oliveira e Freitas (1998) como “um tipo de entrevista em profundidade realizada em grupo” (p. 83), objetivando a análise e a interação dentro do grupo. A técnica é apropriada quando se almeja compreender como as pessoas pensam, sentem ou agem diante de uma determinada experimentação, ideia ou evento. (VERGARA, 2004) As percepções podem surgir diante de um debate entre os participantes, com concordância ou discordâncias de pontos de vista. Nos grupos focais envolvendo PDTs e gestores, foi possível alcançar esse objetivo.
A observação participante também é recurso fundamental no alcance da análise em profundidade. A utilização da técnica é justificada por permitir um “contato direto do pesquisador com o fenômeno observado para obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seus próprios contextos.” (CRUZ NETO, 2001, 60). Enquanto observadora, estabeleci mais proximidade com a realidade observada, me dispondo a modificar e ser modificada pelo contexto. Esta técnica possibilitou captar uma variedade de fenômenos que são mais fielmente obtidos, mediante observação direta na própria realidade e, por isso, capazes de transmitir situações mais imponderáveis e evasivas da vida real. (CRUZ NETO, 2001)
A pesquisa documental foi realizada, principalmente, em sites oficiais do Estado e da União, em atas de conselhos de turma, decretos e portarias, escopo de legislações sobre a educação cearense nos últimos 20 anos, PPAs do Estado e da União, relatórios oficiais da SEDUC/CREDE 3 e das escolas alvo de estudo.
O lócus da pesquisa de campo são três das escolas as escolas estaduais de ensino médio, localizadas em Acaraú, município da região Norte do Ceará. São
escolas de diferentes modalidades de ensino médio, o que possibilitou uma análise da atuação do PDT em diferentes cenários, com clientela, estruturas físicas e pedagógicas diversas. Para melhor compreensão do universo das escolas pesquisads e da população participante do estudo, segue o quadro 1, com exposição de dados da regional 3.
Quadro 1 - Caracterização das escolas que compõem a regional 3 (CREDE 3 Acaraú) - 2018/2019
MODALIDADES QUANT. ESCOLAS ESTUDANTES MATRICULADOS ESTUDANTES PESQUISADOS14 EEM 16 7096 435 EEEP 4 1965 417 EEMTI 2 603 86 EJA Presencial 5 284 0 EJA Semi-presencial 1 612 0
EIT com Ensino Médio 3 141 0
EIT somente com EF 6 707 0
TOTAL 32 ESCOLAS 11.408 ESTUDANTES 1036 Estudantes
Fonte: Elaboração da autora, com base nos dados coletados no SIGE ESCOLA/SEDUC, 2019
Os dados foram coletados na EEEP Marta Maria Giffoni de Sousa, na EEMTI Maria Alice Ramos Gomes e na EEM Tomaz Pompeu de Sousa Brasil. A escolha considerou, além das diferentes ofertas de ensino médio, a proximidade geográfica e a função exercida pela pesquisadora, enquanto técnica na regional 3, possibilitando maior proximidade com o campo de estudo e com os sujeitos.
A coleta de dados deu-se em momentos distintos. O primeiro consistiu no levantamento prévio de percepções de estudantes, professores, gestores e pais de vinte e uma (21) escolas estaduais da regional 3 que aderiram ao PPDT em 2018. A coleta foi realizada por meio de questionário on-line, alcançando 9,08% dos estudantes, 90% dos PDTs, 30% de professores não-Dts e 10% de pais/responsáveis.
O segundo momento da pesquisa de campo se concentrou na coleta de dados junto aos estudantes e pais/responsáveis de três turmas de cada umas das escolas pesquisadas, além de professores, gestores e PDTs. Os dados foram coletados também em pesquisa documental (dossiês das turmas, SIGE Escola15,
SIGE PPDT), questionários, entrevistas e grupos focais com representantes de cada
14Estudantes que participaram da pesquisa, considerando todas as fases da pesquisa. A 1ª fase que ocorreu em 2018 e considerou todas as 21 escolas da regional com PPDT e a 2ª e a 3ª fase, que ocorreu somente no universo das 3 escolas de Acaraú.
segmento. O ponto de partida foram os resultados obtidos na sondagem inicial. O terceiro momento exigiu entrevistas em profundidade com os gestores de cada uma das referidas escolas, totalizando-se: oito (8) coordenadores escolares, três (3) diretores, três (3) PDTs de cada uma escolas estudadas, totalizando-se nove (9) PDTs, além de dois (2) estudantes por escola, totalizando-se seis (6) participantes e dois (2) pais/responsáveis de cada escola, ou seja, seis (6) pais e/ou responsáveis. Foram sujeitos desta pesquisa, ainda, gestores e técnicos da SEDUC e das CREDE que estiveram no cenário político desde a época da implantação do PPDT: técnicos da SEDUC, a Coordenadora Estadual do PPDT; treze (13) CRPPDTs, 30% do total; os três coordenadores que atuaram na regional 3 entre 2008 e 2019; a atual equipe da Cedea: o orientador e as Superintendentes Escolares (SE) e a participação da incentivadora do PPDT no Ceará, Profa. Haidé Eunice G. Ferreira Leite. Estes sujeitos foram entrevistados utilizando-se, de forma prioritária, a comunicação presencial. Quando não foi possível, foram utilizados webconferência, e-mails e telefone.
Há uma crítica em relação às pesquisas que ocorrem de forma isolada, pois limitam a identificação das verdadeiras causas do desengajamento escolar. “Para que sejam efetivamente capazes de identificar os fatores determinantes, é preciso utilizar metodologias que contraponham as visões de jovens, pais e educadores no momento em que são formuladas.” (GESTA, 2017, p. 46). Esta crítica foi considerada nesta pesquisa, posto que, na perspectiva da avaliação em profundidade, é imprescindível a percepção dos implementadores e dos usuários das políticas públicas.
Na análise das perspectivas dos sujeitos, destaco a importância da triangulação dos dados, pela influência em “determinar o grau de consenso entre os diferentes resultados procurando assim minimizar os enviesamentos dos julgamentos subjectivos, quer do investigado quer do investigador” (SÁ, 1997, p. 21). Baseada nesta experiência, utilizo este método no destaque e na análise das falas dos sujeitos e no cruzamento dos dados, buscando perceber nos dados, nas falas e na emoções expressas pelos sujeitos, “o que há em comum, o que é consensual entre eles.” (OLIVEIRA, 2017, p. 118)
Para ampliar a compreensão da população pesquisada, seguem quantificados os sujeitos envolvidos na pesquisa de campo. No quadro 2, apresenta-se os 1210 sujeitos participantes na primeira fase da pesquisa, onde foram colhidos dados, via formulário do google-drive, com estudantes, professores, PDTs e famílias.
Quadro 2 - Caracterização quantitativa dos sujeitos nas primeira fase da pesquisa de campo SUJEITOS DA PESQUISA (1ª fase )
ESCOLAS/ SUJEITOS EEM EEEP EEMTI TOTAL CREDE/SEDUC
Estudantes 435 417 86 938 x - x- x
Professores 20 19 15 54 x - x- x
PDTs 38 42 54 134 x - x- x
Pais/Responsáveis 30 34 20 84 x - x- x
TOTAL 523 512 175 1210 X - X
Fonte: Elaboração da autora, 2019
O quadro 3 expõe os sujeitos participantes na 2ª e na 3ª fase da pesquisa, a partir da coleta de dados nas escolas da sede de Acaraú.
Quadro 3 - Caracterização quantitativa dos sujeitos na 2ª e na 3ª fase da pesquisa de campo SUJEITOS DA PESQUISA (2ª e 3ª fase )
ESCOLAS/ SUJEITOS EEM EEEP EEMTI TOTAL CREDE/SEDUC
Estudantes 147 171 50 368 Gestores da SEDUC 2
Professores 3 4 4 11 Gestor PPDT SEDUC 1
Professores PDTs 6 12 9 27 Gestores de CREDE 3
Pais/Responsáveis 28 12 13 53 Coord. Regionais PPDT 13
Gestores Escolares 4 3 3 10 Orientadores Cedea 2
Articulador (a) de gestão 1 Superintendentes Escolares 5
TOTAL 188 202 79 469 Técnicos
CREDE/SEDUC 27
Total de participantes na 1ª, 2ª e 3ª fase 1.706 sujeitos
Fonte: Elaboração da autora, 2019
É válido registrar a experimentação da pesquisa empírica como um marco na trajetória desta pesquisadora. Olhar, ouvir e escrever, a partir dos discursos proferidos pelos sujeitos, conforme direcionado por Cardoso de Oliveira (1996), convergiu para um lugar de fala diferente do costumeiramente experimentado. Significou uma revisitação da compreensão das políticas públicas no meu exercício cotidiano e possibilitou uma autoavaliação de estratégias e limitações, enquanto servidora pública. Metodologicamente apresentada, cujos passos estão explicitados nesta seção, segue a descrição da investigação avaliativa do PPDT, na perspectiva da avaliação de políticas públicas em profundidade.
3 O DESENGAJAMENTO DA JUVENTUDE NA ESCOLA E SEUS REFLEXOS NA EDUCAÇÃO E NA SOCIEDADE
Sei que o ensino não é a alavanca para a mudança ou transformação da sociedade, mas sei que a transformação social é feita de muitas tarefas pequenas e grandes, grandiosas e humildes! Estou incumbindo de uma dessas tarefas. Sou um humilde agente da tarefa global de transformação. Muito bem, descubro isso, proclamo isso, verbalizo minha opção. Paulo Freire (2013)
Os jovens abandonam a escola e não aprendem satisfatoriamente, uma realidade indiscutivelmente mostrada pelos índices de fluxo escolar. Dados do PNAD (2015) evidenciam altos índices de estudantes que abandonam a escola, significando milhares de vidas jovens que estão à margem de orientações pedagógicas, cidadãs e socioemocionais que poderiam ampliar oportunidades profissionais, melhorando sua qualidade de vida, de suas famílias e de outros núcleos familiares que poderiam formar, contribuindo para um país mais justo e mais desenvolvido.
Essas questões suscitam reflexões sobre a problemática aqui evidenciada: o abandono e a evasão dos jovens no ensino médio, fenômenos que refletem o processo de desengajamento escolar, que inclui histórico de infrequência e de reprovação. A proposta desta seção é aprofundar a compreensão desta problemática. É necessário entender o “desencanto”, a falta de perspectiva, as condições e as adversidades que justificam a desistência dos estudantes, temporariamente quando abandonam, ou definitivamente, na situação de evasão. Na tessitura destas reflexões analíticas, destaca-se o PPDT, alvo desta investigação avaliativa. A expectativa é que o produto desta imbricação, permita elucidar a contribuição dos PDTs no desengajamento dos jovens na escola. Nestes construtos, procuro imbricar as questões do fenômeno do abandono e da evasão escolar às questões históricas, políticas, econômicas e culturais do Brasil. São destaque as categorias imbricadas nesta realidade como: capital cultural, razões históricas da desigualdade racial e social no Brasil e o desengajamento escolar.
3.1 O abandono e a evasão escolar: um dilema educacional e social que exige